Há datas tristes, que não gosto de recordar. Há dias que são cinzentos na minha contabilidade da vida. O dia 9 passou a ser um dia triste a partir de 9 de Outubro de 2008, o dia em que morreste, pai. Já lá vão quatro meses, 123 dias sem a tua presença. Achei que gostarias de saber como temos passado aqui sem ti. A vida não é a mesma, não te posso mentir. Há um vazio grande que não se consegue preencher. Mas vamos vivendo e tentando preencher esse imenso buraco (que espero venha a ficar mais pequeno) com memórias dos muitos bons momentos que passámos juntos enquanto família. E também com alguns maus momentos que a vida é mesmo assim e nós não podemos branquear o nosso passado, não achas?
A mãe, como tu bem sabes, é uma lutadora. Irra, aquela mulher é de aço. às vezes pergunto-me como aguenta. Consigo ver o seu cansaço e a sua imensa tristeza. Perdeu-te e tu eras o seu porto de abrigo, o seu amor de quase 40 anos. Mas quando falo da sua força e da sua garra refiro-me ao esforço que ela faz para, assim mesmo, continuar a viver e a ter um propósito para tal. Ora siou eu, ora é o Henrque, ora é o mano... ela vai conseguindo ser o pilar desta família e mantem-nos, na medida do possível unidos. Às vezes falta-me a paciência, não te zangues com a minha sinceridade. Irrito-me com ela, respondo-lhe torto. Mas é que me sinto cansada de tanta tristeza, de tanto ouvir e de tão pouco poder chorar. Fico impaciente quando ela repete 10 vezes a mesma coisa ou quando me ralha porque a caixa da sopa está fora do frigorífico há mais de uma hora e a sopa vai azedar. Mas não fiques muito preocupado, que eu tento conter-me e, no fundo, sabes que a amo. é a única que me resta depois de teres morrido.
Eu também tenho os meus dias. Há dias em que tudo corre bem e tu és apenas uma doce lembrança. Mas há outros, pai, em que me fazes tanta falta que até me doi o peito. Ontem, por exemplo, fui à feira com a mãe. E quando ela entrou no carro tive tanta vontade de gritar. Ela tinha posto o teu perfume e, por um breve segundo, parecia-me que estavas ali, ao meu lado. Fiquei tensa, de olhos mareados, porque aquele erao teu cheiro, só teu, do perfume que eu te ofereci. Não me apetece que mais ninguém tenha o teu cheiro, pai. Mas não tenho coragem de o dizer à mãe, porque acho que o faz para se sentir mais perto de ti.
Mas eu estou bem, não te preocupes. A sério.
O mano foi quem mais se abalou com a tua morte. Ainda está muito incondormado porque acha que se podia ter evitado, que ainda podias estar vivo, se não tivesses feito aquele exame, se o contraste não se tivesse espalhado no teu corpo, se não tivesse ficado com uma sepsis... tu sabes que eu penso de forma diferente, que acho que te foste porque assim o decidiste. Mas ele vive preso nessa tormenta. Muito preso.
Quem em tem preocupado ultimamente é o Henrique. De vez em quando chora e diz que tem saudades do avó António. Eu confesso-te que não sei muito bem como lidar com isto. Ontem, por exemplo, desatou a chorar a dizer que te queria. Expliquei-lhe, da melhor forma que sei, que tinhas morrido, que já só exisitias no nosso coração. Mas ele não se convenceu e disse-me que eu era má e que a avó Emília não lhe dizia o mesmo que eu. Vê lá tu, pai. Telefonei à mãe a perguntar-lhe como é que ela o consolava quando ele perguntava por ti e ela respondeu-me que lhe diz que tu estás no céu a olharpara ele e que ficas muito feliz quando se porta bem. Tu sabes pai, que isso é um bocadinho demais para mim. Bem sabes o que me custa dizer-lhe que és uma estrela no céu... mas percebi que essa explicação o deixa mais feliz.
Já passaram muitas datas importantes sem ti, pai. os anos do mano, os anos do Filipe, o Natal, o Ano Novo... esta semana é o meu aniversário... o primeiro sem ti. Tenho de aprender a lidar com esta montanha russa de emoções. Tu sabes que desde que fiquei doente que gosto particularmente de festejar o meu aniversário. Só que sem ti, pai, sem ti é tão vazio e desprovido de sentido. Porque a contabilidade tem duplo sentido; mais um ano e mais um dia sem ti...
