quarta-feira, março 21, 2007

Coincidências e incidências da vida

Fez ontem um mês que ditaram o fim. Eu acreditei. Fiz o meu luto, preparei-me da forma que me foi possível preparar.
Depois fui surpreendida por uma força maior: a tua.
Só que as nossas forças não são ilimitadas. E quando parecia que a esperança era algo concreto e palpável, volta tudo para trás. Por uma coincidência foi ontem, um mês depois.
E agora?

Retrocesso

Quando tudo parecia encaminhado voltámos a dar alguns passos atrás.
O medo paira novamente sobre as nossas cabeças. Mais sobre a tua...

terça-feira, março 20, 2007

Estado da Informação

Hoje, ao abrir o clipping da empresa na qual trabalho, dei de caras com a notícia da morte de Ray-Gude Mertin. Mas como, pensei eu, se ela morreu a 13 de Janeiro?
Vi qual era a fonte de notícia, um portal do Minho, um tal mais actual e apressei-me a ligar para desfazer o engano. Resposta do outro lado: "Onde é que está mesmo a notícia? Na música? Vou já tirar, obrigadinha."
Não, sua ignorante, não está na música. a Ray-Güde era uma agente literária.
Mas mais do que ficar chocada com a ignorância da senhora em questão (a quem me recuso chamar jornalista), foi a facilidade com que me disse que retirava a notícia. Estava ali aquela como poderia estar qualquer outra, sem qualquer critério de rigor.

domingo, março 18, 2007

Contabilidade

Começo a perder a conta aos dias, o que me parece um bom princípio. Já faz quase um mês que ditaram a tua morte. E tu, casmurro como só tu sabes ser, decidiste que ainda não tinha chegado a tua hora e que, dependendo de ti, ainda havias de dar luta.
e sei que é assim que estás, a dar luta. Por mais que mantenhas os olhos fechados quando te visito, por mais cansado e cabisbaixo que te veja sei que, no teu íntimo, não baixaste os braços. Tu lutas, eu sinto-o, mas é difícil, penosamente difícil, manter o espírito 24 horas por dia.
Não é pai? Porque para ti os dias são todos iguais, as horas correrm a um ritmo muito próprio, muito lentamente... demasiado lentamente, posso adivinhar. Dias e noites devem-se confundir na tua memória... o teu calendário deve ser muito peculiar. Imagino o que marcará a evolção do teu tempo... como é que ele corre, como o contabilizas?
Até as visitassão sempre as mesmas...
Nunca foste de grandes conversa mas, agora que não mais voltarás a falar, imagino que tudo seja mais doloroso... ninguém com quem desabafares o que te via na alma... Estás privado de grande parte da tua vida, da tua rotina. Não comes, não falas, não vês os teus amigos, não estás em tua casa... não sabes se isto vai passar ou não....
Eu acredito que ainda tens muito para contar. Eu cá vou estar, a ler-te nos lábios, como gosto de fazer.
Um beijo do tamanho do mundo, e doces sonhos, pai.

segunda-feira, março 12, 2007

Relato de uma certa normalidade

Agora quase que posso respirar...
O meu pai melhora, pouco, mas melhora.
Eu voltei ao trabalho e começo a decifrar as novas rotinas e hábitos das novas gentes com quem me cruzo.
O meu filho voltou a ficar doente...

Sinto-me novamente na gestão da minha conta corrente que é a minha vida.
Sem queixumes.
Às vezes é bom voltar a uma certa normalidade tranquilizadora.
Fazia-me falta.

sexta-feira, março 09, 2007

PENSAMENTO PÓS 8 DE MARÇO

Por que raio não aproveitei a gastrectomia de há dois anos para fazer uma mudança de sexo?

quinta-feira, março 08, 2007

SOBREviver

Há dias que não consigo escrever aqui.
Não por falta de assunto ou de vontade. Tem sido mesmo por falta de tempo.
Novo emprego, novas solicitações. O filho que, depois de dois meses de mãe a tempo inteiro, está decidido a reclamar. O pai doente que não tem a devida atenção ou, pelo menos, não tem a visita diária a que já estava acostumado...
Mas hoje é um dia especial. Um dia em que me sinto uma sobrevivente.
Faz hoje dois anos que entrei num bloco operatório sem saber muito bem se iria sair de lá ou em que estado sairia. Tudo era uma incógnita. Depois desta operação, que me mutilou de forma definitiva, passei a ver contabilizada a minha existência.
Os médicos falam em sobrevida. Como se o calendário tivesse parado naquele dia e àquela hora. Como se todos os dias que se seguiram fossem um bónus.
Por tudo o que já vivi nestes dois anos e pelo que ainda espero viver (sobretudo em qualidade), sinto-me feliz e em paz.

domingo, março 04, 2007

Teoria da evolução

Cada dia que passa é um dia para evoluir. Assim gosto de pensar, que a cada dia que te vou ver há uma coisa nova para registar. Agora já te vejo sentado à minha espera. é claro que ainda não te sentas sozinho, nem decides quando te queres levantar ou deitar, mas já o podes pedir a alguém. Já tens essa vontade.
Encontro-te bem e isso deixa-me reconfortada. Mas sei que ainda há um longo caminh a percorrer. O perigo já não paira tão sobre a nossa cabeça, mas ainda não estamos a safo.
Tentamos evoluir, cada um da sua maneira.
Hoj li-te mais uma das minhas cartas.
Aguardo que sintas vontade de me contares os teus dias ou os teus pensamentos.
Hoje é o dia 12

quinta-feira, março 01, 2007

ESSE DEDO ERGUIDO


...
Obrigada, pai.

Escrita em dia

Ontem retomei um hábito há muito perdido, o de escrever cartas. Em papel, à antiga.
Quando em 1997 fui viver um semestre para Salamanca escrevia cartas todos os dias. Aos meus pais, aos meus amigos, a um ou outro familiar mais próximo... algumas delas ainda estão guardadas numa caixa algures em casa dos meus pais. Eu adorava escrever. Ajudava-me a ameninzar a saudade, o isolamento.
Com a net, o messenger, o mail e o malfadado telemóvel, fui perdendo o velho hábito de pegar na caneta. Quando fiquei doente comprei um caderno cor-de-rosa que me acompanhou no hospital e onde escrevia alguns dos meus pesamentos mais tenebrosos, algumas das minhas dúvidas e angústias... mas o espírito era diferente do das cartas. Eu não escrevia para outro que não para mim própria, apenas com a finalidade de libertar algo preso em mim.
Ontem, enquanto conversava contigo, lembrei-me desse velho hábito perdido e de como ee poderia ser uma forma de te aproximar ao mundo. Agora que nunca mais falarás a escrita poderá ser o nosso elo secreto.
Todos os dias te vou escrever uma pequena (ou grande) carta a contar-te as miudezas do meu da-a-dia. A fila de trânsito, as traquinices do Henrique, as pessoas que telefonaram a saber de ti...
O primeiro passo é meu, escrever-te.
Depois, espero que te sintas bem para me começares a escrever a mim.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Brecha de luz

Hoje fez sol.
Um daqueles dias que enchem a alma. Luz fantástica, dia ameno.
O meu coração também está assim: em estado de aquecimento. Lento, sem pressas, sem sobressaltos e, sobretudo, sem grandes euforias.
Mas fez sol no meu coração.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Interrompemos para uma pausa humorística

Porque nem tudo é mau na vida, aqui fica um pequeno apontamento real.
Sentados numa bela esplanada de Lisboa tentávamos, pelo menos eu, alhear-me um pouco daquela que tem sido a minha rotina nos últimos dias. Nada como o Tejo e luz da cidade para descomprimir.
A meio do lanche a lembrança de enviar uma mensagem à Chica (a nossa empregada) para que fizesse jantar.
Minutos depois uma mensagem de um dos líderes partidários do nosso Portugal dos pequeninos.
"Enganou-se. Aqui não há nenhuma Chica".
Seria um jantar às direitas.

