terça-feira, junho 30, 2009
morte de um mito
Falando de coisas sérias
domingo, junho 28, 2009
Voltou...
quinta-feira, junho 25, 2009
Lindamente, não foi?
Mas hoje, véspera de o voltar a ter no meu colo, não posso continuar a mentir. Estou cheia de saudades. Apetece-me brincar com ele, ouvi-lo correr pela casa, sentar-me ao seu lado no sofá para ver a Vila Moleza... Não sei se volto a deixar o Atlântico meter-se entre nós
terça-feira, junho 23, 2009
Reeducar o bicho
Podia ser pior, podia ser pior
quarta-feira, junho 17, 2009
Entrevista, qual entrevista?
Quanto mais penso no que vi, mais me lembro do saudoso programa também exibido na Sic, "Na Cama Com". Ana Lourenço, bem ao estilo da Alexandra Lecastre, foi lançando temas, com voz lânguida e olhar sensual e ficou, quase sempre, em silêncio a deixar o seu convidado a falar.
Oiço muita gente que está na tv a falar do estilo diferente da jornalista e do modo como este estilo acabou por ser uma espécie de "armadilha" para José Socrates. Hello? Está alguém no Planeta Terra? A Ana Lourenço não armadilhou coisíssima nenhuma. O que eu vi foi um José que está decidido a mudar de cassete e que, muito inteligentemente, decidiu escolher a jornalista mais queridinha e mais suavezinha para fazer passar o seu tempo de antena. "Deixe-me que lhe explique"? "Parte-se-me o Coração"? Como se a moça fosse estúpida e não conseguisse perceber o que ele diz. Poupem-me...
terça-feira, junho 16, 2009
Um ser maior (Ana Catarina Santos)
Aqui fica a reportagem que fez e que venceu o Prémio AMI - jornalismo contra a indiferença, "Os Filhos da Solidão"
Parabéns Ana.
Obrigada
Ausência
segunda-feira, junho 15, 2009
Esta sou eu? Como é possível?
Eu que sou o tipo de mãe para quem as outras mães olham de lado, porque vou muitas vezes para fora sem o Henrique, estou à beira de um ataque de nervos com as suas primeiras férias fora.
Explico-me: o meu filho foi ontem à noite para o Porto Santo com a minha mãe e o meu stress começou logo a caminho do aeroporto. Ele, que sentiu a minha inquietação disse-me "Mãe eu não quero ir para o Porto Santo, fico contigo". E, apesar de me apetecer dizer-lhe sim, sim a tua avó que vá sozinha que já é crescida, enchi-me de coragem e expliquei-lhe todas as vantagens de 12 dias de praia e convenci-o também de que alguém teria de tomar conta da avó agora que o avô tinha morrido.
Depois do chek-in já estava com palpitações e no momento em que ele passou o rx apeteceu-me ir lá resgatá-lo e dizer "Mãe, ele é um pestinha e estou farta dele, mas tu és crescidinha podes ir de férias sozinha e, mesmo peste, prefiro tê-lo ao meu lado, ok? Desculpa lá mas não vai dar." Mas não disse, deixei-o ir. E aí começou o tormento da viagem: era a primeira vez que ele ia andar de avião sem mim... e comecei a olhar para o relógio de 5 em 5 minutos.
Ok, chegou bem, dormiu bem. Está tudo bem, relaxa Inês, respia fundo ele está óptimo.
Expliquem-me então porque é que já lhe liguei 3 vezes esta manhã?
sábado, junho 13, 2009
Não havia eu de gostar de futebol
Num outro dia 12 de Junho, há cinco anos atrás, nascia o nosso filho. E eu estava louca furiosa porque queria ver o jogo de abertura de Euro 2004. A minha médica passou o parto inteiro a dizer: "vamos lá despachar isto que se ela não vê o jogo ninguém a atura".
E foi num outro 12 de Junho, há precisamente três anos, que nos casámos. Numa cerimónia muito bonita, em casa de uns amigos, no nosso cenário preferido. E a lua-de-mel passada em Itália teve sempre como pano de fundo os jogos da nossa selecção.
Deve ser por isto que o meu filho tem 10 pares de calças rasgadas nos joelhos....
terça-feira, junho 09, 2009
Quando for grande quero ser funcionária da Câmara de Lisboa
E eu, que sou bem mandada, assim fiz. Mas estão todos em serviço externo. Whatever that means. Desde ontem que não há ninguém, para além da telefonista, que me atenda o telefone. Não há responsável que me diga sim ou sopas. E nem me posso queixar de quem me atendeu o telefone. Pessoas simpáticas e eficientes, mas que não podem decidir nada.
Está acabadinho, passamos todos para o Museu da Marioneta. Fico 110 euros mais pobre, mas pelo menos tenho onde fazer a festa.
E por favor, amigas, não me convidem para festas no Parque, que eu estou capaz de matar alguém. Ou então, arranjem-me um trabalho na Câmara, com muitos serviços externos.
p.s. aposto que agora que já telefonei para o museu a confirmar, vou receber um telefonema do parque...
sábado, junho 06, 2009
Indispensável
Quando casei, já de puto nos braços, foi um momento extraordinário na minha vida. Foi uma festa que nunca esquecerei, simples, informal, muito divertida, muito sentida, muito restrita. Foram muitos os amigos que ficaram de fora, por várias razões mas principalmente porque decidimos convidar apenas as pessoas que nõ poderiam faltar naquela festa, as pessoas cuja ausência faria com que aquela festa fosse menos completa. E lá estiveram as minhas gajas e eu adorei tê-las ali. Mas nunca me passou pela cabeça não partilhar aquele mesmo momento quando chegasse a vez delas. E isso aconteceu já duas vezes. Por razões muito lógicas e que eu respeito. Não é isso que muda o meu amor por elas. Mas entristece-me saber que não fui indispensável no momento delas.
terça-feira, junho 02, 2009
Copo meio vazio ou meio cheio?
Devo andar muito distanciada da realidade das escolas deste país....
segunda-feira, junho 01, 2009
Caramba, isto é fado
Tinha-a ouvido há um ano, por altura do lançamento de um livro da editora onde trabalho. E, já na altura, fiquei presa à sua voz. Bem sei que toda a gente fala dela e, até certo ponto, isso pode causar alguma aversão à miúda. Mas, verdade verdadinha... isto é memso muito bom
quinta-feira, maio 28, 2009
Nem tanto ao mar....
But enough is enough. De repente ela passou a ser o monstro do jornalismo português? O bicho papão? Poupem-me. Como alguém, e muito bem, me recordou há dias, o jornal da TVI é o único que tem agenda, que não deixa cair histórias, que vai atrás das promessas feitas para ver se foram cumpridas. quantas vezes, enquanto jornalistas, nos lamentámos do que não conseguimos escrever ou dos constrangimentos que tivemos ao fazer uma peça porque podia beliscar alguém? Duvido que isso aconteça naquele jornal. E tenho muito respeito por vários profissionais que lá trabalham a começar pela Constança Cunha e Sá, passando pela Rita Ferreira, pelo Vasco Rosendo, só para nomear alguns.
