sábado, julho 18, 2009

crónica de um dia atribulado ...

ou ufa, nem acredito que já estou de férias.
Pois, é verdade. Estou de férias, dentro de 48h estarei no sofá da minha sogra, no Funchal, a borregar frente à televisão e a preparar-me para dormir. Mas esta realidade ainda me parece muito distante. Hoje foi um dia muito preenchido, envolto em grandes mudanças e muitas notícias, nem todas agradáveis. Os assuntos do trabalho lá ficarão, a marinar até ao meu regresso. Mas deixo aqui o que se passou com a minha mãe e que é uma daquelas situações que Para quem não conhece a minha mãe, ela é das pessoas mais sérias que eu conheço, incapaz de ficar com troco a mais, incapaz de passar à frente de alguém numa fila... uma pessoa mesmo muito séria e honesta. Em meados de Junho ela entrou num autocarro da Carris vinda do comboio, cheia de malas e, por várias vezes, tentou validar o seu título de transporte. Expressou essa dificuldade ao motorista que nada lhe disse e, em seguida, foi pousar as malas para voltar a tentar validar o bilhete. Na paragem a seguir entram três revisores da carris e ela dirige-se a um deles dizendo que estava a tentar validar o bilhete, que não consegui mas que tinha a certeza que o bilhete tinha dinheiro. O senhor colocou o bilhete na sua maquineta de revisor e disse que realmente o bilhete tinha dinheiro. E começou a pedir o b.i. à minha mãe e a morada. Ela, que em tantas ocasiões me surpreende com a sua esperteza, desta vez foi bastante ingénua e achou que o senhor lhe estava a passar uma guia para que pudesse trocar o seu bilhete por um novo. E lá continuou, sem bem a conheço, na conversa com o revisor, a dizer que tinha mais autocarros para apanhar e que tinha medo de voltar a ter o mesmo problema com o bilhete, ao que o tal fiscal simpático lhe disse para não se preocupar, que com aquele papel poderia entrar em qualquer autocarro. E a minha mãe, acreditou nele e ainda assinou o que ele lhe pediu para assinar sem sequer o questionar. Resultado: ao entrar no autocarro seguinte, quando exibiu o papel que lhe tinham dado, foi informada pelo motorista de que tinha em mãos ums multa de 114 euros para pagar.
Escusado será dizer que ficou para morrer; escusado será dizer que se fartou de chorar; escusado será dizer que fizemos uma exposição ao provedor do utente. Mas a carris está-se a borrifar para a minha mãe e hoje lá chegou a casa dela a cartinha que dizia que o pedido dela não tinha sido aceite. E que ela não tiha testemunhas! Claro que não! Ela não sabia que estava a ser multada, como é que se havia de preocupar com testemunhas? Aliás, o revisor nem se identificou, apenas assinou a multa com o seu número profissional. E quando, hoje, a minha mãe pediu o nome dele para poder fazer uma queixa formal à carris, foi-lhe dito quesó fariam isso com ordem do tribunal... acho isto verdadeiramente inacreditável e algo me die que amanhã irei desenhar o número desse senhor no livro de reclamações daquela chafarica.
Mas acho inacreditável que as coisas passem assim,impunes.
Gostava de poder levar esta reclamação a uma outra instância, mas já percebi que é impossível...

terça-feira, julho 14, 2009

Depois da tempestade


avizinha-se a bonança. O puto já se porta melhor, amanhã chega o amigo do seu coração e, daqui a cinco dias, estaremos na pérola do Atlântico, de preferência a comer umas lapas na chapa. A vida é mesmo assim, certo? como os interruptores: umas vezes para cima e outras para baixo.

quinta-feira, julho 09, 2009

Contabilidade

Durante todo o dia tentei pensar em outras coisas. Mas, nem por um segundo, consegui esquecer que faz hoje nove meses que te perdi, pai.

fazes-me falta

quarta-feira, julho 08, 2009

Sinto-me a modos que chateada

Há alturas em que tudo parece correr bem. Muito stress, muito trabalho, mas a estrelinha parece cintilar em cima da nossa cabeça e, verdade seja dita, as coisas nem custam assim tanto porque o resultado se vê. Mas quando as coisas começam a descambar... fonix, saiam de perto de mim que eu até tenho medo que esta merda esteja em contágio. Estilo cocó de bebé que parece que fica no ar, na roupa, nas mãos durante horas? é assim que me sinto.
No trabalho propriamente dito não é que me tenha acontecido algo de mau, mas avizinham-se mudanças que não sei bem o que significam. E, não sendo directamente relacionado com o meu trabalho, há coisas que gravitam à volta dele e que me aborrecem à brava. Uma delas é a falta de tomates de algumas pessoas que adoram criticar mas não directamente. Digamos que são aquele tipo de pessoas que adoram mandar uns bitaites mas que, quando são espremidas, adoram olhar para o lado, assobiar e dizer que não era nada daquilo que queriam dizer e que nós (no caso eu) é que percebi tudo ao contrário. Sim, sim... sou eu a ingénua e parva de serviço.
E, como se tudo isto não bastasse, estou com as putas (perdoem-me o vernáculo mas tem mesmo de ser) das hormonas aos saltos porque tirei o Implanon e até me vir o próximo período vou estar assim para o impossível. Só um aparte, nunca mas nunca caiam na burrice de colocar este cabrão deste implante no braço. A sério.
E a cereja no topo do bolo tem mesmo sido o Henrique. Sim, o meu querido filho de cinco anos tem-se portado tão mal, mas tão mal que já comecei a pensar em novos métodos de tortura. A sério, se alguém tiver algum conselho para dar eu estou aqui, de ouvidos bem abertos. Ele está impossível, violento, birrento, sempre a gritar à primeira contrariedade... está mesmo muito difícil.
E, para quarta-feira, parece-me que chega, não?

segunda-feira, julho 06, 2009

Esta malta sabe-se tratar

Dois ou três dias antes do Michael Jackson morrer tive, pela terceira ou quarta vez, o disco comemorativo dos 25 anos do Thriller nas mãos. E pela terceira ou quarta vez eu e o meu marido decidimos não o comprar. Estava a 10,95, um preço muito bom, mas era tanta a música que estávamos a levar, um bocado na boleia da Festa da Música da Fnac, que pensámos que poderia ficar para depois. Nessa mesma semana o senhor morre e o que faz a malta da Fnac? coloca o mesmo disco com muito mais destaque, debaixo de um cartaz que assinala a homenagem da cadeia de lojas ao rei da pop e, para o comemorar, nada melhor que subir o preço do cd para os 19 euros. Esta malta sabe-se tratar, essa é que é essa.

Festival Panda nunca mais...

Ok, eu já não era uma novata nas andanças do Festival Panda. Tinha estado lá na edição passada e o Henrique era mais pequeno. Vai daí, ingenuamente, pensei que este ano a coisa correria ainda melhor e passaríamos uma manhã juntos, ele a delirar de alegria e eu nem por isso, mas tudo bem, ser mãe nem sempre é fácil. Só que, desta vez, as coisas correram mesmo muito mal. Para começar eu tive uma semana bastante complicada de trabalho; muito stress, descansei pouco... digamos que não estava mentalmente preparada para umas 20 mil crianças a correr e a gritar. Ou melhor, não estava preparada para eventuais desvios comportamentais naquele lugar. E, assim para ser simpática e tentar dourar a pílula, digamos que foi uma manhã para esquecer. Muito sol, muitas filas, pouca resistência, muitas birras do Henrique e, para finalizar, ele tentou fugir para o meio da estrada, coisa que nunca tinha acontecido.
Fiquei fora de mim; segurei-o com tanta força que ontem, na praia, podia ver a marca dos meus dedos nos seus bracinhos (esta é a parte em que a comissão de protecção de menores e o senhor do Refúgio Aboim Ascenção me vêm prender). Mas o pior nem foi ele quase morrer atropelado, o pior foi o que ele me disse a seguir, danado por não lhe ter feito as vontades e por lhe ter dado duas valentes palmadas no rabo. Verdade, verdadinha, nunca imaginei que uma criança de cinco anos guardasse em si tamanha crueldade. Sim, ali estava o meu filho a dizer, ou melhor, a gritar para quem quisesse ouvir, que me odiava, que eu era má, que queria viver longe de mim e que nunca mais queria ser meu filho. Não sei o que me deixou mais atordoada, se o medo que tivesse ficado debaixo de um carro mesmo ali à minha frente, ou se o que ouvi daquela boquinha. Mas foi tudo tão desconcertante que, mal chguei perto do meu marido, desatei num pranto.
Não sei que ensinamentos tirarei deste fatídico sábado, mas uma coisa é garantida: Festival Panda, nunca mais

sexta-feira, julho 03, 2009

balanço

Depois de uma semana louca de trabalho e stress onde é que vou começar o meu fim-de-semana?
Exactamente, no Festiva Panda
Quem disse que ser mãe é fácil?

quinta-feira, julho 02, 2009

amor é...

estar sentada na cama a tentar traduzir um livro com um ronco constante ao meu lado e ainda não ter assassinado ninguém.

Dia Pipoca

Hoje foi um dia especial:: a minha pipoca lançou o seu livro e eu senti-me muito orgulhosa, ao estilo mana mais velha. A sério que sim. Correu tudo lindamente (não tivesse sido eu a organizar o evento...),a Zilian recebeu-nos muito bem. Mas do que eu gostei mesmo foi de estar ali, a vê-la, linda, charmosa e com um ar feliz. Houve um momento em que uma lágrima marota quis ver a luz do dia, mas cortei-lhe o caminho antes que fizesse estragos.
Já houve uma altura das nossas vidas em que passámos mais tempo juntas e em que fomos mais próximas, porque nos víamos todos os dias. Mas o carinho que sinto por aquela miúda que berrava "Sisse" de cada vez que eu aparecia na redacção, quando estava grávida, esse é o mesmo.
Parabéns Pipoquinha.

obrigada pelo agradecimento...

amores e desamores




Tenho saudades do tempo em que comprava religiosamente o meu jornal. Todas as manhãs passava pela banca e, quase sempre, o meu jornal foi o Público. Há algum tempo que me zanguei com o meu jornal, assim como nos zangamos com um amor de longa data.

Mas quando vejo uma primeira página como a de hoje, com aquela foto maravilhosa da Pina Bausch, tenho a certeza que, independentemente das nossas zangas e por muito tempo que passe sem o comprar, o meu jornal será sempre este.

quarta-feira, julho 01, 2009

é impressão minha

ou o preço da gasolina não para de subir e ninguém fala disso?
Lembro-me de por gasóleo a 88 cêntimos... já vai para lá de 1 euro...

terça-feira, junho 30, 2009

morte de um mito

Morreu a Pina Bausch. E, apesar de não ter gostado das últimas coisas que vi dela, não posso deixar de sentir um aperto no coração por tudo o que ela fez e representou. Estou triste. Mais uma vida ceifada pelo cancro.