DIA ATRIBULADO

Hoje passou o sétimo dia. Já nos passaste a perna durante uma semana.
Faz hoje uma semana chorei a tua morte, pensei em tudo o que era preciso fazer, que providências tomar.
Hoje voltei a tomar providências. Por iniciativa do mano transferimos-te para uma clínica. Lá fui eu, para aquele hospital ao qual espero nunca mais ter de voltar, dizer que te queria levar.
Não sei o que vai acontecer. Se voltarás a ser alguém parecido com o que já foste, ou se nos morrerás. Mas sei, pelo menos, que a tua morte, se tiver de acontecer, será digna. Não morrerás fechado numa sala como um cão sem dono. Terás alguém que te segure na mão, que te tranquilize.
Acho que vai ser importante que vejas o Pedro todos os dias. E para ele é muito importante poder tratar de ti.
Eu, pela minha parte, vou tentar permitir-me uma pequena pausa. Estou exausta. Não te quero deixar, mas preciso retomar, de alguma forma, a minha rotina.

domingo, fevereiro 25, 2007

AO SEXTO DIA...

... fez-se alguma luz.
Gostei de te ver, de barba feita (obra da formiguinha mãe). Mas o teu olhar está triste... tanta gente à tua volta de bata, máscara e luvas... ficas a pensar que o fim já chegou. Talvez tenha chegado. Talvez não.
Na parte que te cabe, tens de lutar.
Nós, por cá, estamos a reunir as tropas para te tirar desse buraco e te restituir alguma dignidade.
Até amanhã.

sábado, fevereiro 24, 2007

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

DIA 4

Tu és danado, pai. Os médicos disseram que não passavas do dia 0 mas tu, teimoso como ninguém, lá decidiste que te caberia a ti, na medida do possível, ditar o dia da tua morte. Neste momento já não sei se a vês tão presente como há uns dias atrás. Mas isso agora também já não interessa. O que importa verdadeiramente é que ainda cá estás, por muito pouco tempo, é verdade. Mas ainda cá estás. A lutar com a teimosia que tantas vezes me fez discutir contigo.
Vejo-te agarrado à vida como nunca. Não depende de ti a tua morte, bem sei. Mas lutar depende e tu, para não variar, deste-me uma grande lição de vida ao demonstrares que é quase sempre possível lutar um bocadinho mais. Lutar pelo menos até que o corpo nos traia... e o teu pode trair-te a qualquer instante. Até lá prometo visitar-te, amar-te, segurar-te na mão e falar-te do meu dia.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Pretérito Imperfeito

É um passado. Na minha cabeça, nesta quase realidade que me envolve, isto é um passado. Mas imperfeito. Um passado que ainda não o é definitivamente mas que já não tem outra solução senão sê-lo. Tu estás a partir, no meio de tanto sofrimento, de tanta dor. E deixas um vazio imenso à tua volta. Mas o que verdadeiramente me dói, é que tudo isto não faz sentido. Para começar a tua morte é estúpida. Estás a morrer da cura, dos efeitos das terapeuticas. Bela maneira de dizer que te deviam ter operado logo no início em vez de te queimarem até ao âmago. Depois, devias ter partido na segunda-feira, no dia zero. Sem tanta dor, não a minha, a tua, pai.

DIA 3

Começou exactamente às 00h00.
Será que se vai completar ou será interrompido a meio?
Estou ao telefone a tentar saber como foi a noite, mas não me atendem.
Estamos em suspenso.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Dia 2

Hoje é o segundo dia. Não sei se para a vida ou para a morte. Mas é o segundo dia. Não era suposto existir este dia. A contagem devia ter terminado na passada segunda-feira. Mas não. A vida, o destino ou o raio que o parta, decidiram que ainda não era hora. Marcou-se, no meu calendário, uma nova era. A era depois do zero, depois da não-existência. Depois da morte mais que anunciada.
Ela continua a ser mais do que real, o risco de morrer é o mesmo: tudo acabará se houver outra hemorragia. E as probabilidades de tal acontecer são muitas, imensas... quase uma certeza nas próximas horas. Mas a morte também o era há dois dias.
E agora?

terça-feira, fevereiro 20, 2007

É permitido sonhar?

Hoje o meu pai não devia ter acordado.
Ontem tinha a hemoglobina a 2,7, muito abaixo do limiar de sobrevivência. Todos lhe ditámos o fim.
Hoje acordou. Abriu os olhos, escreveu num papel. Pediu-me um beijo.
Não consigo perceber se acordou para se despedir da vida ou para se agarrar a ela.

domingo, fevereiro 18, 2007

A primeira vez que o meu pai me começou a morrer...

... foi em Fevereio de 2005 com a notícia da minha doença. Nunca falámos seriamente sobre esta sua morte. Mas eu sei que ele emagreceu quase 10kg em um mês e que se fechou num quarto durnate dias, tamanha era a sua revolta. Nessa altura começaste a morrer-me pela primeira vez. À data não me consegui aperceber do teu desaparecimento, porque estava, eu própria, a tentar não morrer, a ter forças para lutar pela minha vida, por ti na minha vida, pela mãe, pelo Filipe, pelo Henrique... por todos nós. Pela nossa família.
Como podia ser possível que a tua filha pudesse não mais sair do hospital? Como é que conseguirias sobreviver-me pai? Eu sei que foi isto que pensaste e que disseste. Não a mim. A mim ias-me visitar todos os dias. A mim nunca mostraste uma única lágrima, a mim acompanhaste-me a todas as sessões de radioterapia. E tu começaste a morrer porque me sentiste ir... porque tiveste medo que, mais ano menos ano, eu te voltasse a fugir.
Não sei porque nunca falámos seriamente sobre isto. Talvez porque nem sempre é preciso falar para saber e para sentir. E nisso, pai, nós somos peritos. Uma troca de olhares entre nós vale mais que mil palavras.
Por isso hoje, que me começaste a morrer pela segunda vez, não consegui olhar-te nos olhos. Apenas te vi de longe, da porta da sala e não te consigo dizer o que senti. Não penses que te falto, porque estou sempre ao teu lado, porque tomarei conta da mãe, na medida que me for possível. Mas entre nós e as palavras ficará sempre a nossa troca de olhares, e eu não posso substituir isso por um último olhar de desespero. Desculpa mas não sou capaz.
Para mim ficará sempre aquele sorriso que me lançaste ontem antes de eu sair da tua sala.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

