sexta-feira, setembro 02, 2011

Coisas que me irritam II

os cortes cegos no Serviço Nacional de Saúde. Eu até como o argumento hipócrita de que quem ganha mais pague mais taxas moderadoras (e digo hipócrita porque os que mais ganham também são os que mais descontam todos os meses). Mas quando oiço ministro da saúde dizer que é preciso reduzir os incentivos aos transplantes porque esses incentivos incrementam o número de transplantes fico com vontade de lhe desejar que uma ou várias pessoas da sua família sejam obrigadas a fazer diálise ou entrem em lista para um transplante de fígado ou de pulmão para ele ver o que é bom para a tosse. O homem falava e eu tinha vontade de lhe bater. Como é possível que alguém pense que os médicos fazem mais ou menos transplantes porque gostam de esbanjar o herário público? "O que é que hei-de fazer para chatear o ministro Paulo Macedo? Há, já sei, vou ali fazer um transplante renal que, só por acaso, fica mais barato do que manter um doente em diálise."

Coisas que me irritam I

Que o Américo Amorim digaà boca cheia que não se considera rico.

sexta-feira, agosto 05, 2011

notícias deste lado do mundo

Sei que foi há mais de um mês, mas não tive oportunidade para escrever antes. O que não quer dizer que não tenha ocupado a minha mente.
Morreu o Angélico , uma verdadeira tragédia. E não brinco quando o digo. Às vezes os média retiram a dimensão humana às pessoas. Senti isso com o Angélico. Aquela algazarra de fãs, namoradas, correntes de força, notícias e especulações sobre o uso ou não de cinto... até que há umas semanas conheci, por acaso, um casal de amigos do Angélico. E senti ali o lado humano da tragédia, o modo como aquela família está e estará para sempre marcada pela morte do padrinho de um dos seus filhos... comoveu-me e dei por mim a pensar o que aconteceria, como estaria, se fosse comigo, se fosse um dos meus.
Penso naquela mãe, penso no muito que se especula e especulou, no muito que se criticou... e penso em como é fácil carregar no pedal. Quem tem um bom carro e anda na autoestrada sabe o que digo... é tão fácil pisar o risco.
Outra tragédia, a uma outra escala, claro está, e que muito me abalou foi a da Noruega. Como é possível que um ser humano seja capz de tal brutalidade? Acho que a humanidade está a enlouquecer. No outro dia estava no metro e ouvi um senhor a dizer, a respeito do aumento dos transportes, qualquer coisa do género "depois admiram-se com coisas como as da Noruega. Um gajo passa-se". E tive tanta vontade de lhe partir a tromba, mas tanta mesmo.
O mundo corre de tragédia em tragédia e a nossa vida vai avançando. Sempre a tentar manter-me à tona. Sempre a tentar ser feliz.
E raios me partam se não sou capaz

quinta-feira, julho 28, 2011

cena de ciúmes

O meu filho tem um grande amigo na escola, o Afonso Beijoca. O Afonso é um mimo de menino, talvez porque é um de três filhos e não tem tempo para merdas. Não há cá birras desnecessárias. Isso é pura perda de tempo. O meu filho não pode viver sem o Afonso, mas quando estão juntos gosta de armar um barraco. Coisas de gajos. Hoje, no entanto, conseguiu ser mais refinado do que costume e saltou com um "tu gostas mais dele do que de mim, queres é que ele seja teu filho". Jesus... o gajo arma um barraco, porta-se mal mas como eu repreendo já não gosto dele. Cómico, não fosse trágico.

quarta-feira, julho 06, 2011

Morrer de pé

gosto desta expressão. Não gosto de a usar, porque significa que alguém morreu.
Morreu Maria José Nogueira Pinto, vítima de cancro do pâncreas. E se a expressão "morrer de pé" se pode aplicar a alguém, esse alguém é esta mulher que ainda há um mês, já gravemente doente e debilitada pelos tratamentos, participava na campanha para as eleições.
Não partilhava muitos dos ideais de Maria José Nogueira Pinto, mas partilhámos, por infortúnio, uma doença chamada cancro. E creio que partilhámos também a bravura com que lutámos contra a doença e com que tentámos levar a nossa vida da forma mais normal possível. Infelizmente tivemos resultados diferentes.
Muito prazer me daria poder discutir com ela muitas das questões nas quais não estamos de acordo.
Fica aqui, para muitos dos nossos políticos, o exemplo de alguém que não desistiu, enquanto lhe foi possível.