As peças daquele jornal são, na sua grande maioria, bem feitas.
Não é o telejornal que veja por norma, mas não fica atrás do da SIC ou do da RTP.
E quando me falam de perseguição ao Governo eu tenho vontade de rir. Eles têm memória, que é coisa diferente e que falta a muito boa gente. Se o governo prometeu algo e não cumpriu deve ser chamado a prestar contas, ou não? Ou é melhor assistir a entrevistas como a do Mário Crespo ao Alberto João Jardim em que fez comentários do género "As eleições que o senhor tão brilhantemente ganhou"?
Resumindo, eu não gosto do estilo da Manuela Moura Guedes, mas fazer uma "causa" no facebook para lhe oferecer o código deontológico parece-me um exagero. Até porque, se fossemos enviar uma cópia a todos os jornalistas que precisam de uma, tinhamos um bestseller em mãos.
terça-feira, maio 26, 2009
Isto se não fosse trágico era mesmo cómico
A isto eu chamo representação
segunda-feira, maio 25, 2009
Quem sai aos seus...
1 - A avó materna, aproveitando que os pais estavam em Marraquexe, decidiu levar o seu neto à missa. Actividade clandestina já que os pais nao são nem tencionam ser dessas coisas. Tudo bem. Gostou, cantou, deu beijinhos mas ficou fulo no momento em que "a avó comeu aquela coisa" e ele não. E quando a avó lhe disse que ele não podia comer aquela coisa porque era muito pequeno e não era baptizado ele respondeu: "mas eu não quero que me molhem todo com água fria e se não posso comer aquela coisa não volto à missa". Quando lhe perguntei o que tinha achado resumiu tudo ao seguinte: "é giro, repetimos o que o senhor diz, damos moedas mas não me deixam comer aquela coisa".
2 - Sábado às 14h00. Urgências do D. Estefânia. 39,9ºde febre. A médica olha para ele, faz conversa de cerimónia a diz-lhe "deita-te aí nessa caminha para eu te ver". Ele deitou-se e ficou a olhar para ela. No momento em que lhe começou a mexer na barriga ele encolheu-se. "Então?" perguntou a médica. "Então o quê", respondeu ele, "Ver não é mexer". Ao que ela remata dizendo, "ai tu és desses, dos explicadinhos. Os teus pais devem ser frescos."
Talvez sejamos!
E agora?

domingo, maio 24, 2009
Muito bom
sábado, maio 23, 2009
Um outro mundo
sexta-feira, maio 15, 2009
Amália Hoje? Prefiro a de ontem
A Sónia Tavares que me perode, mas a minha gaivota é esta.
E, para que conste, eu gosto dos Gift e não tenho mesmo nada contra versões. Quando bem feitas.
terça-feira, maio 12, 2009
Só por ser para ti
1 - O Barco do Amor - palavras para quê?
2 - Crime disse ela - gostava mesmo
3 - A árvore dos Patafúrdios - adorava que o meu filho tivesse um guarda Serôdio na sua vida
4 - Os Trintões - aquela Hope não tinha emenda. E oMichael? Tão giro!
5 - Serviço de Urgência - as duas primeiras séries são do melhor que há
6 - Os Três Duques - sempre sonhei em entrar para um carro daquela maneira
7 - Modelo e Detective - o jogo do gato e do rato entre aqueles dois... maravilhoso
8 - Mc Giver - aqui acho que por culpa do meu irmão. Sábado às 19h... aquilo era uma missa
9 - O Tal Canal - ehehehehe
10 -Foulty Towers - don't mind him, he's from Barcelona - é uma das minhas deixas favoritas
11 - Os Soldados da Fortuna
12 - O Justiceiro
13 - Fama - quem nunca usou umas caneleiras coloridas que atire a primeira pedra
14- Alf
15- All in Family - não me lembro do nome da série em português, mas adorava as piadas racistas do Archie
Azedices
E foi bom, falámos de tantas coisas. Umas importantes, outras nem por isso. E rimos. E bebemos uma bela garrafa de vinho tinto argentino. E no meio daquela algazarra uma voz ficou a ecoar em mim. Uma de nós alertou-nos para as nossas azedices, para as nossas zangas constantes com o mundo.
E aqui estou eu, a pensar nisso, nesta arrelia constante com o que corre mal. E pergunto-me se é mau ou errado, ou uma troca de prioridades...e acho que não. Embora entenda e concorde com grande parte do que a minha amiga disse, a verdade é que acho que me devo continuar a chatear e a indignar com o que me rodeia. Prova que estou viva, prova que tenho sentido de justiça, de civismo, do que quer que seja. O que tenho de fazer, e aí dou-lhe razão, é de relativizar a coisa. Gritar, espernear, mas depois deixar passar.
quinta-feira, maio 07, 2009
Há dias assim...
Voltei a casa para apanhar as chaves da dita volvo azul metalizado com leitor de cd maravilhoso e só encontro as chaves suplentes. Eh pá, aqui há gato, de certeza. Voltei à rua e pus-me a rever mentalmente as minhas últimas 48 horas na esperança de ter um flashback providencial que me dissesse que, afinal, eu tinha andado com o carro e o tinha estacionado num outro local. Mas não, a memória não me trouxe nada de novo por mais que puxasse por ela.
Depois de ter corrido a rua toda à procura do carro "caí na real" (uma das minhas expressões favoritas) e decidi telefonar à Emel, só para despistar a hipótese. E tudo se tornou dolorosamente real quendo, depois de ter dito a matrícula do carro ao senhor ele me respondeu "um corsa branco?". Fim do sonho.
80 euros assim, de mão beijada. Ah, e o pequeno pormenor de não poder ser eu a levantar o carro por não estar me meu nome...
Estupidamente liguei de imediato à minha mãe pedido-lhe que da próxima tentasse não estacionar o carro numas cargas e descargas... ela ficou desolada e eu, ao contrário do que pensava, não me senti mais aliviada por descarregar nela a minha ira.
E desta vez nem fiquei chateda com os senhores, a sério que não. Nós é que estacionámos mal o carro, a verdade é essa. O que me aborreceu foi alguém o ter estacionado lá. Mas, apesar deste início nada sorridente de dia, não me posso queixar do fim. Aqui estou. sentada na cama, gozando de mais uma das minhas noites de quinta-feira, aquelas em que não há televisão, se come duas batatas fritas e, para terminar, acabamos os dois aqui, na caminha da mãe; eu e o meu capitão super cueca de quase cinco anos.
E pelo meio ainda tive direito s rever algumas pessoas maravilhosas: a Patrícia Reis, de quem tanto gosto, e o Zuenir Ventura, esse grande senhor das letras, esse coração generoso. E aqui, do cimo do fim do meu dia, nem me posso queixar.