A vida é um lugar muito estranho

Esta semana não tem sido particularmente fácil.
Deveria ter começado bem, com o meu aniversário. Sim, eu sou daquelas pessoas que gosta de comemorar o aniversário, que gosta de ficar uma tarde inteira a cozinhar para os seus amigos, que gosta da confusão de vinte pessoas às cotoveladas num terceiro andar de Lisboa. Gosto dos gritos dos miúdos, das conversas supostamente sérias de alguns dos adultos, dos encontros anuais proporcionados, das prendas, dos beijos, dos carinhos. De há dois anos a esta parte costumo dizer que cada ano que faço é um bónus. Não era suposto eu comemorar mais que os meus 29 anos. Mas, sem saber muito bem como, fintei a morte. E por isso, a vontade de comemorar é cada vez maior.
No entanto, este ano o meu aniversário teve um sabor estranho. O meu pai voltou a adoecer. E enquanto eu tentava pensar na alegria de estar viva, sabia-o a agonizar numa cama de hospital, pronto para enfrentar mais uma mutilação definitiva.
Na terça-feira o meu pai foi operado. Depois de uma hemorragia gravíssima que poderia ter ditado a sua morte, o meu pai teve de se render à evidência. Laringectomia total... nunca mais vai falar. Se tudo correr bem (mas no caso dele correr bem tem sido sempre uma miragem) ficará a comer pela sua própria boca, mas não está descartada a hipótese de ser alimentado por uma sonda... 55 anos...
Enquanto o meu pai se submetia a mais uma mutilação no seu corpo, eu enfrentava, à minha própria maneira, um outro desafio. Uma segunda entrevista para emprego. Que consegui, diga-se de passagem. Numa situação normal, este emprego seria o suficiente para eu andar aos pinotes por Lisboa e para telefonar a todos os meus amigos, feliz da vida. Mas naquele momento em que tudo ficou acertado, tive vontade de voar até ao hospital para ver o meu pai e dizer-lhe que havia uma boa notícia para nós.
Tive de esperar até às 10 da noite para o ver e lhe contar.
A nossa vida não tem sido particularmente fácil nos últimos dois anos. Não somos os únicos, bem sei. O mundo está repleto de pessoas que lutam diariamente por um pouco de dignidade. Mas não tem sido fácil.
E tenho dado por mim a pensar nesta coisa das compensações... será? O teu pai não melhora mas, em compensação, arranjas emprego...
Não sei o sentido que tudo isto faz, mas a vida é mesmo um lugar muito estranho

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

até já temo

o toque do telefone. As notícias não são boas. Nem no dia de aniversário

Não respire... pode respirar

Que início de dia.
Hoje faço 31 anos. Ontem à noite comemorei a entrada neste dia com o meu marido, duas amigas do coração e uma bela garrafa de murganheira que tinha sobrado do casório. Os 31 e o sim! Finalmente o sim!
Hoje de manhã acordei com o meu filhote e as suas "supesas" para a mãe.
O dia prometia ser bom, muito bom. Ou, pelo menos, eu ia tentar que assim fosse.
Mas há sempre um mas. Às vezes sinto-me como naquela canção do Godinho "Não respire, pode respirar, não respire, pode respirar"...
O telefone tocou, o meu irmão... mais parabéns e coisa e tal. "O pai foi outra vez para o hospital"

domingo, fevereiro 11, 2007

sim, por favor

O sim ganhou e parece que com vantagem.
Bem sei que não deve ser vinculativo mas, se em 98 se respeitou a vontade dos que votaram não, espero que desta vez o nosso governo os tenha no sítio e legisle de acordo com a opinião dos que se deram ao trabalho de enfrentar a chuva e votar.

sábado, fevereiro 10, 2007

Ou isto

Está frio, eu gosto de chá e o meu filho deu cabo do bule que tínhamos.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Está quase



Começou oficialmente a contagem decrescente para os meus 31.
E, durante cinco dias, vou aqui deixar uma lista meramente indicativa, das muitas prendas que gostaria de ter. Sim, este vai ser um blogue fútil. Desculpem-me os mais intelctuais.

Corrector de olheiras forget it, da Biotherm, nº10

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Confronto

Hoje fiz questão de atravessar a rua para passar frente à sede de um dos movimentos do não que tinha umas meninas, ainda muito longe de saberem o que é a maternidade, à porta.
Só para que uma delas me viesse impingir o raio do panfleto.
E só para lhe responder apontando para a minha barriga "Não obrigada, aqui mando eu".

terça-feira, janeiro 30, 2007

Ele há dias que parecem noites

Não me bastava estar desempregada. Não me bastava o raio da chuva que não me larga. Não me bastava o meu humor de cão, o meu pai internado...
Não me bastavam as incertezas face à saúde a à felicidade dos que me são muito queridos. Não me bastava não ter estômago e por isso ter de levar hoje (logo hoje) a injecção de vitamina B12.
Ainda tinha de terminar o dia a ver o filme do Mel Gibson!
Mas que raio de tendência a minha para procurar o que não devo. Depois do Braveheart juro que ste foi o primeiro o último filme do gajo que vi. Eu não quero violência, não quero ver corações a saltar em mãos, cabeças a rolar, mulheres a ser violadas... por mais verdadeiro que tudo aquilo seja, basta. Eu mereço alguma paz de espírito. E que ela me venha da ficção, dessa mesma ficção que se pode consumir a pedido: pago o bilhete e, durante duas horas, vou alhear-me do meu mundo. Não quero um mundo seja ainda pior que o meu.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Odeio

hospitais. Aquele cheiro a desinfectante que se agarra a nós. As camas velhas, as janelas de madeira por onde o vento assobia.
Por que raio não me consigo ver livre deles?

sexta-feira, janeiro 26, 2007

quinta-feira, janeiro 25, 2007

E assim...

se cria mais uma ilusão de mudança.

Por mais voltas que dê...

Não consigo fintar eternamente a realidade. e ela chegou hoje, na forma de carta. É verdade. Remetida pelo Hospital de Santa Cruz e a lembrar-me que está a chegar a hora h... A seis de Março as análises, a ecografia e o rx. E a 23 de Abril a consulta.
Começou oficialmente a contagem decrescente para mais uma confirmação da minha sobrevida.

Pensamentos dispersos

- Os dias passam a uma velocidade assustadora. Um a seguir ao outro mas, por vezes, parece que durante o sono me enganaram e passaram quatro ou cinco de uma vez.
- A vida é mesmo uma porra. Há sempre uma areia na engrenagem para nos atrapalhar. O problema é quando a areia se transforma em deserto e, antes de termos tempo para nos levantarmos de uma das quedas que a vida nos proporciona, já estamos outra vez de queixos na areia a ver tudo de uma perspectiva baixa, muito baixa.
- Por que motivo sofrem aqueles que amamos? A cada dia sou surpreendida com um novo drama ou o avivar de um velho... e como não vivo sem os que me são queridos, não consigo deixar de pensar neles e na tremenda injustiça de tanto sofrimento.

Espera...

Porque não toca o telefone?

quarta-feira, janeiro 24, 2007

morrer em vida

A morte é uma evidência da vida, todos sabemos.
O meu irmão, que é enfermeiro e lida constantemente com esta evidência, dizia-me há uns anos atrás e em tom algo jocoso, que a morte era a primeira doença sexualmente transmissível...
Nos últimos dois anos tenho convivido muito com esta evidência da vida. Talvez até em doses excessivas para alguém que tem 30 anos. O cheiro da morte, a sua ameça, e, em outros casos, a sua evidência, têm-se feito sentir com grande evidência aqui para as minhas bandas.
Na segunda-feira, em conversa com uma amiga, ela dizia-me, referindo-se à doença do seu pai, que a coisa que mais impressão lhe fez, durante uma fase mais aguda, foi a sensação de que ele estava a desaparecer em vida. E o que ela me disse faz todo o sentido porque é exactamente o que sinto em relação ao meu pai. Ele está vivo, sim... mas pouco vivo. A sua vida é tão pequenina, é tão pouca vida. Sinto-o a desaparecer como areia fina por entre os meus dedos e tenho a ilusão de que está vivo porque o vejo todos os dias. Só que quando penso a sério no assunto percebo que ele já não é um vivo completo, não se sente verdadeiramente neste mundo. É como se ele estivesse em transição entre dois mundos, o dos vivos e o dos mortos, e eu, que não sei de que lado ele vai ficar, tento puxá-lo, com todas as minhas forças, para o lado de cá.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Será que é desta?