segunda-feira, julho 04, 2011

Gosto

de um ministro da educação que não acha normal que meninos que andam no 5º ano de escolaridade possam usar máquina calculadora. A sério que gosto!

sexta-feira, maio 27, 2011

the big picture

Eu sei que eles não fazem por mal. Os médicos que me seguem são excelentes, a sério. Mas vivem no seu burgo, olham para a sua capela, raramente olham para o quadro geral. Não é por mal, é mesmo defeito de fabrico. Excepção feita aos internistas e a um ou outro mais atento e interessado.
Desde que fui operada que tenho caimbras muito dolorosas. E quando digo dolorosas falo daquelas que nos fazem acordar a meio da noite a chorar. E em sítios estranhos. Não apenas nos pés e nas pernas mas também no diafragma, E estas são do catarino porque não me deixam respirar e porque é muito difícil esticar essa zona. Só fazendo a ponte! Também tenho muitos gases na barriga e na zona do diafragma e estes já me levaram as urgências, tantas eram as dores.
A resposta é quase sempre a mesma: magnésio para as caimbras, aero-om para os gases. Mas já lá vão 6 anos e as melhoras não aparecem. Sim, estou viva, sim estou livre de doença... mas não há mesmo nada a fazer?
Talvez não... ou talvez haja.
Foi preciso escangalhar o meu pé para conhecer as terapeutas Vera e Margarida. E hoje, juro, hoje só não abracei uma delas a chorar de alegria por vergonha.
Depois do pé e dos gémeos da perna esquerda, a terapeuta Margarida, depois de lhe ter dito o estranho local onde tinha caimbras, decidiu mexer no meu diafragma. E fez maravilhas, juro que fez. E mostrou-me que não tenho de viver com estas dores, com este mau-estar.
Deixem-me ir à próxima consulta de fisiatria que logo vêem o que vou pedir ao médico: as mãos da terapeuta espetadas no meu diafragma...
Escrevo sobre isto porque durante anos achei que estas dores eram o preço apagar por estar bem e viva. Mas não, eu não tenho de pagar este preço e imagino a quantidade de pessoas que por aí há a sofrer, a ter dores desnecessariamente. Se alguém nessas condições me lê, não desista, queixe-se ao seu médico, faça qualquer coisa.
Eu, no que a mimme diz respeito, tive hoje uma dia muito feliz.

quinta-feira, maio 12, 2011

Fases

Quando eu era miúda achava-me invencível, insuperável, imortal, até certo ponto. A morte não entrava no meu vocabulário. A não ser um avô ou avó velhinhos.... ou um parente distante.
Depois fui crescendo e as mortes foram acontecendo...
Com o nascimento do meu filho, as coisas mudaram, a morte passou a assustar-me. A ideia de que lhe poderia faltar começou a assustar-me e a tirar-me o ar. Depois, bem depois veio a minha doença e a coisa complicou-se ainda mais.
Depois morreu o meu pai e comecei a perceber que estava a começar uma nova etapa, aquela em que começamos a ir a velórios com alguma frequência; aquela em que os pais dos nossos amigos começam a morrer.
Ontem morreu a mãe de uma grande amigo meu, daqueles de coração, aqueles que escolhemos já em adultos, que não são nossos amigos porque crescemos com eles mas porque nos identificamos com eles, partilhamos ideias, vivências, momentos.
Hoje vou ter de partilhar um momento doloroso com este meu amigo, este meu querido amigo que assim, do nada, perdeu a sua referência.
E percebo que este é só o início de uma nova era.

