terça-feira, agosto 05, 2008

perigosa transgressão

VALTER HUGO MÃE

escrevi o teu nome com maiúsculas. E agora, qual vai ser o meu castigo?

quarta-feira, julho 30, 2008

Dúvida de mãe

Há algum mal em oferecer ao filho de quatro anos um dvd das Winx?
Se ele gosta das aventuras das fadas que combatem o mal e se identifica com os seus amigos, heróis prontos a salvá-las de qualquer perigo, qual é o problema?
Por que razão o pai olha para mim com ar reprovador?
Eu também jogava à bola e brincava ao berlinde... e nem por isso tive dúvidas em relação à minha orientação sexual

sexta-feira, julho 25, 2008

A Rua

Às vezes penso que metade das birras do Henrique não existiam se ele tivesse tido a mesma sorte que eu: de crescer na rua.
quado eu era miúda não havia medo de raptos, nem de roubos de crianças, nem dvd's, nem jogos de computador, nem computador... nem havia dramas porque o pai e a mãe passavam pouco tempo em casa.
Os meus pais trabalhavam bastante mais do que eu trabalho agora, e por turnos. A única empregada lá da casa era a minha mãe e por isso, desde muito cedo, aprendemos (eu e o meu irmão) que ajudar nas tarefas domésticas era fundamental.
Mas crescemos felizes. E na rua.
Houve palmadas (umas até bem fortes), mas nenhum de nós ficou traumatizado com isso, nem os meus pais foram acusados de abuso de menores.
Houve dificuldades: às vezes o dinheiro não dava para tudo. Não havia gelados todos os dias, nem fiambre do mais caro, nem idas à praia todos os fins-de-semana. Mas havia gelado uma vez por semana (no mínimo) e filete afiambrado (coisa que nunca mais consegui comer, confesso, mas que adorava na altura), e havia manteiga, e lá íamos à praia quando calhava, ou então passeávamos no Jardim do Campo Grande.
E havia a rua, aquele largo rodeado de pequenas casas onde morávamos (nós e os nossos vizinhos). E aquele largo tinha a dimensaão dos nossos sonhos. Ali fui professora, bailarina, princesa, índia... tudo o que quisesse me era permitido porque era precisso muito pouco para que os sonhos se concretizassem. Duas caixas de fruta do Tio Manel, uns papeis, umas canetas e uns livros antigos davam perfeitamente para brincar às escolas. Umas tiras de papel crepe atadas às cordas da roupa, um gravador e meia dúzia de cassetes eram o suficiente para um baile de Santos Populares. E as fogueiras de São João? E os jogos de berlinde? E as escondidas?
E as férias grandes em Marco de Canaveses? às idas ao rio com os meus primos? Mais de 20 miúdos enfiados numa poça de água. Corridas pelos campos... o roubo das uvas, e das cenouras dos vizinhos; brincar às escondidas no meio do milho... acordar com o chiar do carro de bois do Quinzinho... abrir a porta da côrte dos porcos para deixar o vizinho doido de raiva... ir em grupo, todos os netos, com a avó até à capelinha para rezar o terço... ir a pé, 3km, monte acima, para ir à missa de domingo...
Quando olho para trás e vejo a infância que tive, tenho pena de não poder dar nada de parecido ao Henrique. Os miúdos passam os dias enfiados em casa e na escola.
Meia hora no parque já é uma festa, mas mais do que isso não, porque a mãe está cansada, teve uma semana má, sente-se tonta com o calor... que raio de mãe.
A minha, a minha super-mãe, essa, entre um grito e um puxãozito de cabelos (que eu bem merecia), tinha tempo para jogar às cartas, brincar às cantigas, jogar ao sobe e desce. e depois ainda conseguia fazer o jantar, tratar de dois, filhos e de um marido, passar a ferro, limpar a casa e poupar, poupar o máximo que conseguia para que os seus dois filhos pudessem ser e ter o que ela nunca foi nem teve.
E às vezes, no meio desta angústia toda e desta lufa-lufa em que se tornou a minha vida penso se a minha mãe acha que valeu a pena. Se nós (eu e o meu irmão) correspondemos ao que ela tentou fazer de nós.
E penso na rua, naquele largo, naquele espaço mágico onde eu brincava e onde havia lugares-cativos. à porta da menina Maria, mesmo por cima da casota de cimento que tinha construído para o seu cão, era o meu lugar, o meu poiso preferido ali atrás do chafariz. à porta da Morgadinha sentava-se o Xico maluco, vizinho detestáve, espécie de monstro no nosso imaginário. Conquistar aquele lugar era um feito assinalável. Mas para isso era preciso que nos despachássemos cedo...
e a rua volta-me ao pensamento. E penso que o meu filho talvez fosse mais feliz com menos um par de all star ou menos um dvd e mais rua e mais tempo.

