segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Fim-de-semana em Madrid

Sobrevivemos. é o que me apraz dizer.Não foi mau, não houve mortes, não houve feridos. Apenas os precalços de viajar com uma criança de quatro anos. E, se há momentos em que ele parece muito crescido, outros há em que só temos vontade de o enfiar dentro de uma caixa e despachar no avião seguinte. A vida como ela é, contada em algumas linhas.

Para começar o Hotel era uma merda. As paredes eram tão finas que se ouvia as pessoas do quarto ao lado a falar. A falar e não só, mas já lá vamos.

A quinta-feira foi maravilhosa. O Henrique dormiu duas horas no carrinho eu e pai passeámos bastante e fomos jantar a um restaurante do qual gosto particularmente. Ao chegar ao hotel o caso mudou de figura. O andar onde estávamos tinha sido invadido por uma turma de liceu que passou a noite a gritar de quarto para quarto. Telefonei três vezes para a recepção e apareci no meio do corredor disposta a matar o primeiro adolescente que se cruzasse no meu caminho. Não me adiantou de muito. Umas desculpas aqui, um sorrisinho ali.
É o que dá não ter dinheiro para ficar no Ritz.
Na sexta de manhã eu estava um ano mais velha e com uma terrível dor de cabeça quando o meu petiz diz ao pai "doi-me a barriga. Parece que tenho gás aqui dentro". Foi o tempo de chegar à casa de banho (mas não à sanita) e vomitar todo o jantar do dia anterior. E ficou, coitado, durante uma hora com o rabo colado à sanita com uma diarreia tremenda. A sexta-feira foi, como se pode imaginar, de fugir. Rabujento, mal disposto... mas, mesmo assim, muito aguentou. Andou pela cidade no seu carrinho vermelho, foi ao Prado ver a exposição do Bacon e ainda consegui introduzi-lo ao universo do Goya (o preferido da mãe) e do Velasquez (do lado do pai). e chegámos ao fim do dia a pensar que o melhor seria regressar a Lisboa. Estar em Madrid (cidade que não é propriamente conhecida pelo peixe grelhado acompanhado com arroz branco) com uma criança doente não é o sonho de qualquer família.
Noite de sexta, mais uma sessão no hotel. Desta feita de sexo. E digo-vos, parecia que a menina do quarto ao lado ia sentar-se ao meu colo a qualquer instante. Acordei, depois de duas parcas horas de sono, com vontade de esborrachar o mundo ao tabefe. Desculpem lá, mas fico verdadeiramente impossível quando não durmo.
Mas nem tudo estava assim tão mau. O Henrique acordou bem disposto e a barriga estava "maravilha", segundo o próprio. Museu do bombeiro, parque de diversões, passeio de barco no Retiro e a coisa ficou feita. No voo de regresso ainda houve tempo para uma birra causada já nem me lembro porquê. E um desenho, um desenho lindo onde estava o avô António. Já que estávamos no céu, o avô devia estar a ver-nos, disse ele.
Não foi um fim-de-semana perfeito. Não foi, mas foi o melhor que se conseguiu, o que já não é nada mau. E não o trocava por nada.
E ainda tive direito a um lindo vestidinho preto.

3 comentários:

free speaker disse...

Que aventura!

mena disse...

não te podes queixar de monotonia, amiga :)
vá lá, a barriga está "maravilha", que é o que mais importa.

gata disse...

Como eu te compreendo. Eu cheguei agora de cinco dias de mini-férias com os meus e olha que não sei se consegui descansar alguma coisa... Parabéns, minha querida!