Depois conto-te como foi. e prometo que vou fazer uma lista de coisas boas e felizes que aconteceram neste quatro meses, para que fiques mais feliz.
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
sexta-feira, fevereiro 06, 2009
moralmente falando

Há muito que me sinto incomodada com isto mas, por um motivo ou por outro nunca aqui escrevi sobre este assunto. E agora, com o fantasma da crise cada vez mais sobre as nossas cabeças, aqui vai disto.
Acho inacreditável que, num país onde a taxa de endividamento das famílias com créditos e mais créditos chega a números assustadores, uma figura pública como a Júlia Pinheiro aceite ser o rosto de uma destas empresas.
É ilegal? Não. Mas parece-me imoral. Ela que anda no seu programa a pedir dinheiro para as famílias pobres, aparece-me depois de kimono azul forte com a solução para todos os nossos problemas...
Será que não podia optar antes por um anúncio de um detergente de roupa?
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
um 20 redondinho
Fiz 20 quilómetros; dez até casa e mais dez de regresso ao trabalho, mas valeu a pena.
Fiz 20 quilómetros para ir a casa almoçar. E valeu a pena, não valeu mãe? Porque almoçámos as duas, falámos dos preços do Minipreço, dos problemas da empregada (despedimos ou não despedimos), do quanto tu já limpaste e passaste esta semana, da birra do Henrique esta manhã... e sei lá mais de quantas coisas. Esta hora e estes 20 quilómetros valeram ouro: estivémos juntas, só as duas.
Obrigada
Amanhã voltamos a repetir
Fiz 20 quilómetros para ir a casa almoçar. E valeu a pena, não valeu mãe? Porque almoçámos as duas, falámos dos preços do Minipreço, dos problemas da empregada (despedimos ou não despedimos), do quanto tu já limpaste e passaste esta semana, da birra do Henrique esta manhã... e sei lá mais de quantas coisas. Esta hora e estes 20 quilómetros valeram ouro: estivémos juntas, só as duas.
Obrigada
Amanhã voltamos a repetir
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
10.41
Foi o número que me deixou a sorrir.
Fui almoçar com um amigo ao Chiado, um luxo cada vez mais raro. Não só o de ir ao Chiado, mas o de ter tempo para os meus amigos. À saída parei na Casa da Sorte e lá fui entregar o meu talão do euromilhões. Raramente jogo e quase sempre deito os talões fora sem verificar se ganhei alguma ocoisa. 10,41 euros. Quer voltar a jogar? Eu não, quero o dinheiro para bilhetes de metro em Madrid.
Fui almoçar com um amigo ao Chiado, um luxo cada vez mais raro. Não só o de ir ao Chiado, mas o de ter tempo para os meus amigos. À saída parei na Casa da Sorte e lá fui entregar o meu talão do euromilhões. Raramente jogo e quase sempre deito os talões fora sem verificar se ganhei alguma ocoisa. 10,41 euros. Quer voltar a jogar? Eu não, quero o dinheiro para bilhetes de metro em Madrid.
Oficialmente à procura de empregada
Pois é, a minha Chica revelou-se falível. Ontem, ao fim de mais um dia sem me dar cavaco, decidi enviar-lhe uma sms a perguntar se ela achava normal o que estava a acontecer. E foi só assim que, às 7 da tarde, a minha empregada se dignou a entrar em contacto comigo para me dizer, com o ar mais natural do mundo, que estava de baixa. E que tal avisar-me antes? E que tal enviar um Call me? O que me revolta em toda esta situação, é o desprendimento com que as pessoas fazem as coisas, como se não tivesse gravidade nenhuma, como se tudo se resumisse a direitos e nunca a deveres. "Acho melhor falarmos na segunda-feira", disse-me ela para terminar a conversa. E naquele momento, sem um pedido de desculpas, sem um "isto nunca mais volta a acontecer", sem um "eu vou amanhã a sua casa para conversarmos", percebi que algo na minha vida vai mudar drasticamente. A começar pela empregada.
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terça-feira, fevereiro 03, 2009
agarrem-me que não sei do que sou capaz
Há dias assim, em que me questiono se não vim de Marte, por achar que certas atitudes simplesmente não são normais.
A minha empregada é uma pessoa muito importante lá em casa. Mais do que limpar ou passar, a minha empregada vai buscar o meu filho à escola e toma conta dele. é alguém em quem confio, ou melhor, era.