domingo, maio 08, 2011

Abrir caminho

Hoje, enquanto via a edição on-line do Público, deparei-me com uma notícia sobre os transplantes entre pessoas que não tem qualquer relação de sangue.
E, não podia deixar de me lembrar do meu médico, que foi quem fez, em Portugal, a primeira operação do género. O Dr. Pina morreu mas nós, doentes tratados por ele, estamos aqui e somos a prova viva da sua generosidade e dedicação.
Obrigada!

quarta-feira, maio 04, 2011

Respeito

Há pouco tive a oportunidade de rever uma entrevista que o António Barreto deu à RTP e onde dizia uma coisa que, para mim, é lapidar. Dizia que os portugueses devem ser tratados com respeito pelos políticos, que não devem ser tratados como parvos. Que só assim poderemos voltar a confiar nas instituições democráticas. E eu não podia estar mais de acordo.
Eu, que tenho 35 anos, que abri a minha própria empresa, que contribuo activamente para o crescimento deste país. Eu, que não me isento das minhas obrigações de cidadã; que voto, que tento educar o meu filho para, ele próprio, respeitar e participar na sociedade que temos... senti-me, ontem à noite enquanto o nosso PM falava, tratada como uma parva.
E se há coisa que me deixa furiosa é isto: ser tratada como burra por um tipo que, esse sim, deixou de merecer o meu respeito há muito.

segunda-feira, maio 02, 2011

Novo dia

O mundo não deixou de ser um lugar estranho, nem tão pouco passou a ser mais seguro. Quem leu o mínimo sobre o terrorismo sabe que ele sobrevive aos seus líderes e que atrás de um Bin Laden virá outro tão ou mais mortal, tão ou mais ameaçador. Mas a morte de Bin Laden vale, sobretudo, pela sua carga simbólica. Pelo que representa para os muitos familiares das vítimas dos atentados do 11 de Setembro, ou dos atentados de Londres, ou da Atocha. Por eles vale a pena um brinde.
Obrigada Barack.

sexta-feira, abril 29, 2011

carros

Se algum dia vos disserem que o melhor é comprarem um volvo porque é um carro para a vida... liguem-me!

quarta-feira, abril 20, 2011

Plano contra a anemia

Dia 1 (hoje): iscas ao almoço, meio quilo de morangos, uma caixa de mirtilos e outra de amoras... nada mau para o primeiro dia, pois não?
Agora vou ali ver o Benfica e ver se fico ainda melhor.

terça-feira, abril 19, 2011

Boas notícias

Entre FMI, birras de políticos, incertezas em relação ao futuro e muito trabalho até me esqueci de dizer que fui ontem ao médico saber o resultado dos exames da revisão dos 6 mil km. Marcadores tumorais nos mínimos de sempre! Para a troca tenho uma ligeiríssima anemia e excesso de vitamina B12.
Podia ser pior.

segunda-feira, abril 18, 2011

Isto está bonito, está

Se há coisa que, nos últimos tempos, me entristece é a qualidade dos nossos políticos. Diga-se em abono da verdade que não tinha grande ideia da maioria deles. Mas nem agora, com o país no estado em que está, eles se entendem. Não há um denominador comum, por mais mínimo que seja. Quer dizer, talvez haja um ou dois: o de passar as culpas para o do lado (estilo passa a outro e não ao mesmo), e o de querer a todo o custo a cadeira do poder (estilo o jogo das cadeiras em que andam todos a dançar muito próximos da cadeirinha, como se não fosse nada com eles, mas sempre a ver a dita pelo rabinho do olho e à espera que a música acabe rapidamente para se poderem sentar, nem que seja ao colo de um que tenha sido mais rápido). As coisas não vão ficar nada fáceis. Acho que a maioria de nós ainda não viu bem o filme que aí vem e que vai ficar nas telas durantes uns bons anos. E se não vai ser bom para mim e para os meus amigos, o que se pode dizer de pessoas que têm muito menos do que eu? Pessoas como a minha empregada, pessoas como os reformados com as pensões mais baixas? É que, se no meu caso, ainda há muito por onde cortar (basta-me lembrar da minha infância e de tudo o que não tive), apesar desses cortes trazerem uma baixa considerável na minha qualidade de vida, a verdade é que há muita gente que já está no osso, que não tem onde cortar nada de nada. E se nós, cidadãos, podemos viver na ilusão de que alguém pagará a conta e de que os juros (e por arrasto as prestações das casas) não vão subir mais este ano, a verdade verdadinha é que os senhores que nos governam e os que nos querem governar sabem muito bem o que nos espera. E o mínimo que podiam fazer era deixar de assobiar para o lado, como se não tivem responsabilidades. Isto não vai ficar bonito, nada mesmo. E aconselho os poucos que aqui costumam passar a fazr um lista de cortes que podem fazer nas despesas mensais e a executá-los. Façam esses cortes logo no início o mês e coloquem esse dinheiro num mealheiro. Palavra de amiga.

