Hoje, enquanto vinha para o trabalho, lembrei-me de ti, pai. Não penses que não me lembro de ti nos outros dias. Tu estás muito no meu pensamento. Mas hoje voltou-me à memória esta coisa da ironia do destino... eu, que andei tanto tempo a queixar-me que trabalhava longe da clínica e que era muito complicado visitar-te à hora do almoço, fiquei feliz da vida quando a empresa onde trabalho foi comprada pelo grupo Leya. Ia, finalmente, para perto de ti... e hoje, enquanto subia os Cabos de Ávila lembrei-me que de nada servia estar aqui tão perto da clínica... sabias que às vezes me perco? Já não é a primeira vez que dou por mim a caminho da Reboleira e só depois me apercebo que já não estás lá, que o meu destino é outro.
Fazes-me tanta falta... o teu silêncio, o teu olhar, a tua mão na minha. Ando tão perdida sem ti.
segunda-feira, dezembro 15, 2008
sexta-feira, dezembro 12, 2008
escarlatina
Mas que raio de nome para uma doença... mas que existe, existe. O Henrique que o diga.
Não imaginam como anseio por 2009...
Não imaginam como anseio por 2009...
quarta-feira, dezembro 03, 2008
pesadelo
Ainda não estou completamente adaptada à casa nova e, por mais que tente, não consigo. Não há maneira dos homens das obras me deixarem em paz... Sinto-me a Murphy Brown... a qualquer momento pode sair-me um homem das obras de dentro de um armário....
segunda-feira, novembro 17, 2008
Saudades
pequenas coisas
Eu trabalho na Oficina do Livro que, para quem não sabe, é a editora de Margarida Rebelo Pinto e de Maria João Lopo de Carvalho e, apesar das vendas destas duas senhoras justificarem o seu estatuto de publicáveis, a editora onde eu trabalho tem um longo historial de levar pancada. Eu própria, vinda do jornalismo, tinha a mania de torcer o nariz de cada vez que ouvia o nome Oficina do Livro. Só que, e embora eu não ponha em causa o valor e o trabalho da Margarida e da Maria João Lopo de Carvalho (dei-as apenas como exemplos das autoras que a crítica tanto gosta de enxovalhar), a Oficina do Livro faz um trabalho tão válido como o de todas as outras editoras e edita, no mercado português autores como Guillermo Fadanelli, David Toscano, Augusto Monterroso, Hugo Gonçalves e Miguel Sousa Tavares. Mas, acima de tudo, editamos livros e nada mais que isso.
O mesmo não se pode dizer de outros grandes grupos editoriais.
A semana passada, por exemplo, ligaram-me do Círculo Leitores não para me venderem livros, mas para me venderem um seguro de saúde.
Bonito não acham?
O mesmo não se pode dizer de outros grandes grupos editoriais.
A semana passada, por exemplo, ligaram-me do Círculo Leitores não para me venderem livros, mas para me venderem um seguro de saúde.
Bonito não acham?
quarta-feira, novembro 12, 2008
Dia 9
Fez um mês que deixei de te ter, de te poder contar o meu dia, de te poder massajar as costas.
Temos saudades, pai.
Temos saudades... sinto um vazio muito grande no lugar do meu coração... às vezes nem percebo bem o que se passa, não é o trabalho, não são as coisas em casa.... depois vens-me à ideia. És tu pai, ou melhor, é a falta que me fazes que me deixa assim... como se me faltasse um pedaço.
Temos saudades, pai.
Temos saudades... sinto um vazio muito grande no lugar do meu coração... às vezes nem percebo bem o que se passa, não é o trabalho, não são as coisas em casa.... depois vens-me à ideia. És tu pai, ou melhor, é a falta que me fazes que me deixa assim... como se me faltasse um pedaço.
sexta-feira, novembro 07, 2008
Mas que semana
"No news is bad news". assim se pode definir a minha ausência nesta última semana.