Quando confiamos o nosso filho a outra pessoa deixa de ser muito importante se ela é uma rainha a passar a ferro ou se limpa a casa de banho como a minha mãe. As prioridades são outras. O importante é sentirmos que o nosso filho está bem entregue e é bem tratado. Por isso fui desculpando pequenos deslizes à Chica e por isso a trato bem, muito bem.
Na passada quinta-feira a minha empregada foi tirar um quisto que tinha no ombro. Para começar avisou-me de véspera. Depois não me disse se era uma operação grande ou pequena, se ia ficar em casa a repousar ou não. Eu, cheia de peso na consciêcia, liguei-lhe na sexta-feira ao fim da manhã a dizer-lhe para ficar em casa a descansar que eu me arranjaria e ia buscar o Henrique à escola. Ela (a menos de duas horas de, supostamente, começar a trabalhar na minha casa responde que na verdade não ia trabalhar na sexta porque tinha de ir ao centro de saúde. Logo ali fiquei um bocadinho incomodada. E se eu não lhe tivesse ligado a dizer para ficar em casa? A que horas é que ela me ia avisar que não ia trabalhar? Ou será que não me iria sequer avisar? Passei à frente mas fiquei a matutar na ida ao Centro de Saúde. O que iria ela lá fazer? Pedir baixa? Eu sei que ela tem direito a baixa, é para isso que eu faço os seus descontos para a Segurança Social, mas não queria acreditar que, estando a pensar meter baixa ela não me fosse avisar. Assim como assim, e antecipando uma surpresa desagradável, enviei-lhe um sms a perguntar se ia trabalhar na segunda ou se ia meter baixa. Não me respondeu...
No sábado ao fim da tarde lá me ligou, a dizer que tinha baixa até ao dia 8 de Fevereiro mas, como não tinha dores, que ia trabalhar na segunda-feira e que faria o que conseguisse. Agradeci-lhe e expliqui-lhe que a mim não me preocupava a casa, apenas me preocupava que ela fosse buscar o Henrique e que tomasse conta dele. O resto ia-se fazendo. Ela o que conseguisse e eu o resto. E fiz questão de sublinhar que se, por acaso, acontecesse alguma coisa, para ela me avisar durante o domingo porque se ela não fosse trabalhar eu tinha de sair mais cedo para ir buscar o meu filho à escola. "Esteja descansada que se acontecer alguma coisa eu aviso no domingo".
Ok, dois anos lá em casa eu achei que fosse o suficiente para poder confiar nela.
E ontem vim trabalhar descansada. E quando chego a casa, quase sete da tarde, e ponho a chave à porta, sinto que não está ninguém do outro lado. Nem Henrique, nem Chica nem nada. Telefono para a escola em pânico. O Henrique estava lá. Procurei, em vão, no meu telefone a mensagem da Chica onde ela dizia que tinha acontecido algo e que não podia ir trabalhar.
Tentei ligar-lhe, não me atendeu.
Deixei-lhe um sms a pedir que me ligasse urgentemente. Ainda não o fez.
E agora? Estou capaz de a matar. Ou entrou em coma ou não tem desculpa.
Acho que vou voltar às tarefas domésticas.
A minha empregada é uma pessoa muito importante lá em casa. Mais do que limpar ou passar, a minha empregada vai buscar o meu filho à escola e toma conta dele. é alguém em quem confio, ou melhor, era.
Quando confiamos o nosso filho a outra pessoa deixa de ser muito importante se ela é uma rainha a passar a ferro ou se limpa a casa de banho como a minha mãe. As prioridades são outras. O importante é sentirmos que o nosso filho está bem entregue e é bem tratado. Por isso fui desculpando pequenos deslizes à Chica e por isso a trato bem, muito bem.