Falando de coisas sérias

estou para a minha vida com o que acabei de descobrir com a tradução que estou a fazer. Os arrotos e os peidos de uma vaca libertam mais gases de efeito de estufa que um carro todo o terreno. Impressionante, não é?

domingo, junho 28, 2009

Voltou...

Está lindo, moreno, mas está impossível. Parece que meteu os dedos na tomada... não pára, não sabe o que há-de fazer, se ri, se chora, se faz birra ou se se porta bem... não está fácil.

quinta-feira, junho 25, 2009

Lindamente, não foi?

Depois de uma demonstração do que poderiam ser 12 dias de histeria completa, em que eu poderia escrever várias vezes ao dia sobre as horas que faltavam para o meu filho regressar, ou das muitas saudades que sentia, eu inverti a tendência e portei-me lindamente. Estive mesmo bem. Nada de lamechices, nada de choramingar, nada de dizer que nunca mais o deixaria ir para longe (este assunto ainda não está resolvido). Decidi-me por aproveitar, da melhor forma possível, 12 dias de liberdade de horários. Muitos jantares, algum cinema, muitas idas à esplanada ao fim da tarde sem estar constantemente a olhar para o relógio.
Mas hoje, véspera de o voltar a ter no meu colo, não posso continuar a mentir. Estou cheia de saudades. Apetece-me brincar com ele, ouvi-lo correr pela casa, sentar-me ao seu lado no sofá para ver a Vila Moleza... Não sei se volto a deixar o Atlântico meter-se entre nós

terça-feira, junho 23, 2009

Reeducar o bicho

Já fiz a revisão! Não a dos 70 mil quilómetros, mas a dos 4 anos. E passei. Análises, ecografia, conversa com o médico e ... está tudo bem. Agora entro numa nova fase: a da preparação para os cinco anos. Da próxima vez que for ao hospital (em Dezembro) será para uma conversa com o médico e para marcar uma bateria de exames para Março de 2010, altura em que ultrapassarei a mítica barreira dos cinco anos. E iniciei também uma nova etapa da minha compreensão e vivência das minhas limitações. Ultimamente tenho tido algumas queixas. Andei até preocupada, com medo de ter algum problema. Mas, ao que parece, o meu problema é comer demasiado. Nunca pensei poder voltar a dizer isto, mas a verdade verdadinha é que como como muito e não o posso fazer. Porque as consequências são desagradáveis. Reeducação alimentar, é o próximo passo. Não deixa de ter graça eu que depois da operação, há quatro anos, não conseguia comer mais de três colheres de cerelac, agora como demais:)
Podia ser pior, podia ser pior

quarta-feira, junho 17, 2009

Entrevista, qual entrevista?

Eu não sou grande adepta da entrevistas agressivas ou, como alguns gostam de chamar, entrevistas duras. A sério que não gosto. Mas tenho alguma dificuldade em classificar o género jornalístico do programa que acabei de ver na Sic com o primeiro-ministro. Foi tão mole tão mole que parecia um gelado derretido. Entrevista? Não me parece. Eu, pelo menos quase não ouvi perguntas e, das poucas vezes que as ouvi, eram antecedidas pela expressão "Deixe-me fazer-lhe uma pergunta", como se ela necessitasse do aval do entrevistado de cada vez que abria a boca.
Quanto mais penso no que vi, mais me lembro do saudoso programa também exibido na Sic, "Na Cama Com". Ana Lourenço, bem ao estilo da Alexandra Lecastre, foi lançando temas, com voz lânguida e olhar sensual e ficou, quase sempre, em silêncio a deixar o seu convidado a falar.
Oiço muita gente que está na tv a falar do estilo diferente da jornalista e do modo como este estilo acabou por ser uma espécie de "armadilha" para José Socrates. Hello? Está alguém no Planeta Terra? A Ana Lourenço não armadilhou coisíssima nenhuma. O que eu vi foi um José que está decidido a mudar de cassete e que, muito inteligentemente, decidiu escolher a jornalista mais queridinha e mais suavezinha para fazer passar o seu tempo de antena. "Deixe-me que lhe explique"? "Parte-se-me o Coração"? Como se a moça fosse estúpida e não conseguisse perceber o que ele diz. Poupem-me...

terça-feira, junho 16, 2009

Um ser maior (Ana Catarina Santos)

Eu já desconfiava que a Ana Catarina Santos era uma pessoa especial. Muito mais que a exuberante alegria que contagia todos os que a rodeiam. Nunca fui sua colega de trabalho, apesar de também ter sido jornalista. Mas do que vou ouvindo na TSF sempre a achei muito competente. Mas hoje veio a confirmação de que ela é muito mais do que isso: é uma grande jornalista e uma grande mulher que me deixou de lágrimas nos olhos.
Aqui fica a reportagem que fez e que venceu o Prémio AMI - jornalismo contra a indiferença, "Os Filhos da Solidão"
Parabéns Ana.
Obrigada

Ausência

O dia 9 é um dia malfadado. É o dia em que partiste. Este ano, que é o primeiro sem ti, pai, é também contabilizado pela tua ausência nas comemorações da família. Em Novembro faltaste ao 3º aniversário do Tiago, e ao 36º do teu filho e do Filipe. Em Dezembro não estiveste no Natal. Não me mandaste um beijo no ano novo. Falhaste os meus anos em Fevereiro. Tiveste a coragem de não comemorar os teus em Março. E agora foram os anos do Henrique... fazes-me falta.

segunda-feira, junho 15, 2009

Esta sou eu? Como é possível?

Pois bem, a verdade é esta. Eu sou uma liberal, vou de férias sem o meu filho, deixo-o ficar a dormir em casa das avós e tudo e tudo mas agora, que foi ele quem viajou, o caso está a mudar de figura.
Eu que sou o tipo de mãe para quem as outras mães olham de lado, porque vou muitas vezes para fora sem o Henrique, estou à beira de um ataque de nervos com as suas primeiras férias fora.
Explico-me: o meu filho foi ontem à noite para o Porto Santo com a minha mãe e o meu stress começou logo a caminho do aeroporto. Ele, que sentiu a minha inquietação disse-me "Mãe eu não quero ir para o Porto Santo, fico contigo". E, apesar de me apetecer dizer-lhe sim, sim a tua avó que vá sozinha que já é crescida, enchi-me de coragem e expliquei-lhe todas as vantagens de 12 dias de praia e convenci-o também de que alguém teria de tomar conta da avó agora que o avô tinha morrido.
Depois do chek-in já estava com palpitações e no momento em que ele passou o rx apeteceu-me ir lá resgatá-lo e dizer "Mãe, ele é um pestinha e estou farta dele, mas tu és crescidinha podes ir de férias sozinha e, mesmo peste, prefiro tê-lo ao meu lado, ok? Desculpa lá mas não vai dar." Mas não disse, deixei-o ir. E aí começou o tormento da viagem: era a primeira vez que ele ia andar de avião sem mim... e comecei a olhar para o relógio de 5 em 5 minutos.
Ok, chegou bem, dormiu bem. Está tudo bem, relaxa Inês, respia fundo ele está óptimo.
Expliquem-me então porque é que já lhe liguei 3 vezes esta manhã?

sábado, junho 13, 2009

Não havia eu de gostar de futebol

Foi num dia 12 de Junho, há nove anos atrás, que comecei a namorar com o meu marido. A coisa já andava no ar há algum tempo, mas foi preciso um jogo da selecção para que dessemos largas à nossa alegria. O Filipe bem diz que não sabe o que teria acontecido se não fosse o Figo virar o resultado do Portugal-Inglaterra! Estivémos quase a desisitir, mas não o fizemos. Ficámos ali, numa tasca de Câmara de Lobos, a comer gata e a beber cerveja... e o resto está à vista.
Num outro dia 12 de Junho, há cinco anos atrás, nascia o nosso filho. E eu estava louca furiosa porque queria ver o jogo de abertura de Euro 2004. A minha médica passou o parto inteiro a dizer: "vamos lá despachar isto que se ela não vê o jogo ninguém a atura".
E foi num outro 12 de Junho, há precisamente três anos, que nos casámos. Numa cerimónia muito bonita, em casa de uns amigos, no nosso cenário preferido. E a lua-de-mel passada em Itália teve sempre como pano de fundo os jogos da nossa selecção.
Deve ser por isto que o meu filho tem 10 pares de calças rasgadas nos joelhos....

terça-feira, junho 09, 2009

Quando for grande quero ser funcionária da Câmara de Lisboa

A modos que é assim: aos 33 anos descobri o que realmente quero fazer: quero ser funcionária da Câmara Municipal de Lisboa, daquelas que recebem mails dos pais a solicitar autorização para uma festinha no Parque Infantil do Parque Eduardo VII e que demoram mais de 10 dias a responder. Daquelas que saem supostamente para uma coisa chamada "serviço externo" e que desligam o telemóvel durante o mesmo. Daquelas que, três dias antes da festa (sendo que o resto dos dias que faltam são feriados) ainda não responderam a dizer se dão ou não a porcaria da autorização. O mais caricato é que aquele é um parque público, caraças. Porque razão me falam como se estivéssemos a pedir autorização para uma festa nos jardins do Palácio de Belém? Na sexta-ta feira passada ligaram-me para saber quantos meninos e quantos adultos estariam na festa - informação para acrescentar ao processo- (processo? é preciso um processo?). Quando respondi acrescentei que a festa seria no dia 13, e que esta era uma semana cheia de feriados e que que não podia deixar 10 crianças e respectivos pais pendurados... e coisa e tal."Pois, mas nós estamos com imenso trabalho e não sou eu que dou as autorizações. Ligue-me mais tarde, ou na segunda-feira"
E eu, que sou bem mandada, assim fiz. Mas estão todos em serviço externo. Whatever that means. Desde ontem que não há ninguém, para além da telefonista, que me atenda o telefone. Não há responsável que me diga sim ou sopas. E nem me posso queixar de quem me atendeu o telefone. Pessoas simpáticas e eficientes, mas que não podem decidir nada.
Está acabadinho, passamos todos para o Museu da Marioneta. Fico 110 euros mais pobre, mas pelo menos tenho onde fazer a festa.
E por favor, amigas, não me convidem para festas no Parque, que eu estou capaz de matar alguém. Ou então, arranjem-me um trabalho na Câmara, com muitos serviços externos.


p.s. aposto que agora que já telefonei para o museu a confirmar, vou receber um telefonema do parque...

sábado, junho 06, 2009

Indispensável

Não consigo recordar-me de onde surgiu a nossa amizade, nem a ideia de nos juntarmos com mais ou menos regularidade para os nossos jantares de gajas. Mas a verdade é que cá estamos, dez anos depois, com percursos de vida e amorosos bastante diferentes, mas nós, as gajas, continuamos esta nossa, nem sempre muito fácil, relação de amor e cumplicidade.
Quando casei, já de puto nos braços, foi um momento extraordinário na minha vida. Foi uma festa que nunca esquecerei, simples, informal, muito divertida, muito sentida, muito restrita. Foram muitos os amigos que ficaram de fora, por várias razões mas principalmente porque decidimos convidar apenas as pessoas que nõ poderiam faltar naquela festa, as pessoas cuja ausência faria com que aquela festa fosse menos completa. E lá estiveram as minhas gajas e eu adorei tê-las ali. Mas nunca me passou pela cabeça não partilhar aquele mesmo momento quando chegasse a vez delas. E isso aconteceu já duas vezes. Por razões muito lógicas e que eu respeito. Não é isso que muda o meu amor por elas. Mas entristece-me saber que não fui indispensável no momento delas.

terça-feira, junho 02, 2009

Copo meio vazio ou meio cheio?

