segunda-feira, abril 21, 2008

Evidência do tempo que passa

Conversa com a baby-sitter do meu filho na sexta-feira passada.

Eu -Vamos ver um concerto. Devemos estar em casa antes da uma.
Ela - que concerto?
Eu - os GNR!
Ela (com um ar desinteressado) - Ah, já ouvi falar....

sexta-feira, março 07, 2008

Isto está bonito

A polícia andou a recolher informações sobre os professores que amanhã se vêm manifestar a Lisboa. Apenas para garantir uma boa circulação na capital a um sábado...
Isto depois de ter andado a pedir a identificação a professores que se manifestavam legalmente a semana passada... é impressão minha ou estamos perigosamente perto do tempo da outra senhora?

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

o que se passa com o mundo?

Apetece-me içar uma bandeira de pernas para o ar. Porque me parece, claramente, que este mundo precisa de ajuda. Há cerca de duas semanas vi um filme, a meu ver, espectacular: O vale de Elah. Desencantado? desesperançado? Talvez, mas acima de tudo, de uma realidade crua, despida de fantasias... porque a vida às vezes é mesmo assim, uma incngruência pegada. No final do filme o actor principal pede a uma pessoa que ice a bandeira dos Estados Unidos de pernas para o ar (o que significa que o mundo está de pernas para o ar e que é preciso ajuda). Pois eu sinto-me assim. À luz dos últimos acontecimentos apetece-me mesmo fazê-lo. Porque não consigo encontrar explicação para o que está a acontecer com os que amo. Porque me sinto impotente perante o sofrimento dos que me são queridos.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

novidades

A Madalena não só já está em sua casa, com os seus pais, como está linda e maravilhosa.
Que bebé linda, ela é.
Parabéns!
Aguardo fotografias novas para postar aqui.

domingo, fevereiro 10, 2008

uma janela aberta chamada esperança

Há dias que aqui não escrevo e, acreditem, não é por falta de novidades.
A pequena Madalena continua a lutar. Primeiro pela sua vida, agora luta contra o ventilador... calma, Madalena, tens muito tempo para conheceres a tua noa casa. Para já o importante é continuares no hospital até uma recuperação completa. é curioso como me sinto ligada a esta petiz que ainda nem tive oportunidade de pegar a colo ou mesmo de ver sem ser através de fotografia. Mas tenho uma certeza no meu coração: ela vai ficar bem:)
Por estes dias fui a Madrid com os meus pais. O meu pai está doente há mais de dois anos. Há cerca de um ano disseram-me que nunca mais acordaria, mas ele, teimoso, decidiu contrariar todos os prognósticos e lutou. Primeiro para se manter vivo, e agora por uma vida um pouco melhor.
Esta visita a Madrid traduziu-se num momento decisivo para as nossas vidas. Porque as respostas em Portugal não eram suficientes nem satisfatórias, tivemos de procurar noutro país uma opinião alternativa. E o que ouvimos foi, sem sombra de dúvida, a melhor notícia que tivemos em anos. Se não houver sinal de cancro no corpo do meu pai ele poderá ser operado. Não voltará a falar, mas poderá voltar a comer. E essa possibilidade é de tal forma motivadora que todos os outros problemas que nos rodeiam parecem insignificantes.
Só é estranho que tenhamos de ir a outro país procurar o que aqui não nos podem oferecer. Fico a pensar como as coisas poderiam ter sido diferentes se ele tivesse sido tratado fora de Portugal desde o início.
Estar ali, naquele consultório, frente aquele médico, fez-me ver tudo de uma outra forma. Pela primera vez sentei-me frente a uma pessoa que não achou que o meu pai tinha vindo directamente de Marte. E as respostas foram imediatas. A cirurgia é possível. Assim, de repente. Até fiquei atordoada. Se tivessesmos as nossas vidas organizadas de outra forma ele poderia ter ficado já em Madrid para fazer exames...
A nossa grande batalha agora será custear uma operação como aquela que o meu pai terá de fazer. Porque terá de ser operado numa clínica privada.
Mas é uma batalha que será ganha, assim ele possa ser operado.
Esta foi a minha melhor prenda de aniversário:)

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

susto

Como é perene a vida.
ainda ontem veio ao mundo e a pquena Madalena já nos está a dar preocupações. ar na pleura, dizem os médicos. A nossa pequena princesa já está a sofrer as agruras da vida... mas dentro em breve estará aqui, de colo em colo.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Nova vida





É uma princesa e já nasceu.