Na passada quinta-feira a minha empregada foi tirar um quisto que tinha no ombro. Para começar avisou-me de véspera. Depois não me disse se era uma operação grande ou pequena, se ia ficar em casa a repousar ou não. Eu, cheia de peso na consciêcia, liguei-lhe na sexta-feira ao fim da manhã a dizer-lhe para ficar em casa a descansar que eu me arranjaria e ia buscar o Henrique à escola. Ela (a menos de duas horas de, supostamente, começar a trabalhar na minha casa responde que na verdade não ia trabalhar na sexta porque tinha de ir ao centro de saúde. Logo ali fiquei um bocadinho incomodada. E se eu não lhe tivesse ligado a dizer para ficar em casa? A que horas é que ela me ia avisar que não ia trabalhar? Ou será que não me iria sequer avisar? Passei à frente mas fiquei a matutar na ida ao Centro de Saúde. O que iria ela lá fazer? Pedir baixa? Eu sei que ela tem direito a baixa, é para isso que eu faço os seus descontos para a Segurança Social, mas não queria acreditar que, estando a pensar meter baixa ela não me fosse avisar. Assim como assim, e antecipando uma surpresa desagradável, enviei-lhe um sms a perguntar se ia trabalhar na segunda ou se ia meter baixa. Não me respondeu...
No sábado ao fim da tarde lá me ligou, a dizer que tinha baixa até ao dia 8 de Fevereiro mas, como não tinha dores, que ia trabalhar na segunda-feira e que faria o que conseguisse. Agradeci-lhe e expliqui-lhe que a mim não me preocupava a casa, apenas me preocupava que ela fosse buscar o Henrique e que tomasse conta dele. O resto ia-se fazendo. Ela o que conseguisse e eu o resto. E fiz questão de sublinhar que se, por acaso, acontecesse alguma coisa, para ela me avisar durante o domingo porque se ela não fosse trabalhar eu tinha de sair mais cedo para ir buscar o meu filho à escola. "Esteja descansada que se acontecer alguma coisa eu aviso no domingo".
Ok, dois anos lá em casa eu achei que fosse o suficiente para poder confiar nela.
E ontem vim trabalhar descansada. E quando chego a casa, quase sete da tarde, e ponho a chave à porta, sinto que não está ninguém do outro lado. Nem Henrique, nem Chica nem nada. Telefono para a escola em pânico. O Henrique estava lá. Procurei, em vão, no meu telefone a mensagem da Chica onde ela dizia que tinha acontecido algo e que não podia ir trabalhar.
Tentei ligar-lhe, não me atendeu.
Deixei-lhe um sms a pedir que me ligasse urgentemente. Ainda não o fez.
E agora? Estou capaz de a matar. Ou entrou em coma ou não tem desculpa.
Acho que vou voltar às tarefas domésticas.
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
Partilhas
Há muito que as quatro marretas não saíam para jantar. O último encontro tinha sido em minha casa, no Natal, porque isto de ter criancinhas é engraçado e tal, mas às vezes (só às vezes) limitas as saídas das gajas.
Mas eu achei que tínhamos motivos para festejar. Os meus exames estão porreiros e dão-me mais seis meses de tranquilidade, o gajo da Azeda também anda fixolas (apesar dos sustos que gosta de nos pregar) e, por isso, achei que deviamos estar juntas. Rir, beber, comer, cortar na casaca de alguém, enfim, fazer aquilo que quatro gajas juntas gostam de fazer. Desta vez convidámos mais uma marretinha para o jantar, amiga de todas e também ela a precisar de arejar. E lá fomos até ao Bonsai, debaixo de chuva mas com o coração quente.
E foi bom, muito bom. Muito sushi, sashimi, saké, chá verde, conversa, riso, desconversa... como sempre.
Mas há coisas que mudam e nós, minhas caras marretas, estamos a ficar velhas:) já não nos serve a mesa baixa, onde tanto gostávamos de comer, porque tinhamos alguma privacidade. Desta vez foram muitas as reclamações: dores de costas, não tenho onde meter as pernas, não tenho onde me encostar... já percebi a indirecta: da próxima temos de comer como gente crescida, nas mesas e cadeiras dos crescidos.
Mas foi bom, muito bom. Fiquei a saber que duas de nós acham a Anjelina Jolie desiquilibrada, que uma de nós dispensava uma table dance protagonizada pelo George Clooney (aviso já que não sou eu), que outra de nós se repugna de cada vez que falamos de amamentação; que outra vai amamentar até que uma dentada lhe tire um mamilo; que outra deixou de beber leite e a sua vida melhorou; que outra nem se importava que a table dance fosse protagonizada pelo Rodrigo Santoro (acuso-me) e que todas estamos imensamente tesas e co vontade de viajar.
E mais lá para o meio da noite quando descemos e subimos o BA à procura de um bar onde não se fumasse (e não encontrámos) cheguei à conclusão que estamos mesmo a mudar:)
Obrigada!