Famous Blue Rain Coat

Its four in the morning,
the end of December
I'm writing you now just to see if you're better
New York is cold, but I like where I'm living
There's music on Clinton street all through the evening.
I hear that you're building
your little house
deep in the desert
You're living for nothing now,
I hope you're keeping some kind of record.
Yes, and Jane came by with a lock of your hair
She said that you gave it to her
That night that you planned to go clear
Did you ever go clear?
Ah, the last time we saw you
you looked so much older
Your famous blue raincoat was torn at the shoulder
You'd been to the station
to meet every train
And you came home without lili marlene
And you treated my woman
to a flake of your life
And when she came back
she was nobodys wife.
Well I see you
there with the rose in your teeth
One more thin gypsy thief
Well I see jane's awake --
She sends her regards.
And what can I tell you
my brother, my killer
What can I possibly say?
I guess that I miss you,
I guess I forgive you
I'm glad you stood in my way.
If you ever come by here,
for jane or for me
Your enemy is sleeping,
and his woman is free.
Yes, and thanks,
for the trouble you took from her eyes
I thought it was there for good so I never tried.
And jane came by with a lock of your hair
She said that you gave it to her
That night that you planned to go clear
Sincerely Your
L Cohen.

O mundo também é isto.
E ainda bem

Grande momento do dia

Vou pedir desculpa à mãe, mas só depois do pequeno-almoço.
A mãe precisa de tempo para desculpar

O meu concerto

Já lá vai quase uma semana, mas ainda não tinha tido tempo, nem oportunidade de aqui deixar as minhas impressões sobre o meu concerto. Não que eu tenha decidido embarcar numa carreira artística. Nada disso.
Falo do meu concerto no sentido de ser o concerto da minha vida.
Leonard Cohen.
Acho que é o meu lado antigo que se prende às canções deste poeta/compositor/intérprete. Como se uma parte de mim fosse antiga muito antes de eu o poder ser. Aos 15 anos já me fechava no quarto a ouvir "Dance me through the end of love".
No sábado à noite, quando estava a chegar ao passeio marítimo de Algés (local estranho para um concerto deste género), foram os acordes desta música que me fizeram correr como uma adolescente com medo de não poder ver e sentir tudo. E foi um concerto de sensações. Senti-me tão bem; fora de mim mesma, dos meus problemas... foram três horas de puro encanto, de partilha e também de respeito. Faz bem ver e ouvir alguém que tem respeito e admiração pelo seu público.

Voltámos às grandes birras

Assim, sem aviso, o Henrique decidiu acordar o monstro que vive dentro dele. E o monstro estava mesmo com vontade se ser solto... tem sido cada birra. Daquelas de me deixar à beira de um ataque de nervos e muito próxima do meu limite.
Tento perceber o porquê do comportamento dele. Na escola está tudo bem, meigo, doce, bem-disposto. Em casa é que a coisa se complica e quase sempre comigo. Nem palmada, nem castigo, nem conversa, nada resulta... Sinto-me impotente e sem forças para resolver esta situação.
P-A-C-I-E-N-C-I-A, preciso de muita. Alguém sabe onde se vende?

terça-feira, julho 22, 2008

Não é facil

Mas tento afincadamente não enterrar a cabeça na areia e viver cada dia com um bocadinho de esperança e alegria... nem que seja só uma racha, fina, lá ao longe.

