Ontem confiei em demasia na tecnologia.
Esqueci-me de gravar o segundo episódio da Anatomia de Grey e quando me sentei no sofá prontinha para o meu repasto de quinta-feira à noite o episódio já tinha acabado e já não dava para andar para trás no raio da box.
Estou danada. Só repete no sábado à noite.
sexta-feira, novembro 30, 2012
segunda-feira, novembro 19, 2012
Fim-de-semana
foi curto, porque só começou depois de uma noitada de trabalho que me fez acordar tarde no sábado. Mas foi bom, muito bom... o meu filho continua "do lado bom da força", fuia um concerto dos Cowboy Junkies e, no domingo, houve almoço em casa da minha mãe, regressada a Lisboa. Foi bom... mas queria que amanhã fosse sexa-feira, outra vez.
quarta-feira, novembro 14, 2012
Estado das coisas
Eu já fiz muitas greves. As que achei necessárias. E para mim greve é greve de zelo. é ir e não trabalhar. É estar lá e não na praia, ou no café, ou nas compras, ou a beber café com os amigos. E também já fui a muitas manifestações: às que achei necessário ir.
Tento ensinar ao meu filho os princípios básicos de uma sociedade democrática, de uma sociedade cívica e mais justa. Ele sabe que a greve é um direito, que votar é um dever, mas também sabe que a rua é para se manter limpa, que não se deve cuspir no chão, que não se atiram pedras à polícia, e que quando as manifestações deixam de ser pacíficas nós debandamos... porque nã acreditamos que seja pela violência que se vai lá.
O meu filho, do alto dos seus 8 anos, sabe coisas que, pelos vistos, muita gente (jornalistas incluídos) não sabe. Ele sabe que uma carga polícial é sempre violenta, porque é uma carga... não pode ser pacífica.
Ele sabe que as pedras da calçada devem ficar na calçada. E sabe que se ouve num megafone que é para dispersar... o melhor é dispersar.
Hoje não fiz greve. Não porque ache que não há motivos para tal, não porque ache que está tudo bem. Não fiz greve porque não podia. Tenho uma pequena empresa e um dia sem trabalhar numa altura como esta pode ditar o seu encerramento. Por isso, pesando os prós e os contras, decidi trabalhar. Não fiz greve mas respeito muito quem a fez e quem a defende.
Mas não percebo quem se pendura na greve para dizer que não tem forma de chegar ao trabalho, e abomino os chamados "piquetes de greve", que maltratam colegas que querem trabalhar.
Hoje decidi não ir à manifestação. Mas respeito as pessoas que lá estiveram. Pelo menos as que foram de forma pacífica e ordeira. Mas, infelizmente, quando o PCP e a CGTP saem das manifestações (quando as dão por terminadas) há sempre uns badamecos profissionais da pedra e da lata de tinta, que gostam de fazer merda, de pôr em causa o que os outros conquistaram de forma pacífica, que buscam os 3 minutos de fama do directo da televisão, que ganham o dia quando acertam com uma pedra num polícia.
Talvez seja porque o meu pai foi polícia, ou talvez não, mas eu vejo ali pessoas. Por detrás dos escudos partidos e dos capacetes eu vejo pessoas. Algumas delas com umas ganas do caraças de fazer greve, de se manifestar... mas não podem. Estão ali a trabalhar. E, depois de hora e meia de pedrada e de um pré-aviso de que vão fazer uma carga, o que se espera? Que escolham a dedo em quem vão bater? Que há velhos e crianças? Deviam ter-se posto ao largo.
É como ir a um jogo de futebol de alto risco e achar que não há perigo, que nada nos vai acontecer. Eu adoro futebol e gosto de ir ao estádio em família, mas há momentos em que sei que o melhor é ficar em casa...
Peço muitas desculpas. Porventura alguns dos meus amigos vão achar que sou uma perigosa fascista, que me transformei numa reaccionária de primeira mas, citando o meu falecido pai "só se perderam as que caíram no chão".