terça-feira, março 29, 2011

O Estado da Nação

Há alguns dias que ando para aqui escrever sobre a actual situação política do nosso país. Pode parecer que vivo numa bolha, que não estou nem aí para as palhaçadas dos nossos políticos... antes fosse. A verdade é que dou comigo muitas vezes a barafustar com a televisão, mas não é menos verdade que estou cheia de trabalho e acabo por ficar sem tempo para passar para aqui o turbilhão de considerações que me passam pela cabeça. Eu acho inevitável a entrada do FMI no nosso país. Vai ser mau, muito mau. Mas acho mesmo que é o que vai acabar por acontecer. Com os juros da divida acima dos 8,5%, com os bancos à rasca como estão sem se conseguirem financiar, acho mesmo que não há volta a dar. E tenho medo, claro que tenho. Acabei de abrir uma empresa, sinto na pele o que uma crise agravada pode significar. Mas também acho que, se é inevitável, cada dia que passa sem se tomar essa decisão é pior, porque agrava o estado do país e atemoriza ainda mais as pessoas. Bem sei que, para o caso, é indiferente a cor do partido no governo: laranja, rosa, azul e amarelo, vermelho... é tudo igual uma vez que não estamos sozinhos: as directivas vêm da Alemanha, ou de Bruxelas... Bem sei que vão ser necessários muitos sacrifícios e que as coisas ainda vão piorar muito. Mas há algo que ajudaria a que tudo se passasse com mais clareza: a decência na política. E isso, infelizmente, é coisa que não temos. Apesar de saber que não é bom para o país estarmos com um primeiro-ministro demissionário, acho que é muito pior ter o que temos, que mente a cada dia que passa, que adultera os números e dados a seu belo prazer (muitas vezes com a conivência dos jornalistas que, para não se darem ao trabalho de analisar criticamente o que lhe dão, escrevem o que vem dos gabinetes dos ministérios sem o mínimo de massa crítica), que nos faz passar por burros, que faz tábua rasa de 6 anos de governação, que diaboliza os outros. Os outros são maus e querem o FMI. Como se alguém desejasse o FMI, estilo pedido ao Pai Natal. Ninguém pode, nesta altura do campeonato, fazer milagres. Mas eu, enquanto cidadã que vota, tenho o direito à verdade, a ter políticos decentes, que se preocupam com a "coisa pública". E tenho o direito à indignação quando vejo o nosso primeiro-ministro a dizer que os outros é que têm sede de poder, e querem chegar aos ministérios... Como diria o meu pai "preferia borrar um pé a votar na direita", mas a verdade é que esta esquerda que quer governar mete muito nojo. E algo me diz que estas vão ser as primeiras eleições em que vou votar em branco.

segunda-feira, março 28, 2011

60

Se fosses vivo fazias hoje 60 anos. Seria dia de festa. Teríamos um belo bolo de aniversário. Estarias rodeado dos teus netos que enfiariam os dedos no bolo antes do permitido. Cantaríamos os parabéns. Haveria uma garrafa de espumante. Estaríamos todos reunidos em volta da mesa, uma das coisas que mais gostavas, e haveria muita algazarra. Mas tu morreste e a algazarra foi substituída pelo silêncio da visita ao cemitério onde és apenas uma fotografia. Hoje à noite vou beber um copo por ti, pai. e chorar um bocadinho a falta que me fazes.

terça-feira, março 15, 2011

Terça? É que a mim parece-me sexta...