Uma gastroenterite no Henrique que nos levou a passar 16 horas da sexta-feira e do sábado no Hospital da Estefânia; uma mudança em que o meu marido estava sozinho, valeram-nos os fantásticos amigos que, com apenas um sms apareceram lá em casa para ajudar; obras que não acabaram a tempo e que nos fazem viver em casa como quase num acampamento de ciganos; e hoje, assim do tipo cereja no topo do bolo, o meu marido teve um acidente.
Coincidências??? cruzes canhoto, vou fazer como o António Oliveira e começar a andar com uns alhinhos no bolso.
Uma gastroenterite no Henrique que nos levou a passar 16 horas da sexta-feira e do sábado no Hospital da Estefânia; uma mudança em que o meu marido estava sozinho, valeram-nos os fantásticos amigos que, com apenas um sms apareceram lá em casa para ajudar; obras que não acabaram a tempo e que nos fazem viver em casa como quase num acampamento de ciganos; e hoje, assim do tipo cereja no topo do bolo, o meu marido teve um acidente.
Coincidências??? cruzes canhoto, vou fazer como o António Oliveira e começar a andar com uns alhinhos no bolso.
quinta-feira, outubro 30, 2008
Apetecia-me...
Fechar os olhos e só acordar daqui a uma semana.
Acabei de mudar de instalações no meu trabalho (agora estou junto da grane família Leya); em casa tropeço em caixas para a mudança (que vai ser este sábado). As obras na casa nova ainda não acabaram; o Henrique está em casa doente desde terça, e agora eu, também adoentada...
Não acredito em bruxas, mas que as há..... não duvido!
Acabei de mudar de instalações no meu trabalho (agora estou junto da grane família Leya); em casa tropeço em caixas para a mudança (que vai ser este sábado). As obras na casa nova ainda não acabaram; o Henrique está em casa doente desde terça, e agora eu, também adoentada...
Não acredito em bruxas, mas que as há..... não duvido!
terça-feira, outubro 28, 2008
Encontros felizes
Este fim-de-semana encontrei-me com alguém que já foi dos meus escritores preferidos, o chileno Luis Sepúlveda. E deste encontro resultou um abraço apertado e uma lágrima matreira. Não consegui esquecer o que disse acerca dos que morrem e nos são queridos." Enquanto os nomearmos e contarmos as suas histórias, os nossos mortos nunca morrem".
E é assim que pretendo que seja.
E é assim que pretendo que seja.
terça-feira, outubro 21, 2008
segunda-feira, outubro 20, 2008
É por estas e por outras que me afastei da religião
Metáfora do padre na missa de sétimo dia do meu pai: a escolha entre viver e morrer. É como escolher morar no Casal Ventoso ou num condomínio em Cascais... bonito hã?
sexta-feira, outubro 17, 2008
carta ao meu pai
Estes Têm sido dias tristes. Fecho os olhos a rever a última semana e invade-me uma sensação de incredulidade. Como é possível? Ainda há duas semanas conversava com contigo enquanto te massajava as costas e hoje estás lá longe, fechado num caixão, a muitos palmos de profundidade. Fecho os olhos e revejo: a minha mãe a ligar-me a dizer que estavas pior; eu a ir trabalhar normalmente, não querendo acreditar que ias morrer mas, no fundo, a temer isso mesmo; um novo telefonema a dizerem-me para me ir despedir de ti; eu lá, naquela sala sozinha contigo, que dormias tranquilo, e a olhar para aquele monitor (imagem que nunca me irá sair da cabeça) e a ver a pulsação cada vez mais baixa (60, 58, 50, 48) e a tensão lá tão em baixo apesar de toda a medicação que estavas a tomar. E aí percebi que me ias morrer, pai. Morrer à séria, de verdade, que me ias deixar. E pedi-te, para que o sofrimento do mano fosse menor, que morresses comigo. Mas tu não quiseste. Tinha sido ele a tomar conta de ti, era com ele que partirias... e fecho os olhos e vejo-me, mecanicamente, mesmo antes do monitor morrer contigo, a ir a casa com a mãe buscar-te uma roupa. Uma roupa bonita porque o mano não iria suportar a dor de ter de te embrulhar num lençol como se faz com os outros mortos nos hospitais. E sinto-me esquisita, e senti-me