Mas eu achei que tínhamos motivos para festejar. Os meus exames estão porreiros e dão-me mais seis meses de tranquilidade, o gajo da Azeda também anda fixolas (apesar dos sustos que gosta de nos pregar) e, por isso, achei que deviamos estar juntas. Rir, beber, comer, cortar na casaca de alguém, enfim, fazer aquilo que quatro gajas juntas gostam de fazer. Desta vez convidámos mais uma marretinha para o jantar, amiga de todas e também ela a precisar de arejar. E lá fomos até ao Bonsai, debaixo de chuva mas com o coração quente.
E foi bom, muito bom. Muito sushi, sashimi, saké, chá verde, conversa, riso, desconversa... como sempre.
Mas há coisas que mudam e nós, minhas caras marretas, estamos a ficar velhas:) já não nos serve a mesa baixa, onde tanto gostávamos de comer, porque tinhamos alguma privacidade. Desta vez foram muitas as reclamações: dores de costas, não tenho onde meter as pernas, não tenho onde me encostar... já percebi a indirecta: da próxima temos de comer como gente crescida, nas mesas e cadeiras dos crescidos.
Mas foi bom, muito bom. Fiquei a saber que duas de nós acham a Anjelina Jolie desiquilibrada, que uma de nós dispensava uma table dance protagonizada pelo George Clooney (aviso já que não sou eu), que outra de nós se repugna de cada vez que falamos de amamentação; que outra vai amamentar até que uma dentada lhe tire um mamilo; que outra deixou de beber leite e a sua vida melhorou; que outra nem se importava que a table dance fosse protagonizada pelo Rodrigo Santoro (acuso-me) e que todas estamos imensamente tesas e co vontade de viajar.
E mais lá para o meio da noite quando descemos e subimos o BA à procura de um bar onde não se fumasse (e não encontrámos) cheguei à conclusão que estamos mesmo a mudar:)
Obrigada!
sexta-feira, janeiro 30, 2009
As pessoas andam tristes
basta uma viagem de metro, uma ida ao supermercado ou ao café e ficar a vaguear, cinco minutos, pelos rostos dos que me rodeiam. Vejo tristeza, medo, receio. Ou porque foram despedidas, ou porque têm um amigo que foi despedido, ou porque têm medo de ser despedidas... as pessoas andam tristes e a tristeza está como a gripe, a contagiar toda a gente.
Basta olhar para a secção de economia de qualquer jornal e, quando vemos que a notícia de um despedimento é 5x maior que a notícia de um novo projecto que vai criar milhares de empregos, percebemos que os jornalistas também andam assustados e tristes. Eu falo por mim. Também eu ando triste e angustiada com esta situação: a crise, a casa que não se vende, o tempo, o cabrão do tempo, este negrume que é o céu há quase um mês... tudo deprime e entristece.
Basta um olhar mais atento, um ouvido à escuta e percebo que o mundo que me rodeia, a vida real das pessoas reais que vivem com muito menos que eu, tem motivos para estar triste. Esta semana, enquanto estava na fila para pagar as minhas compras da semana no Pingo Doce, prestei atenção à conversa de dois rapazes brasileiros que estavam atrás de mim. O jantar deles (dois rapazes bem parecidos) ia ser um bróculo, um pacote de natas e uma lata de salsichas. E a conversa girava em torno do pacote de pães de leite que custava 1,08 euros e que eles não tinham dinheiro para comprar. "Já viu que ar gostoso... ia ficar bem no nosso café da manhã". "Da próxima a gente compra".
E, não querendo pensar que as desgraças dos outros atenuam as minhas, o melhor é acordar de bem para a vida, pensar que a Primavera está quase a chegar, que a casa está alugada e que se há-de vender, que eu fiz exames e estou bem por mais seis meses, que o meu filho e o meu marido estão bem, que tenho amigos maravilhosos e uma casa fantástica... Há que pensar positivo, caraças. Menos uns jantares, menos umas viagens, menos umas compras... que se lixe
Basta andar de olhos abertos e ouvidos à escuta para perceber que as minhas pequenas desgraças nada são quando comparadas com esta grande epidemia de tristeza.
Basta olhar para a secção de economia de qualquer jornal e, quando vemos que a notícia de um despedimento é 5x maior que a notícia de um novo projecto que vai criar milhares de empregos, percebemos que os jornalistas também andam assustados e tristes. Eu falo por mim. Também eu ando triste e angustiada com esta situação: a crise, a casa que não se vende, o tempo, o cabrão do tempo, este negrume que é o céu há quase um mês... tudo deprime e entristece.