Amanhã há mais
quarta-feira, maio 06, 2009
Dia da Mãe
E lá foram os dois ao escritório. E lá voltaram com a mais bonita das prendas que recebi: um magnífico livro de receitas feito por ele. Com direito a coração de brilhantes e fogo-de-artifício.
Fica prometida a foto.
segunda-feira, abril 27, 2009
Coisas que me aborrecem à brava
Juro que fico danada.
Ainda a pensar no terrorismo bom e no terrorismo mau...
artigo, que deve ser lido.
Porque é importante ter memória
domingo, abril 26, 2009
Quando o jornalismo não passa de pinceladas impressionistas
No P2 da passada sexta-feira, o jornalista Paulo Moura fez uma longa entrevista a Otelo Saraiva de Carvalho com o pomposo título "Se isto não é um herói".
Eu ainda não tinha nascido no 25 de Abril de 74, mas gosto de pensar que sou uma pessoa minimamente informada. Não vou aqui falar do óbvio, a importância da revolução ou de Otelo Saraiva de Carvalho nela. Mas deixo aqui uma parte da verdade que Paulo Moura se esqueceu de escrever.
Otelo Saraiva de Carvalho foi condenado a 18 anos de prisão por actos de terrorismo dos quais resultaram várias mortes. E o único motivo pelo qual não cumpriu mais do que 5 anos da sua pena foi, não por ter sido abslovido numa instância superior, mas por ter sido amnistiado.
Apesar se não trabalhar no diário dito mais sério deste país, tenho uma concepção de herói bastante diferente da do senhor Paulo Moura
quinta-feira, abril 23, 2009
Afectos
E depois, depois há aquelas pessoas que nos fazem chorar só de olhar para elas, aquelas pessoas que por mais mazelas que carreguem de uma vida com muita dor e perda, continuam em frente e não se deixam vergar pela dor.
Hoje estive com duas pessoas assim, pessoas que admiro do fundo do meu coração.
Uma delas é o Manuel Acácio, um dos seres humanos mais puros e generosos que me passou pela frente nos últimos meses. A outra é Paula Teixeira da Cruz, uma mulher que admiro pela sua fibra, pelos seus princípios, por não se deixar vergar nas suas convicções, por tanto sofrer no seu papel de mãe e, mesmo assim, de não baixar os braços e viver a sua vida com a alegria que lhe é possível.
Tive o privilégio de estar com estas duas pessoas que tanto admiro no mesmo evento, o lançamento do livro "A Balada do Ultramar", do Manuel Acácio. Com ele tenho mais confiança, consigo dizer-lhe claramente o quanto o admiro por ter colocado no papel não a sua história, mas a da mulher que amou e que viu morrer. Este livro, como o próprio diz, é um tributo à sua falecida mulher, é, por isso mesmo, uma forma de passados alguns anos este homem se pacificar com a vida e com as feridas que lhe foram infligidas.
Paula Teixeira da Cruz foi uma das pessoas convidadas para apresentar este belo livro e as palavras que proferiu foram tão certeiras e tão plenas de sentimento que me deixaram com as lágrimas nos olhos. E quando vejo pessoas assim, fico feliz por me deixar levar pelos afectos, pela capacidade de chorar comovida com as palavras alheias.
E sinto-me bem mais feliz
quinta-feira, abril 16, 2009
Xi pá, tanta coisa se passou
Mas cá estou, duas semanas depois, e a saber que a cegonha, uma outra, também já iniciou a sua viagem.
Quer-me parecer que, depois das muitas tristezas de 2008, e apesar da crise e da recessão, 2009 me vai trazer alegrias.
quinta-feira, abril 02, 2009
Esta quinta está a ser diferente
domingo, março 29, 2009
Março chega finalmente ao fim
Com o fim deste mês vai-se o dia do pai e passa-se o aniversário do meu pai. Foi ontem, dia 28, que, nos 33 anos da minha existência pela primeira vez passei pelo seu aniversário sem o ter.
Desde que o meu pai morreu que não voltei ao cemitério onde está sepultado. Este fim-de-semana achei que era tempo de enfrentar a realidade e fui até Marco de Canaveses. Eu e a minha mãe. E foi horrível chegar aquele jazigo e imaginar-te lá, pai. Sem a tua fotografia e sem qualquer lápide tornou-se menos penoso. Pude fingir, durante instantes, que estava ali apenas para ver o avô ou a bisavó. Mas foi só durante um instante. Passados esses segundos iniciais pude fechar os olhos e ver-te descer à terra naquele caixão castanho claro. Ontem parei de fingir que ainda estavas na clínica à espera da minha visita. Ontem não houve bolo de aniversário, nem prenda, nem parabéns a você. Houve lágrimas e muitas saudades
sexta-feira, março 20, 2009
Porque este blogue também é alegria
não a minha, mas é como se fosse.
Estou feliz!
quarta-feira, março 18, 2009
Rir é mesmo o melhor remédio
A Ordem está cheia de boas intenções, não o nego, mas aqui a iniciativa quer-se do lado do Governo e da Administração dos Hospitais. É a eles que lhes tem de ser exigido rigor, eles é que têm de pensar no melhor interesse do doente e não nos orçamentos. Enquanto assim não for, de nada servirá aos médicos oncologistas prescrever certos fármacos que sabem, à partida, não serão administrados. E os doentes, que são terminais, mesmo que avancem para a justiça escudados na Ordem, dificilmente viverão para ver quem tinha razão.
segunda-feira, março 16, 2009
Porque me podia ter acontecido o mesmo
E eu não conseguia parar de pensar. Não conseguia desviar de mim o terrível pensamento que aquilo poderia muito bem ter acontecido comigo. Ou com o meu marido.
É possível amar um filho e esquecer-se dele? Era mais ou menos este o excelente título da nótícia do Público. A minha resposta é sim e daí esta angústia, esta incredulidade. Eu acho que uma coisa destas pode acontecer. E isso assusta-me. Todos pensamos que somos bons pais e que nunca nos esquecemos deles e que eles estão sempre em primeiro lugar em tudo o que fazemos ou pensamos... mas basta termos a coragem de olhar bem dentro de nós e conseguimos ver que uma tragédia destas podia bater à nossa porta. À minha, pelo menos, podia.
Vivemos tão obcecados com o trabalho, com as reuniões, com as pequenas tragédias do universo que nos rodeia quando estamos a trabalhar que muitas vezes nos esquecemos do essencial: a festa de anos, a peça de teatro do colégio, levantar isto, deixar aquilo. Bem sei que esquecer-se de um bebé não é a mesma coisa que esquecer um papel no carro. Mas se ele estiver a dormir e nós estivermos atrasados para aquela reunião.... não sei. Quantas crianças morrerm afogadas no instante em que um dos pais desvia olhar? E quantas caem da varanda? E quantas bebem produtos tóxicos? Esses pais são julgados na praça pública?
Não consigo deixar de pensar que a vida daquela família está irremediavelmente perdida, que aquele homem nunca terá uma noite de descanso, que a imagem do seu bebé morto no banco traseiro do carro nunca deixará de o perseguir, que aquela mãe, por mais que tente, nunca conseguirá perdoar.