Dois anos e meio depois.
Esta é uma das muitas tarefas que me proponho concluir durante este período de nojo.

Vida interrompida

Aqui estou eu. ainda não bem desempregada, mas já não empregada.
Aqui estou eu em casa, supostamente sem nada que me ocupe mas, nas verdade, atafulhada de afazeres: o pai para levar ao hospital, a mudança do quarto do filho, a arrumação do escritório, mais o filho doente que é preciso levar ao médico e que é preciso cuidar em casa. E a casa, não podemos esquecer a casa, a ementa do almoço e a do jantar também. O telefonema aquela amiga, a visita à outra.
E, tudo muito espremidinho, continua a falatar o tempo para mim. Ainda não li (O Ruben Fonseca vai a meio), o tricot anda a meio gás, e a escrita, bem essa nem se fala.
Falta-me tempo, penso. Mas como se tenho todo o tempo do mundo?

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Porque ainda não te escrevi


Primeiro eu. Lembro-me claramente do teu olhar enquanto me dizias que já tinhas mais de cinquenta anos e que era uma injustiça ser eu, com 28, a ficar doente. "Como é que Deus nos fez isto?", perguntaste. Eu nã tinha resposta para te dar. Porque já tinha virado as costas à religião há alguns anos e porque estava ainda, eu própria, à procura de uma orientação, algo que me fizesse ir na direcção certa; procurar resolver o problema, pensava, sem revoltas e, sobretudo, sem entrega.
Tu lá ficaste com o teu coração de mãe dilacerado a pensar o que fazer para me ajudares...
Depois os acontecimentos foram-se sucedendo muito rapidamente, sem tempo para grandes conversas ou grandes reflexões: exames, mais exames, consultas médicas, diagnósticos, prognósticos, operação, quimioterapia, radioterapia, mais internamentos. E tu sempre ali, firme como uma rocha. Todos os dias me ias visitar. Tu e o pai, claro. tomavas conta do meu filho, tomavas conta do meu marido... tomavas conta de mim.
No teu olhar a tristeza e a revolta. Mas para mim tinhas sempre uma palavra de conforto e de luta, "não podes desistir". E eu lutei, porque me estava na alma mas, sobretudo, porque assim me tinhas educado, a não baixar os braços perante a adversidade. E esta nossa luta foi bem dolorosa. Digo nossa porque às minhas dores físicas junto as da tua alma. Tu sofrias por mim.
Depois melhorei e pensei que poderíamos ter alguma paz, que o nosso pequeno clã poderia respirar de alívio.
Mas tu já estavas a empreender uma outra luta: a do pai. Poucos meses depois foi a vez dele. Cancro assim tão logo a seguir ao meu? aí sim, sentiste-te injustiçada. O teu Deus ainda não te tinha dado tempo de te recuperares de uma dor e já estavas tu a ser arrastada, novamente, para os corredores dos hospitais, para aquele ambiente mórbido de batas brancas, meias conversas...
Mas tu, não sei com que forças, lá te mantiveste novamente firme, a amparar o pai nos teu braços, com tanta ternura mãe, tanto amor. Que dedicação.
E o caso dele, que aparentemente era bem mais fácl que o meu, foi-se complicando e complicando até chegarmos aqui a este beco. E estamos assustados. Tu, tu estás exausta, esgotada. Nem sequer tens tempo para as tuas muitas dores. Suspendeste a fisioterapia... "Mas como é que eu posso deixar o teu pai sozinho em casa. Logo agora?".
És maravilhosa mãe. és uma guerreira, uma mulher inteira, completa, defensora da sua família.
Um dia quero ser como tu.
Obrigada

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Vazio

Estou sentada no meu posto de trabalho mas é como se não estivesse.
Os meus pertences foram empacotados, o meu lugar estava ocupado por outra pessoa e o meu patrão estava a dormir.
Passei a manhã a rever mentalmente os meus últimos dois anos de actividade profissional e a apagar e-mails.
Triste não é?

quinta-feira, janeiro 04, 2007

...

Apetecia-me escrever qualquer coisa bonita e poética, repleta de esperança, sobre o ano que agora começou. Mas não tenho motivos para outra expressão que não seja "FODA-SE. ASSIM NÃO DÁ.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Ano Novo...

Depois de quase duas semanas de ausência, eis-me de volta ao conforto do meu teclado e da minha casa.
Foram dez dias de intensa vida social passados entre canjas, sandes de galinha, carne em vinho e alhos, bolo mel, broas de mel, carne em vinho e alhos e mais uma canjinha para a viagem.
Eu bem sei que é só uma vez de dois em dois anos mas, acreditem, é o suficiente.
Não fosse o caso de não ter estômago e acho que estaria entupida até à garganta.
Agora que o ano velho se foi, e com ele as iguarias acima descritas, estou de volta ao mundo real, não o mundo que deixei antes de partir mas, mesmo assim, um mundo real. Um mundo com patrões sacanas e de memória curta....
Parece que vou entrar neste ano à procura de emprego.
E que descansem os senhores o Governo porque, mesmo sem estar a par das novas alterações à lei do subsídio de desemprego, eu vou estar activamente à procura de trabalho

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Hoje estou musical, deve ser do Natal

A música é grande! enche-me a alma, principalmente nos momentos mais tristes.
É Natal, é Natal

Um miminho.
O tempo que perdi a tentar decifrar a história deste vídeo. Sim, porque eu ainda não sabia inglês....
Feliz Natal

quarta-feira, dezembro 20, 2006

A minha alma está parva

O La Féria é o nome escolhido pela Câmara Municipal do Porto, na pessoas do seu mui nobre presidente (desculpem mas sou alérgica a escrever o nome desse fascista) para gerir o Rivoli. Palavras para quê?

terça-feira, dezembro 19, 2006

Vamos lá a rir um bocadinho



A vida vai correndo.
Há coisas que não se podem mudar, independentemente do nosso estado de espírito. O trabalho é uma delas.
Para aliviar as dores (do corpo e do espírito) meti-me a adaptar este livro. Precisava de algo divertido, leve, para me ausentar das tristezas.
E que livro!
Divertido, muito divertido.
Começo aqui a publicar algumas das preciosidades nele contidas.
Obrigada, Claudia Tajes

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Isto sim, deixa-me de bem com a vida



For once in my life. Bennett e Stevie Wonder.

For once in my life I have someone who needs me

Someone

I've needed so long

For once unafraid

I can go where life leads me

And somehow I know I'll be strong
For once I can touch

What my heart used to dream of

Long before I knew

Someone warm like you Could make my dreams come true

For once in my life

I won't let sorrow hurt me

Not like it's hurt me before,

oh For once I've got someone I know won't desert me

'Cause I'm not alone anymore
For once I can say

This is mine, you can't take it

As long as I've got love I know I can make it

For once in my life I've got someone who needs me

Bela prenda de Natal. Ainda não tenho.