Tento ensinar ao meu filho os princípios básicos de uma sociedade democrática, de uma sociedade cívica e mais justa. Ele sabe que a greve é um direito, que votar é um dever, mas também sabe que a rua é para se manter limpa, que não se deve cuspir no chão, que não se atiram pedras à polícia, e que quando as manifestações deixam de ser pacíficas nós debandamos... porque nã acreditamos que seja pela violência que se vai lá.
O meu filho, do alto dos seus 8 anos, sabe coisas que, pelos vistos, muita gente (jornalistas incluídos) não sabe. Ele sabe que uma carga polícial é sempre violenta, porque é uma carga... não pode ser pacífica.
Ele sabe que as pedras da calçada devem ficar na calçada. E sabe que se ouve num megafone que é para dispersar... o melhor é dispersar.
Hoje não fiz greve. Não porque ache que não há motivos para tal, não porque ache que está tudo bem. Não fiz greve porque não podia. Tenho uma pequena empresa e um dia sem trabalhar numa altura como esta pode ditar o seu encerramento. Por isso, pesando os prós e os contras, decidi trabalhar. Não fiz greve mas respeito muito quem a fez e quem a defende.
Mas não percebo quem se pendura na greve para dizer que não tem forma de chegar ao trabalho, e abomino os chamados "piquetes de greve", que maltratam colegas que querem trabalhar.
Hoje decidi não ir à manifestação. Mas respeito as pessoas que lá estiveram. Pelo menos as que foram de forma pacífica e ordeira. Mas, infelizmente, quando o PCP e a CGTP saem das manifestações (quando as dão por terminadas) há sempre uns badamecos profissionais da pedra e da lata de tinta, que gostam de fazer merda, de pôr em causa o que os outros conquistaram de forma pacífica, que buscam os 3 minutos de fama do directo da televisão, que ganham o dia quando acertam com uma pedra num polícia.
Talvez seja porque o meu pai foi polícia, ou talvez não, mas eu vejo ali pessoas. Por detrás dos escudos partidos e dos capacetes eu vejo pessoas. Algumas delas com umas ganas do caraças de fazer greve, de se manifestar... mas não podem. Estão ali a trabalhar. E, depois de hora e meia de pedrada e de um pré-aviso de que vão fazer uma carga, o que se espera? Que escolham a dedo em quem vão bater? Que há velhos e crianças? Deviam ter-se posto ao largo.
É como ir a um jogo de futebol de alto risco e achar que não há perigo, que nada nos vai acontecer. Eu adoro futebol e gosto de ir ao estádio em família, mas há momentos em que sei que o melhor é ficar em casa...
Peço muitas desculpas. Porventura alguns dos meus amigos vão achar que sou uma perigosa fascista, que me transformei numa reaccionária de primeira mas, citando o meu falecido pai "só se perderam as que caíram no chão".
terça-feira, novembro 13, 2012
segunda-feira, novembro 12, 2012
A tampa
Desde muito pequeno que o meu filho gosta de dormir todo tapadinho até às orelhas. Mesmo que depois se destape durante a noite. No momento em que se deita, o edredão tem de chegar às orelhas para se sentir quentinho.
Este Verão comprámos-lhe um beliche enorme, com um colchão de dois metros. Mas o edredão permaneceu o mesmo, também com dois metros. Durante o Verão não houve crise mas, agora que o frio começou a apertar, ele sentia-se infeliz por não ter uma "tampa" até às orelhas ou, pelo menos, até ao pescoço.
E lá fui ao IKEA, onde tinha comprado o colchão, à procura do edredão. Mas a loja não tem os benditos com mais de dois metros. E hoje a casa ia caindo. Ele acordou com birra, porque tinha sono e, depois de ter passado dez minutos na minha cama tapadinho até à testa, começou a chorar alegando que eu "não lhe dava condições para descansar". E chorou, chorou... e eu lá fui, em busca do edredão de 2,20m que, felizmente, encontrei na Zara Home.
Hoje, lá em casa, vai haver uma criança feliz! E uma mãe mais tranquila
Este Verão comprámos-lhe um beliche enorme, com um colchão de dois metros. Mas o edredão permaneceu o mesmo, também com dois metros. Durante o Verão não houve crise mas, agora que o frio começou a apertar, ele sentia-se infeliz por não ter uma "tampa" até às orelhas ou, pelo menos, até ao pescoço.