Basta um olhar mais atento, um ouvido à escuta e percebo que o mundo que me rodeia, a vida real das pessoas reais que vivem com muito menos que eu, tem motivos para estar triste. Esta semana, enquanto estava na fila para pagar as minhas compras da semana no Pingo Doce, prestei atenção à conversa de dois rapazes brasileiros que estavam atrás de mim. O jantar deles (dois rapazes bem parecidos) ia ser um bróculo, um pacote de natas e uma lata de salsichas. E a conversa girava em torno do pacote de pães de leite que custava 1,08 euros e que eles não tinham dinheiro para comprar. "Já viu que ar gostoso... ia ficar bem no nosso café da manhã". "Da próxima a gente compra".
E, não querendo pensar que as desgraças dos outros atenuam as minhas, o melhor é acordar de bem para a vida, pensar que a Primavera está quase a chegar, que a casa está alugada e que se há-de vender, que eu fiz exames e estou bem por mais seis meses, que o meu filho e o meu marido estão bem, que tenho amigos maravilhosos e uma casa fantástica... Há que pensar positivo, caraças. Menos uns jantares, menos umas viagens, menos umas compras... que se lixe
Basta andar de olhos abertos e ouvidos à escuta para perceber que as minhas pequenas desgraças nada são quando comparadas com esta grande epidemia de tristeza.
Tudo o que disseres pode ser usado contra ti.
Esta é a frase que costumamos ouvir nas séries de televisão no momento em que os maus são presos e nunca pensei usá-la para ilustrar uma situação lá em casa. Mas a verdade é esta: ontem fui à escola do Henrique visitar a feira da reciclagem. Durante semanas levámos pacotes de leite e caixas de ovos que eles transformaram eu puzles, crocodilos ou telefones. E no meio daquele momento fui alertada pela educadora para o facto de o meu filho andar a bater nos outros meninos. Quando se sente ameaçado, quando o empurram, quando o magoam, ele não conversa nem pergunta porquê. Parte logo para a chapada.
À noite, preocupada, tentei falar com ele sobre o assunto. Expliquei-lhe que ele não pode andar por aí à estalada aos meninos, que eles assim não vão querer ser seus amigos. "Filho tu deste uma chapada na cara do David Capela. Como foste capaz?", perguntei tentando dramatizar o seu acto. E ele apenas respondeu "Eu estava a defender-me. Ele puxou-me as bochechas e tu e o pai disseram para eu me defender quando me fizessem mal. Foi o que fiz."
Aqui está o ensinamento do avô António levado ao limite...
À noite, preocupada, tentei falar com ele sobre o assunto. Expliquei-lhe que ele não pode andar por aí à estalada aos meninos, que eles assim não vão querer ser seus amigos. "Filho tu deste uma chapada na cara do David Capela. Como foste capaz?", perguntei tentando dramatizar o seu acto. E ele apenas respondeu "Eu estava a defender-me. Ele puxou-me as bochechas e tu e o pai disseram para eu me defender quando me fizessem mal. Foi o que fiz."
Aqui está o ensinamento do avô António levado ao limite...
quinta-feira, janeiro 29, 2009
Amor é...
Estarmos os três às 8h30 a dançar ao som de "Mama Mia", dos Abba.
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O regresso do filho pródigo
Pelo menos espero que assim seja.
O meu filho dormiu 14 horas e acordou como novo, ou melhor, acordou o velho Henrique. Ontem portou-se lindamente, foi o primeiro a acabar de jantar e distribuiu sorrisos e beijinhos.
Hoje acordou bem disposto e voltou a ser o primeiro a acabar de comer.
Será que o ET se foi e me devolveu o meu filho?
Espero bem que sim
O meu filho dormiu 14 horas e acordou como novo, ou melhor, acordou o velho Henrique. Ontem portou-se lindamente, foi o primeiro a acabar de jantar e distribuiu sorrisos e beijinhos.
Hoje acordou bem disposto e voltou a ser o primeiro a acabar de comer.
Será que o ET se foi e me devolveu o meu filho?
Espero bem que sim
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segunda-feira, janeiro 26, 2009
Dia não
Hoje foi um daqueles dias para esquecer. Daqueles em que nos sentimos exaustas e, quando olhamos para trás, fica a sensação que não fizemos quase nada e, o pouco que fizemos, foi uma grande merda.