A Madalena chegou hoje a este mundo doido

segunda-feira, janeiro 28, 2008

partilha




Aqui fica o primeiro texto (e respectiva foto) que escrevi para a Pais & Filhos.






Sou mãe de um super-herói

Ser mãe é ser muitas coisas. A grande maioria, quando passada para o papel, raramente escapa aos lugares comuns, mas não menos raramente escapa à verdade.
Quando os nossos filhos nascem há algo em nós que muda para sempre. Não sei explicar muito bem: é um misto de “as pequenas coisas fazem agora outro sentido” com “o sorriso dele é mesmo o mais lindo do mundo" com talvez uma pitada de “mas onde é que vivi este tempo todo antes dele nascer?”.
Ser mãe é ser muitas coisas, quase todas maravilhosas, mas algumas delas muito intensas e assustadoras. Ser mãe é sinónimo (mais cedo ou mais tarde) de noites mal dormidas, de ataques de nervos, hipersensibilidade a bolas, colares ou pulseirinhas.
Nestes parcos três anos de maternidade várias foram as vezes em que desejei ser amiga do Super-Homem ou do Homem-Aranha. Nem que por breves instantes. Só para que me ajudassem um pouco, para que usassem os seus super-poderes para me guiar neste caminho, por vezes sinuoso, que é o da maternidade.
Pois é, confidência absoluta: ser mãe nem sempre é fácil. Às vezes é até muito difícil. Muitas gestões a fazer, inúmeras birras a contornar, muitas cedências, algumas desistências e uma grande dose de gestão… de feitios, de conflitos, de sensibilidades, de personalidades.
Mas eu, enquanto mãe de um pequeno e maravilhoso ser de três anos, tenho uma confissão a fazer: sou mãe de um super-herói. O meu filho tem super-poderes e, nestes seus três anos, já fez mais por mim do que alguma vez algum medicamento ou médico poderão fazer e já contornou mais crises que muitos psicanalistas famosos.
Há cerca de dois anos e meio, tinha o meu filho acabado de fazer oito meses, foi-me diagnosticado um cancro. Pouco houve a dizer: a cirurgia era obrigatória, incontornável mesmo, e o futuro uma incógnita. Por defeito profissional, ou talvez por feitio, exigi saber a verdade e confesso que não foi fácil lidar com o que ouvi. Tanta incerteza, tantas caras baixas, tantos “nem imagina como isto é raro na sua idade”… foi um choque horrível, senti que o mundo tinha aberto a sua grande boca e estava pronto para me engolir. Por breves momentos, logo ali, naquela sala de espera de hospital onde ouvi da boca do meu irmão o que sentia que existia mas teimava em não acreditar, senti-me sugada por uma fenda imensa que se abriu debaixo dos meus pés. Só que, depois do horror momentâneo, cresceu em mim uma vontade maior: a de me fazer lembrar ao meu filho. Se eu morresse ali, aos seus oito meses, ele nunca se iria lembrar de quem tinha sido a sua mãe, das brincadeiras que já partilhávamos, dos beijos, dos abraços, do meu toque, do meu cheiro. E essa foi uma das maiores armas com que lutei nos longos meses que se seguiram. A convicção de que era obrigatória a criação , a cimentação de uma memória de quem eu era, de quem era a MÃE. Não podia abandonar ali a luta, entregar-me à doença, aos diagnósticos, ao prognóstico…
E por isso sei que sou mãe de um super-herói, porque o meu filho, do alto da inocência dos seus três anos, já me permitiu muito, já me ajudou a superar muitos obstáculos, muitos enjoos, muitas dores, muitas dúvidas. Sim, porque quando falamos de verdadeiras dificuldades, as noites mal dormidas devido a uma febre que teima em não baixar ou a uma otite, são um pequeno pormenor. Por isso deixo aqui uma pequena sugestão: da próxima vez que o limite se estiver a aproximar perigosamente e que o filho que está à nossa frente se tenha transformado, vá-se lá saber como, numa força demoníaca que temos vontade de exterminar, pare, pense três segundos na última grande frase que ele lhe disse, no última doçura, no último beijo, no último abraço e de como se sentiu feliz e especial com isso. E agora diga-me lá se não partilha casa com um, dois ou mais super-heróis.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Sol