E ainda falta uma semana para o Natal...

Ponto prévio: eu gosto do Natal. é verdade que este ano as coisas não estão a correr como nos anos anteriores... mas, mesmo assim, eu gosto desta época. dos doces, de escolher prendas, de ver as luzes nas ruas, de estar em família, de receber amigos...
Só que este fim-de-semana foi, no mínimo, intenso e se assim continuar garanto que há fortes probabilidades de passar a ser uma daquelas mulheres a que a palavra Natal provoca uma urticária generalizada.
Sexta-feira:
-sair do trabalho a correr para ir para casa tratar do filho e do jantar para dois familiares convidados
Sábado
- almoço em casa de amigos que terminou por volta das 17h
-corrida até casa para apanhar as prendas das amigas com quem ia estar num lanche de Natal. Lá trocámos prendas e demos o gato à tininha.
- corrida para casa para o jantar com mais dois amigos. Antes disso, rápida passagem pelo supermercado para comprar iguarias em falta.
Domingo:
- levar o filho ao parque porque o fim-de-semana não pode ser só para os adultos
- almoço com amigos da faculdade. Entre o frango assado e as batatas fritas, lá tivemos tempo para pôr alguma da conversa em dia (Su gostei de te ver embora tivesse um diabo de dois anos e meio entre nós), trocar umas prenditas e dar uns abraços.
- lar, doce lar, para meter o miúdo na cama. Isto sem sesta fica ainda pior.
- fim da tarde, voltamos para o carro. "Henrique, vamos ver o presépio da mãe da tia Catarina".
- Ás oito da noite lá fizemos a tão prometida visita à Avó Emília. Visita curtinha, e que deveria ter sido a maior porque, no fundo, são eles os que mais precisam de mimo e atenção.
Mas o Natal tem destas coisas, põe-nos loucos com a nossa própria agenda social.
E, por vezes, trocamos as prioridades.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Olá Carolina

A Carolina nasceu. O Natal chegou mais cedo com a vinda desta princesa que veio alegrar a vida de muitos.
Parabéns Carolina! Parabéns papás.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Excursionar

Ontem, quando cheguei a casa, tinha na caixa do correio um panfleto a anunciar umas fantásticas excursões a várias partes do nosso país. Do passeio natalício, com paragem em Fátima para pequeno-almoço de Natal, ao fim-de-semana na Serra da Estrela, eram várias as sugestões apresentadas, capazes de agradar muito boa gente.
Ao olhar para aquele panfleto não pude deixar de sorrir. Ao contrário deste tipo de excursões - que se destinam apenas a tentar vender produtos de uma tal empresa de seriedade duvidosa sob a desculpa esfarrapada de oferta de 2l de azeite (sim, é verdade) - lembrei-me das minhas excursões. Daquelas que fiz durante a minha infância com a minha família. Numa altura em que o dinheiro não era muito e as viagens de carro se resumiam à grande romaria anual à terra dos meus pais, o país foi-me dado a conhecer através dessas excursões, viagens organizadas por grupos de amigos e vizinhos que queriam passar algum tempo juntos e longe das suas vidas quotidianas, de muito trabalho e pouco lazer.
A minha mãe costuma dizer que fiz a minha primeira excursão com poucos meses de vida - O Bom Jesus, em Braga, foi o destino.
Depois das excursões familiares vieram as escolares... e que excitação. Lembro-me perfeitamente de não conseguir dormir com a excitação do dia seguinte, com o terror ante a possibilidade de não conseguir acordar a horas.
Hoje deixo-me seduzir pelo conforto do carro para viajar peloa país, faço-o com a minha família: somos três. É bom, muito bom. Mas ontem, senti-me nostálgica ao ver aquele panfleto. Tive saudades da camioneta cheia, do farnel para o almoço, do espírito de camaradagem entre vizinhos, da escolha do melhor lugar para a viagem.
Ontem apateceu-me ser pequenina outra vez.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Chegou o Natal


Ontem fui à Baixa mostrar as iluminações de Natal ao meu filho. Ele, que é louco pelo Natal, pelas luzes, pelas cores, pelo pinheiro e pelo Pai Natal (desde que mantido a uma distância mínima de segurança, claro está).
Ontem fui à Baixa, subi e desci a rua do Carmo, circundei o sino gigante do Rossio, desci a rua Augusta, tirei a fotografia da praxe em frente à "maior árvore de Natal da Europa", subi a rua Nova do Almada e regressei a casa.
Ontem estive de mãos dadas com os meus dois amores (por imposição do mais pequeno dele, claro) e com uma amiga muito querida. Comemos castanhas, demos as mãos e rodopiámos, os quatro, qual de nós a criança mais pequena.
Ontem, inundados pela inocência de um miúdo de dois anos, estivémos ali, próximos, livres, nem que por breves segundos, alheados das nossas dores. E, pela primeira vez este ano, fez-se Natal no meu coração.

Afinal nem tudo corre mal na vida..

Morreu o Pinochet...
porra, uma boa notícia em semanas.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Conversa alheia

Se há coisa que gosto de fazer quando estou sozinha é deixar-me levar pelas conversas alheias. Estar sentada numa qualque esplanada e, sem querer, sem pedir, ser informada de alguma verdade cabeluda, é, no mínimo, irresistível.
Hoje fui ao Chiado, e como eu gosto do Chiado.
De passear pelos alfarrabistas, de ver as pessoas nas esplanadas, de sentir a luz da cidade.
Hoje fui ao Chiado almoçar e enfrentar a loucura das prendas de Natal em falta.
Sentada numa pequena mesa a tentar mastigar um hamburguer sou surpreendida pelas verdades insondáveis da mesa ao lado.
Há pessoas que ainda se preocupam com a vida alheia, que vivem a vida dos famosos como se da sua se tratasse... ri-me, ri-me muito, mas depois fui invadida por uma certa tristeza... viver desta forma a vida dos outros faz-nos pequenos, sem mundo...
Será?

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Back to Basics


Hoje regressei aos básicos... e que bons que são. Radiohead no seu melhor
Let Down
Transport, motorways and tramlines,
starting and then stopping,
taking off and landing,
the emptiest of feelings,
disappointed people, clinging on to bottles,
and when it comes it's so, so, disappointing.
Let down and hanging around,
crushed like a bug in the ground.
Let down and hanging around.
Shell smashed, juices flowing
wings twitch, legs are going,
don't get sentimental,
it always ends up drivel.
One day, I am gonna grow wings,
a chemical reaction,
hysterical and useless
hysterical and
let down and hanging around,
crushed like a bug in the ground.
Let down and hanging around.
Let down,
Let down,
Let down.
You know, you know where you are with,
you know where you are with,
floor collapsing, falling, bouncing back
and one day, I am gonna grow wings,
a chemical reaction, [You know where you are,]
hysterical and useless [you know where you are,]
hysterical and [you know where you are,]
let down and hanging around,
crushed like a bug in the ground.
Let down and hanging around.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

esta é difícil...