E lá fui ao IKEA, onde tinha comprado o colchão, à procura do edredão. Mas a loja não tem os benditos com mais de dois metros. E hoje a casa ia caindo. Ele acordou com birra, porque tinha sono e, depois de ter passado dez minutos na minha cama tapadinho até à testa, começou a chorar alegando que eu "não lhe dava condições para descansar". E chorou, chorou... e eu lá fui, em busca do edredão de 2,20m que, felizmente, encontrei na Zara Home.
Hoje, lá em casa, vai haver uma criança feliz! E uma mãe mais tranquila
Consegui
No dia em que a Frau Merkel esteve em Portugal consegui não ver televisão. Nada de notícias logo, para mim, é como se ela não tivesse passado por cá. Nada mau.
sábado, novembro 03, 2012
Dr. Pina...
Já aqui falei muitas vezes do Dr. Pina, o médico que me operou e me salvou, literalmente. Tudo o que possa dizer sobre ele, sobre a sua generosidade, sobre o seu profissionalismo e dedicação, é pouco. Nunca será o suficiente. Porque o que ele fez foi, nas palavras dos muitos médicos com os quais já falei entretanto, um milagre.
Infelizmente, o Dr. Pina não viveu o suficiente para me aturar muitos anos. E hoje sinto-me orfã. Precisava de falar com ele, de pedir conselhos, orientação. Apetecia-me ligar-lhe para darmos umas boas gargalhadas com o que tinha para lhe contar... tenho a certeza que nunca encontrarei outro médico como ele, e isso deixa-me triste.
Infelizmente, o Dr. Pina não viveu o suficiente para me aturar muitos anos. E hoje sinto-me orfã. Precisava de falar com ele, de pedir conselhos, orientação. Apetecia-me ligar-lhe para darmos umas boas gargalhadas com o que tinha para lhe contar... tenho a certeza que nunca encontrarei outro médico como ele, e isso deixa-me triste.
quinta-feira, novembro 01, 2012
Boas notícias
A Marisa Monte vem a Portugal em Abril, a Disney vai continuar a saga da Guerra das Estrelas, fui ver o skyfall mesmo antes das avós invadirem a nossa casa e agora vou ver o top gun ou o cricodile dundee 2 enquanto como línguas de gato!
Nada mau
Nada mau
quarta-feira, outubro 31, 2012
Xi pá...
Aqui em cada estamos tão cansados que acabámos de adormecer no sofá com o fogão ligado... Era o almoço de amanhã... Quase incendiei a casa. Está um pivete que não se aguenta.
Isto está mesmo mau.
Isto está mesmo mau.
quinta-feira, outubro 25, 2012
Tosse
Odeio-a tanto... Esta maldita tosse que o corrói, coitadinho. Horas e horas a fio a tossir...
O que vale é que amanhã já é quase fim-de-semana.
O que vale é que amanhã já é quase fim-de-semana.
quinta-feira, outubro 18, 2012
Mariquinhas pé de salsa...
é o que me ocorre dizer de alguém que fala através de um comunicado numa altura como esta. Uns usam o facebook, outros os comunicados. Mas esta malta não tem tomates?
Eu não votei nem nunca votarei CDS mas, porra, um partido vê-se obrigado a aprovar um orçamento no qual não acredita, que vai contra todas as promessas eleitorais que fez, que viola todos os princípios do próprio partido, que vai ter consequências brutais na vida de todas as pessoas, e fá-lo num comunicado? Hello?
Paulo Portas, se me estás a ouvir, põe-te frente a uma câmara e diz:« isto é mau, muito mau. Isto é péssimo, mas se não o aprovar os funcionários públicos não terão ordenado no fim do mês».
Já que politicamente estás morto, ao menos faz aqualquer coisa que te devolva alguma dignidade.
Eu não votei nem nunca votarei CDS mas, porra, um partido vê-se obrigado a aprovar um orçamento no qual não acredita, que vai contra todas as promessas eleitorais que fez, que viola todos os princípios do próprio partido, que vai ter consequências brutais na vida de todas as pessoas, e fá-lo num comunicado? Hello?