terça-feira, julho 15, 2008

O que eu aprendi com o Panda do Kung Fu

"O passado já foi, o presente é uma dávida. É por isso que se chama presente".
Bonito, não? Mesmo que tenha saído da boca de uma tartaruga que é mestre de kung fu.

terça-feira, julho 08, 2008

Homenagem a António Pina

Cheguei de uma semana de férias no dia 3 de Julho e, logo no aeroporto, a notícia chegou-me como uma bomba. Uma mensagem no telemóvel dizia que o Dr. António Pina, o cirurugião que me operou, tinha falecido.
Fiquei devastada. Não só porque me sinto orfã, de um grande cirurgião, de um companheiro, de um grande homem, mas também porque ele próprio deixa 5 filhos, todos muito pequenos.
O Dr. Pina foi das pessoas mais fabulosas que conheci no decorrer da minha doença. Um médico excepcional e um Homem íntegro e honesto. Nunca me faltou à verdade, sempre me disse exactamente o que se estava a passar comigo e sempre teve uma palavra mais amiga ou um sorriso mais cúmplice quando eu mais precisei.
Ainda não percebi muito bem as causas da sua morte. Dizem-me que foi um AVC provocado por uma doença súbita no sangue.
Porque foi uma pessoa determinante na minha recuperação, porque era um ser humano extraordinário, deixo-lhe aqui a minha homenagem.
Obrigada, Dr. Pina.

segunda-feira, julho 07, 2008

O que dizer?

Olho para o que aqui escrevi da última vez e nem sei o que sinto... raiva, tristeza, angústia, desespero, descrença...
Depois das melhoras iniciais o meu pai começou a piorar.. febre, inchaço... voltou aos cuidados intensivos e, mais uma vez, para morrer.
O médico que o operou sempre a dizer que ele estava estável. A minha mãe, no entanto, via-o mirrar de dia para dia e todos os outros médicos lhe diziam que o meu pai estava muito mal.
Da última vez que o meu pai falou com a minha mãe disse-lhe que não queria ficar em Espanha, adivinhado já a sua morte. Uma septicemai....
Uma vez mais a família entrou em acção: trouxemo-lo para Portugal, onde chegou na sexta-feira à noite.
E qual não foi o nosso espanto quando nos disseram que o meu pai tinha três feridas (escaras, úlceras, chamem-lhe o que quiserem) de maus cuidados de enfermagem (nunca o viraram ou limparam apesar de estar numa unidade de cuidados intensivos) e quando, depois de lhe destaparem o penso da operação, nos terem dito que a cirurgia não tnha corrido tão bem como tinham dito... neste momento, voltámos à estaca zero. O meu pai está novamente numa unidade de cuidados intensivos em isolamento, pior do que alguma vez esteve. Não sabemos o que dará para aproveitar da cirurgia que fez (se é que se pode aproveitar alguma coisa) e com esta brincadeira, gastámos 15 mil contos. Nós que não somos uma família rica, apenas uma família unida.
E o que dizer ou fazer perante isto? Tudo o que pode correr mal com o meu pai corre e tudo o que poderia correr bem, não corre.
E no meio disto tudo pergunto-me muitas vezes porque é que ele simplesmente não se deixa ir, não deixa de lutar por uma vida tão reles.

terça-feira, junho 24, 2008

Mais um passo

Gigante, para nós. O meu pai já saiu dos cuidados intensivos. Até já levou um ralhete da minha mãe....

segunda-feira, junho 23, 2008

Insensibilidade... ou deveria dizer estupidez natural?

Que raio se passa com as pessoas que vêem uma mãe com uma criança ao colo a arder em febre, às dez da noite, à porta de uma farmácia e olham para o lado como se nada fosse? Dar a vez?????