- Mãe, gostas da Floibela?
- De quem, Henrique?
- Da Floibela?
- Quem é essa?
- É aquela menina bonita que canta.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Hoje queria estar aqui



No verde e amarelo dos campos de girassóis da Toscana... longe da chuva que se abateu sobre a minha cidade; longe do cinzento que se abateu sobre mim.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

E no meio de tantas dores surgem as minhas

22h10
Mãe: Desculpa estar a ligar a esta hora mas preciso de ajuda. Tu e o teu irmão têm de ajudar o pai a sair desta apatia...
Filha: ... Queres que fale com ele?
Mãe: Quero tê-lo de volta. Não aguento tanta tristeza

Não sei

Porque me doem tanto estas mortes?
Por não saber a que distância está a minha? Por ser obrigada a pensar nisso todos os dias?
Por querer receber nos meus braços as que me são especialmente queridas e muito sofrem?
Por que não consigo seguir em frente, eu que nem era íntima de nenhuma delas, que nem os conhecia a eles?
Porquê?
Por que motivos os meus olhos se enchem de água de cada vez que penso nelas, no que já não vão viver...

sábado, dezembro 02, 2006

carta Aberta à "jornalista" Catarina Cristao


Vidas de infortúnio
Assim se chama o texto assinado por Catarina Cristão na última ediçao do semanário Sol. A notícia promete ser importante, já que tem chamada à primeira página e anuncia contar a história dos quatro portugueses mortos no Chile.
A mim, que sou uma pessoa crente na capacidade dos jornalistas, pareceu-me que iria ver no interior do jornal um perfil dos quatro amigos (coisa que me parece ainda não ter acontecido, pelo menos não na mesma publicação).
Mas não, nada disso, o que Catarina Cristão nos traz é, longe de ser uma bela peça de prosa, ou mesmo um belo texto jornalístico, um pedaço de lixo. Uma vergonha.
Nao é um texto ofensivo para as famílias, nao tenta apontar pormenores sórdidos das vidas destes quatro amigos. Mas, a meu ver, é ainda pior, do ponto de vista jornlístico. E vejamos se me consigo explicar, porque a minha indignação é tao grande que tenho receio que me tolha o raciocínio.
Para começar, cara Catarina, gostava de saber qual é o seu ponto de vista nesta notícia. Onde está o seu lead? qual é o seu objectivo? Dar-nos informações concretas sobre a morte deles não é, porque não nos dá novidades: pode ter sido o mau tempo. Sim, pode. Mas também pode não ter sido. Não é dizer-nos quando serão os funerais ou quando os corpos poderão chegar a Portugal (pode ser hoje ou amanha, diz você referindo-se a sexta ou sábado). Ora eu, assim como grande parte dos amigos da Zé, da Cláudia, do César e do André sabemos que é mentira e sabemos quando é que eles chegam. (Informou-se mal...)
Então o que a move, se não o sentido de informar o leitor?
Só encontro uma resposta: o sensacionalismo usando o seu mais vil disfarce: o de um suposto trabalho sério e algo poético sobre a morte de "colegas" de profissão.
O que lhe importa não é a morte destes quatro amigos, pessoas que valem o mesmo, em termos de vidas humanas. Por mais que gostasse da Cláudia, sei que a morte dele é tao estúpida como a da Zé, a do César ou a do André. É igualmente brutal, é igualmente inexplicável.
Isto para mim, porque para si a coisa é diferente. Para a sua brilhante mente (de resto tão brilhante quanto a do editor que permitiu a publicação do texto em questão), o quer importa é o grau de desgraça que cada uma destas pesoas coleccionava antes de morrer.
Vejamos: a Zé tem honras de abertura e destaque não por ser a pessoa extraordinária que decerto era, mas porque já não tinha pai nem irmão, deixando a sua mãe sozinha neste mundo.
Não se atrapalhem no entanto, diz-nos a Catarina Cristão, porque, e passo a citar, "a mãe é uma pessoa muito espiritual e terá recebido a notícia com alguma serenidade." A sério? Acha mesmo normal que isso tenha acontecido Catarina? ainda bem que nos deu esta informação.
A segunda pessoa em destaque é o César. e porquê? Porque na contabilidade das mortes estava à frente dos outros. Já tinha perdido o pai e a mãe.
O César é, para si, mais importante que a Cláudia que, nesta contabilidade mórbida, só podia reclamar a morte do pai. Ah, isto se "uma irma gravemente doente" não for suficiente...
O André, o mais novo dos quatro, tem direito a três linhas nesta pela peça. Já adivinharam, por certo. Tem pais e irmaos vivos. Que desperdício...
É triste, revoltante, este tipo de jornalismo.
Eu já não tenho carteira profissional e, confesso, fiquei especialmente aliviada por não a ter. Porque, no momento em que li esta notícia, senti uma enorme vergonha pelas pessoas que me são muito queridas e que são jornalistas. Jornalistas à séria, não como você, Catarina.

P.S- No destaque do seu texto aparece "Maria estava com medo..". quem é Maria? Se não sabe, para os amigos ela era Zé. Quer ser poeta, escreva um livro. Quer fazer bonito a escrever? Então leia o texto da Fernanda Câncio na edição de 26 de Novembro do Diário de Notícias e aprenda como se pode fazer bonito, escrevendo bem.
ACTUALIZAÇÃO:
- Como se não bastasse o facto da notíca por si já ser grave eis que sou informada que os pais do César não morreram. Inacreditável. Inacreditvável. O que se pode dizer deste tipo de jornalismo?

quarta-feira, novembro 29, 2006

corpo em movimento


Ontem fui ao teatro.
Que saudades.
Faz agora dois anos que saí da Capital, que me deixei de jornaladas, de teatros e de espectáculos de dança.
Não tenho saudades de redacções cheias de fumo, de pessoas que começam a trabalhar às 4 da tarde, de notícias de agenda, de jornalismo de rabo sentado na cadeira.
Sinto falta... sinto falta de falar com pessoas interessantes, de encenadores que expliquem o seu ponto de vista, de coreógrafos capazes de me iluminar, de intérpretes cheios de singularidades.
Ontem vi o Miguel Borges, e já não o via há algum tempo. E que saudades!
Ali, no escuro de um barracão na Casa dos Dias d'Água, vasculhei a mala, como nos velhos tempos, à procura de papel e caneta. E lá estavam.
Escrevi o seguinte:
Expressividade máxima.
Fisicalidade quase animal.
O Miguel Borges é assim. Um corpo em movimento. Há muito que não o via no palco. quando terá sido a última vez? Um Beckett? Um Spiro Scimone? Não me recordo ao certo. Mas é muito reconfortante vê-lo para além dos anúncios da cerveja.
Gostei de o ver. O seu corpo em movimento; a sua totalidade enquanto actor que passa, em grande parte, pela fisicalidade que imprime aos seus personagens.
Esta noite, enquanto o via, pensei na vida, na sua celebração, na alegria de estar e de poder partilhar.

Acordei

Acordei
Abri os olhos
A luz era forte
tão forte que me cegava
Voltei a fechá-los
Esperei que tudo fizesse mais sentido
E quando abri novamente os olhos vi com clareza
Lá estavas
a rir
a rir muito
a rir de nós
o teu riso não permitia tristezas
não permitia choro
nem infelicidade
Porque choras tu?
Por mim?
Não o faças.
Eu aqui estarei sempre aí
A minha ausência só se fará sentir se o esquecimento o permitir
Lembrem-me como sempre fui
Recordem-me na memória de cada um de vocês e eu serei ainda mais do que fui
porque serei o somatório de todas as memórias
Acordei
O dia não era tão azul como desejava
A vida não era tão plena como eu queria
Mas, estranhamente, a tua ausência não doía tanto
Porque em todas as bocas
em todas as palavras dos que te conheceram e amaram
te conheci melhor
mais completa
Acredito que sejas assim

(P.S. Para a Cláudia Magalhães, para a Susana C P)

terça-feira, novembro 28, 2006

A vida também é isto




Seis meses. Foi há seis meses. Ele e ela estavam sentados numa pequena esplanada de um não muito grande restaurante (em tamanho, porque a qualidade da comida era suberba), numa vila ainda mais minúscula perdida num alto lá para os lados da Toscânia.