Paulo Portas, se me estás a ouvir, põe-te frente a uma câmara e diz:« isto é mau, muito mau. Isto é péssimo, mas se não o aprovar os funcionários públicos não terão ordenado no fim do mês».
Já que politicamente estás morto, ao menos faz aqualquer coisa que te devolva alguma dignidade.
terça-feira, outubro 16, 2012
Desalento
É o sentimento que mais me invade hoje. Esse e raiva, vontade de partir umas quantas cabeças...
Como é que esta gente que nos desgoverna não consegue perceber o que está a fazer a um país inteiro?
Há dias em que me sinto sem forças para contrariar a depressão geral que o país atravessa. Hoje é um desses dias
Como é que esta gente que nos desgoverna não consegue perceber o que está a fazer a um país inteiro?
Há dias em que me sinto sem forças para contrariar a depressão geral que o país atravessa. Hoje é um desses dias
domingo, outubro 07, 2012
Oficialmente deprimida
Ontem, enquanto via o "Eixo do Mal" na SIC Notícias, fiquei oficialmente deprimida. Eu, que me considero uma optimista, que me desdobro a trabalhar, que acho que há sempre uma solução para tudo... fiquei oficialmente sem chão. Acho que muitos de nós ainda não nos apercebemos de como vamo todos ficar pobres. E não me lixem dizendo que o bom é a pobreza generalizada, que isso é conversa de gente miudinha. O bom é que todos vivam melhor. E não é aniquilando de vez com uma classe média que ainda faz mexer a economia que o vamos conseguir. Como é possível que aqui em casa passemos a pagar tantos impostos como o Ricardo Salgado? Como é que é possível que um agregado familiar em que os dois membros do casal ganhem 80 mil euos brutos por ano (o que dá mais ou menos 2 mil euros cada um por mês) passe a ser tratado como milionário?
Eu sei que há muita gente que não ganha um décimo disso. E eu sou a favor de que quem ganha mais deve descontar mais, não é isso que está em causa. O que me frustra, o que me desanima, o que me assusta, é perceber que estão a considerar rico quem não é, taxando da mesma forma os que ganham 2 mil euros liquidos por mês e os que ganham 30, 40 ou 50 mil. É a isto que chamam justiça fiscal? Que eu deixe 66% do meu ordenado ir para um governo que nos rouba todos os dias, que anda num desnorte, que não sabe o que fazer, que não tem coragem de cortar onde deve?
Isto já para não falar dos restantes impostos.
Todos temos de fazer ajustes. Mas alguns vão passar por despedir pessoas que precisam dos salários que auferem para sobreviver. E como eu estarão muitos que, a partir de Janeiro, vão despedir empregadas, tirar os filhos dos colégios privados... vida de ricos, dirão alguns.... mas não. é simplesmente parar a economia... parar o país. E fazer crescer muito, mas muito mesmo, a miséria.
Eu sei que há muita gente que não ganha um décimo disso. E eu sou a favor de que quem ganha mais deve descontar mais, não é isso que está em causa. O que me frustra, o que me desanima, o que me assusta, é perceber que estão a considerar rico quem não é, taxando da mesma forma os que ganham 2 mil euros liquidos por mês e os que ganham 30, 40 ou 50 mil. É a isto que chamam justiça fiscal? Que eu deixe 66% do meu ordenado ir para um governo que nos rouba todos os dias, que anda num desnorte, que não sabe o que fazer, que não tem coragem de cortar onde deve?
Isto já para não falar dos restantes impostos.
Todos temos de fazer ajustes. Mas alguns vão passar por despedir pessoas que precisam dos salários que auferem para sobreviver. E como eu estarão muitos que, a partir de Janeiro, vão despedir empregadas, tirar os filhos dos colégios privados... vida de ricos, dirão alguns.... mas não. é simplesmente parar a economia... parar o país. E fazer crescer muito, mas muito mesmo, a miséria.
quarta-feira, outubro 03, 2012
CHIÇA!
