sexta-feira, janeiro 29, 2010

Avanços e recuos

Passaram-lhe as grandes birras. Não grita por tudo e por nada, está a gostar de estar na sala dos crescidos na escola de música, interessa-se por experiências científicas na escola e não pára de falar da Idade do Gelo 3. Ontem, quinta-feira, dia mãe/filho, lá fomos jantar ao Buenos Aires (que, ou muito me engano ou vai passar a ser a nossa cantina das quintas-feiras). À chegada, pouco depois das sete da tarde, teve direito a recepção calorosa por parte das empregadas (e ele adora a atenção que lhe dão), lá veio a sua sopinha, o pão com manteiga e o bife argentino carregado de batatas fritas e salada. Estava tudo quase perfeito. Até que apareceu o pai. Juntou-se a nós para jantar. Nesse momento deixou de ser a nossa refeição a dois para ser uma coisa de família. E foi muito bom. Ele adorou dividir o seu gelado de doce de leite com o pai, e gostou ainda mais de lhe roubar batatas fritas. Janta terminada fomos cada um para seu lado, o pai para o trabalho e nós para o quentinho da cama grande. A grande conquista da noite deu-se quando ele se virou para mim, já sentado em cima da nossa cama e me disse: "mãe podemos fazer aquela coisa das etapas para eu ir ao meu quarto buscar a almofada?" E eu senti-me feliz. Na semana anterior quando o forcei a ir sozinho ao quarto buscar a almofada para vencer o medo senti-me horrível. Apesar de lhe ter explicado que o truque era fazer a coisa por etapas, ir acendendo todas as luzes da casa até chegar ao quarto, ele ficou furioso comigo. Mas ontem foi um regalo vê-lo a ir sozinho, a correr e a acender todas as luzes.
Com tantos avanços há, no entanto, um recuo que me preocupa: o chichi. O Henrique nasceu com hipospádias, uma malformação da pilinha que já o obrigou a 3 cirurgias. Mesmo assim terá de se submeter a uma última porque, neste momento, tem dois jactos de chichi e quando acaba de o fazer forma-se sempre uma bolsinha com chichi que faz com que pingue as cuecas, por mais cuidado que tenha. Apesar destas condicionantes, o Henrique, há cerca de seis meses, deixou de fazer chichi na cama. Para isso bastava que um dos pais o levasse à casa de banho por volta da meia-noite. Depois, no fim de Novembro, deixou de ser necessário levá-lo, e ficámos muito felizes. Ele começou a chamar-nos de cada vez que queria fazer chichi. Em Dezembro fez duas infecções urinárias e não sei se foi por isso, nas duas últimas semanas voltámos ao chichi na cama. O fim-de-semana passado chegou a fazer, na mesma noite, chichi na cama por duas vezes.
Não sei se deva estar muito preocupada. Tudo o que leio na net me fala dos problemas da enurese nocturna, e isto e aquilo. Não sei se deva ficar muito preocupada ou se deva aguardar e achar que, no meio de tantos avanços, os recuos são mesmo normais.