Passo a passo

A recuperação é lenta, mas está a contecer. Na próxima quinta-feira voltará a ser operado, para fazer o enxcerto de pele... mais um mês e estará na sua casa...

sábado, junho 21, 2008

Despertar

Escrevo hoje com um novo ânimo.
Sonhei que estava a comer caracóis com o meu pai... ele adora. Este sonho de o ver comer o que ele gosta foi de tal forma real que me senti iluminada por uma nova esperança.
Hoje a minha mãe ligou e, pela primeira vez, ouvi-lhe um sorriso. O cirurgião que operou o meu pai trouxe boas notícias. A recuperação está a ser lenta, mas dentro do esperado "Estoy muy feliz por D. Antonio", disse ele. Os drenos lá continuam com muito líquido verde, mas está tudo explicado (bílis...e não ua infecção grave), o ventilador já lhe foi retirado e já abriu um olho. Amanhã deverá estar acordado porque começaram hoje a retirar a sedação.
Segunda-feira ou quinta, de acordo com a evolução deste quadro, voltará a ser operado, para colocar a pele do ombro no pescoço.
Um milímetro em cada dia... o estado dele continua a ser grave, mas dentro do que é normal numa cirurgia como esta, raríssima em todo o mundo.
Obrigada pelas palavras de conforto. Têm sido muito importantes.

sexta-feira, junho 20, 2008

Más notícias

Muito líquido a sair dos drenos... foi esta a notícia que a minha mãe me deu. Não é boa, porque significa que ele tem uma infecção e a tão desejada cicatrização está atrasada... já chorei tudo o que tinha para chorar, já dei voltas à cabeça para tentar encontrar algo a que me agarrar. Resta-nos aguardar... e a minha mãe lá, sozinha.
Amanhã espero ter mais notícias com a ida do meu irmão.

quinta-feira, junho 19, 2008

relógio parado

É assim que sinto o tempo... parado. Cada minuto que passa parece-me séculos. Cada hora, cada dia... apetecia-me acelerar até ao futuro.

Novas de um lutador

As novidades nem são muitas, mas ele é mesmo um lutador.
O meu pai continua nos cuidados intensivos e sob o efeito de sedação. Dizem os médicos que é o procedimento normal numa situação como esta, tão delicada. Tê-lo a dormir é apenas uma forma de assegurar que não tem dores e que não se mexe o que, segundo eles, poderia estragar tudo.
Imagino a minha mãe, todo o dia naquele quarto de hospital, sozinha, a esperar pelas duas visitas permitidas, momentos em que o contempla em silêncio e sem qualquer reacção da parte dele.
Não sei quanto mais tempo ele irá permanecer a dormir. Estou longe, não posso correr atrás de um médico pelo corredor a implorar novidades... e ela, coitada, mal consegue entender o que lhe dizem.
Mas estamos com fé. Ele continua estável e a lutar!

quarta-feira, junho 18, 2008

Primeira etapa superada

A cirurgia correu bem. Não foi completa, ainda falta fechar a ferida que tem no pescoço com pele retirada do ombro. Mas a cirurgia mais complicada já acabou, depois de sete longas horas de espera. Superada a primeira etapa, ainda nos faltam muitas... uma hora de cada vez. Devagar... devagarinho.

terça-feira, junho 17, 2008

Eu e os meus muitos bebés

a minha crónica da Pais & Filhos de Dezembro. tinha prometido colocá-las a todas aqui e esqueci-me....