Caraças, este Governo é mesmo uma merda, pá. Onde é que está o corte na despesa? 2014? Ouvi bem? Então a malta fica sem dois ordenados já para o ano (sim, eu sou daquelas que ganha mais de 1500 euros brutos por ano, desculpem se me acham milionária) e estes cabrões de merda não fazem nada para descer a despesa pública?
Os serviços do Estado que pagamos todos os dias funcionam cada vez pior (a semana passada fui à Segurança Social com marcação e fiquei à espera na rua), os nossos governantes são, grosso modo, uns incompetentes, muitos deles corruptos, que nunca pagam pelos seus crimes.
Estou cansada de viver num país que cobra aos seus contribuintes como se vivessemos na Dinamarca, mas que depois nos trata como cidadão no Uganda. É a merda de cão em todos os lados, os jardins descuidados, pessoas que não têm cuidados básicos de saúde, falta de comida nas escolas, salas de aula com 30 alunos...
Eu não gosto destes gajos, e sei que eles não gostam de mim. Porque não tenho uma empresa exportadora. Devem estar à espreita, à espera que feche portas e emigre, ou então que me arme em piegas. Mas uma coisa vos digo: estes cabrões hão-de cair e eu assistirei de pé!
Os serviços do Estado que pagamos todos os dias funcionam cada vez pior (a semana passada fui à Segurança Social com marcação e fiquei à espera na rua), os nossos governantes são, grosso modo, uns incompetentes, muitos deles corruptos, que nunca pagam pelos seus crimes.
Estou cansada de viver num país que cobra aos seus contribuintes como se vivessemos na Dinamarca, mas que depois nos trata como cidadão no Uganda. É a merda de cão em todos os lados, os jardins descuidados, pessoas que não têm cuidados básicos de saúde, falta de comida nas escolas, salas de aula com 30 alunos...
Eu não gosto destes gajos, e sei que eles não gostam de mim. Porque não tenho uma empresa exportadora. Devem estar à espreita, à espera que feche portas e emigre, ou então que me arme em piegas. Mas uma coisa vos digo: estes cabrões hão-de cair e eu assistirei de pé!
sábado, setembro 15, 2012
Há sempre uns palhaços
que estragam tudo. Já cá faltavam os infiltras a fazer merda. Estes grupinhos que se metem no meio das pessoas só para estragar. Apetece-me tanto dizer asneiras, pá! Se apanhasse um deste c**** à minha frente dava-lhes com uma garrafa na cabeça.
O PRINCÍPIO DO FIM
A festa foi bonita. Não me lembro de ter visto tanta gente, tão diferente junta por um mesmo objectivo.
Alguns dos meus amigos perguntaram-me porque fui. Eu não sou contra a Troika. Acho mesmo que temos de pagar as nossas dívidas. Foi assim que a minha mãe me educou. A minha indignação vem do facto de achar que chegámos ao limite. Transferir o sacrifício dos trabalhadores directamente para os cofres das empresas parece-me uma medida errada. E acho que há muita, muita gente a achar o mesmo. Hoje, cheirou-me a fim de ciclo: espero que haja o bom senso de voltar atrás.
Alguns dos meus amigos perguntaram-me porque fui. Eu não sou contra a Troika. Acho mesmo que temos de pagar as nossas dívidas. Foi assim que a minha mãe me educou. A minha indignação vem do facto de achar que chegámos ao limite. Transferir o sacrifício dos trabalhadores directamente para os cofres das empresas parece-me uma medida errada. E acho que há muita, muita gente a achar o mesmo. Hoje, cheirou-me a fim de ciclo: espero que haja o bom senso de voltar atrás.
sexta-feira, setembro 14, 2012
Direito à Indignação
Foi há uma semana e ainda me sinto em transe. Choque, raiva, indignação, desrespeito. Raiva por mim e pelos outros, pelos que me rodeiam, pelos que, de alguma forma, dependem de mim.
Tenho 36 anos, trabalho a tempo inteiro e a fazer descontos para a SS e IRS desde os 22. Nunca fiz uma marosca fical, nunca recebi por fora, nunca deixei de pagar os meus impostos.