O Ministério da Educação está muito contente porque um em cada quatro alunos do ensino básico foi sujeito a um plano de recuperação e, desses, 74 por cento transitaram de ano. É apenas uma forma de ver as coisas. Onde eles vêem o copo meio cheio eu vejo meio vazio. A minha pergunta é, como é que 25% das crianças do ensino primário têm tamanhas dificuldades de aprendizagem? Como mãe de uma criança de quase 5 anos fico preocupada. Pode ser que tenha má memória mas não me recordo de as coisas serem tão complicadas na minha altura. E eu andava numa das chamadas "escolas problemátias", cheias de crianças de bairros de lata, com pais sem escolaridade, miúdos que iam para a escola sem comer, que apanhavam dos pais, que faltavam imenso porque tinham de ficar a tomar conta dos irmãos bebés quando estes ficavam doentes (porque os pais não podiam faltar ao trabalho). A coisa era tão rara que me lembro perfeitamente da Filipa, uma coleguinha que não conseguiu passar para a quarta classe com o resto da turma apesar dos esforços da professora nesse sentido.
Devo andar muito distanciada da realidade das escolas deste país....

segunda-feira, junho 01, 2009

Caramba, isto é fado

Tinha-a ouvido há um ano, por altura do lançamento de um livro da editora onde trabalho. E, já na altura, fiquei presa à sua voz. Bem sei que toda a gente fala dela e, até certo ponto, isso pode causar alguma aversão à miúda. Mas, verdade verdadinha... isto é memso muito bom

quinta-feira, maio 28, 2009

Nem tanto ao mar....

Ponto prévio: eu não gosto do estilo de jornalismo praticado pela Manuela Moura Guedes. A sério que não gosto; encanita-me com os nervos a forma como ela está sempre a dar a sua opinião, sempre a dizer o que pensa, sempre a fazer comentários. Não gosto e não acho que seja bom jonralismo.
But enough is enough. De repente ela passou a ser o monstro do jornalismo português? O bicho papão? Poupem-me. Como alguém, e muito bem, me recordou há dias, o jornal da TVI é o único que tem agenda, que não deixa cair histórias, que vai atrás das promessas feitas para ver se foram cumpridas. quantas vezes, enquanto jornalistas, nos lamentámos do que não conseguimos escrever ou dos constrangimentos que tivemos ao fazer uma peça porque podia beliscar alguém? Duvido que isso aconteça naquele jornal. E tenho muito respeito por vários profissionais que lá trabalham a começar pela Constança Cunha e Sá, passando pela Rita Ferreira, pelo Vasco Rosendo, só para nomear alguns.
As peças daquele jornal são, na sua grande maioria, bem feitas.
Não é o telejornal que veja por norma, mas não fica atrás do da SIC ou do da RTP.
E quando me falam de perseguição ao Governo eu tenho vontade de rir. Eles têm memória, que é coisa diferente e que falta a muito boa gente. Se o governo prometeu algo e não cumpriu deve ser chamado a prestar contas, ou não? Ou é melhor assistir a entrevistas como a do Mário Crespo ao Alberto João Jardim em que fez comentários do género "As eleições que o senhor tão brilhantemente ganhou"?
Resumindo, eu não gosto do estilo da Manuela Moura Guedes, mas fazer uma "causa" no facebook para lhe oferecer o código deontológico parece-me um exagero. Até porque, se fossemos enviar uma cópia a todos os jornalistas que precisam de uma, tinhamos um bestseller em mãos.

terça-feira, maio 26, 2009

Isto se não fosse trágico era mesmo cómico

Está uma gaja em casa, à noite, à espera que a tosse do seu filho passe para poder ir para a cama e a ver a AR tv pnsando que ali só passam coisas sérias, quando vê e ouve o sr. Oliveira e Costa a pôr às mãos à cabeça lamentando, não a gestão danosa e o muito que deve ter roubado nestes anos no BPN, mas o facto de ter sido um viciado no trabalho e de não ter lido um livro por mês, porque se aprende muito a ler livros. Mas este senhor anda a gozar com quem trabalha?

A isto eu chamo representação

Deus sabe que eu não sou uma rapariga de direita, cruzes canhoto, mas dá gosto ver o modo como Nuno Melo está preparado de cada vez que há uma comissão de inquérito ao BPN. Não sendo ele caso único (mas é raro), devia servir de exemplo a muitos dos senhores que se passeiam pela AR.

segunda-feira, maio 25, 2009

Quem sai aos seus...

O meu filho não é uma criança diferente das outras. Mas gosto de pensar que, talvez fruto dos pais que tem, se sai com algumas respostas de morrer a rir. Vejamos algumas das últimas cenas que protagonizou.
1 - A avó materna, aproveitando que os pais estavam em Marraquexe, decidiu levar o seu neto à missa. Actividade clandestina já que os pais nao são nem tencionam ser dessas coisas. Tudo bem. Gostou, cantou, deu beijinhos mas ficou fulo no momento em que "a avó comeu aquela coisa" e ele não. E quando a avó lhe disse que ele não podia comer aquela coisa porque era muito pequeno e não era baptizado ele respondeu: "mas eu não quero que me molhem todo com água fria e se não posso comer aquela coisa não volto à missa". Quando lhe perguntei o que tinha achado resumiu tudo ao seguinte: "é giro, repetimos o que o senhor diz, damos moedas mas não me deixam comer aquela coisa".
2 - Sábado às 14h00. Urgências do D. Estefânia. 39,9ºde febre. A médica olha para ele, faz conversa de cerimónia a diz-lhe "deita-te aí nessa caminha para eu te ver". Ele deitou-se e ficou a olhar para ela. No momento em que lhe começou a mexer na barriga ele encolheu-se. "Então?" perguntou a médica. "Então o quê", respondeu ele, "Ver não é mexer". Ao que ela remata dizendo, "ai tu és desses, dos explicadinhos. Os teus pais devem ser frescos."
Talvez sejamos!

E agora?




Expliquem-me, por favor, como é que se passa destes encantadores olhos verdes, deste saleroso treinador que parece que canta enquanto fala, para este senhor de juba branca que dá pelo nome do filho do Criador?
Alguém tem esperança que, com Jesus chegaremos a campeões? É claro que não. Já que não posso mudar o presidente (um colosso de homem, diga-se de passagem), pelo menos não me levem o Quique. Logo agora que fiz o meu filho sócio... não há direito.

domingo, maio 24, 2009

Muito bom

Não tenho grande respeito pelo Dr. Marinho Pinto. Mas depois de sexta-feira passada subiu uns pontos na minha consideração. Esta senhora merecia ouvi-las.

sábado, maio 23, 2009

Um outro mundo



Chegámos há menos de 48 horas, mas parece que já foi há uma eternidade. Marraquexe. Quatro dias para descansar acabaram por ser muito mais que isso. Foi um contacto com uma nova cultura, um outro mundo que, apesar de tão perto do nosso, está muitíssimo distante.

Marraquexe é uma cidade bonita, caótica, colorida. Uma cidade de tons e texturas. Mas é também uma cidade de contrastes, em tudo diferente do que estava acostumada a ver. Esta viagem foi, para mim, uma lição de vida. Bastou-me vê-la com olhos de ver, observar para lá do colorido dos souks ou do glamour dos restaurantes para turistas.
Olhar aquela cidade fez-me perceber o quão afortunada sou.

sexta-feira, maio 15, 2009

Amália Hoje? Prefiro a de ontem

A Sónia Tavares que me perode, mas a minha gaivota é esta.

E, para que conste, eu gosto dos Gift e não tenho mesmo nada contra versões. Quando bem feitas.

terça-feira, maio 12, 2009

Só por ser para ti

A minha querida amiga Gata lançou-me o desafio. E olhem que não é fácil, nada mesmo. Mas só por ser para ela vou puxar pela cabeça e, mesmo correndo o risco de me esquecer de algo mesmo muito importante, vou listar por ordem de lembradura e não de importância. Mas apenas séries do meu passado. Nada de Sexo e a Cidade, nem de 7 Palmos, nem 24. Apenas as que me ajudaram a crescer.

1 - O Barco do Amor - palavras para quê?
2 - Crime disse ela - gostava mesmo
3 - A árvore dos Patafúrdios - adorava que o meu filho tivesse um guarda Serôdio na sua vida
4 - Os Trintões - aquela Hope não tinha emenda. E oMichael? Tão giro!
5 - Serviço de Urgência - as duas primeiras séries são do melhor que há
6 - Os Três Duques - sempre sonhei em entrar para um carro daquela maneira
7 - Modelo e Detective - o jogo do gato e do rato entre aqueles dois... maravilhoso
8 - Mc Giver - aqui acho que por culpa do meu irmão. Sábado às 19h... aquilo era uma missa
9 - O Tal Canal - ehehehehe
10 -Foulty Towers - don't mind him, he's from Barcelona - é uma das minhas deixas favoritas
11 - Os Soldados da Fortuna
12 - O Justiceiro
13 - Fama - quem nunca usou umas caneleiras coloridas que atire a primeira pedra
14- Alf
15- All in Family - não me lembro do nome da série em português, mas adorava as piadas racistas do Archie

Azedices

Na sexta-feira lá estávmos. Cansadas, com o peso de uma semana nas costas, mas lá estávamos, umas para as outras. Aprumadinhas para que nenhuma de nós decepcionasse as outras.
E foi bom, falámos de tantas coisas. Umas importantes, outras nem por isso. E rimos. E bebemos uma bela garrafa de vinho tinto argentino. E no meio daquela algazarra uma voz ficou a ecoar em mim. Uma de nós alertou-nos para as nossas azedices, para as nossas zangas constantes com o mundo.
E aqui estou eu, a pensar nisso, nesta arrelia constante com o que corre mal. E pergunto-me se é mau ou errado, ou uma troca de prioridades...e acho que não. Embora entenda e concorde com grande parte do que a minha amiga disse, a verdade é que acho que me devo continuar a chatear e a indignar com o que me rodeia. Prova que estou viva, prova que tenho sentido de justiça, de civismo, do que quer que seja. O que tenho de fazer, e aí dou-lhe razão, é de relativizar a coisa. Gritar, espernear, mas depois deixar passar.

quinta-feira, maio 07, 2009

Há dias assim...