Duas reuniões que me ocuparam grande parte do dia, um encontro com as minhas novas inquilinas que também não deu em nada, um telefonema que só serviu para me chatear e, quando chego a casa o que é que faço? Bato com a cabeça contra a parede? Não. Bebo um chá e relaxo? Não. A solução foi portar-me como uma criança de quatro anos e meio e desatar aos gritos com o meu filho quando ele fez uma asneira. É verdade que não é agradável chegar à casa de banho e encontrar uma criança a fazer pinturas rupestres com as suas próprias fezes, mas podia ter-lhe dado o desconto. Dei-o a tanta gente durante o dia.
E, como resultado, estou aqui a penitenciar-me a a achar-me uma péssima mãe; horrível mesmo.
Há dias assim: um não redondo.
Duas reuniões que me ocuparam grande parte do dia, um encontro com as minhas novas inquilinas que também não deu em nada, um telefonema que só serviu para me chatear e, quando chego a casa o que é que faço? Bato com a cabeça contra a parede? Não. Bebo um chá e relaxo? Não. A solução foi portar-me como uma criança de quatro anos e meio e desatar aos gritos com o meu filho quando ele fez uma asneira. É verdade que não é agradável chegar à casa de banho e encontrar uma criança a fazer pinturas rupestres com as suas próprias fezes, mas podia ter-lhe dado o desconto. Dei-o a tanta gente durante o dia.
E, como resultado, estou aqui a penitenciar-me a a achar-me uma péssima mãe; horrível mesmo.
Há dias assim: um não redondo.
sexta-feira, janeiro 23, 2009
Gostei
texto de José Saramago no blogue da sua fundação
Donde?
Donde?
Donde saiu este homem? Não peço que me digam onde nasceu, quem foram os seus pais, que estudos fez, que projecto de vida desenhou para si e para a sua família. Tudo isso mais ou menos o sabemos, tenho aí a sua autobiografia, livro sério e sincero, além de inteligentemente escrito. Quando pergunto donde saiu Barack Obama estou a manifestar a minha perplexidade por este tempo que vivemos, cínico, desesperançado, sombrio, terrível em mil dos seus aspectos, ter gerado uma pessoa (é um homem, podia ser uma mulher) que levanta a voz para falar de valores, de responsabilidade pessoal e colectiva, de respeito pelo trabalho, também pela memória daqueles que nos antecederam na vida. Estes conceitos que alguma vez foram o cimento da melhor convivência humana sofreram por muito tempo o desprezo dos poderosos, esses mesmos que, a partir de hoje (tenham-no por certo), vão vestir à pressa o novo figurino e clamar em todos os tons: “Eu também, eu também.” Barack Obama, no seu discurso, deu-nos razões (as razões) para que não nos deixemos enganar. O mundo pode ser melhor do que isto a que parecemos ter sido condenados. No fundo, o que Obama nos veio dizer é que outro mundo é possível. Muitos de nós já o vinhamos dizendo há muito. Talvez a ocasião seja boa para que tentemos pôr-nos de acordo sobre o modo e a maneira. Para começar.
O castigo dele doi-me mais a mim
Deve ser uma das premissas de ser mãe, odiamos que eles estejam tristes e de castigo, mesmo quando temos a certeza que estamos a tomar a atitude correcta, a única.
As quintas-feiras, lá em casa, estão baptizadas de "o nosso dia", leia-se meu e do Henrique. é o dia em que o pai trabalha até mais tarde, em que jantamos os dois, por vezes há direito a uma batatinha frita ou a um doce à sobremesa; quase sempre se vê um episódio de uma qualquer série infantil e, para finalizar vamos os dois para a cama grande. E este sim, é o grande momento, aquele em que ele me abraça e se aninha ao meu lado. E dali só sai quando o pai chega, noite dentro.
Só que o meu filho anda demasiado desafiador para o meu gosto e, por isso, tenho de castigá-lo. Ontem não houve filme, nem batata frita, nem doce (houve uns croquetes feitos pela avó Emília e que ele adorou)e, pior que tudo, não houve cama grande.
E no momento em que lhe passava a mão pela cabeça depois de lhe te lido dois poemas ouvi "hoje era o nosso dia e não dormimos juntos. Estou muito triste contigo". E assim, com uma pequena frase, senti-me a pior mãe do mundo e ele conseguiu virar o bico ao prego e fazer de mim a má da fita.