E sinto-me triste que vivamos num mundo assim, que nos asfixia.
quinta-feira, março 12, 2009
Contra a hipocrisia
Muitas vezes me lembro do Torcato e da forma como estes dois estarolas andavam juntos pel'A Capital. E se é verdade que A Capital tinha problemas estruturais, não é menos verdade que foi um local que me deu muito. Deu-me a oportunidade de trabalhar directamente com o Torcato no suplemento GLX, deu-me o privilégio de privar com o João Mesquita, deu-me o prazer de conversar todas as semanas com o Appio... preciosidades que não têm preço e que fizeram de mim melhor jornalista e um ser humano mais tolerante.
E é por isso que hoje, lendo o que se escreveu sobre o Mesquita, não posso deixar de sentir revolta. Revolta contra a hipocrisia de certos amigos que tantas linhas te dedicaram nos jornais de hoje. Hoje a igreja estava repleta de famosos: do jornalismo à política.
Gostava de saber onde é que a grande maioria destes senhores estava neste últimos anos da sua vida, em que estava desempregado, já sem o subsídio de desemprego. Lembro-me de algumas colaborações que o João fez para o Torcato, falámos delas. Mas nuca lhe foi permitido o regresso a uma redacção. E se era assim tão bom como hoje se disse (e eu sei que ele era) porque motivo o deixaram no desemprego desde 2003, altura em que foi despedido de A CApital?
Leio o editorial do Público e tenho vontade de rir... o João foi para Coimbra desempregado porque o actual director do Público foi protelando a decisão de o transferir para a delegação de Coimbra. Adiou a coisa por tanto tempo que o João teve de se demitir e ir para Coimbra na qualidade de desempregado...
Eu lembro-me da sua honestidade, da sua integridade e, infelizmente, também me lembro da tristeza que via no seu olhar sempre que a conversa era o jornalismo, a forma pesarosa como dizia que as colaborações eram poucas e mal pagas... a doença deixou-o triste mas acredito que se conseguisse ler o que dele escreveram daria duas ou três gargalhadas...
terça-feira, março 10, 2009
aniversários - parte 2
Vou fechar os olhos e recordá-lo a sorrir.
segunda-feira, março 09, 2009
Aniversários
Obrigada a todos os amigos!
quinta-feira, março 05, 2009
pequenos prazeres
Batota
É de morrer a rir!
Um prémio????

segunda-feira, março 02, 2009
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Good vibe
Mas estou com good vibe, como se algo de bom se avizinhasse.
Pode ser que seja verdade.
quinta-feira, fevereiro 19, 2009
Família feliz

quarta-feira, fevereiro 18, 2009
And my oscar goes to...

Afinal sou bem resolvida

segunda-feira, fevereiro 16, 2009
Fim-de-semana em Madrid
Para começar o Hotel era uma merda. As paredes eram tão finas que se ouvia as pessoas do quarto ao lado a falar. A falar e não só, mas já lá vamos.
A quinta-feira foi maravilhosa. O Henrique dormiu duas horas no carrinho eu e pai passeámos bastante e fomos jantar a um restaurante do qual gosto particularmente. Ao chegar ao hotel o caso mudou de figura. O andar onde estávamos tinha sido invadido por uma turma de liceu que passou a noite a gritar de quarto para quarto. Telefonei três vezes para a recepção e apareci no meio do corredor disposta a matar o primeiro adolescente que se cruzasse no meu caminho. Não me adiantou de muito. Umas desculpas aqui, um sorrisinho ali.
É o que dá não ter dinheiro para ficar no Ritz.
Na sexta de manhã eu estava um ano mais velha e com uma terrível dor de cabeça quando o meu petiz diz ao pai "doi-me a barriga. Parece que tenho gás aqui dentro". Foi o tempo de chegar à casa de banho (mas não à sanita) e vomitar todo o jantar do dia anterior. E ficou, coitado, durante uma hora com o rabo colado à sanita com uma diarreia tremenda. A sexta-feira foi, como se pode imaginar, de fugir. Rabujento, mal disposto... mas, mesmo assim, muito aguentou. Andou pela cidade no seu carrinho vermelho, foi ao Prado ver a exposição do Bacon e ainda consegui introduzi-lo ao universo do Goya (o preferido da mãe) e do Velasquez (do lado do pai). e chegámos ao fim do dia a pensar que o melhor seria regressar a Lisboa. Estar em Madrid (cidade que não é propriamente conhecida pelo peixe grelhado acompanhado com arroz branco) com uma criança doente não é o sonho de qualquer família.
Noite de sexta, mais uma sessão no hotel. Desta feita de sexo. E digo-vos, parecia que a menina do quarto ao lado ia sentar-se ao meu colo a qualquer instante. Acordei, depois de duas parcas horas de sono, com vontade de esborrachar o mundo ao tabefe. Desculpem lá, mas fico verdadeiramente impossível quando não durmo.
Mas nem tudo estava assim tão mau. O Henrique acordou bem disposto e a barriga estava "maravilha", segundo o próprio. Museu do bombeiro, parque de diversões, passeio de barco no Retiro e a coisa ficou feita. No voo de regresso ainda houve tempo para uma birra causada já nem me lembro porquê. E um desenho, um desenho lindo onde estava o avô António. Já que estávamos no céu, o avô devia estar a ver-nos, disse ele.
Não foi um fim-de-semana perfeito. Não foi, mas foi o melhor que se conseguiu, o que já não é nada mau. E não o trocava por nada.
E ainda tive direito a um lindo vestidinho preto.
A melhor de todas as prendas

Foi-me dada pelo meu filho (com a mão do pai por trás, como é evidente). Assim, logo na manhã de dia 12, ainda mal tinha acordado. E comovi-me verdadeiramente com este livro e com a sua inocência ao entregar-mo e ao dizer-me "era este que te queríamos dar no Natal, mas estava esgotado."
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
vou ali
E já venho.terça-feira, fevereiro 10, 2009
sou uma mole... a verdade é essa
Mas acabei por não despedir a minha empregada.
Quando a vi de lágrimas nos olhos a prometer que nunca mais faria uma coisa daquelas e a dizer-me que era a primeira vez que falhava... deixei-a ficar. A verdade é que gosto dela. é calma, serena, trata bem o meu filho, nunca me roubou um alfinete que fosse...
Estou a ficar uma mole, essa é que é essa.