na altura, com isto de te ir buscar a roupa sem que tivesses morrido. Senti-me mal e senti-me má... e fecho os olhos e oiço o telemóvel e era o mano e eu olhei para a mãe a adivinhar o que lá vinha. E fomos a correr para junto de ti. A roupa muito bem escolhida, tudo a condizer. Tive tempo até de te engraxar os sapatos, que tu detestavas sapatos mal engraxados. E escolhi com cuidado o fato e o lenço, a camisa, as meias... tudo a condizer e tudo para que não tivesses frio lá nesse sítio para onde foste. E fecho os olhos e vejo-me na clínica, saco da roupa debaixo do braço, a mãe a dizer que não mais te conseguiria ver porque queria guardar de ti a imagem de vida. E eu ali, saco debaixo do braço e o mano à minha frente com a dura tarefa de ter de te vestir. E o que faço? Chego-me à frente, olho-o nos olhos e digo-lhe que vamos fazer juntos a última coisa que podíamos fazer por ti. E fecho os olhos e vejo-me a apertar-te os botões da camisa branca, a compôr o lenço no pescoço para que não se notasse o penso que tinhas debaixo, a calçar-te as meias e os sapatos. Eu e o mano, num ritual silencioso. E tu estavas tão quentinho pai, Não fosse o peso excessivo do teu corpo sem vida e eu acreditaria que continuavas a dormir. Mas o monitor estava morto e tu com ele. E fecho os olhos e vejo-me na terra, um frio de cortar os ossos e nós sozinhos naquela sala, tu no meio caixão aberto. E as pessoas foram chegando e com elas a certeza que tu não ias voltar comigo. Que ias ficar ali para sempre na tua terra. E demorei-me ali, a olhar-te, com a minha mão na tua, a despedir-me da tua presença física. Não de ti, que sei que nunca morrerás dentro de mim, mas do teu corpo. E volto a fechar os olhos e vejo a mãe, quase adormecida, vejo a avó, vejo as tuas irmãs e todo aquele coro trágico do qual fugi mal consegui. Eu entendo-os mas não consigo ter forças para consolar os outros. A tua perda doi-me tanto que não quero ouvir gritos nem lamentos. E fecho os olhos e vejo-me a correr para fora do cemitério para não ouvir o som da terra sobre ti.
E agora, pai, o que faço?
E agora, pai, o que faço?
sábado, outubro 11, 2008
Fim
Manuel António Queiroz 28-03-51 /09-10-2008
Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
E eu quero por força ir de burro!
Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!
Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
E eu quero por força ir de burro!
Mário de Sá Carneiro
quarta-feira, outubro 08, 2008
derrota
Torna-se muito difícil levar bem a vida nestas condições... eu bem sei que é ele que está doente, que é ele que sofre, que é ele que voltou a ter uma septicémia, que é ele que corre risco de vida, que é ele que está ventilado, que é ele que está naquela cama adormecido, sedado, como que em coma. Eu bem sei disso. Maseu já não aguento mais. Não aguento vê-lo assim, sofro se não vou ao hospital, não tenho vontade de rir, não suporto ver a tristeza em que vive a minha mãe, não suporto este meu desejo de que ele se vá e deixe de sofrer. Não consigo parar de pensar que sou má pessoa por desejar que chegue o fim, que ele tenha um pouco de paz e deixe de viver nestas condições desumanas... dou-me por vencida.
segunda-feira, outubro 06, 2008
relato de um quotidiano triste
São muitas dúvidas e angustias que me ocupam o coração nestes dias. O meu pai continua internado, cada vez mais triste, cada vez mais desiludido e frágil.
Ele está vivo, eu sei. Mas a que custo? Com que qualidade de vida? com que alegrias?
é absolutamente inacreditável a forma como o conceito de normalidade, de qualidade de vida, tem mudado ao longo destes últimos meses... primeiro ia deixar de falar, depois de comer pela sua boca, depois morrer, depois ia ser alimentado por uma sonda o resto da vida, depois a falsa esperança de voltar a comer.... e agora o estado em que ele está, sem poder ser alimentado... sem poder sair do hospital para passar os últimos tempos da sua vida em casa, junto dos seus.