Há cerca de sete anos tive uma doença grave que me valeu uma incapacidade de 80 por cento. Como consequência dessa incapacidade, passei a ter algumas regalias fiscais e a ser isenta de taxas moderadoras.
Durante a minha doença, estive 25 dias de baixa médica. Tirei o estômago e o baço, fiz seis ciclos de quimioterapia e 30 sessões de radioterapias, mas não deixei de trabalhar. Entre tratamentos e vómitos lá me ia arrastando, com a ajuda da família, para não deixar de trabalhar, para não consumir o dinheiro que fazia falta a quem realmente dele precisava. Há cerca de um ano a minha médica do centro de saúde reformou-se e estou, até agora, sem médica. Eu, que tenho uma doença crónica. Eu que, como os médicos costumam dizer, sou um milagre com pernas. Apesar de fazer os meus descontos não tenho direito a algo tão básico como um médico de família. Há poucos dias soube que me tinha sido retirada a minha isenção. Assim, à má fila, sem aviso. Tal como aconteceu quando fiquei sem médico. Com a informatização do SNS soube, durante uma consulta de clínica geral paga (à Casa da Imprensa, associação para a qual desconto todos os meses de modo a atenuar as falhas do SNS) que teria de pagar as taxas moderadoras das análises que me foram prescritas. Este governo funciona assim: à má fila, às escodidas; vai tirando a torto e a direito sem avisar. E eu sinto-me INDIGNADA. E arrependo-me de não ter andado a roçar o rabo pelos hospitais e a meter baixa atrás de baixa. Porque o que este governo quer é promover a preguiça, o menor esforço, o chico-espertismo.
Há dois anos decidi criar a minha própria empresa, uma pequena empresa. Assumi o risco com uma sócia, saí da minha zona de conforto (expressão tão apreciada pelos nossos governantes) e arrisquei tudo numa empresa que corre agora o risco de definhar com as sucessivas políticas de cortes no rendimento das pessoas.
Eu, que sou uma pequena empresária que não faz descontos sobre o ordenado mínimo, que não tenho dívidas ao Estado, sinto-me INDIGNADA com as sucessivas políticas destes palhaços que teimam em destruir qualquer capacidade deste povo para consumir algo para além de batatas e pão. Estes senhores só podem viver numa bolha. Eles acham que é com os 50 euros que vou poupar da TSU da minha colaboradora que vou contratar alguém? Como? Se andam a asfixiar (e não lentamente) a capacidade de consumo das pessoas.
Hoje, mais do que nunca, sinto-me enganada. Fazer tudo como manda a lei, ser uma cidadã exemplar (do ponto de vista fiscal) só me tem causado dissabores.
E os outros, como se sentirão? Os que ganham 485 euros, que misturam café no leite dos filhos, que é bebido apenas duas vezes por semana? Os que pouco mais têm para além da sopa de couves, porque o resto fica na prestação da casa, na bilha do gás, na electricidade, na água e em alguma, pouca, comida?
O que faz uma mãe que ganha 485 euros quando um filho adoece por desnutrição? Quando precisa de comprar medicamentos ou de ir ao dentista? Será que estes senhores percebem que 34 euros é uma fortuna para estas pessoas?
Onde vivem estes cabrões que se passeiam de BMW pelas ruas da cidade? Será que vão ao café do bairro? Será que vão ao minipreço? Ou ao Pingo Doce? Onde é que eles vão as compras? Onde é que estudam os seus filhos? Com que lata nos mentem dia após dia?
Com que desplante vão à televisão dizer quase nada e tratar-nos como se fossemos atrasados mentais?
Já não me lembro da última manifestação onde participei. Provavelmente foi durante a faculdade. vou sempre amochando, à bom português. Porque não há alternativas, porque o momento não é bom, porque os sacrifícios são necessários para sairmos deste buraco, porque há sempre quem viva abaixo de nós, muito abaixo.