O dia de hoje começou mal, muito mal. Lá estava eu a sair de casa a correr rumo à fabulosa Alfragide quando chego ao sítio onde a minha mãe disse que tinha deixado o meu carro e tudo o que encontro é isso mesmo: o sítio. Cheia de boa vontade pensei que o meu querido marido tivesse decidido ir para o trabalho na nossa velha carcaça corsa de 14 anos e tivesse deixado a volvo, linda e maravilhosa e com rádio, para mim.
Voltei a casa para apanhar as chaves da dita volvo azul metalizado com leitor de cd maravilhoso e só encontro as chaves suplentes. Eh pá, aqui há gato, de certeza. Voltei à rua e pus-me a rever mentalmente as minhas últimas 48 horas na esperança de ter um flashback providencial que me dissesse que, afinal, eu tinha andado com o carro e o tinha estacionado num outro local. Mas não, a memória não me trouxe nada de novo por mais que puxasse por ela.
Depois de ter corrido a rua toda à procura do carro "caí na real" (uma das minhas expressões favoritas) e decidi telefonar à Emel, só para despistar a hipótese. E tudo se tornou dolorosamente real quendo, depois de ter dito a matrícula do carro ao senhor ele me respondeu "um corsa branco?". Fim do sonho.
80 euros assim, de mão beijada. Ah, e o pequeno pormenor de não poder ser eu a levantar o carro por não estar me meu nome...
Estupidamente liguei de imediato à minha mãe pedido-lhe que da próxima tentasse não estacionar o carro numas cargas e descargas... ela ficou desolada e eu, ao contrário do que pensava, não me senti mais aliviada por descarregar nela a minha ira.
E desta vez nem fiquei chateda com os senhores, a sério que não. Nós é que estacionámos mal o carro, a verdade é essa. O que me aborreceu foi alguém o ter estacionado lá. Mas, apesar deste início nada sorridente de dia, não me posso queixar do fim. Aqui estou. sentada na cama, gozando de mais uma das minhas noites de quinta-feira, aquelas em que não há televisão, se come duas batatas fritas e, para terminar, acabamos os dois aqui, na caminha da mãe; eu e o meu capitão super cueca de quase cinco anos.
E pelo meio ainda tive direito s rever algumas pessoas maravilhosas: a Patrícia Reis, de quem tanto gosto, e o Zuenir Ventura, esse grande senhor das letras, esse coração generoso. E aqui, do cimo do fim do meu dia, nem me posso queixar.
Amanhã há mais

quarta-feira, maio 06, 2009

Dia da Mãe

Foi maravilhoso olhar para aquela carinha logo pela manhã, onde estava estampada a ansiedade de ser o primeiro a dar o presente à mãe. "Já é domingo?", perguntou-me. "Sim", respondi. "Então anda pai, preciso da tua ajuda".
E lá foram os dois ao escritório. E lá voltaram com a mais bonita das prendas que recebi: um magnífico livro de receitas feito por ele. Com direito a coração de brilhantes e fogo-de-artifício.
Fica prometida a foto.

segunda-feira, abril 27, 2009

Coisas que me aborrecem à brava

comprar uma revista para ver as novas tendências da moda e verificar que, pelo menos metade da roupa, tem preço sob consulta. Mas que raio é isso? O jornalista não se deu ao trabalho de ver quanto custam as coisas? Acha que não temos dinheiro para as comprar ou será que as lojas fazem variar o preço de acordo com a cara do cliente?
Juro que fico danada.

Ainda a pensar no terrorismo bom e no terrorismo mau...

.. encontrei

este

artigo, que deve ser lido.

Porque é importante ter memória

domingo, abril 26, 2009

Quando o jornalismo não passa de pinceladas impressionistas

Há coisas que me deixam realmente de boca aberta, a sério que há. E uma delas é quando os jornalistas que, supostamente deveriam relatar factos, se armam em escritores e decidem, à sua maneira e de forma muito impressionista, reescrever a História.

No P2 da passada sexta-feira, o jornalista Paulo Moura fez uma longa entrevista a Otelo Saraiva de Carvalho com o pomposo título "Se isto não é um herói".

Eu ainda não tinha nascido no 25 de Abril de 74, mas gosto de pensar que sou uma pessoa minimamente informada. Não vou aqui falar do óbvio, a importância da revolução ou de Otelo Saraiva de Carvalho nela. Mas deixo aqui uma parte da verdade que Paulo Moura se esqueceu de escrever.

Otelo Saraiva de Carvalho foi condenado a 18 anos de prisão por actos de terrorismo dos quais resultaram várias mortes. E o único motivo pelo qual não cumpriu mais do que 5 anos da sua pena foi, não por ter sido abslovido numa instância superior, mas por ter sido amnistiado.
Apesar se não trabalhar no diário dito mais sério deste país, tenho uma concepção de herói bastante diferente da do senhor Paulo Moura

quinta-feira, abril 23, 2009

Afectos

Neste dia do Livro que está quase a terminar, e a pretexto de o lançamento de um, vou falar de afectos. Eu sou uma mulher de afectos. Gosto de me entusiasmar com os pequenos detalhes, com a espuma dos dias. Não pretendo mudar o mundo, acabar com a guerra nem com a fome... talvez por isso nunca tenha desejado candidatar-me a miss. Não acredito em muitas das frases feitas que ouço; já perdi a ingenuidade de achar que todas as pessoas têm um "fundo bom", ou que são apenas levadas pelas circunstâncias da vida. Para mim há mesmo pessoas que são más, gajos que tiram o dia para enfernizar a vida dos outros, filhos da puta mais ou menos encartados que, por dá cá aquela palha, prejudicam o seu semelhante. Tiveram azar na vida? Sofreram horrores? Não quero saber. Simplesmente não quero saber e, cada vez mais, apago essas pessoas da minha vida, como se fossem cromos que decido não colar na minha caderneta. Porque não merecem o trabalho.
E depois, depois há aquelas pessoas que nos fazem chorar só de olhar para elas, aquelas pessoas que por mais mazelas que carreguem de uma vida com muita dor e perda, continuam em frente e não se deixam vergar pela dor.
Hoje estive com duas pessoas assim, pessoas que admiro do fundo do meu coração.
Uma delas é o Manuel Acácio, um dos seres humanos mais puros e generosos que me passou pela frente nos últimos meses. A outra é Paula Teixeira da Cruz, uma mulher que admiro pela sua fibra, pelos seus princípios, por não se deixar vergar nas suas convicções, por tanto sofrer no seu papel de mãe e, mesmo assim, de não baixar os braços e viver a sua vida com a alegria que lhe é possível.
Tive o privilégio de estar com estas duas pessoas que tanto admiro no mesmo evento, o lançamento do livro "A Balada do Ultramar", do Manuel Acácio. Com ele tenho mais confiança, consigo dizer-lhe claramente o quanto o admiro por ter colocado no papel não a sua história, mas a da mulher que amou e que viu morrer. Este livro, como o próprio diz, é um tributo à sua falecida mulher, é, por isso mesmo, uma forma de passados alguns anos este homem se pacificar com a vida e com as feridas que lhe foram infligidas.
Paula Teixeira da Cruz foi uma das pessoas convidadas para apresentar este belo livro e as palavras que proferiu foram tão certeiras e tão plenas de sentimento que me deixaram com as lágrimas nos olhos. E quando vejo pessoas assim, fico feliz por me deixar levar pelos afectos, pela capacidade de chorar comovida com as palavras alheias.
E sinto-me bem mais feliz

quinta-feira, abril 16, 2009

Xi pá, tanta coisa se passou

Duas semanas sem passar por cá... e não se pode dizer que tenha sido por falta de assunto. Nada disso. Foi mesmo mais por falta de tempo e de paciência. Muito trabalho, Páscoa (muito trabalho com as ementas), miudo adoentado, eu com uma amigdalite daquelas de caixão à cova, muito trabalho...
Mas cá estou, duas semanas depois, e a saber que a cegonha, uma outra, também já iniciou a sua viagem.
Quer-me parecer que, depois das muitas tristezas de 2008, e apesar da crise e da recessão, 2009 me vai trazer alegrias.

quinta-feira, abril 02, 2009

Esta quinta está a ser diferente

Esta noite não foi como as demais noites de quinta-feira. Ele estava em casa da avó e quando lá cheguei já dormia. Apesar de pouco passar das oito. Não jantou. Pelo caminho despertou e veio em amena cavaqueira, contando as peripécias destes dois dias sem pais. Mas, mal pós o pé em casa voltou a ficar quebrado. Tem febre, doi-lhe a garganta, tem tosse... está aqui ao meu lado, como nas demais noites de quinta-feira, mas está doente.

domingo, março 29, 2009

Março chega finalmente ao fim

E sinto-me aliviada.
Com o fim deste mês vai-se o dia do pai e passa-se o aniversário do meu pai. Foi ontem, dia 28, que, nos 33 anos da minha existência pela primeira vez passei pelo seu aniversário sem o ter.
Desde que o meu pai morreu que não voltei ao cemitério onde está sepultado. Este fim-de-semana achei que era tempo de enfrentar a realidade e fui até Marco de Canaveses. Eu e a minha mãe. E foi horrível chegar aquele jazigo e imaginar-te lá, pai. Sem a tua fotografia e sem qualquer lápide tornou-se menos penoso. Pude fingir, durante instantes, que estava ali apenas para ver o avô ou a bisavó. Mas foi só durante um instante. Passados esses segundos iniciais pude fechar os olhos e ver-te descer à terra naquele caixão castanho claro. Ontem parei de fingir que ainda estavas na clínica à espera da minha visita. Ontem não houve bolo de aniversário, nem prenda, nem parabéns a você. Houve lágrimas e muitas saudades

sexta-feira, março 20, 2009

Porque este blogue também é alegria

A cegonha vem aí....
não a minha, mas é como se fosse.
Estou feliz!

quarta-feira, março 18, 2009

Rir é mesmo o melhor remédio

O Público de hoje traz uma notícia de uma página com o seguinte título "Ordem dos Médicos apoia recurso a tribunal de doentes oncológicos". Eu pergunto-me como. Só se for rezando por eles uma vez que, tratando-se de doentes terminais aos quais é negado tratamento por este ser caro, dificilmente sobreviverão para defender os seus processos em tribunal.
A Ordem está cheia de boas intenções, não o nego, mas aqui a iniciativa quer-se do lado do Governo e da Administração dos Hospitais. É a eles que lhes tem de ser exigido rigor, eles é que têm de pensar no melhor interesse do doente e não nos orçamentos. Enquanto assim não for, de nada servirá aos médicos oncologistas prescrever certos fármacos que sabem, à partida, não serão administrados. E os doentes, que são terminais, mesmo que avancem para a justiça escudados na Ordem, dificilmente viverão para ver quem tinha razão.