No meio de tanta desgraça e tristeza, este fim-de-semana cruzou-se no nosso caminho um médico extraordinário. Não falo das suas capacidades de cirurgião, que desconheço, mas das suas qualidades enquanto ser humano. Primeiro prontificou-se a aceitar o meu pai como seu paciente, o que já não é pouco. Todos passam por lá, mas nenhum se chega à frente. Doentes complicados, não, obrigada.
Mas não foi só por isso que este médico, Dr. Fernando Leitão, ficou gravado no coração da minha família. Foi, sobretudo, por se ter dignado a falar connosco, por nos ter dito abertamente o que pensava, por ter partilhado connosco o seu ponto de vista em relação a doentes na situação do meu pai. Por se ter chegado à frente para operar o meu pai, mesmo que não tivessemos dinheiro para pagar.
Este médico mostrou-nos que ainda há quem pratique medicina com nobreza e honra. O que é uma raridade nos dias que correm.
E este médico fez-me voltar aos meus eternos conflitos emocionais quando penso na situação do meu pai. Porque ele, assim como eu, crê que anes de mexer, antes de operar, um cirurgião deve estar preocupado com o que vai trazer para o paciente e não com as experiências que vai praticar, ou com o dinheiro que vai arrecadar.
Para o meu pai é bom que alguém assim se cruze com ele, mesmo que o tempo que lhe resta seja pouco.
Ele está vivo, eu sei. Mas a que custo? Com que qualidade de vida? com que alegrias?
é absolutamente inacreditável a forma como o conceito de normalidade, de qualidade de vida, tem mudado ao longo destes últimos meses... primeiro ia deixar de falar, depois de comer pela sua boca, depois morrer, depois ia ser alimentado por uma sonda o resto da vida, depois a falsa esperança de voltar a comer.... e agora o estado em que ele está, sem poder ser alimentado... sem poder sair do hospital para passar os últimos tempos da sua vida em casa, junto dos seus.
No meio de tanta desgraça e tristeza, este fim-de-semana cruzou-se no nosso caminho um médico extraordinário. Não falo das suas capacidades de cirurgião, que desconheço, mas das suas qualidades enquanto ser humano. Primeiro prontificou-se a aceitar o meu pai como seu paciente, o que já não é pouco. Todos passam por lá, mas nenhum se chega à frente. Doentes complicados, não, obrigada.
Mas não foi só por isso que este médico, Dr. Fernando Leitão, ficou gravado no coração da minha família. Foi, sobretudo, por se ter dignado a falar connosco, por nos ter dito abertamente o que pensava, por ter partilhado connosco o seu ponto de vista em relação a doentes na situação do meu pai. Por se ter chegado à frente para operar o meu pai, mesmo que não tivessemos dinheiro para pagar.
Este médico mostrou-nos que ainda há quem pratique medicina com nobreza e honra. O que é uma raridade nos dias que correm.
E este médico fez-me voltar aos meus eternos conflitos emocionais quando penso na situação do meu pai. Porque ele, assim como eu, crê que anes de mexer, antes de operar, um cirurgião deve estar preocupado com o que vai trazer para o paciente e não com as experiências que vai praticar, ou com o dinheiro que vai arrecadar.
Para o meu pai é bom que alguém assim se cruze com ele, mesmo que o tempo que lhe resta seja pouco.
quinta-feira, outubro 02, 2008
Infeliz contabilidade
Faz hoje 90 dias que o meu pai regressou à Clínica de Santo António da Reboleira. 90 dias...
ontem, pela primeira vez, não vi vontade de viver no seu olhar. Ele começa a desisitir.
ontem, pela primeira vez, não vi vontade de viver no seu olhar. Ele começa a desisitir.
segunda-feira, setembro 22, 2008
grande título
Não li nem sei se vou ler, mas o título é tão certeiro...