Entre uma bela garrafa de vinho, uma piza de cogumelos frescos e um atum braseado, eles perceberam que a vida também pode ser isto: puro prazer, pura degustação. De comidas, de bebidas, de cheiros, de sentimentos. Ela sentiu-se plena e não sabe se lhe disse isso. Obrigada, amor.

segunda-feira, novembro 27, 2006

incertezas existenciais

Há momentos em que me sentiria uma pessoa muito mais feliz se acreditasse que Deus existe. Gostava de ter a certeza que existe um lugar melhor, onde a relva é mais verde, as pessoas mais felizes e o sofrimento menos usual.

domingo, novembro 26, 2006

Em choque

E, de repente, muita coisa parece perder o sentido, muitas das nossas preocupações resumem-se a pouco mais que nada perante algo como a morte.
Quatro amigos partiram para a Patagónia à procura de umas férias de sonho. Quatro cúmplices, quatro pessoas à sua maneira especiais, capazes de passar três semanas juntos em situações nem sempre favoráveis. Foram à procura de uma beleza sem explicação, à procura de momentos únicos, especiais, que fazia sentido partilharem uns com os outros. E acabaram por morrer de uma forma brutal e sem sentido.
Não conheci o André, nem sequer o César; vi a Maria José uma mão cheia de vezes. e a Cláudia, apesar de não ser íntima era, dos quatro, a que melhor conhecia. Amiga de amigos comuns, lá nos encontrávamos em aniversário, à porta do cinema, ou na rua. Sempre com um sorriso nos lábios, sempre com uma frase amiga.
O que sinto em relação a estes quatro amigos é, no entanto, muito forte. De tão pequenino que o mundo é, tínhamos vários amigos comuns. Embora nunca tenha visto o César, ele chegou a ser tema de conversa em algumas situações. Alías, há cerca de duas semanas estava a jantar em casa de uns amigos comuns quando ele enviou um sms a explicar o como as férias estavam a ser espectaculares... nesse mesmo jantar soube que a susete (amiga dos tempos da faculdade) era muito amiga da Zé...
A notícia da morte destes quatro amigos deixa-me sem palavras que me consolem e sem palavras de consolo para as pessoas que me são tão queridas e que sei que neste momento estão a sofrer uma enorme perda. A Susana, a Susete... o que dizer, o que fazer perante semelhante brutalidade? O que fazer para atenuar a dor e a tristeza?
Sempre que penso neles vejo a Cláudia com aquele seu ar despachado e risonho, o mesmo ar com que me encontrou há uns anos na rua, eu grávida de fim de tempo a bufar de calor e ela com o seu ar se virou para mim e me disse "finalmente vou almoçar com alguém que está mais gorda que eu". Tenho a certeza que foram dias fantásticos os que passaram na Patagónia, tenho a certeza que o que viveram momentos inesquecíveis.
Tenho muita pena que não voltem para contar o quão maravilhosos foram os cumes, as crateras, os glaciares os lagos que viram. Tenho muita pena de não saber, por intermédio dos amigos comuns, como tudo foi maravilhoso.
Deixo-lhes aqui a minha homenagem. A eles, às famílias e aos muitos amigos que tinham.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Agora sim...

A minha família voltou a estar completa.
IUPI

segunda-feira, novembro 20, 2006

Ouve lá pá, estás parva?

Amiga ouve de outra amiga um desabafo inacreditável em relação ao seu próprio marido.
Amiga fica, sobretudo, triste por amiga não dizer o que pensa ao marido e, em vez disso, dizer a amiga.
Amiga fica indignada mas, antes disso, pensa se marido, afinal, não é um sacaninha no trabalho.
Amiga telefona a outra amiga.
Amiga chora de tristeza e indignação e acaba por perceber que afinal não há pessoas perfeitas e que, mesmo as amigas supostamente modelo, também têm pés de barro e esqueletos escondidos no armário.

Desabafos de uma mãe temporariamente solteira, ou porque é que não sou amiga do Super-Homem do de outro herói qualquer que saiba voar?

Ele há dias difíceis.
Isto de estar sozinha em casa com o filho durante uma semana rapidamente se pode transformar num pesadelo...
Na passada sexta-feira, e depois de uma semana e meia de antibiótico que ainda não tinha acabado, tive de voltar à pediatra com o meu filho. Só para terem uma ideia, foi a terceira vez no espaço de um mês. Já para não falar da chatice de ter o miúdo sempre atafulhado de medicamentos, a coisa já se cifrava pelos 225 euros (3x75).
Ir para uma urgência com o nosso filho de dois anos às 9 da noite, já não é fácil. Se estiver a chover, ainda pior. Se o consultório não tiver estacionamento... pior ainda.
Mas a coisa até podia não ser muito má. Só esperámos 1 hora (o tempo médio de espera pode ascender às 3) e a médica, consciente de que os pais não são ricos, nem cobrou a consulta. Obrigadainha Dra Odília.
Fazendo as contas ao tempo, eram 10 da noite e eu tinha uma criança quase a dormir nos braços e uma receita médica para aviar. Resolvi confiar no serviço 1820 (o antigo 118) que se gaba constantemente de ter informações sobre farmácias de serviço e restaurantes. Liguei "Podia-me dizer, por favor, se há alguma farmácia de serviço na área da Estefânia, Saldanha ou Praça do Chile?". Depois de 5 minutos de espera (cinco minutos numa chamada de serviço acrescido não é brincadeira), o rapazito lá me diz que não, que a mais perto é na rua Alexandre Herculano (quase no Rato) ou na Praça de Londres. Praça de Londres aqui vou eu.
A dita farmácia fica quase numa esquina. Estacionar é quase impossível e eu tinha um miúdo de 2 anos e 14kg para transportar... não foi fácil e ainda ouvi uns anormais a buzinar.
Chegados ao interior da farmácia não houve quem se compadecesse com a minha triste figura de mãe a desfalecer com um puto ao colo. Espera pela tua vez e é se queres, devem ter pensado. e eu esperei. E enquanto esperava vi uma placard electrónico no interior da farmácia onde estavam mencionadas as farmácias de serviço. E eis o meu espanto quando vejo que a farmácia do largo da Estefânia estava de serviço... ai que vontade eu tive de partir a boca ao tipo do 1820. Só mais uma coisinha. De que me serve aquele tipo de informação quando eu já estou DENTRO de uma farmácia de SERVIÇO????
Chegada ao carro, parti em direcção a casa, a rezar para que não chovesse e para ter um lugarzinho à porta de casa. São Pedro atendeu-me. O mesmo não posso dizer do Deus do Estacionamento. Fiquei a mais de 100 metros de casa. Tive de carregar o Henrique que, entretanto adormecera, e não foi só até à porta do prédio. Lá dentro, aguardavam-me três fantásticos andares de escadas para galgar...
Isto de não ter gajo em casa não é fácil.

