quinta-feira, junho 27, 2013

Os piores 20 minutos da minha vida

Ainda fico sem pinga de sangue quando penso nisso. Ainda sinto a garganta seca, o coração acelerado e uma enorme vontade de gritar. Ainda me sinto a gelar e a desfalecer.
Não passou de um susto, e por isso decidi contar aqui. Mas foi o maior susto da minha vida e pode acontecer a qualquer um. 
Há umas semanas uma amiga veio buscar-me para almoçar. Como já tem duas cadeirinhas de criança no seu carro e são daquelas difíceis de tirar, tentou meter o ovo da Alice no lugar do meio. Lá nos debatemos durante uns minutos para tentar encaixar o ovo, mas acabámos por conseguir. E o que fizemos a seguir? Batemos as portas para nos sentarmos à frente... O que eu não sabia era que ela tinha tirado a chave da ignição e que, por artes do demo a mesma tinha caído no banco traseiro do carro e que ela, sem querer, a tinha pisado com o joelho e tinha trancado o carro. 
Por isso, quando batemos as portas para passarmos para o banco da frente a  Alice ficou trancada dentro do carro.
Não vou escrever o que senti porque não existem palavras que o façam devidamente. Senti-me morrer, com uma vontade enorme de partir o vidro, mas com medo que os estilhaços chegassem à bebé. 
Felizmente não passou de um susto: ela esteve sempre a dormir; o carro estava estacionado à sombra e estava frio no seu interior; o marido da minha amiga meteu-se num taxi e foi em tempo record  do seu trabalho até casa buscar a chave suplente e daí até minha casa.
Foi só um susto, é o que não paro de dizer a mim mesma, mas não consigo deixar de pensar no que poderia ter acontecido e no que poderia ter feito para o evitar.


1 comentário:

Helena Santos disse...

Ninguém sabe explicar o que sente uma mãe...pode parecer uma situação simples, mas foge do nosso racional, deixamos de pensar...eu ia morrendo de susto quando num hotel (por acaso pouco movimentado na altura), pusemos o ovo com o nosso filho, na altura com 2 meses, primeiro no elevador, e estávamos a carregar as malas, quando num instante, de repente, estávamos os dois fora do elevador e as portas fecharam e o elevador subiu com o pequenino sozinho lá dentro...fiquei como disse, sem pinga de sangue...nunca subi escadas tão rápido na vida, todos os andares um a um, para cima, depois para baixo, sempre a ver se o elevador parava, e acho que nem respirava...o pai, ficou calmamente cá em baixo, esperou que o elevador chegasse de novo, com o pequenino tranquilo lá dentro. Ufa...fiquei o resto do dia a tremer, escusado será dizer.
Foi só um susto...
Um beijinho grande