segunda-feira, março 16, 2009

Porque me podia ter acontecido o mesmo

Foi um choque. Senti um aperto tão grande há medida que o meu marido me ia contando o que tinha acontecido que só pensava o que faria numa situação semelhante. Um pai esquecera-se do seu filho de nove meses no carro e, três horas depois, quando regressou alertado pela mãe, o bebé tinha morrido. Fiquei horrorizada, angustiada... mesmo agora, com a distância de dois dias, não consigo parar de tremer quando penso no que aconteceu.
E eu não conseguia parar de pensar. Não conseguia desviar de mim o terrível pensamento que aquilo poderia muito bem ter acontecido comigo. Ou com o meu marido.
É possível amar um filho e esquecer-se dele? Era mais ou menos este o excelente título da nótícia do Público. A minha resposta é sim e daí esta angústia, esta incredulidade. Eu acho que uma coisa destas pode acontecer. E isso assusta-me. Todos pensamos que somos bons pais e que nunca nos esquecemos deles e que eles estão sempre em primeiro lugar em tudo o que fazemos ou pensamos... mas basta termos a coragem de olhar bem dentro de nós e conseguimos ver que uma tragédia destas podia bater à nossa porta. À minha, pelo menos, podia.
Vivemos tão obcecados com o trabalho, com as reuniões, com as pequenas tragédias do universo que nos rodeia quando estamos a trabalhar que muitas vezes nos esquecemos do essencial: a festa de anos, a peça de teatro do colégio, levantar isto, deixar aquilo. Bem sei que esquecer-se de um bebé não é a mesma coisa que esquecer um papel no carro. Mas se ele estiver a dormir e nós estivermos atrasados para aquela reunião.... não sei. Quantas crianças morrerm afogadas no instante em que um dos pais desvia olhar? E quantas caem da varanda? E quantas bebem produtos tóxicos? Esses pais são julgados na praça pública?
Não consigo deixar de pensar que a vida daquela família está irremediavelmente perdida, que aquele homem nunca terá uma noite de descanso, que a imagem do seu bebé morto no banco traseiro do carro nunca deixará de o perseguir, que aquela mãe, por mais que tente, nunca conseguirá perdoar.
E sinto-me triste que vivamos num mundo assim, que nos asfixia.

quinta-feira, março 12, 2009

Contra a hipocrisia

Morreu o João Mesquita. Para quem não sabe, o Mesquita era jornalista. Dos bons, dos tesos, sobretudo, dos íntegros, o que é cada vez mais raro nos dias que correm. Esta noite passei os olhos por o que algumas pessoas disseram do João, do seu percurso, do seu carácter, da sua honestidade e frontalidade. Eu sinto-me triste. Porque o conheci, porque tive a felicidade de trabalhar consigo e porque, depois da morte do seu amigo e companheiro Torcato, me sinto um bocadinho mais orfã de referências.
Muitas vezes me lembro do Torcato e da forma como estes dois estarolas andavam juntos pel'A Capital. E se é verdade que A Capital tinha problemas estruturais, não é menos verdade que foi um local que me deu muito. Deu-me a oportunidade de trabalhar directamente com o Torcato no suplemento GLX, deu-me o privilégio de privar com o João Mesquita, deu-me o prazer de conversar todas as semanas com o Appio... preciosidades que não têm preço e que fizeram de mim melhor jornalista e um ser humano mais tolerante.
E é por isso que hoje, lendo o que se escreveu sobre o Mesquita, não posso deixar de sentir revolta. Revolta contra a hipocrisia de certos amigos que tantas linhas te dedicaram nos jornais de hoje. Hoje a igreja estava repleta de famosos: do jornalismo à política.
Gostava de saber onde é que a grande maioria destes senhores estava neste últimos anos da sua vida, em que estava desempregado, já sem o subsídio de desemprego. Lembro-me de algumas colaborações que o João fez para o Torcato, falámos delas. Mas nuca lhe foi permitido o regresso a uma redacção. E se era assim tão bom como hoje se disse (e eu sei que ele era) porque motivo o deixaram no desemprego desde 2003, altura em que foi despedido de A CApital?
Leio o editorial do Público e tenho vontade de rir... o João foi para Coimbra desempregado porque o actual director do Público foi protelando a decisão de o transferir para a delegação de Coimbra. Adiou a coisa por tanto tempo que o João teve de se demitir e ir para Coimbra na qualidade de desempregado...
Eu lembro-me da sua honestidade, da sua integridade e, infelizmente, também me lembro da tristeza que via no seu olhar sempre que a conversa era o jornalismo, a forma pesarosa como dizia que as colaborações eram poucas e mal pagas... a doença deixou-o triste mas acredito que se conseguisse ler o que dele escreveram daria duas ou três gargalhadas...

terça-feira, março 10, 2009

aniversários - parte 2

Dia 9 de Março... faz cinco meses que o meu pai morreu. Tenho tantas saudades que até sinto falta de ar de tanto que me dói o peito quando penso nele. Este vai ser um mês difícil com o Dia do Pai e o dia do seu aniversário... são demasiadas efemérides sem a sua presença.
Vou fechar os olhos e recordá-lo a sorrir.

segunda-feira, março 09, 2009

Aniversários

Ontem, dia 8 de Março, não comemorei o Dia Internacional da Mulher. Ontem, dia 8 de Março, comemorei com um Porto na esplanada da Graça, o 4º aniversário da minha operação.
Obrigada a todos os amigos!

quinta-feira, março 05, 2009

pequenos prazeres

As noites de quinta-feira, em que ele se enrosca na nossa cama, à espera que eu me vá deitar. "Mãe, hoje é o nosso dia, não é?". E sabe-me bem, apesar da avó estar cá em casa hoje à noite e de eu saber que ele também gosta de dormir com ela... já interiorizou que a quinta é nossa...

Batota

Estou aqui sentada no sofá mais torta que uma marrequinha (contratura muscular das boas) e olho para ele, um pingo de gente, a jogar ao jogo das fadas e do gato preto (prenda da tia Susaninha) com a sua avó. E pergunto-me, como é que ele lhe dá a volta? Sempre a tentar fazer batota e ela resmunga como uma criança de 4 anos e, em vez de o deixar a falar sozinho e abandonar o jogo com as batotices, acaba por fazer exactamente o que ele quer.
É de morrer a rir!

Um prémio????


Eu confesso que não percebo muito bem como estas coisas funcionam. Escrevo mais pela catarse do que por outra coisa qualquer. Durante muito tempo este foi m blogue anónimo, até.

E confesso que fico orgulhosa quando alguém, no seu estaminé, diz que gosta de me ler...
é bonito, juro que é bonito, e embora não vá, para já, nomear mais 15 blogues, deixo aqui o meu muito obrigada

segunda-feira, março 02, 2009

frase do dia

"Mãe, o que é ter voto na matéria?"

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Good vibe

Hoje acordei tarde.... foi uma correria para conseguir sair de casa a uma hora decente.
Mas estou com good vibe, como se algo de bom se avizinhasse.
Pode ser que seja verdade.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Família feliz


Ali está o avô António, no meio dos seus netos, a azul. Com umas orelhas no cimo da cabeça.
"Está feliz, não vês mãe? Está comigo, com o primo Tiago e com o primo Diogo."
Posted by Picasa

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

And my oscar goes to...


Desculpem-me os fãs de Quem quer ser Bilionário, desculpem-me os interessados em Frost/Nixon, desculpem-me os seguidores do fabuloso Sean Penn, mas o meu Oscar vai para este maravilhoso filme, este soco no estômago, esta formidável Kate Winslet. Quanto mais penso no filme, mais ligada me sinto. E não esperem um filme fácil, porque não o é. Longe disso. Não há bons nem vilões, apenas pessoas capazes de tudo, como qualquer um de nós. E há esta mulher, esta intrigante mulher que faz o que tem a fazer sem questionamentos; é uma mulher que realiza o seu trabalho seja ele qual for sem a mínima mancha na consciência, porque é uma mulher que cumpre o seu dever. Mas que nunca admitirá a sua maior vergonha: ser analfabeta. E foi aqui, no poder da palavra escrita e falada, que me encontrei e que muito chorei.

Afinal sou bem resolvida





Vamos lá a ver se consigo fazer isto

A minha amiga Lina acha que eu sou uma gaja bem resolvida. E quem sou eu para a contrariar?

Agora, encontrar mais 10 mulheres bem resolvidas? Vou pensar no assunto que não é tarefa fácil

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Fim-de-semana em Madrid

Sobrevivemos. é o que me apraz dizer.Não foi mau, não houve mortes, não houve feridos. Apenas os precalços de viajar com uma criança de quatro anos. E, se há momentos em que ele parece muito crescido, outros há em que só temos vontade de o enfiar dentro de uma caixa e despachar no avião seguinte. A vida como ela é, contada em algumas linhas.

Para começar o Hotel era uma merda. As paredes eram tão finas que se ouvia as pessoas do quarto ao lado a falar. A falar e não só, mas já lá vamos.

A quinta-feira foi maravilhosa. O Henrique dormiu duas horas no carrinho eu e pai passeámos bastante e fomos jantar a um restaurante do qual gosto particularmente. Ao chegar ao hotel o caso mudou de figura. O andar onde estávamos tinha sido invadido por uma turma de liceu que passou a noite a gritar de quarto para quarto. Telefonei três vezes para a recepção e apareci no meio do corredor disposta a matar o primeiro adolescente que se cruzasse no meu caminho. Não me adiantou de muito. Umas desculpas aqui, um sorrisinho ali.
É o que dá não ter dinheiro para ficar no Ritz.
Na sexta de manhã eu estava um ano mais velha e com uma terrível dor de cabeça quando o meu petiz diz ao pai "doi-me a barriga. Parece que tenho gás aqui dentro". Foi o tempo de chegar à casa de banho (mas não à sanita) e vomitar todo o jantar do dia anterior. E ficou, coitado, durante uma hora com o rabo colado à sanita com uma diarreia tremenda. A sexta-feira foi, como se pode imaginar, de fugir. Rabujento, mal disposto... mas, mesmo assim, muito aguentou. Andou pela cidade no seu carrinho vermelho, foi ao Prado ver a exposição do Bacon e ainda consegui introduzi-lo ao universo do Goya (o preferido da mãe) e do Velasquez (do lado do pai). e chegámos ao fim do dia a pensar que o melhor seria regressar a Lisboa. Estar em Madrid (cidade que não é propriamente conhecida pelo peixe grelhado acompanhado com arroz branco) com uma criança doente não é o sonho de qualquer família.
Noite de sexta, mais uma sessão no hotel. Desta feita de sexo. E digo-vos, parecia que a menina do quarto ao lado ia sentar-se ao meu colo a qualquer instante. Acordei, depois de duas parcas horas de sono, com vontade de esborrachar o mundo ao tabefe. Desculpem lá, mas fico verdadeiramente impossível quando não durmo.
Mas nem tudo estava assim tão mau. O Henrique acordou bem disposto e a barriga estava "maravilha", segundo o próprio. Museu do bombeiro, parque de diversões, passeio de barco no Retiro e a coisa ficou feita. No voo de regresso ainda houve tempo para uma birra causada já nem me lembro porquê. E um desenho, um desenho lindo onde estava o avô António. Já que estávamos no céu, o avô devia estar a ver-nos, disse ele.
Não foi um fim-de-semana perfeito. Não foi, mas foi o melhor que se conseguiu, o que já não é nada mau. E não o trocava por nada.
E ainda tive direito a um lindo vestidinho preto.