É curioso o que um belo dia de sol pode fazer pela nossa alma.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

começo e fim

Muitas vezes o começo e o fim andam mais próximos do que pensamos. A vida e a morte tocam-se das formas mais estranhas e constrangedoras, até. Ou, sem pensar numa experiência tão limite, a doença e uma nova vida. Podem acompanhar-nos quase de mãos dadas uma com a outra causando em nós sentimentos contraditórios. Por um lado a felicidade de presenciarmos uma vida que começa (de fazermos parte dela), por outro a tristeza de vermos alguém que amamos sofrer.
Como se a vinda de uma nova vida, justificasse a dor provocada por a perda ou a ameaça a outra.
Por estes dias tenho pensado muito em dois amigos e no que eles devem estar a passar.
Deixo aqui ficar um beijo para os dois.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

De costas voltadas

O conflito emocional é tão grande que nem sei por onde começar. De cada vez que damos um passo em frente somos obrigados a recuar dois...
Depois da porta aberta à esperança, na passada segunda-feira, quando conseguimos finalmente a consulta em Madrid, eis que voltamos à estaca zero. Estás novamente no hospital, voltamos a passar por um grande susto... ainda vai ser o coração que me vai trair, tantas são as preocupações que lhe dou.
Sinto-me de costas voltadas para o mundo, para a sorte. Que raio de vida esta! Sempre a lutar, sempre a esbracejar para tentar manter a cabeça fora de água. Que cansaço... às vezes apetecia-me desistir. Deixar de nadar...

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Gerir expectativas

Quando somos adolescentes oscilamos entre a verdade absoluta que ninguém nos entende e a esperança secreta que o príncipe encantado irá surgir. Ouvimos as discussões dos nossos pais, vemos os erros que cometem e pensamos que connosco vai ser dieferente. O ideal de felicidade absoluta parece-nos real. Eu, no meu caso concreto, chegava a pensar que mais valia estar só do que viver sem essa felicidade completa e absoluta.
A entrada na vida adulta e, sobretudo, na vida a dois, ensina-nos muitas coisas, a primeira delas é que a felicidade absoluta não existe. Podemos viver felizes, podemos ter momentos de felicidade absoluta, mas a vida adulta também é preenchida de grandes desilusões, de pequenos e grandes fracassos, de momentos infelizes.
O problema é quando não sabemos gerir expectativas, quando não conseguimos perceber que a vida é mesmo assim: boa e má, feliz e infeliz. Não nos conseguirmos adaptar às mudanças e Às dificuldades é uma merda, porque ficamos paralisados no meio da nossa frustração. E não conseguimos avançar, não conseguimos ver o lado bom da coisa. Ficamos ali, eternamente no lamento e no mau humor do que podia ter sido e não foi.
A isto chamo crescer e é por isso que a vida de adulto é tão difícil. E é por isso que cada vez mais vejo as pessoas sozinhas, sem paciência apra relações. Porque uma relação é, muitas vezes, sinónimo de ralação. E há quem já não esteja para isso.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Catarina Tolentino