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
4 meses
A mãe, como tu bem sabes, é uma lutadora. Irra, aquela mulher é de aço. às vezes pergunto-me como aguenta. Consigo ver o seu cansaço e a sua imensa tristeza. Perdeu-te e tu eras o seu porto de abrigo, o seu amor de quase 40 anos. Mas quando falo da sua força e da sua garra refiro-me ao esforço que ela faz para, assim mesmo, continuar a viver e a ter um propósito para tal. Ora siou eu, ora é o Henrque, ora é o mano... ela vai conseguindo ser o pilar desta família e mantem-nos, na medida do possível unidos. Às vezes falta-me a paciência, não te zangues com a minha sinceridade. Irrito-me com ela, respondo-lhe torto. Mas é que me sinto cansada de tanta tristeza, de tanto ouvir e de tão pouco poder chorar. Fico impaciente quando ela repete 10 vezes a mesma coisa ou quando me ralha porque a caixa da sopa está fora do frigorífico há mais de uma hora e a sopa vai azedar. Mas não fiques muito preocupado, que eu tento conter-me e, no fundo, sabes que a amo. é a única que me resta depois de teres morrido.
Eu também tenho os meus dias. Há dias em que tudo corre bem e tu és apenas uma doce lembrança. Mas há outros, pai, em que me fazes tanta falta que até me doi o peito. Ontem, por exemplo, fui à feira com a mãe. E quando ela entrou no carro tive tanta vontade de gritar. Ela tinha posto o teu perfume e, por um breve segundo, parecia-me que estavas ali, ao meu lado. Fiquei tensa, de olhos mareados, porque aquele erao teu cheiro, só teu, do perfume que eu te ofereci. Não me apetece que mais ninguém tenha o teu cheiro, pai. Mas não tenho coragem de o dizer à mãe, porque acho que o faz para se sentir mais perto de ti.
Mas eu estou bem, não te preocupes. A sério.
O mano foi quem mais se abalou com a tua morte. Ainda está muito incondormado porque acha que se podia ter evitado, que ainda podias estar vivo, se não tivesses feito aquele exame, se o contraste não se tivesse espalhado no teu corpo, se não tivesse ficado com uma sepsis... tu sabes que eu penso de forma diferente, que acho que te foste porque assim o decidiste. Mas ele vive preso nessa tormenta. Muito preso.
Quem em tem preocupado ultimamente é o Henrique. De vez em quando chora e diz que tem saudades do avó António. Eu confesso-te que não sei muito bem como lidar com isto. Ontem, por exemplo, desatou a chorar a dizer que te queria. Expliquei-lhe, da melhor forma que sei, que tinhas morrido, que já só exisitias no nosso coração. Mas ele não se convenceu e disse-me que eu era má e que a avó Emília não lhe dizia o mesmo que eu. Vê lá tu, pai. Telefonei à mãe a perguntar-lhe como é que ela o consolava quando ele perguntava por ti e ela respondeu-me que lhe diz que tu estás no céu a olharpara ele e que ficas muito feliz quando se porta bem. Tu sabes pai, que isso é um bocadinho demais para mim. Bem sabes o que me custa dizer-lhe que és uma estrela no céu... mas percebi que essa explicação o deixa mais feliz.
Já passaram muitas datas importantes sem ti, pai. os anos do mano, os anos do Filipe, o Natal, o Ano Novo... esta semana é o meu aniversário... o primeiro sem ti. Tenho de aprender a lidar com esta montanha russa de emoções. Tu sabes que desde que fiquei doente que gosto particularmente de festejar o meu aniversário. Só que sem ti, pai, sem ti é tão vazio e desprovido de sentido. Porque a contabilidade tem duplo sentido; mais um ano e mais um dia sem ti...
Depois conto-te como foi. e prometo que vou fazer uma lista de coisas boas e felizes que aconteceram neste quatro meses, para que fiques mais feliz.
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
moralmente falando

quinta-feira, fevereiro 05, 2009
um 20 redondinho
Fiz 20 quilómetros para ir a casa almoçar. E valeu a pena, não valeu mãe? Porque almoçámos as duas, falámos dos preços do Minipreço, dos problemas da empregada (despedimos ou não despedimos), do quanto tu já limpaste e passaste esta semana, da birra do Henrique esta manhã... e sei lá mais de quantas coisas. Esta hora e estes 20 quilómetros valeram ouro: estivémos juntas, só as duas.
Obrigada
Amanhã voltamos a repetir
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
10.41
Fui almoçar com um amigo ao Chiado, um luxo cada vez mais raro. Não só o de ir ao Chiado, mas o de ter tempo para os meus amigos. À saída parei na Casa da Sorte e lá fui entregar o meu talão do euromilhões. Raramente jogo e quase sempre deito os talões fora sem verificar se ganhei alguma ocoisa. 10,41 euros. Quer voltar a jogar? Eu não, quero o dinheiro para bilhetes de metro em Madrid.
Oficialmente à procura de empregada
terça-feira, fevereiro 03, 2009
agarrem-me que não sei do que sou capaz
A minha empregada é uma pessoa muito importante lá em casa. Mais do que limpar ou passar, a minha empregada vai buscar o meu filho à escola e toma conta dele. é alguém em quem confio, ou melhor, era.
Quando confiamos o nosso filho a outra pessoa deixa de ser muito importante se ela é uma rainha a passar a ferro ou se limpa a casa de banho como a minha mãe. As prioridades são outras. O importante é sentirmos que o nosso filho está bem entregue e é bem tratado. Por isso fui desculpando pequenos deslizes à Chica e por isso a trato bem, muito bem.
Na passada quinta-feira a minha empregada foi tirar um quisto que tinha no ombro. Para começar avisou-me de véspera. Depois não me disse se era uma operação grande ou pequena, se ia ficar em casa a repousar ou não. Eu, cheia de peso na consciêcia, liguei-lhe na sexta-feira ao fim da manhã a dizer-lhe para ficar em casa a descansar que eu me arranjaria e ia buscar o Henrique à escola. Ela (a menos de duas horas de, supostamente, começar a trabalhar na minha casa responde que na verdade não ia trabalhar na sexta porque tinha de ir ao centro de saúde. Logo ali fiquei um bocadinho incomodada. E se eu não lhe tivesse ligado a dizer para ficar em casa? A que horas é que ela me ia avisar que não ia trabalhar? Ou será que não me iria sequer avisar? Passei à frente mas fiquei a matutar na ida ao Centro de Saúde. O que iria ela lá fazer? Pedir baixa? Eu sei que ela tem direito a baixa, é para isso que eu faço os seus descontos para a Segurança Social, mas não queria acreditar que, estando a pensar meter baixa ela não me fosse avisar. Assim como assim, e antecipando uma surpresa desagradável, enviei-lhe um sms a perguntar se ia trabalhar na segunda ou se ia meter baixa. Não me respondeu...
No sábado ao fim da tarde lá me ligou, a dizer que tinha baixa até ao dia 8 de Fevereiro mas, como não tinha dores, que ia trabalhar na segunda-feira e que faria o que conseguisse. Agradeci-lhe e expliqui-lhe que a mim não me preocupava a casa, apenas me preocupava que ela fosse buscar o Henrique e que tomasse conta dele. O resto ia-se fazendo. Ela o que conseguisse e eu o resto. E fiz questão de sublinhar que se, por acaso, acontecesse alguma coisa, para ela me avisar durante o domingo porque se ela não fosse trabalhar eu tinha de sair mais cedo para ir buscar o meu filho à escola. "Esteja descansada que se acontecer alguma coisa eu aviso no domingo".