A melhor de todas as prendas



Foi-me dada pelo meu filho (com a mão do pai por trás, como é evidente). Assim, logo na manhã de dia 12, ainda mal tinha acordado. E comovi-me verdadeiramente com este livro e com a sua inocência ao entregar-mo e ao dizer-me "era este que te queríamos dar no Natal, mas estava esgotado."

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Quero de prenda de aniversário - Joan as a Police Woman

vou ali

E já venho.
Agora que cortei o cabelo já estou preparada para os meus 33.

Amanhã, em Madrid, com o filho e o marido. Olé!

terça-feira, fevereiro 10, 2009

sou uma mole... a verdade é essa

Dei-lhe uma grande reprimenda e, na verdade, perdi muita da confiança que tinha nela.
Mas acabei por não despedir a minha empregada.
Quando a vi de lágrimas nos olhos a prometer que nunca mais faria uma coisa daquelas e a dizer-me que era a primeira vez que falhava... deixei-a ficar. A verdade é que gosto dela. é calma, serena, trata bem o meu filho, nunca me roubou um alfinete que fosse...
Estou a ficar uma mole, essa é que é essa.

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

4 meses

Há datas tristes, que não gosto de recordar. Há dias que são cinzentos na minha contabilidade da vida. O dia 9 passou a ser um dia triste a partir de 9 de Outubro de 2008, o dia em que morreste, pai. Já lá vão quatro meses, 123 dias sem a tua presença. Achei que gostarias de saber como temos passado aqui sem ti. A vida não é a mesma, não te posso mentir. Há um vazio grande que não se consegue preencher. Mas vamos vivendo e tentando preencher esse imenso buraco (que espero venha a ficar mais pequeno) com memórias dos muitos bons momentos que passámos juntos enquanto família. E também com alguns maus momentos que a vida é mesmo assim e nós não podemos branquear o nosso passado, não achas?
A mãe, como tu bem sabes, é uma lutadora. Irra, aquela mulher é de aço. às vezes pergunto-me como aguenta. Consigo ver o seu cansaço e a sua imensa tristeza. Perdeu-te e tu eras o seu porto de abrigo, o seu amor de quase 40 anos. Mas quando falo da sua força e da sua garra refiro-me ao esforço que ela faz para, assim mesmo, continuar a viver e a ter um propósito para tal. Ora siou eu, ora é o Henrque, ora é o mano... ela vai conseguindo ser o pilar desta família e mantem-nos, na medida do possível unidos. Às vezes falta-me a paciência, não te zangues com a minha sinceridade. Irrito-me com ela, respondo-lhe torto. Mas é que me sinto cansada de tanta tristeza, de tanto ouvir e de tão pouco poder chorar. Fico impaciente quando ela repete 10 vezes a mesma coisa ou quando me ralha porque a caixa da sopa está fora do frigorífico há mais de uma hora e a sopa vai azedar. Mas não fiques muito preocupado, que eu tento conter-me e, no fundo, sabes que a amo. é a única que me resta depois de teres morrido.
Eu também tenho os meus dias. Há dias em que tudo corre bem e tu és apenas uma doce lembrança. Mas há outros, pai, em que me fazes tanta falta que até me doi o peito. Ontem, por exemplo, fui à feira com a mãe. E quando ela entrou no carro tive tanta vontade de gritar. Ela tinha posto o teu perfume e, por um breve segundo, parecia-me que estavas ali, ao meu lado. Fiquei tensa, de olhos mareados, porque aquele erao teu cheiro, só teu, do perfume que eu te ofereci. Não me apetece que mais ninguém tenha o teu cheiro, pai. Mas não tenho coragem de o dizer à mãe, porque acho que o faz para se sentir mais perto de ti.
Mas eu estou bem, não te preocupes. A sério.
O mano foi quem mais se abalou com a tua morte. Ainda está muito incondormado porque acha que se podia ter evitado, que ainda podias estar vivo, se não tivesses feito aquele exame, se o contraste não se tivesse espalhado no teu corpo, se não tivesse ficado com uma sepsis... tu sabes que eu penso de forma diferente, que acho que te foste porque assim o decidiste. Mas ele vive preso nessa tormenta. Muito preso.
Quem em tem preocupado ultimamente é o Henrique. De vez em quando chora e diz que tem saudades do avó António. Eu confesso-te que não sei muito bem como lidar com isto. Ontem, por exemplo, desatou a chorar a dizer que te queria. Expliquei-lhe, da melhor forma que sei, que tinhas morrido, que já só exisitias no nosso coração. Mas ele não se convenceu e disse-me que eu era má e que a avó Emília não lhe dizia o mesmo que eu. Vê lá tu, pai. Telefonei à mãe a perguntar-lhe como é que ela o consolava quando ele perguntava por ti e ela respondeu-me que lhe diz que tu estás no céu a olharpara ele e que ficas muito feliz quando se porta bem. Tu sabes pai, que isso é um bocadinho demais para mim. Bem sabes o que me custa dizer-lhe que és uma estrela no céu... mas percebi que essa explicação o deixa mais feliz.
Já passaram muitas datas importantes sem ti, pai. os anos do mano, os anos do Filipe, o Natal, o Ano Novo... esta semana é o meu aniversário... o primeiro sem ti. Tenho de aprender a lidar com esta montanha russa de emoções. Tu sabes que desde que fiquei doente que gosto particularmente de festejar o meu aniversário. Só que sem ti, pai, sem ti é tão vazio e desprovido de sentido. Porque a contabilidade tem duplo sentido; mais um ano e mais um dia sem ti...
Depois conto-te como foi. e prometo que vou fazer uma lista de coisas boas e felizes que aconteceram neste quatro meses, para que fiques mais feliz.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

moralmente falando




Há muito que me sinto incomodada com isto mas, por um motivo ou por outro nunca aqui escrevi sobre este assunto. E agora, com o fantasma da crise cada vez mais sobre as nossas cabeças, aqui vai disto.

Acho inacreditável que, num país onde a taxa de endividamento das famílias com créditos e mais créditos chega a números assustadores, uma figura pública como a Júlia Pinheiro aceite ser o rosto de uma destas empresas.

É ilegal? Não. Mas parece-me imoral. Ela que anda no seu programa a pedir dinheiro para as famílias pobres, aparece-me depois de kimono azul forte com a solução para todos os nossos problemas...

Será que não podia optar antes por um anúncio de um detergente de roupa?

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

um 20 redondinho

Fiz 20 quilómetros; dez até casa e mais dez de regresso ao trabalho, mas valeu a pena.
Fiz 20 quilómetros para ir a casa almoçar. E valeu a pena, não valeu mãe? Porque almoçámos as duas, falámos dos preços do Minipreço, dos problemas da empregada (despedimos ou não despedimos), do quanto tu já limpaste e passaste esta semana, da birra do Henrique esta manhã... e sei lá mais de quantas coisas. Esta hora e estes 20 quilómetros valeram ouro: estivémos juntas, só as duas.
Obrigada
Amanhã voltamos a repetir

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

10.41

Foi o número que me deixou a sorrir.

Fui almoçar com um amigo ao Chiado, um luxo cada vez mais raro. Não só o de ir ao Chiado, mas o de ter tempo para os meus amigos. À saída parei na Casa da Sorte e lá fui entregar o meu talão do euromilhões. Raramente jogo e quase sempre deito os talões fora sem verificar se ganhei alguma ocoisa. 10,41 euros. Quer voltar a jogar? Eu não, quero o dinheiro para bilhetes de metro em Madrid.

Oficialmente à procura de empregada

Pois é, a minha Chica revelou-se falível. Ontem, ao fim de mais um dia sem me dar cavaco, decidi enviar-lhe uma sms a perguntar se ela achava normal o que estava a acontecer. E foi só assim que, às 7 da tarde, a minha empregada se dignou a entrar em contacto comigo para me dizer, com o ar mais natural do mundo, que estava de baixa. E que tal avisar-me antes? E que tal enviar um Call me? O que me revolta em toda esta situação, é o desprendimento com que as pessoas fazem as coisas, como se não tivesse gravidade nenhuma, como se tudo se resumisse a direitos e nunca a deveres. "Acho melhor falarmos na segunda-feira", disse-me ela para terminar a conversa. E naquele momento, sem um pedido de desculpas, sem um "isto nunca mais volta a acontecer", sem um "eu vou amanhã a sua casa para conversarmos", percebi que algo na minha vida vai mudar drasticamente. A começar pela empregada.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