Mas tirar do bolso de milhões de trabalhadores para o transferir quase na totalidade para o bolso dos grandes patrões ficando depois à espera que o depenado do cidadão vá pressionar os senhores grandes patrões a descerem preços.... meus senhores, vão para a real puta que vos pariu. Estou mesmo a ver a Galp descer o preços dos combustíveis, a PT a dar chamadas grátis e a Sonae a descer os preços do cabaz básico. é que estou mesmo a ver o filme. Estou mesmo a vê-los a esfregar as mãos de contentamento na hora da distribuição de dividendos.
É por tudo isto, e muito mais, é por toda esta INDIGNAÇÃO que se abate sobre mim, que não posso deixar de estar presente na manisfestação do próximo sábado.
Quero lá saber da Troika, quero lá saber se o Seguro é capaz ou incapaz, estou-me a cagar para o patriotismo do Paulo Portas. O que eu quero é gritar à boca cheia que estou farta deles, destes pulhas que hipotecam o meu futuro, o do meus filho, o da minha mãe, o de todos os que me rodeiam.
E tenho a certeza que daqui a um ano estará tudo na mesma. O país continuará atolado no lodo e a única coisa que estará diferente e o nosso cinto; três furos mais apertado.
Tenho 36 anos, trabalho a tempo inteiro e a fazer descontos para a SS e IRS desde os 22. Nunca fiz uma marosca fical, nunca recebi por fora, nunca deixei de pagar os meus impostos.
Há cerca de sete anos tive uma doença grave que me valeu uma incapacidade de 80 por cento. Como consequência dessa incapacidade, passei a ter algumas regalias fiscais e a ser isenta de taxas moderadoras.
Durante a minha doença, estive 25 dias de baixa médica. Tirei o estômago e o baço, fiz seis ciclos de quimioterapia e 30 sessões de radioterapias, mas não deixei de trabalhar. Entre tratamentos e vómitos lá me ia arrastando, com a ajuda da família, para não deixar de trabalhar, para não consumir o dinheiro que fazia falta a quem realmente dele precisava. Há cerca de um ano a minha médica do centro de saúde reformou-se e estou, até agora, sem médica. Eu, que tenho uma doença crónica. Eu que, como os médicos costumam dizer, sou um milagre com pernas. Apesar de fazer os meus descontos não tenho direito a algo tão básico como um médico de família. Há poucos dias soube que me tinha sido retirada a minha isenção. Assim, à má fila, sem aviso. Tal como aconteceu quando fiquei sem médico. Com a informatização do SNS soube, durante uma consulta de clínica geral paga (à Casa da Imprensa, associação para a qual desconto todos os meses de modo a atenuar as falhas do SNS) que teria de pagar as taxas moderadoras das análises que me foram prescritas. Este governo funciona assim: à má fila, às escodidas; vai tirando a torto e a direito sem avisar. E eu sinto-me INDIGNADA. E arrependo-me de não ter andado a roçar o rabo pelos hospitais e a meter baixa atrás de baixa. Porque o que este governo quer é promover a preguiça, o menor esforço, o chico-espertismo.
Há dois anos decidi criar a minha própria empresa, uma pequena empresa. Assumi o risco com uma sócia, saí da minha zona de conforto (expressão tão apreciada pelos nossos governantes) e arrisquei tudo numa empresa que corre agora o risco de definhar com as sucessivas políticas de cortes no rendimento das pessoas.
Eu, que sou uma pequena empresária que não faz descontos sobre o ordenado mínimo, que não tenho dívidas ao Estado, sinto-me INDIGNADA com as sucessivas políticas destes palhaços que teimam em destruir qualquer capacidade deste povo para consumir algo para além de batatas e pão. Estes senhores só podem viver numa bolha. Eles acham que é com os 50 euros que vou poupar da TSU da minha colaboradora que vou contratar alguém? Como? Se andam a asfixiar (e não lentamente) a capacidade de consumo das pessoas.
Hoje, mais do que nunca, sinto-me enganada. Fazer tudo como manda a lei, ser uma cidadã exemplar (do ponto de vista fiscal) só me tem causado dissabores.
E os outros, como se sentirão? Os que ganham 485 euros, que misturam café no leite dos filhos, que é bebido apenas duas vezes por semana? Os que pouco mais têm para além da sopa de couves, porque o resto fica na prestação da casa, na bilha do gás, na electricidade, na água e em alguma, pouca, comida?
