Sábado, Outubro 08, 2011

Fim

Foram mais de seis anos de desabafos, partilhas, alegrias, tristezas, dúvidas... foi muito tempo, é verdade. E gostei. Confesso que preferia o início, em que este blogue era anónimo. Sentia-me mais livre.
Hoje sinto-me mais livre, mais leve. O motivo pelo qual iniciei este blogue deixou, de certa forma, de existir e os acontecimentos mais recentes que tenho vivido fazem-me mesmo pensar que não quero que toda a gente (pelo menos hipoteticamente) saiba demasiadas coisas sobre mim...
Por este motivo, decidi que este será o último post do meu blogue.
Alguns dias depois da morte de Steve Jobbs e um dia antes de mais um triste aniversário sobre a morte do meu pai, apetece-me dizer adeus

Sexta-feira, Setembro 02, 2011

Coisas que me irritam II

os cortes cegos no Serviço Nacional de Saúde. Eu até como o argumento hipócrita de que quem ganha mais pague mais taxas moderadoras (e digo hipócrita porque os que mais ganham também são os que mais descontam todos os meses). Mas quando oiço ministro da saúde dizer que é preciso reduzir os incentivos aos transplantes porque esses incentivos incrementam o número de transplantes fico com vontade de lhe desejar que uma ou várias pessoas da sua família sejam obrigadas a fazer diálise ou entrem em lista para um transplante de fígado ou de pulmão para ele ver o que é bom para a tosse. O homem falava e eu tinha vontade de lhe bater. Como é possível que alguém pense que os médicos fazem mais ou menos transplantes porque gostam de esbanjar o herário público? "O que é que hei-de fazer para chatear o ministro Paulo Macedo? Há, já sei, vou ali fazer um transplante renal que, só por acaso, fica mais barato do que manter um doente em diálise."

Coisas que me irritam I

Que o Américo Amorim digaà boca cheia que não se considera rico.

Sexta-feira, Agosto 05, 2011

notícias deste lado do mundo

Sei que foi há mais de um mês, mas não tive oportunidade para escrever antes. O que não quer dizer que não tenha ocupado a minha mente.
Morreu o Angélico , uma verdadeira tragédia. E não brinco quando o digo. Às vezes os média retiram a dimensão humana às pessoas. Senti isso com o Angélico. Aquela algazarra de fãs, namoradas, correntes de força, notícias e especulações sobre o uso ou não de cinto... até que há umas semanas conheci, por acaso, um casal de amigos do Angélico. E senti ali o lado humano da tragédia, o modo como aquela família está e estará para sempre marcada pela morte do padrinho de um dos seus filhos... comoveu-me e dei por mim a pensar o que aconteceria, como estaria, se fosse comigo, se fosse um dos meus.
Penso naquela mãe, penso no muito que se especula e especulou, no muito que se criticou... e penso em como é fácil carregar no pedal. Quem tem um bom carro e anda na autoestrada sabe o que digo... é tão fácil pisar o risco.
Outra tragédia, a uma outra escala, claro está, e que muito me abalou foi a da Noruega. Como é possível que um ser humano seja capz de tal brutalidade? Acho que a humanidade está a enlouquecer. No outro dia estava no metro e ouvi um senhor a dizer, a respeito do aumento dos transportes, qualquer coisa do género "depois admiram-se com coisas como as da Noruega. Um gajo passa-se". E tive tanta vontade de lhe partir a tromba, mas tanta mesmo.
O mundo corre de tragédia em tragédia e a nossa vida vai avançando. Sempre a tentar manter-me à tona. Sempre a tentar ser feliz.
E raios me partam se não sou capaz

Quinta-feira, Julho 28, 2011

cena de ciúmes

O meu filho tem um grande amigo na escola, o Afonso Beijoca. O Afonso é um mimo de menino, talvez porque é um de três filhos e não tem tempo para merdas. Não há cá birras desnecessárias. Isso é pura perda de tempo. O meu filho não pode viver sem o Afonso, mas quando estão juntos gosta de armar um barraco. Coisas de gajos. Hoje, no entanto, conseguiu ser mais refinado do que costume e saltou com um "tu gostas mais dele do que de mim, queres é que ele seja teu filho". Jesus... o gajo arma um barraco, porta-se mal mas como eu repreendo já não gosto dele. Cómico, não fosse trágico.

Quarta-feira, Julho 06, 2011

Morrer de pé

gosto desta expressão. Não gosto de a usar, porque significa que alguém morreu.
Morreu Maria José Nogueira Pinto, vítima de cancro do pâncreas. E se a expressão "morrer de pé" se pode aplicar a alguém, esse alguém é esta mulher que ainda há um mês, já gravemente doente e debilitada pelos tratamentos, participava na campanha para as eleições.
Não partilhava muitos dos ideais de Maria José Nogueira Pinto, mas partilhámos, por infortúnio, uma doença chamada cancro. E creio que partilhámos também a bravura com que lutámos contra a doença e com que tentámos levar a nossa vida da forma mais normal possível. Infelizmente tivemos resultados diferentes.
Muito prazer me daria poder discutir com ela muitas das questões nas quais não estamos de acordo.
Fica aqui, para muitos dos nossos políticos, o exemplo de alguém que não desistiu, enquanto lhe foi possível.

Segunda-feira, Julho 04, 2011

Gosto

de um ministro da educação que não acha normal que meninos que andam no 5º ano de escolaridade possam usar máquina calculadora. A sério que gosto!

Sexta-feira, Maio 27, 2011

the big picture

Eu sei que eles não fazem por mal. Os médicos que me seguem são excelentes, a sério. Mas vivem no seu burgo, olham para a sua capela, raramente olham para o quadro geral. Não é por mal, é mesmo defeito de fabrico. Excepção feita aos internistas e a um ou outro mais atento e interessado.
Desde que fui operada que tenho caimbras muito dolorosas. E quando digo dolorosas falo daquelas que nos fazem acordar a meio da noite a chorar. E em sítios estranhos. Não apenas nos pés e nas pernas mas também no diafragma, E estas são do catarino porque não me deixam respirar e porque é muito difícil esticar essa zona. Só fazendo a ponte! Também tenho muitos gases na barriga e na zona do diafragma e estes já me levaram as urgências, tantas eram as dores.
A resposta é quase sempre a mesma: magnésio para as caimbras, aero-om para os gases. Mas já lá vão 6 anos e as melhoras não aparecem. Sim, estou viva, sim estou livre de doença... mas não há mesmo nada a fazer?
Talvez não... ou talvez haja.
Foi preciso escangalhar o meu pé para conhecer as terapeutas Vera e Margarida. E hoje, juro, hoje só não abracei uma delas a chorar de alegria por vergonha.
Depois do pé e dos gémeos da perna esquerda, a terapeuta Margarida, depois de lhe ter dito o estranho local onde tinha caimbras, decidiu mexer no meu diafragma. E fez maravilhas, juro que fez. E mostrou-me que não tenho de viver com estas dores, com este mau-estar.
Deixem-me ir à próxima consulta de fisiatria que logo vêem o que vou pedir ao médico: as mãos da terapeuta espetadas no meu diafragma...
Escrevo sobre isto porque durante anos achei que estas dores eram o preço apagar por estar bem e viva. Mas não, eu não tenho de pagar este preço e imagino a quantidade de pessoas que por aí há a sofrer, a ter dores desnecessariamente. Se alguém nessas condições me lê, não desista, queixe-se ao seu médico, faça qualquer coisa.
Eu, no que a mimme diz respeito, tive hoje uma dia muito feliz.