Se esta frase fosse verdadeira, eu teria vários filhos, parte importante dos meus planos de vida em família. Não é que me visse rodeada de cinco ou seis crianças, mas sempre pensei que o Henrique seria o primeiro de dois ou três. O que acabou por não acontecer.
A minha ansiedade/angústia por não poder ter mais filhos é cíclica. Deixou de ser uma obsessão mas, em determinados momentos, dou por mim a pensar que não voltarei a ter a mão sobre a barriga para sentir um bebé mexer.
Há poucas semanas uns amigos devolveram-me roupinhas de bebé do Henrique que eu lhes tinha emprestado para o seu Tiago, agora um valente bebé de seis meses. E ali, a olhar para todos os mimos (e foram muitos) que comprei para o meu primeiro bebé, fiquei triste, a pensar o óbvio: que não teria outro filho a usar aquelas delícias.
Enquanto estava grávida do Henrique fui ao Brasil e, devo confessar, que não me contive: fartei-me de comprar roupa de bebé, pequenas meias, sapatinhos, calções de banho, t-shirts, calções… um sem fim de pequeníssimas peças de roupa que todos os meus filhos usariam.
Quando o Henrique tinha oito meses e me foi diagnosticado cancro, uma das minhas principais preocupações não era a minha morte, tal era o meu grau de inconsciência. O que eu queria assegurar era que, se tivesse de fazer quimioterapia e radioterapia, as mesmas não me impedissem de voltar a ser mãe. Ou seja, eu pensava que a gravidez em si não seria um risco; o máximo que me poderia acontecer era não conseguir engravidar devido aos tratamentos. E arrastei para esta insanidade momentânea a minha querida ginecologista, a quem me lembro de ter telefonado várias vezes a pedir conselhos. Isto antes de saber tudo sobre a minha doença e a sua gravidade. E ela, a minha Alice (é assim que a trato), certamente ciente de todos os riscos que eu corria e da mais que certa impossibilidade de eu voltar a ser mãe, nunca deixou de me atender o telefone, de me dar os contactos dos seus colegas da Infertilidade. E acabei por desistir da ideia de “congelar” óvulos mais pela sua inviabilidade que pela minha noção do que se estava e estaria a passar.
O meu primeiro contacto com essa dura realidade teve lugar numa das minhas primeiras consultas de Oncologia. O médico, que em termos de simpatia e relações humanas deixava muito a desejar, olhou para mim como um burro para um palácio quando lhe perguntei se poderia voltar a ter filhos. “Concentre-se em continuar viva. Quer dois filhos para quê? Para não estar cá para os criar?” Aquelas palavras deixaram-me estupefacta. Hoje percebo-as de outra forma, entendo até o que aquele médico me queria transmitir. Mas naquela altura, em que eu estava tão vulnerável, depois de uma operação tão violenta e sem saber que mais tratamentos se seguiriam, tudo me pareceu de uma frieza brutal.
Tecnicamente posso engravidar. A quimioterapia não me deixou estéril. Mas aqui a técnica só pode ficar no plano das hipóteses e suposições. A verdade é que há um risco grande de voltar a ficar doente se engravidar. Não tenho dados estatísticos, mas sei que esse risco existe e é real. E cabe-me a mim decidir se vale a pena o risco.
Eu adoraria voltar a estar grávida. Foi uma das melhores fases da minha vida. Sentir a barriga crescer, sentir o Henrique mexer, foi mesmo fantástico e único. Mas percebo o que aquele médico queria dizer. Eu não estou livre de voltar a ficar doente, com uma gravidez esse risco aumenta consideravelmente, porque tudo cresce no nosso organismo, tudo se altera. E será que vale a pena arriscar ter outro filho? Para já penso que não.
São várias as pessoas que me falam de adopção. Que tirar uma criança de uma instituição é algo de nobre e, que se tenho tanto amor para dar, posso perfeitamente adoptar uma criança. Também é verdade. Mas parte do risco mantem-se. Tento explicar que, primeiro, eu gostaria muito da experiência física da maternidade, de estar grávida. Segundo, o risco de ficar doente mesmo não voltando a engravidar ainda é real e não é assim tão longínquo como eu gostaria. Por isso, adoptar uma criança, retirá-la de uma instituição, de um ambiente e de um passado difíceis para a colocar perante uma hipótese de orfandade, é algo que me atormenta. Claro que todos nós corremos o risco de morrer, mas quer queira quer não, uns correm mais riscos que outros.
Mas, felizmente, a minha vida é preenchida com outras crianças. As das minhas amigas, aquelas pessoas especiais que nunca me deixaram enquanto estive doente. E, pelas últimas notícias, mais bebés se vêm juntar a minha lista de preferidos. Vejamos, o Martim nasce em Dezembro, a Madalena em Fevereiro (se for mesmo uma querida escolhe o dia do meu aniversário para visitar este mundo), e mais quatro chegarão até ao Verão. Alguns deles ainda sem nome, outros até desconheço o sexo.
E aqui me vejo, rodeada das roupas de bebé do Henrique, a separar por montinhos para poder emprestar a todos, cheia de vontade de tricotar mantinhas e bordar fraldas. E sinto-me mais preenchida e feliz. Já que não posso ser mãe. Serei uma grande tia! Dos meus outros bebés.