O que faz uma mãe que ganha 485 euros quando um filho adoece por desnutrição? Quando precisa de comprar medicamentos ou de ir ao dentista? Será que estes senhores percebem que 34 euros é uma fortuna para estas pessoas?
Onde vivem estes cabrões que se passeiam de BMW pelas ruas da cidade? Será que vão ao café do bairro? Será que vão ao minipreço? Ou ao Pingo Doce? Onde é que eles vão as compras? Onde é que estudam os seus filhos? Com que lata nos mentem dia após dia?
Com que desplante vão à televisão dizer quase nada e tratar-nos como se fossemos atrasados mentais?
Já não me lembro da última manifestação onde participei. Provavelmente foi durante a faculdade. vou sempre amochando, à bom português. Porque não há alternativas, porque o momento não é bom, porque os sacrifícios são necessários para sairmos deste buraco, porque há sempre quem viva abaixo de nós, muito abaixo.
Mas tirar do bolso de milhões de trabalhadores para o transferir quase na totalidade para o bolso dos grandes patrões ficando depois à espera que o depenado do cidadão vá pressionar os senhores grandes patrões a descerem preços.... meus senhores, vão para a real puta que vos pariu. Estou mesmo a ver a Galp descer o preços dos combustíveis, a PT a dar chamadas grátis e a Sonae a descer os preços do cabaz básico. é que estou mesmo a ver o filme. Estou mesmo a vê-los a esfregar as mãos de contentamento na hora da distribuição de dividendos.
É por tudo isto, e muito mais, é por toda esta INDIGNAÇÃO que se abate sobre mim, que não posso deixar de estar presente na manisfestação do próximo sábado.
Quero lá saber da Troika, quero lá saber se o Seguro é capaz ou incapaz, estou-me a cagar para o patriotismo do Paulo Portas. O que eu quero é gritar à boca cheia que estou farta deles, destes pulhas que hipotecam o meu futuro, o do meus filho, o da minha mãe, o de todos os que me rodeiam.
E tenho a certeza que daqui a um ano estará tudo na mesma. O país continuará atolado no lodo e a única coisa que estará diferente e o nosso cinto; três furos mais apertado.
terça-feira, setembro 11, 2012
segunda-feira, setembro 10, 2012
Sem ânimo
Considero-me uma optimista.A sério. Mas desta vez não sei se consigo. Quando começamos a fazer contas e a ver o que nos vai acontecer, quando percebemos as decisões que vamos ter de tomar, as mudanças que vão ter de acontecer, dá-nos vontade de sair desta merda de país, governado por políticos de merda, que nos mentem com quantos dentes têm na boca... se há coisa que me deixa doente é que me tratem como se eu fosse atrasada. E foi isso que o Passos Coelho fez na sexta-feira, quando deu uma cenoura aos funcionários públicos para, no segundo seguinte, lhes tirar cenoura e meia; quando nos mentiu falando de 7% que, na verdade, são mais, muito mais.
Temo pelo que ainda aí vem... e estou desanimada.
Temo pelo que ainda aí vem... e estou desanimada.
quarta-feira, agosto 29, 2012
Explicar a morte
Foi na semana passada que o levei, pela primeira vez, à campa do avô. Ele nunca tinha entrado num cemitério, mas já me tinha pedido várias vezes para ir ver o avô. E lá tive de lhe explicar que o avó podia estar no céu e debaixo da terra ao mesmo tempo. Teve de ser, embora eu própria tenha dificuldade em acreditar no que lhe contei. Mas foi o melhor. Assim poderá continuar a olhar para as estrelas e a ver o brilho dos seus dois avôs.
Mas o que mais me custou foi perceber que ele já não se recorda do meu pai. Olhou para a sua foto e não fazia ideia de quem era aquele homem de bigode... E tanto que eu queria que ele não esquecesse.
Mas o que mais me custou foi perceber que ele já não se recorda do meu pai. Olhou para a sua foto e não fazia ideia de quem era aquele homem de bigode... E tanto que eu queria que ele não esquecesse.
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