agarrem-me que não sei do que sou capaz

Há dias assim, em que me questiono se não vim de Marte, por achar que certas atitudes simplesmente não são normais.
A minha empregada é uma pessoa muito importante lá em casa. Mais do que limpar ou passar, a minha empregada vai buscar o meu filho à escola e toma conta dele. é alguém em quem confio, ou melhor, era.
Quando confiamos o nosso filho a outra pessoa deixa de ser muito importante se ela é uma rainha a passar a ferro ou se limpa a casa de banho como a minha mãe. As prioridades são outras. O importante é sentirmos que o nosso filho está bem entregue e é bem tratado. Por isso fui desculpando pequenos deslizes à Chica e por isso a trato bem, muito bem.
Na passada quinta-feira a minha empregada foi tirar um quisto que tinha no ombro. Para começar avisou-me de véspera. Depois não me disse se era uma operação grande ou pequena, se ia ficar em casa a repousar ou não. Eu, cheia de peso na consciêcia, liguei-lhe na sexta-feira ao fim da manhã a dizer-lhe para ficar em casa a descansar que eu me arranjaria e ia buscar o Henrique à escola. Ela (a menos de duas horas de, supostamente, começar a trabalhar na minha casa responde que na verdade não ia trabalhar na sexta porque tinha de ir ao centro de saúde. Logo ali fiquei um bocadinho incomodada. E se eu não lhe tivesse ligado a dizer para ficar em casa? A que horas é que ela me ia avisar que não ia trabalhar? Ou será que não me iria sequer avisar? Passei à frente mas fiquei a matutar na ida ao Centro de Saúde. O que iria ela lá fazer? Pedir baixa? Eu sei que ela tem direito a baixa, é para isso que eu faço os seus descontos para a Segurança Social, mas não queria acreditar que, estando a pensar meter baixa ela não me fosse avisar. Assim como assim, e antecipando uma surpresa desagradável, enviei-lhe um sms a perguntar se ia trabalhar na segunda ou se ia meter baixa. Não me respondeu...
No sábado ao fim da tarde lá me ligou, a dizer que tinha baixa até ao dia 8 de Fevereiro mas, como não tinha dores, que ia trabalhar na segunda-feira e que faria o que conseguisse. Agradeci-lhe e expliqui-lhe que a mim não me preocupava a casa, apenas me preocupava que ela fosse buscar o Henrique e que tomasse conta dele. O resto ia-se fazendo. Ela o que conseguisse e eu o resto. E fiz questão de sublinhar que se, por acaso, acontecesse alguma coisa, para ela me avisar durante o domingo porque se ela não fosse trabalhar eu tinha de sair mais cedo para ir buscar o meu filho à escola. "Esteja descansada que se acontecer alguma coisa eu aviso no domingo".
Ok, dois anos lá em casa eu achei que fosse o suficiente para poder confiar nela.
E ontem vim trabalhar descansada. E quando chego a casa, quase sete da tarde, e ponho a chave à porta, sinto que não está ninguém do outro lado. Nem Henrique, nem Chica nem nada. Telefono para a escola em pânico. O Henrique estava lá. Procurei, em vão, no meu telefone a mensagem da Chica onde ela dizia que tinha acontecido algo e que não podia ir trabalhar.
Tentei ligar-lhe, não me atendeu.
Deixei-lhe um sms a pedir que me ligasse urgentemente. Ainda não o fez.
E agora? Estou capaz de a matar. Ou entrou em coma ou não tem desculpa.
Acho que vou voltar às tarefas domésticas.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

piada do dia

Se eu não estivesse mal de finanças ia aos saldos.... ao Freeport

Partilhas

Há muito que as quatro marretas não saíam para jantar. O último encontro tinha sido em minha casa, no Natal, porque isto de ter criancinhas é engraçado e tal, mas às vezes (só às vezes) limitas as saídas das gajas.
Mas eu achei que tínhamos motivos para festejar. Os meus exames estão porreiros e dão-me mais seis meses de tranquilidade, o gajo da Azeda também anda fixolas (apesar dos sustos que gosta de nos pregar) e, por isso, achei que deviamos estar juntas. Rir, beber, comer, cortar na casaca de alguém, enfim, fazer aquilo que quatro gajas juntas gostam de fazer. Desta vez convidámos mais uma marretinha para o jantar, amiga de todas e também ela a precisar de arejar. E lá fomos até ao Bonsai, debaixo de chuva mas com o coração quente.
E foi bom, muito bom. Muito sushi, sashimi, saké, chá verde, conversa, riso, desconversa... como sempre.
Mas há coisas que mudam e nós, minhas caras marretas, estamos a ficar velhas:) já não nos serve a mesa baixa, onde tanto gostávamos de comer, porque tinhamos alguma privacidade. Desta vez foram muitas as reclamações: dores de costas, não tenho onde meter as pernas, não tenho onde me encostar... já percebi a indirecta: da próxima temos de comer como gente crescida, nas mesas e cadeiras dos crescidos.
Mas foi bom, muito bom. Fiquei a saber que duas de nós acham a Anjelina Jolie desiquilibrada, que uma de nós dispensava uma table dance protagonizada pelo George Clooney (aviso já que não sou eu), que outra de nós se repugna de cada vez que falamos de amamentação; que outra vai amamentar até que uma dentada lhe tire um mamilo; que outra deixou de beber leite e a sua vida melhorou; que outra nem se importava que a table dance fosse protagonizada pelo Rodrigo Santoro (acuso-me) e que todas estamos imensamente tesas e co vontade de viajar.
E mais lá para o meio da noite quando descemos e subimos o BA à procura de um bar onde não se fumasse (e não encontrámos) cheguei à conclusão que estamos mesmo a mudar:)
Obrigada!

sexta-feira, janeiro 30, 2009

As pessoas andam tristes

basta uma viagem de metro, uma ida ao supermercado ou ao café e ficar a vaguear, cinco minutos, pelos rostos dos que me rodeiam. Vejo tristeza, medo, receio. Ou porque foram despedidas, ou porque têm um amigo que foi despedido, ou porque têm medo de ser despedidas... as pessoas andam tristes e a tristeza está como a gripe, a contagiar toda a gente.
Basta olhar para a secção de economia de qualquer jornal e, quando vemos que a notícia de um despedimento é 5x maior que a notícia de um novo projecto que vai criar milhares de empregos, percebemos que os jornalistas também andam assustados e tristes. Eu falo por mim. Também eu ando triste e angustiada com esta situação: a crise, a casa que não se vende, o tempo, o cabrão do tempo, este negrume que é o céu há quase um mês... tudo deprime e entristece.
Basta um olhar mais atento, um ouvido à escuta e percebo que o mundo que me rodeia, a vida real das pessoas reais que vivem com muito menos que eu, tem motivos para estar triste. Esta semana, enquanto estava na fila para pagar as minhas compras da semana no Pingo Doce, prestei atenção à conversa de dois rapazes brasileiros que estavam atrás de mim. O jantar deles (dois rapazes bem parecidos) ia ser um bróculo, um pacote de natas e uma lata de salsichas. E a conversa girava em torno do pacote de pães de leite que custava 1,08 euros e que eles não tinham dinheiro para comprar. "Já viu que ar gostoso... ia ficar bem no nosso café da manhã". "Da próxima a gente compra".
E, não querendo pensar que as desgraças dos outros atenuam as minhas, o melhor é acordar de bem para a vida, pensar que a Primavera está quase a chegar, que a casa está alugada e que se há-de vender, que eu fiz exames e estou bem por mais seis meses, que o meu filho e o meu marido estão bem, que tenho amigos maravilhosos e uma casa fantástica... Há que pensar positivo, caraças. Menos uns jantares, menos umas viagens, menos umas compras... que se lixe
Basta andar de olhos abertos e ouvidos à escuta para perceber que as minhas pequenas desgraças nada são quando comparadas com esta grande epidemia de tristeza.

Tudo o que disseres pode ser usado contra ti.

Esta é a frase que costumamos ouvir nas séries de televisão no momento em que os maus são presos e nunca pensei usá-la para ilustrar uma situação lá em casa. Mas a verdade é esta: ontem fui à escola do Henrique visitar a feira da reciclagem. Durante semanas levámos pacotes de leite e caixas de ovos que eles transformaram eu puzles, crocodilos ou telefones. E no meio daquele momento fui alertada pela educadora para o facto de o meu filho andar a bater nos outros meninos. Quando se sente ameaçado, quando o empurram, quando o magoam, ele não conversa nem pergunta porquê. Parte logo para a chapada.
À noite, preocupada, tentei falar com ele sobre o assunto. Expliquei-lhe que ele não pode andar por aí à estalada aos meninos, que eles assim não vão querer ser seus amigos. "Filho tu deste uma chapada na cara do David Capela. Como foste capaz?", perguntei tentando dramatizar o seu acto. E ele apenas respondeu "Eu estava a defender-me. Ele puxou-me as bochechas e tu e o pai disseram para eu me defender quando me fizessem mal. Foi o que fiz."
Aqui está o ensinamento do avô António levado ao limite...

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Amor é...

Estarmos os três às 8h30 a dançar ao som de "Mama Mia", dos Abba.

O regresso do filho pródigo

Pelo menos espero que assim seja.
O meu filho dormiu 14 horas e acordou como novo, ou melhor, acordou o velho Henrique. Ontem portou-se lindamente, foi o primeiro a acabar de jantar e distribuiu sorrisos e beijinhos.
Hoje acordou bem disposto e voltou a ser o primeiro a acabar de comer.
Será que o ET se foi e me devolveu o meu filho?
Espero bem que sim

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Dia não

Hoje foi um daqueles dias para esquecer. Daqueles em que nos sentimos exaustas e, quando olhamos para trás, fica a sensação que não fizemos quase nada e, o pouco que fizemos, foi uma grande merda.
Duas reuniões que me ocuparam grande parte do dia, um encontro com as minhas novas inquilinas que também não deu em nada, um telefonema que só serviu para me chatear e, quando chego a casa o que é que faço? Bato com a cabeça contra a parede? Não. Bebo um chá e relaxo? Não. A solução foi portar-me como uma criança de quatro anos e meio e desatar aos gritos com o meu filho quando ele fez uma asneira. É verdade que não é agradável chegar à casa de banho e encontrar uma criança a fazer pinturas rupestres com as suas próprias fezes, mas podia ter-lhe dado o desconto. Dei-o a tanta gente durante o dia.
E, como resultado, estou aqui a penitenciar-me a a achar-me uma péssima mãe; horrível mesmo.
Há dias assim: um não redondo.

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Gostei

texto de José Saramago no blogue da sua fundação
Donde?

Donde saiu este homem? Não peço que me digam onde nasceu, quem foram os seus pais, que estudos fez, que projecto de vida desenhou para si e para a sua família. Tudo isso mais ou menos o sabemos, tenho aí a sua autobiografia, livro sério e sincero, além de inteligentemente escrito. Quando pergunto donde saiu Barack Obama estou a manifestar a minha perplexidade por este tempo que vivemos, cínico, desesperançado, sombrio, terrível em mil dos seus aspectos, ter gerado uma pessoa (é um homem, podia ser uma mulher) que levanta a voz para falar de valores, de responsabilidade pessoal e colectiva, de respeito pelo trabalho, também pela memória daqueles que nos antecederam na vida. Estes conceitos que alguma vez foram o cimento da melhor convivência humana sofreram por muito tempo o desprezo dos poderosos, esses mesmos que, a partir de hoje (tenham-no por certo), vão vestir à pressa o novo figurino e clamar em todos os tons: “Eu também, eu também.” Barack Obama, no seu discurso, deu-nos razões (as razões) para que não nos deixemos enganar. O mundo pode ser melhor do que isto a que parecemos ter sido condenados. No fundo, o que Obama nos veio dizer é que outro mundo é possível. Muitos de nós já o vinhamos dizendo há muito. Talvez a ocasião seja boa para que tentemos pôr-nos de acordo sobre o modo e a maneira. Para começar.

assumi-me

hoje coloquei a minha foto no blogue....