As quintas-feiras, lá em casa, estão baptizadas de "o nosso dia", leia-se meu e do Henrique. é o dia em que o pai trabalha até mais tarde, em que jantamos os dois, por vezes há direito a uma batatinha frita ou a um doce à sobremesa; quase sempre se vê um episódio de uma qualquer série infantil e, para finalizar vamos os dois para a cama grande. E este sim, é o grande momento, aquele em que ele me abraça e se aninha ao meu lado. E dali só sai quando o pai chega, noite dentro.
Só que o meu filho anda demasiado desafiador para o meu gosto e, por isso, tenho de castigá-lo. Ontem não houve filme, nem batata frita, nem doce (houve uns croquetes feitos pela avó Emília e que ele adorou)e, pior que tudo, não houve cama grande.
E no momento em que lhe passava a mão pela cabeça depois de lhe te lido dois poemas ouvi "hoje era o nosso dia e não dormimos juntos. Estou muito triste contigo". E assim, com uma pequena frase, senti-me a pior mãe do mundo e ele conseguiu virar o bico ao prego e fazer de mim a má da fita.
quinta-feira, janeiro 22, 2009
Mau comportamento
Eu já tinha percebido (até pelos mil castigos que lhe tenho dado) que o Henrique anda a testar a autoridade dos que o rodeiam. Especialmente na hora das refeições. Palmada não surte grande efeito e, para não o espancar (porque seria esse o resultado se por cada vez que se portasse muito mal lhe desse uma palmada) optei pelo castigo. Não ver televisão, não brincar com os brinquedos preferidos... umas quantas medidas extremas para uma situação delicada.
Mas pensava que isto se passava, basicamente, lá em casa, comigo e com o pai. Só que hoje encontrámos a educadora dele no café e ficámos a saber que o nosso filho foi levado por extraterrestes e, no ligar dele, colocaram um menino mal comportado, birrento, que responde mal e que até anda a bater nos seus amigos...
Hoje vamos ter uma conversa muito séria lá em casa. E algo me diz que os jogadores do Benfica, com que ele tanto gosta de brincar, vão continuar no armário junto às minhas calças de ganga...
Mas pensava que isto se passava, basicamente, lá em casa, comigo e com o pai. Só que hoje encontrámos a educadora dele no café e ficámos a saber que o nosso filho foi levado por extraterrestes e, no ligar dele, colocaram um menino mal comportado, birrento, que responde mal e que até anda a bater nos seus amigos...
Hoje vamos ter uma conversa muito séria lá em casa. E algo me diz que os jogadores do Benfica, com que ele tanto gosta de brincar, vão continuar no armário junto às minhas calças de ganga...
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quarta-feira, janeiro 21, 2009
Porque não quero falar do que não sei
Ainda a propósito da morte com cancro e porque não quero usar como exemplo um mau exemplo. Eu não conhecia a Tereza Coelho e, hoje em conversa, disseram-me que, afinal ela não tinha cancro mas um tumor benigno e que a sua pneumonia em nada estava relacionada com cancro... Sendo assim, esqueçamos o caso da Tereza (apesar de alguns orgãos terem noticiado que ela tinha morrido de cancro). O que eu acho é que quando a pessoa morre de uma complicação do cancro tal não deve ser escamoteado. O meu pai, por exemplo, teve cancro da hipofaringe. Morreu de uma complicação da sua doença. Se tivesse sido atropelado ao atravessar a rua não seria de uma complicação do cancro. Mas como morreu dos efeitos da radioterapia. a verdade, pelo menos a minha verdade, é que morreu de uma complicação do cancro.
E agora a futilidade


Eu até queria ser uma senhora séria e não falar de futilidades numa altura como esta, mas não consigo, é mais forte que eu. Onde é que a senhora Jill Biden pensava que ía com esta fatiota? Não lhe disseram que o destino final era a Casa Branca? Jesus, quão mas pirosa se pode ser? Saia acima do joelho? botinha stiletto. Ela até pode não ter bom gosto, mas as pessoas que a rodeiam deveriam. Pareceu mal, muito mal. Estilo mulher de meia idade em crise...
Já a senhora Obama esteve um espanto. Tudo lhe ficava bem, a começar nos sapatos e a acabar nas luvas.
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