"Más maneiras de sermos bons pais - o futuro aceita pessoas imperfeitas"
Eheheh
"Más maneiras de sermos bons pais - o futuro aceita pessoas imperfeitas"
Eheheh
Neura
Adorava ter tempo para estar com a neura... para não fazer nada, ficar todo o dia sentada no sofá a pensar no dia de ontem e no que quero fazer da minha vida... a pensar nas decisões que tomei e se esta é a vida que quero e mereço...
Mas não tenho tempo: tenho um filho de quatro anos, uma casa para vender, outra para arranjar, um pai doente, uma mãe à beira de um ataque de nervos....
Talvez para o ano tenha tempo.
Talvez decida ficar com a neura durante uns dias... talvez. mas só quando tiver tempo
Mas não tenho tempo: tenho um filho de quatro anos, uma casa para vender, outra para arranjar, um pai doente, uma mãe à beira de um ataque de nervos....
Talvez para o ano tenha tempo.
Talvez decida ficar com a neura durante uns dias... talvez. mas só quando tiver tempo
sexta-feira, setembro 19, 2008
Orgulho de mãe
Foi hoje, durante o pequeno-almoço.
O meu filho escreveu, pela primeir vez, a palavra pai.
E eu senti um grande orgulho de mãe
O meu filho escreveu, pela primeir vez, a palavra pai.
E eu senti um grande orgulho de mãe
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pais Filhos
quarta-feira, setembro 17, 2008
Outra vez o meu pai
Tento não estar sempre a falar nele, se bem que me acompanha todos os dias. Puno-me pelo pouco tempo que lhe dedico. Até aqui, caramba! O meu pai continua a lutar. e eu pergunto-me, tantas vezes, para quê. Para quem. Mas ele lá está, naquele aquário (é assim que chamo àquela sala envidraçada), sozinho, triste, desamparado e com muito medo Agora que recuperou intelectualmente e que tem noção mais ou menos exacta de tudo o que aconteceu em Madrid, de como veio bastante pior do que foi, ele sente-se triste e assustado. Eu sei. Está nos seus olhos. Neste momento está tudo tão indefinido... tento ter coragem para acreditar que vai melhorar. E sinto saudades daquele Deus que me acompanhava quando era miúda. Como gostava que ele ainda fizesse parte de mim, das minhas angústias, dos meus medos, das minhas explicações da vida... mas não consigo. E tento, a sério que tento. Entro em igrejas à procura daquela fé antiga, mas não a encontro.
O meu pai anda tão triste. e eu com ele. O meu pai sempre foi um homem amigo do seu amigo, dispoínivel para os outros (às vezes até mais do que para nós). E agora que está doente, agora que está internado e só, os seus amigos, os seus queridos amigos de sempre, deixaram-no ainda mais só. Porque à doença juntou-se a sensação de abandono. Os amigos, com a excepção de um ou outro, não o vão visitar. Sentem-se impressionados, dizem. Que raio de egoísmo é este que uma pessoa, em hora de aflicção pensa mais em si que no amigo doente....?
Penso nisto e fico triste... apetecia-me correr meio mundo à chapada, ao pontapé. Abaná-los... Começo a ficar com a amargura da minha mãe... não me venham com falas mansas um dia que ele se vá, que eu nã sei do que serei capaz.
O meu pai anda tão triste. e eu com ele. O meu pai sempre foi um homem amigo do seu amigo, dispoínivel para os outros (às vezes até mais do que para nós). E agora que está doente, agora que está internado e só, os seus amigos, os seus queridos amigos de sempre, deixaram-no ainda mais só. Porque à doença juntou-se a sensação de abandono. Os amigos, com a excepção de um ou outro, não o vão visitar. Sentem-se impressionados, dizem. Que raio de egoísmo é este que uma pessoa, em hora de aflicção pensa mais em si que no amigo doente....?
Penso nisto e fico triste... apetecia-me correr meio mundo à chapada, ao pontapé. Abaná-los... Começo a ficar com a amargura da minha mãe... não me venham com falas mansas um dia que ele se vá, que eu nã sei do que serei capaz.
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