Ok, dois anos lá em casa eu achei que fosse o suficiente para poder confiar nela.
E ontem vim trabalhar descansada. E quando chego a casa, quase sete da tarde, e ponho a chave à porta, sinto que não está ninguém do outro lado. Nem Henrique, nem Chica nem nada. Telefono para a escola em pânico. O Henrique estava lá. Procurei, em vão, no meu telefone a mensagem da Chica onde ela dizia que tinha acontecido algo e que não podia ir trabalhar.
Tentei ligar-lhe, não me atendeu.
Deixei-lhe um sms a pedir que me ligasse urgentemente. Ainda não o fez.
E agora? Estou capaz de a matar. Ou entrou em coma ou não tem desculpa.
Acho que vou voltar às tarefas domésticas.
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
Partilhas
Mas eu achei que tínhamos motivos para festejar. Os meus exames estão porreiros e dão-me mais seis meses de tranquilidade, o gajo da Azeda também anda fixolas (apesar dos sustos que gosta de nos pregar) e, por isso, achei que deviamos estar juntas. Rir, beber, comer, cortar na casaca de alguém, enfim, fazer aquilo que quatro gajas juntas gostam de fazer. Desta vez convidámos mais uma marretinha para o jantar, amiga de todas e também ela a precisar de arejar. E lá fomos até ao Bonsai, debaixo de chuva mas com o coração quente.
E foi bom, muito bom. Muito sushi, sashimi, saké, chá verde, conversa, riso, desconversa... como sempre.
Mas há coisas que mudam e nós, minhas caras marretas, estamos a ficar velhas:) já não nos serve a mesa baixa, onde tanto gostávamos de comer, porque tinhamos alguma privacidade. Desta vez foram muitas as reclamações: dores de costas, não tenho onde meter as pernas, não tenho onde me encostar... já percebi a indirecta: da próxima temos de comer como gente crescida, nas mesas e cadeiras dos crescidos.
Mas foi bom, muito bom. Fiquei a saber que duas de nós acham a Anjelina Jolie desiquilibrada, que uma de nós dispensava uma table dance protagonizada pelo George Clooney (aviso já que não sou eu), que outra de nós se repugna de cada vez que falamos de amamentação; que outra vai amamentar até que uma dentada lhe tire um mamilo; que outra deixou de beber leite e a sua vida melhorou; que outra nem se importava que a table dance fosse protagonizada pelo Rodrigo Santoro (acuso-me) e que todas estamos imensamente tesas e co vontade de viajar.
E mais lá para o meio da noite quando descemos e subimos o BA à procura de um bar onde não se fumasse (e não encontrámos) cheguei à conclusão que estamos mesmo a mudar:)
Obrigada!
sexta-feira, janeiro 30, 2009
As pessoas andam tristes
Basta olhar para a secção de economia de qualquer jornal e, quando vemos que a notícia de um despedimento é 5x maior que a notícia de um novo projecto que vai criar milhares de empregos, percebemos que os jornalistas também andam assustados e tristes. Eu falo por mim. Também eu ando triste e angustiada com esta situação: a crise, a casa que não se vende, o tempo, o cabrão do tempo, este negrume que é o céu há quase um mês... tudo deprime e entristece.
Basta um olhar mais atento, um ouvido à escuta e percebo que o mundo que me rodeia, a vida real das pessoas reais que vivem com muito menos que eu, tem motivos para estar triste. Esta semana, enquanto estava na fila para pagar as minhas compras da semana no Pingo Doce, prestei atenção à conversa de dois rapazes brasileiros que estavam atrás de mim. O jantar deles (dois rapazes bem parecidos) ia ser um bróculo, um pacote de natas e uma lata de salsichas. E a conversa girava em torno do pacote de pães de leite que custava 1,08 euros e que eles não tinham dinheiro para comprar. "Já viu que ar gostoso... ia ficar bem no nosso café da manhã". "Da próxima a gente compra".
E, não querendo pensar que as desgraças dos outros atenuam as minhas, o melhor é acordar de bem para a vida, pensar que a Primavera está quase a chegar, que a casa está alugada e que se há-de vender, que eu fiz exames e estou bem por mais seis meses, que o meu filho e o meu marido estão bem, que tenho amigos maravilhosos e uma casa fantástica... Há que pensar positivo, caraças. Menos uns jantares, menos umas viagens, menos umas compras... que se lixe
Basta andar de olhos abertos e ouvidos à escuta para perceber que as minhas pequenas desgraças nada são quando comparadas com esta grande epidemia de tristeza.
Tudo o que disseres pode ser usado contra ti.
À noite, preocupada, tentei falar com ele sobre o assunto. Expliquei-lhe que ele não pode andar por aí à estalada aos meninos, que eles assim não vão querer ser seus amigos. "Filho tu deste uma chapada na cara do David Capela. Como foste capaz?", perguntei tentando dramatizar o seu acto. E ele apenas respondeu "Eu estava a defender-me. Ele puxou-me as bochechas e tu e o pai disseram para eu me defender quando me fizessem mal. Foi o que fiz."
Aqui está o ensinamento do avô António levado ao limite...
quinta-feira, janeiro 29, 2009
Amor é...
O regresso do filho pródigo
O meu filho dormiu 14 horas e acordou como novo, ou melhor, acordou o velho Henrique. Ontem portou-se lindamente, foi o primeiro a acabar de jantar e distribuiu sorrisos e beijinhos.
Hoje acordou bem disposto e voltou a ser o primeiro a acabar de comer.
Será que o ET se foi e me devolveu o meu filho?
Espero bem que sim
segunda-feira, janeiro 26, 2009
Dia não
Duas reuniões que me ocuparam grande parte do dia, um encontro com as minhas novas inquilinas que também não deu em nada, um telefonema que só serviu para me chatear e, quando chego a casa o que é que faço? Bato com a cabeça contra a parede? Não. Bebo um chá e relaxo? Não. A solução foi portar-me como uma criança de quatro anos e meio e desatar aos gritos com o meu filho quando ele fez uma asneira. É verdade que não é agradável chegar à casa de banho e encontrar uma criança a fazer pinturas rupestres com as suas próprias fezes, mas podia ter-lhe dado o desconto. Dei-o a tanta gente durante o dia.
E, como resultado, estou aqui a penitenciar-me a a achar-me uma péssima mãe; horrível mesmo.
Há dias assim: um não redondo.
sexta-feira, janeiro 23, 2009
Gostei
Donde?
O castigo dele doi-me mais a mim
As quintas-feiras, lá em casa, estão baptizadas de "o nosso dia", leia-se meu e do Henrique. é o dia em que o pai trabalha até mais tarde, em que jantamos os dois, por vezes há direito a uma batatinha frita ou a um doce à sobremesa; quase sempre se vê um episódio de uma qualquer série infantil e, para finalizar vamos os dois para a cama grande. E este sim, é o grande momento, aquele em que ele me abraça e se aninha ao meu lado. E dali só sai quando o pai chega, noite dentro.