Agora que aqui estava sentada a percorrer os contactos do meu telemóvel, dei com o número da Catarina Tolentino. E tive de o apagar. A Catarina morreu. Em Agosto. Creio que no dia 5. eu estava em Paris, a sair de Versailles quando recebi um telefonema da Susaninha "A Catarina faleceu." A notícia não me apanhou desprevenida, aliás, o sofrimento da Catarina era tal que creio que todos os que dele gostavam ficaram um bocadinho aliviados com a sua morte; com o fim do seu calvário.
A Catarina era uma mulher doce, a quem a vida pregou muitas partidas. Amiga de há muitos anos do meu marido e da minha amiga Susana, era pessoa que eu só encontrava quando ia à Madeira, nas férias. A Catarina e a sua Laura.
Quando fiquei doente a Catarina fez questão de se fazer presente.
Em Dezembro de 2006, quando cheguei à Madeira fui bombardeada com a notícia de que a Catarina estava com cancro. Do estômago, tal como eu. E que nem sequer nos tinha telefonado para não me fazer reviver o meu processo...
Fiquei espanatada quando a encontrei na Fnac, para assistir à apresentação do livro do filipe, 15 dias após a sua operação. Eu mal me mexia quinze dias depois de ter sido operada, confidenciei-lhe.
A partir desse encontro ficámos mais próximas. Ela tinha muitas dúvidas. Eu também as tinha e ainda tenho, mas já tinha quase dois anos de avanço em relação a ela. E assim fomos, nos meses que se seguiram, trocando mensagens, telefonemas. Ela sempre com medo de incomodar. Eu com receio de forçar a minha presença.
Sobre ela escrevi aqui em Junho http://princesaestrelas.blogspot.com/2007_06_01_archive.html
Na altura não escrevi tudo o que queria porque sabia que ela me lia e tinha receio que ela percebesse que eu já tinha a certeza que o fim estava a bater-lhe à porta.
Mas hoje, meses depois, esse risco já não existe.
Hoje, Catarina, apaguei-te do meu telemóvel.
A tua morte doeu-me. Por muitas razões. E também porque nela vejo um anúncio da minha.

Olímpio Ferreira (1967-2007)

Não era íntima dele, mas conheci-o o suficiente para dele gostar.
Trabalhámos juntos em alguns projectos. Concebeu a paginação do livro do meu marido.
O seu Miguel e o meu Henrique nasceram no mesmo dia (12 de Junho de 2004).
Voltei a encontrá-lo, profissionalmente, na Oficina do Livro.
O seu sorriso, a sua boa disposição, o seu amor pela vida ficarão para sempre gravados na minha memória.
Não consegui ir ao seu funeral. Por várias razões, mas muito por falta de coragem.
É-me cada vez mais difícil lidar com a morte.
Mas não podia deixar de o lembrar.
Ficas aqui, Olímpio.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Natal silencioso

Este ano o Natal vai ser diferente.
Vamos ser muitos lá em casa.
Barulho, gritos, a anmação típica do Natal. Mas da tua parte pai vai ser diferente. Vai ser o teu primeiro Natal silencioso. e vai doer.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Constatação do dia 2

Apesar das contantes desilusões eu tenho tendência para acreditar nas pessoas e na sua boa fé.
Às vezes lixo-me, como hoje

Constatação do dia

O mundo do futebol não é, definitivamente, a minha praia.

sexta-feira, novembro 30, 2007

quarta-feira, novembro 21, 2007

O fim da UCI

Para ele foi, felizmente, o fim da Unidade de Cuidados Intensivos.
O Sobral já está na enfermaria, embora não possa ter visitas.
A malta é fonte de contágio...
Mas ele vai-se aguentar, mesmo nesteisolamento forçado.

sábado, novembro 17, 2007

Inveja Boa???

Nunca pensei ter apenas um filho. Quando o Henrique nasceu sempre pensei que seria o primeiro de, pelo menos, dois. Mas, aos seus oito meses, quando fiquei doente, soube que muito dificilmente poderia voltar a ter filhos e que o risco de engravidar poderia ser voltar a ficar doente. É uma das piores marcas que o cancro me deixou. Amo o meu filho, estou muito grata por o ter tido antes de adoecer, mas adoraria poder voltar a experimentar a maternidade. E saber que não voltarei a ser deixa-me, às vezes, triste e angustiada.
Esta semana soube que uma das minhas grandes amigas está grávida pela segunda vez. Depois de tantas dificuldades, depois de tantos obstáculos, ela lá conseguiu. E fiquei tão feliz. A juntar a esta acompanho de perto pelo menos mais três gravidezes e desconfio de uma outra. E fico feliz, começo a bordar fraldas e a remexer na muita roupa de recém-nascido que comprei para o Henrique e a pensar em quem a irá vestir.
Sinto uma ponta de inveja. Claro que sinto. É uma situação que adoraria reviver e que sei que não o farei. Mas sinto-a como uma inveja boa, porque não desperta em mim outro sentimento que não o da alegria. Já que não posso ser mãe, serei pelo menos tia!