O castigo dele doi-me mais a mim

Deve ser uma das premissas de ser mãe, odiamos que eles estejam tristes e de castigo, mesmo quando temos a certeza que estamos a tomar a atitude correcta, a única.
As quintas-feiras, lá em casa, estão baptizadas de "o nosso dia", leia-se meu e do Henrique. é o dia em que o pai trabalha até mais tarde, em que jantamos os dois, por vezes há direito a uma batatinha frita ou a um doce à sobremesa; quase sempre se vê um episódio de uma qualquer série infantil e, para finalizar vamos os dois para a cama grande. E este sim, é o grande momento, aquele em que ele me abraça e se aninha ao meu lado. E dali só sai quando o pai chega, noite dentro.
Só que o meu filho anda demasiado desafiador para o meu gosto e, por isso, tenho de castigá-lo. Ontem não houve filme, nem batata frita, nem doce (houve uns croquetes feitos pela avó Emília e que ele adorou)e, pior que tudo, não houve cama grande.
E no momento em que lhe passava a mão pela cabeça depois de lhe te lido dois poemas ouvi "hoje era o nosso dia e não dormimos juntos. Estou muito triste contigo". E assim, com uma pequena frase, senti-me a pior mãe do mundo e ele conseguiu virar o bico ao prego e fazer de mim a má da fita.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Mau comportamento

Eu já tinha percebido (até pelos mil castigos que lhe tenho dado) que o Henrique anda a testar a autoridade dos que o rodeiam. Especialmente na hora das refeições. Palmada não surte grande efeito e, para não o espancar (porque seria esse o resultado se por cada vez que se portasse muito mal lhe desse uma palmada) optei pelo castigo. Não ver televisão, não brincar com os brinquedos preferidos... umas quantas medidas extremas para uma situação delicada.
Mas pensava que isto se passava, basicamente, lá em casa, comigo e com o pai. Só que hoje encontrámos a educadora dele no café e ficámos a saber que o nosso filho foi levado por extraterrestes e, no ligar dele, colocaram um menino mal comportado, birrento, que responde mal e que até anda a bater nos seus amigos...
Hoje vamos ter uma conversa muito séria lá em casa. E algo me diz que os jogadores do Benfica, com que ele tanto gosta de brincar, vão continuar no armário junto às minhas calças de ganga...

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Porque não quero falar do que não sei

Ainda a propósito da morte com cancro e porque não quero usar como exemplo um mau exemplo. Eu não conhecia a Tereza Coelho e, hoje em conversa, disseram-me que, afinal ela não tinha cancro mas um tumor benigno e que a sua pneumonia em nada estava relacionada com cancro... Sendo assim, esqueçamos o caso da Tereza (apesar de alguns orgãos terem noticiado que ela tinha morrido de cancro). O que eu acho é que quando a pessoa morre de uma complicação do cancro tal não deve ser escamoteado. O meu pai, por exemplo, teve cancro da hipofaringe. Morreu de uma complicação da sua doença. Se tivesse sido atropelado ao atravessar a rua não seria de uma complicação do cancro. Mas como morreu dos efeitos da radioterapia. a verdade, pelo menos a minha verdade, é que morreu de uma complicação do cancro.

E agora a futilidade



Eu até queria ser uma senhora séria e não falar de futilidades numa altura como esta, mas não consigo, é mais forte que eu. Onde é que a senhora Jill Biden pensava que ía com esta fatiota? Não lhe disseram que o destino final era a Casa Branca? Jesus, quão mas pirosa se pode ser? Saia acima do joelho? botinha stiletto. Ela até pode não ter bom gosto, mas as pessoas que a rodeiam deveriam. Pareceu mal, muito mal. Estilo mulher de meia idade em crise...
Já a senhora Obama esteve um espanto. Tudo lhe ficava bem, a começar nos sapatos e a acabar nas luvas.

Legenda: Don't call us, we will call you

Primeiro acto sentido do novo Presidente!

Há dias assim: cheios de esperança


E é bom ver esta esperança reflectida numa nação que não tem muitos motivos para sorrir.

IUPI!

Mais uma etapa ganha: mais uma consulta de rotina; mais seis meses de tranquilidade.

terça-feira, janeiro 20, 2009

Para MJC

Os amigos são mesmo o nosso porto seguro. Eu sinto-me afortunada com os que tenho e que, nos momentos mais inesperados, me surpreendem com pequenas revelações que fazem da minha vida um lugar melhor.
Eu sou feliz, gosto da vida que tenho, não me sinto refém do cancro e sinto-me vitoriosa por continuar a minha vida apesar de tudo o que aconteceu. Isso não significa que não tenha os meus dias menos bons, com mais dúvidas e tristezas, com mais limitações...
Obrigada MJC pela partilha. Gosto muito de ti

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Morrer de cancro é indigno?

Infelizmente este fim-de-semana foi pesado na contabilidade das mortes de cancro...Tereza Coelho, Luis Vasconcellos, João Aguardela. Todas pessoas que não conhecia (apesar de trabalhar na mesma empresa que Tereza Coelho). Todas elas morreram de cancro, ou de complicações.
No caso da Tereza Coelho foram várias as homenagens prestadas em vários jornais e blogues. A mais bonita, a meu ver, perteceu à Isabel Coutinho. Mas há uma coisa que eu não percebo: no artigo do Público le-se que Tereza Coelho morreu de complicações de uma Pneumonia. é só meia verdade, na medida em que a pneumonia era, já ela, uma complicação do cancro.
E talvez seja um preciosismo meu, que tive cancro. Ou talvez não. Mas parece-me que os jornalistas ainda têm medo de escrever que uma pessoa morreu de cancro. Qual é a diferença entre morrer de cancro, de pneumonia, de enfarte? Por acaso é menos digno morrer de cancro?
Há anos, durante uma entrevista que o meu marido fez a António Mega Ferreira este, que recuperava de um tumor maligno, dizia mais o menos o mesmo, que as pessoas em Portugal morriam de doença prolongada...
Eu tive cancro. E se morrer de alguma complicação da minha doença não quero que se diga outra coisa que não a verdade.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Inveja

Ontem, a meio da tarde, uma grande amiga minha que é jornalista mandou-me um mail com o comunicado da UAU, onde se dizia que a Fernanda Serrano estava grávida. "esta está louca", pensei logo. "Levar para a frente uma gravidez depois de ter tido cancro há tão pouco tempo". E, durante a tarde, fui dando largas à minha indignação de mãe e mulher que teve cancro. As dúvidas que sempre me assolaram quando pensei em voltar a engravidar, passavam pela minha cabeça como convicções e, por momentos, vi esta outra mulher como uma doida varrida. "Mas será que ela pensou em todas as implicações de ter um bebé agora?", pensei eu. "E o risco de voltar a ficar doente e deixar dois filhos tão pequenos, e o risco deste bebé ter um problema de saúde causado pelos tratamentos?"... foram estas e muitas outras as questões que foram passando pela minha cabeça e me levavam a ter vontade de pegar no telefone para insultar a Fernanda Serrano.
Mas à noite, sentada na minha cama a olhar para o meu filho que dormia ao meu lado, fez-se luz na minha cabeça tolhida pelo medo. É evidente que uma pessoa informada e inteligente, como a Fernanda Serrano deve ser, pensou em tudo o que eu pensei, foi assaltada pelas mesmas dúvidas e medos. Mas ela, ao contrário de mim, decidiu ir em frente. E por isso o que eu sinto é inveja, inveja de não ter a sua coragem.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

maldita...

a tosse que nos tinha dado tréguas desde a mudança de casa, voltou. Assim, de repente. Ontem passei três horas com ele a dormir ao meu colo... cheio de tosse. Dá pena vê-lo tão cansado... ele e eu. Esperemos que seja passageira mas duvido...

terça-feira, janeiro 13, 2009

às vezes sinto-me assim...

com difuldades de expressão. Deve ser por isso que gosto tanto desta música

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Super Homem

Lá em casa passámos o fim-de-semana com um super herói. O Henrique passou directamente do Natal para o Carnaval e passeou-se, por casa e pela rua, na sua mais recente aquisição: um fato de super-homem. Com músculos tudo. Só lhe falta a capa. E soube-me bem vê-lo tão feliz a imaginar que podia voar. Sim, porque ao contrário de outros super-herois, o super-homem não precisa da capa para voar.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Saudades

As saudades também nos podem fazer sorrir. Esta era a canção preferida do meu pai.
Lindo, han?

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Ensinamento 1

Quando eu era miúda não dispensava uma boa briga. Quer dizer, não era miúda de andar por aí à pancada a torto e a direito mas aprendi a defender-me, coisa que era uma regra de ouro lá em casa. São vários os ensinamentos do meu pai que me vêm à memória ultimamente, e este era um deles. "Não quero que me digam que começaste uma briga, mas nunca me chegues a casa a chorar porque te bateram, que aí ainda te dou uma palmada."
E a verdade é que eu aprendi e nunca me dei mal com esta regra que pretendo passar ao Henrique. Vai ser o primeiro de muitos ensinamentos do avó António.

terça-feira, janeiro 06, 2009

o melhor amigo

Apesar das desgraças das últimas semanas, lá em casa o Benfica continua a reinar.
O melhor amigo do Henrique é o Rui Costa, um boneco da imaginarium que o meu filho recebeu quando fez dois anos e que trazia um equipamento da selecção nacional de futebol. Ainda teve uma breve disfunção de personalidade, porque no início se chamava Figo, mas poucos meses depois o Henrique perguntou ao pai se podia chamar Rui Costa ao seu amigo. E é curioso ver que o apego dele ao boneco tem vindo a crescer. É o seu filho e a única companhia permitida na cama.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Ano Novo

Acabaram as festas.
Estou de volta ao trabalho. Ano Novo.
Vazio antigo

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Estou assim....

Nostálgica

Porque é Natal

Fecho os olhos e lembro-me das canções da minha adolescência

Podia ser pior


O fim-de-semana avizinhava-se negro. Começou, logo na sexta-feira, com uma ida dos bombeiros e da polícia lá a casa para arrombar a porta. A fechadura passou-se e eu com ela, ou melhor, com a despesa que tive por ela se ter passado.

Mas ontem à noite esqueci tudo. Graças ao Vítor e à Carla e à magnífica garrafa de vinho que eles levaram para o jantar... aquilo é que foi. Caraças, ainda tenho na boca o gosto daquele Barca Velha de 95. Nunca mais me ouvirão dizer que um vinho é um vinho...

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Aquele friozinho na barriga

O título deste post esteve mesmo para ser "aquele friozinho no estômago", mas depois lembrei-me que já não o tenho... tem piada, apesar de trágico. Pois bem, daqui a umas sete horas estarei a "picar o ponto" no Hospital de Santa Cruz. Eu e os meus exames de rotina. Porque será que não consigo que sejam assim tão rotineiros?Porque será que ainda me dá a volta às entranhas e me tira o sono?