Só que o meu filho anda demasiado desafiador para o meu gosto e, por isso, tenho de castigá-lo. Ontem não houve filme, nem batata frita, nem doce (houve uns croquetes feitos pela avó Emília e que ele adorou)e, pior que tudo, não houve cama grande.
E no momento em que lhe passava a mão pela cabeça depois de lhe te lido dois poemas ouvi "hoje era o nosso dia e não dormimos juntos. Estou muito triste contigo". E assim, com uma pequena frase, senti-me a pior mãe do mundo e ele conseguiu virar o bico ao prego e fazer de mim a má da fita.
quinta-feira, janeiro 22, 2009
Mau comportamento
Mas pensava que isto se passava, basicamente, lá em casa, comigo e com o pai. Só que hoje encontrámos a educadora dele no café e ficámos a saber que o nosso filho foi levado por extraterrestes e, no ligar dele, colocaram um menino mal comportado, birrento, que responde mal e que até anda a bater nos seus amigos...
Hoje vamos ter uma conversa muito séria lá em casa. E algo me diz que os jogadores do Benfica, com que ele tanto gosta de brincar, vão continuar no armário junto às minhas calças de ganga...
quarta-feira, janeiro 21, 2009
Porque não quero falar do que não sei
E agora a futilidade


Eu até queria ser uma senhora séria e não falar de futilidades numa altura como esta, mas não consigo, é mais forte que eu. Onde é que a senhora Jill Biden pensava que ía com esta fatiota? Não lhe disseram que o destino final era a Casa Branca? Jesus, quão mas pirosa se pode ser? Saia acima do joelho? botinha stiletto. Ela até pode não ter bom gosto, mas as pessoas que a rodeiam deveriam. Pareceu mal, muito mal. Estilo mulher de meia idade em crise...
terça-feira, janeiro 20, 2009
Para MJC
Eu sou feliz, gosto da vida que tenho, não me sinto refém do cancro e sinto-me vitoriosa por continuar a minha vida apesar de tudo o que aconteceu. Isso não significa que não tenha os meus dias menos bons, com mais dúvidas e tristezas, com mais limitações...
Obrigada MJC pela partilha. Gosto muito de ti
segunda-feira, janeiro 19, 2009
Morrer de cancro é indigno?
No caso da Tereza Coelho foram várias as homenagens prestadas em vários jornais e blogues. A mais bonita, a meu ver, perteceu à Isabel Coutinho. Mas há uma coisa que eu não percebo: no artigo do Público le-se que Tereza Coelho morreu de complicações de uma Pneumonia. é só meia verdade, na medida em que a pneumonia era, já ela, uma complicação do cancro.
E talvez seja um preciosismo meu, que tive cancro. Ou talvez não. Mas parece-me que os jornalistas ainda têm medo de escrever que uma pessoa morreu de cancro. Qual é a diferença entre morrer de cancro, de pneumonia, de enfarte? Por acaso é menos digno morrer de cancro?
Há anos, durante uma entrevista que o meu marido fez a António Mega Ferreira este, que recuperava de um tumor maligno, dizia mais o menos o mesmo, que as pessoas em Portugal morriam de doença prolongada...
Eu tive cancro. E se morrer de alguma complicação da minha doença não quero que se diga outra coisa que não a verdade.
sexta-feira, janeiro 16, 2009
Inveja
Mas à noite, sentada na minha cama a olhar para o meu filho que dormia ao meu lado, fez-se luz na minha cabeça tolhida pelo medo. É evidente que uma pessoa informada e inteligente, como a Fernanda Serrano deve ser, pensou em tudo o que eu pensei, foi assaltada pelas mesmas dúvidas e medos. Mas ela, ao contrário de mim, decidiu ir em frente. E por isso o que eu sinto é inveja, inveja de não ter a sua coragem.
quarta-feira, janeiro 14, 2009
maldita...
terça-feira, janeiro 13, 2009
às vezes sinto-me assim...
com difuldades de expressão. Deve ser por isso que gosto tanto desta música
segunda-feira, janeiro 12, 2009
Super Homem
sexta-feira, janeiro 09, 2009
quinta-feira, janeiro 08, 2009
Saudades
As saudades também nos podem fazer sorrir. Esta era a canção preferida do meu pai.
Lindo, han?
quarta-feira, janeiro 07, 2009
Ensinamento 1
E a verdade é que eu aprendi e nunca me dei mal com esta regra que pretendo passar ao Henrique. Vai ser o primeiro de muitos ensinamentos do avó António.
terça-feira, janeiro 06, 2009
o melhor amigo
O melhor amigo do Henrique é o Rui Costa, um boneco da imaginarium que o meu filho recebeu quando fez dois anos e que trazia um equipamento da selecção nacional de futebol. Ainda teve uma breve disfunção de personalidade, porque no início se chamava Figo, mas poucos meses depois o Henrique perguntou ao pai se podia chamar Rui Costa ao seu amigo. E é curioso ver que o apego dele ao boneco tem vindo a crescer. É o seu filho e a única companhia permitida na cama.
segunda-feira, janeiro 05, 2009
segunda-feira, dezembro 22, 2008
Podia ser pior

quinta-feira, dezembro 18, 2008
Aquele friozinho na barriga
terça-feira, dezembro 16, 2008
"Estar em crise significa não ter dinheiro"
No passado sábado, depois de uma semana em casa por causa da maldita escarlatina, fomos ao cabeleireiro. Digamos que o cabelço do Henrique já não estava coisa que se apresentasse na escola. E, enquanto ele estava sentada na sua cadeira especial em amena cavaqueira com a cabeleireira, esta pergunta-lhe "Henrique e já pediu as prendas ao Pai Natal?""sim, pedi uma, o camião Mac Faísca", respondeu ele. "Só uma?" indagou a cabeleireira. "Sim, só uma. Estamos em crise", argumentou o meu pequeno economista. Com esta resposta a cableireira desatou a rir e ele, muito ofendido, olhou para ela e disse "Qual é a graça? Não tem graça nenhuma. Estar em crise significa não ter dinheiro".
segunda-feira, dezembro 15, 2008
Acabou
Acabaram as minhas crónicas na Pais & Filhos. Fiquei triste. Tinha-me custado muito a decisão de me expor numa revista mas, durante o ano que escrevi, criei cumplicidades importantes. Fiquei triste pela decisão e por ter sido tão repentina. Não foi uma coisa do género "escreves mais uma ou duas e acaba". Foi antes "acabou, não faças a próxima".... fiz, à borla, mas para me despedir. Janeiro é mês de despedida na Pais & Filhos. Talvez recupere aqui o tema.
Eu tenho sempre uma péssima relação com aquilo que escrevo: nunca guardo, acho que nunca vou precisar dos meus textos. E agora estou com pena de não saber onde andam todas as crónicas que escrevi. Aqui já publiquei uma, vou tentar recuperar as outras.