No sábado à noite aminha televisão morreu-me. Fiquei devastada. Era meia-noite e eu a tentar o meu momento "gaja sozinha em frente da tv que os gajos já dormem". Enrolo-me na mantinha, ligo a televisão e... pock. Apagão, blackout...
No domingo o dia até correu bem, com passeio à beira rio e um belo lanche a rematar. Estávamos quase a regressar a casa quando o Henrique se magoou na pilinha. Um horror, com direito a sangue e tudo.
Ontem tivemos maratona de médicos: para além da dermatologista, porque precisávamos de ver se a infecção que ele tem na pele melhora ou se é mesmo precisa uma raspagem, tivemos de ir a uma consulta de urgência com o cirurgião dele. Depois de três voltas ao quarteirão acabei por estacionar num local proibido. Resultado: para além dos €50 da consulta foram mais €20 de multa. A consulta foi má, muito má, com o Henrique a trepar paredes. Sei que todos os gajos são muito ciosos da sua pila, mas no caso do Henrique a coisa reveste-se de maior gravidade porque ele já foi operado três vezes; porque nasceu com uma mal-formação... Digamos que a coisa nunca é fácil naquele consultório, e ontem não foi excepção. E as mães deste país sabem o que digo: a televisão tem um efeito anestesiante nos putos e ele, chegado a casa, triste e choroso... não tinha a sua tv.
Vê-lo ali a gritar, a tremer de dores a acusar-me de não o estar a proteger, partiu-me o coração. Mesmo. De tal modo que hoje me sinto quebrada, como se tivesse levado uma cacetada na cabeça...
Hoje ao fim do dia a televisão voltou do mundo dos mortos (obrigada Senhor António, o senhor é mesmo um grande amor). Pena que, para mal dos meu pecados, a televisão tenha acordado memso em cima da entrevista do nosso primeiro com a bela adormecida... vou ali ver se já acabou e se posso ver qualquer coisa de interessante.... ufa!

sábado, março 12, 2011

Algo vai mal no mundo

O Japão vive uma tragédia desmesurada, com um terramoto como não há memória, seguido de muitas réplicas e de um tsunami que engoliu vilas inteiras.
O governo português anunciou mais um PEC ao qual nnguém deu o devido tempo de antena porque a tragédia do Japão faz (e bem) com que tudo pareça pequeno e irrelevante.
Centenas de milhares de pessoas, à rasca ou solidárias com quem está, saíram à rua para protestar pelo estado a que chegámos, enquanto sociedade, enquanto país.
Eu não tenho muitas certezas, nem uma teoria fantástica a apresentar sobre a geração à rasca. Não acho que sejam todos uns coitadinhos, como também não partilho da ideia de muitos iluminados deste país - quase todos a viver bem, muito bem - de que somos todos uns calinas que não querem trabalhar e que querem tudo sem fazer nada.
A verdade é que não existe direito a um emprego e cada vez vai existir menos. Não podemos viver com a ilusão que, depois de muitos anos de estudo, o emprego maravilhoso, o dos nossos sonhos, estará à nossa espera. Isso, se alguma vez exisitiu, acabou.
Todos nós vamos ser chamados a fazer mais sacrifícios, muitos mais. A questão é saber para quê e para quem. Com um governo como este, que nos mente todos os dias; que nos pede que vivamos cada vez com menos mas que, mesmo assim, não nos garante o mínimo do que era suposto garantir-nos, não vamos a lado algum.
As centenas de milhar de pessoas que hoje estiveram na rua, quiseram dar um sinal de mudança. Espero que seja o início de uma sociedade mais atenta e participativa. Porque não basta embandeirar em arco e descer a avenida em dia de greve e de manifestação. É preciso participar, criticar, fazer acontecer. E isso começa, a meu ver, nas urnas, no dever fundamental de votar.
Algo vai mal no mundo. Mas eu tenho esperança que melhore.