Acerca do post "Com tanta profissão bonita"
A minha amiga Gata é minha amiga porque nos cruzámos nessa bela profissão: jornalista. E como se não bastasse sermos mulheres e jornalistas estávamos na secção de cultura. e por lá nos mantivemos até engravidarmos. E era giro. E ser jornalista era giro. Mesmo quando o espaço era pouco e só tinhamos 2000 caracteres para escrever sobre a última peça da Cornucópia, nada substituía o facto de podermos estar alí, naquela sala gelada, até à uma da manhã para podermos ter o privilégio de uma conversa com o Luís Miguel Cintra. Ou com o Jorge, ou com o Ricardo Pais... ou com tantos outros. Porque as pessoas que se cruzavam nas nossas vidas eram interessantes. E isso compensava tudo: o entrar pela noite dentro, o mau humor dos editores, a falta de espaço para escrever... o que ganhávamos em termos intelectuais e em experiência era muito bom e compensava muita coisa.
E depois ficámos grávidas. E continuou a ser giro. Comparávamos barrigas, falávamos de nomes... chegámos a ser 4 grávidas ao mesmo tempo: quatro jornalistas de cultura; eu, a gata, a Cristina Margato e a Ana Goulão. E eu (assim como a minha amiga Gata) que trabalhava num diário fui-me apercebendo, com o decorrer da gravidez, que as coisas começavam a deixar de ser tão giras... os ensaios continuavam a ser muito tarde; eu, invariavelmente, adormecia., ficava muito cansada, rabujenta e o futuro, com o nascimento do bebé, era uma incógnita.
E, no meu caso, havia aquele outro probleminha... é que o meu marido também era jornalista. E ele sim, jornalista à seria e não alguém que escreve sobre teatrinhos e senhores de collants. Jornalismo bem remunerado, que paga grande parte das contas lá de casa.
... e comecei a fazer contas à vida. Tive mesmo de as fazer.
E foi nesse momento que ficou claro na minha cabeça que o jornalismo giro tinha os dias contados. E para fazer um jornalismo que não fosse aquele, dos ensaios, dos espectáculos, das pessoas que me enchiam a alma, mais valia não ser jornalista. E assim matei o sonho que tinha tido 15 anos atrás: o de um dia vir a ser editora de cultura de um bom jornal/revista.
Mal regressei ao trabalho depois da licença de maternidade, comecei a escavar em todas as direcções para encontrar uma alternativa à minha profissão muito gira. A princípio foi duro; porque eu não sabia muito bem onde procurar, e porque tive alguns embates lána redacção. Coisas do tipo "eu tenho direito a duas horas de amamentação e não vou abdicar delas" ou "vou passar a entrar às 11h e saio às sete"... mas quem me conhece também sabe que eu sou "Mafaldinha", que resmugo, que não perco uma boa luta e, naquele caso, arregacei bem as mangas. Até porque eu, apesar de gostar da minha profissão gira, de jornalista de cultura, achava, como continuo a achar, que os jornalistas são bichos de muitos vícios... são, no geral, pessoas com muito pouca disciplina no trabalho. O que interessa é que a página fecha e que o texto ficou bom. As horas às quais se começou a escrever ou a quantidade de pessoas que ficam penduradas à espera que o texto feche é apenas um pormenor. E os jornalistas também acham que sair cedo é sinal de pouco trabalho, o que é uma mentira de todo o tamanho. Porquê deixar para o dia o texto da peça de teatro que se foi ver há uma semana, ou o perfil sobre o escritor que já nos tinham pedido há duas semanas mas que só amanhã faz anos???
E é este tipo de rotina instituída nas redacções que faz com que as mães jornalistas, mesmo que tenham acabado o seu trabalho, não possam sair mais cedo sem ouvir três ou quatro bocas ou, então, sem que lhes tentem passar mais três breves para fazer, porque o colega do lado, que até as podia escrever, chegou às quatro da tarde e está à rasca com a abertura de secção.
Eu consegui sair do jornalismo e, mesmo assim, ter uma profissão interessante e na qual me sinto realizada. Mas não é fácil.
E acho, minha amiga Gata, que o problema de ser mãe se estende a qualquer profissão no nosso país. Porque ser mãe implica ser mulher e, no nosso país ser mulher é fodido.
Até podes ser funcionária pública e saires às 5 da tarde, mas quando os miúdos ficam doentes, e é preciso ficar em casa com eles sobra para quem? e quando há uma consulta programada quem vai? E as noites em branco quando eles estão doentes? e...e...e...?
E se a profissão de jornalista é chata, imaginem os médicos, que em início de carreira ganham uma miséria e têm de fazer bancos de 24 horas... e os enfermeiros que trabalham por turnos?
Mas, mesmo assim, e apesar de todas estas pequenas grandes merdas que nos deixam à beira das lágrimas de felicidade quando dispomos de um serão sozinhas em casa com o comando só para nós, mesmo assim eu não trocava a vida que tenho por outra. E, não fosse a minha doença, atirava-me de cabeça para o segundo filho.
Peças soltas
Fazes-me tanta falta... o teu silêncio, o teu olhar, a tua mão na minha. Ando tão perdida sem ti.
sexta-feira, dezembro 12, 2008
escarlatina
Não imaginam como anseio por 2009...
quarta-feira, dezembro 03, 2008
pesadelo
segunda-feira, novembro 17, 2008
Saudades
pequenas coisas
O mesmo não se pode dizer de outros grandes grupos editoriais.
A semana passada, por exemplo, ligaram-me do Círculo Leitores não para me venderem livros, mas para me venderem um seguro de saúde.
Bonito não acham?
quarta-feira, novembro 12, 2008
Dia 9
Temos saudades, pai.
Temos saudades... sinto um vazio muito grande no lugar do meu coração... às vezes nem percebo bem o que se passa, não é o trabalho, não são as coisas em casa.... depois vens-me à ideia. És tu pai, ou melhor, é a falta que me fazes que me deixa assim... como se me faltasse um pedaço.
sexta-feira, novembro 07, 2008
Mas que semana
Uma gastroenterite no Henrique que nos levou a passar 16 horas da sexta-feira e do sábado no Hospital da Estefânia; uma mudança em que o meu marido estava sozinho, valeram-nos os fantásticos amigos que, com apenas um sms apareceram lá em casa para ajudar; obras que não acabaram a tempo e que nos fazem viver em casa como quase num acampamento de ciganos; e hoje, assim do tipo cereja no topo do bolo, o meu marido teve um acidente.
Coincidências??? cruzes canhoto, vou fazer como o António Oliveira e começar a andar com uns alhinhos no bolso.
quinta-feira, outubro 30, 2008
Apetecia-me...
Acabei de mudar de instalações no meu trabalho (agora estou junto da grane família Leya); em casa tropeço em caixas para a mudança (que vai ser este sábado). As obras na casa nova ainda não acabaram; o Henrique está em casa doente desde terça, e agora eu, também adoentada...
Não acredito em bruxas, mas que as há..... não duvido!