quinta-feira, novembro 16, 2006

Até o tempo me contraria

Eu, que sou uma rapariga pouco dada a sapatos à senhora, ontem decidi sair de casa com eles postos nos pés, em vez das muito adoradas botas para todo o serviço. Lá fui, feita boneca, para a natação com o meu filho. Impermeável, e apesar de ter ouvido nos noticiários da manhã que ia chover, também não vesti. Preferi um casaquinho de lã. quentinho, é verdade, mas não impermeável. Guarda-chuva? Nem me lembrei. E o que aconteceu? Abateu-se sobre a cidade um temporal a valer, daqueles que fazem do dia noite às 15h.
Hoje, armada em precavida, saí de botas e de impermeável. Mas o tempo fintou-me.... estou tramada. Até o tempo me contraria, caraças.

quarta-feira, novembro 15, 2006

É bom, é muito bom


Já leram?
é bom, é muito bom.
Bem escrito, de fácil leitura. Parece um romance. Mas não é.
Comprem.
Eu agradeço.

terça-feira, novembro 14, 2006

Dia nã, nã, nã

Hoje sinto-me como se tivesse sido cilindrada por um camião... estou cansada, tenho dormido pouco e estou com muito trabalho...

sexta-feira, novembro 10, 2006

És feia, és má!!!

Disse-me hoje o meu filho à hora do jantar, com os olhos rasos de lágrimas, depois de eu lhe ter dado a primeira bofetada da sua vida. Doeu-me tanto esta frase.
Li, há uns tempos, que uma bofetada na cara é o expoente máximo da humilhação para uma criança. Não concordo. Mas hoje, quando olhei para aquela carinha triste e verdadeiramente zangada comigo, senti-me a pior mãe do mundo. A mais cruel.
O pior foi quando, três minutos depois, ele me deu um beijo e disse que me desculpava... aí sim, a humilhada fui eu.
O meu filho tem dois anos e são muitas as vezes em que me tra do sério. Costumo dizer que 1 mês de creche estragou o que demore dois anos a construir. Faz birras por tudo e por nada, grita, desafia-nos...
Às vezes deixa-me no limite entre a sanidade e a loucura total. Mas hoje fui feia e fui mesmo muito má

terça-feira, novembro 07, 2006

Este carrossel não pára

Sempre a rodar, sempre a girar.
Agora estou casada com uma quase celebridade. O meu gajo escreveu um livro, eu editei-o e agora esperamos que se vendam muitos exemplares.
A todos os amigos fica a nota: 8% do preço de capa (sem IVA) revertem a favor deste casal de amigos... comprem, ofereçam no Natal que a gente não leva a mal.

segunda-feira, novembro 06, 2006

O mundo é um lugar estranho...

Disse-me há pouco tempo uma amiga. E que sábias palavras

domingo, novembro 05, 2006

Agrhhhhh

Há dias maus.
Vá-se lá saber porquê, ando nesta azáfama e nesta confusão de sentimentos a tentar manter o mínimo de equilíbrio possível. Hoje tive de levar com a fúria de uma amiga porque não tinha sido avisada das últimas e graves notícias.
Desculpem se me esqueço de contar a alguém, mas eu própria não sei muito bem como lidar com isto. Não está fácil e eu não tenho um manual de instruções.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Gosto de ti

O meu pequeno mundo é povoado por uma meia dúzia de seres fantásticos. Descontando os pais, gajo e filho (que esses fazem parte da mobília),´restam as minhas gajas. E, eu até tenho amigos homens,mas as minhas gajas são insubstituíveis, são lindas, maravilhosas, ajudam-me a levar a vida com mais tranquilidade e, sobretudo, com mais alegria.
Neste momento, uma das minhas favoritas, aquela que tem o cartão de acesso mais directo ao meu coração, está triste, muito triste. Está a passar por algo que só posso imaginar. Está a passar, creio, pelo mesmo que passou o meu marido há um ano e meio quando lhe disseram que eu podia morrer a qualquer momento.
Eu, que não sei o que é estar desse lado, amiga, que só sei o que é estar do outro, queria muito dividir contigo essa dor e essa angústia que estás a sentir. Mas não consigo. Tudo o que possa fazer ou dizer vale de muito pouco e em nada pode alterar o que estás a sentir. Mas quero que saibas que o meu pensamento nem um momento está longe de ti e que és uma pessoa muito bonita. E que a vida tem de te reservar coisas boas.
Gosto de ti.

Mas que porra!

Quando crescemos a vida altera-se significativamente: primeiro com as responsabilidades da nossa própria relação, depois a casa, os filhos, o trabalho... dou por mim, em algns das, a desejar ser pequenina, muito pequenina, assim como o meu filho, cuja preocupação maior é ver dois ou três episódios do Ruca de seguida.
Quando entramos na mítica barreira dos trinta, os problemas inerentes à nossa vida alargam-se aos nossos pais e à saúde deles. No meu caso, à minha própria.
Este tem sido um ano terrível. Comigo em recuperação sempre pensei que as coisas fossem mais fáceis, mas olho para o lado e só vejo desgraça e tristeza. Os meus pais, os pais dos meus amigos, os maridos dos meus amigos... A vida deixou de ser aquela coisa bonita e despreocupada para estar sempre envolta num papel muito grosso, que não deixa ver o que está lá dentro, sempre cheia de surpresas e muitas delas já não são agradáveis.
Quando pensamos que vamos, finalmente, ter alguma paz, que vamos começar a viver a vida com alguma plenitude, longe do buliço da adolescência, aí vem mais uma catanada e entramos na fase da suspensão, tudo em suspenso.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Ser crescida é complicado

Somos todas mulheres emancipadas, com o seu trabalho, casa, no meu caso, marido e filho. Lidamos com prolmeas diários de incompetência, estamos sempre a dizer "mas como é possível trabalhar com esse anormal?, porque não o despedem?", e coisas do género. Mas depois, na hora da verdade, quando depende de nós despedir alguém começamos a ficar com aquele frio na barriga e a desejar não ter de tomar essa decisão.
Passo a explicar: depois de muito penar decici contratar uma empresa para me angariar uma empregada. Explicados os requisitos à tal agência, mandaram-me uma empregada, a Marina. Pois bem, no primeiro dia a Marina deu a volta à casa, cheia de brios. Pensei que a coisa ia correr bem.
Mas, passada a euforia inicial, (ou, na gíria masculina, o tesão do mijo) a verdade é que a Marina deixa muito a desejar, especialmente tendo em conta que me foi apresentada como uma profissional. Demora 25 minutos para passar uma camisa, neste mês e meio de trabalho fez o jantar duas vezes (deveria fazer sempre), deixa coisas fora do sítio e não consegue pensar sozinha. Todos os dias tenho de lhe deixar um bilhete com todas as tarefas muito explicadinhas...
E agora sinto-me culpada porque lhe vou ter de dizer que não posso continuar com ela lá em casa. Acham isto normal? Logo eu que ando sempre a reivindicar.

terça-feira, outubro 24, 2006

Paragem rápida

Até tenho muito para escrever.
O tempo está uma merda, o trabalho aperta, eu sinto-me cansada e apetece-me escrever. Mas não posso, está é apenas uma parage rápida. O Henrique está aqui ao colo e exige uma paragem obrigatória e demorada na página do Noody. "Queio bincai com o Noody, mamã". Lá vamos nós. Pode ser que dê para voltar mais tarde.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Isto não está fácil - Parte II

Pois é... a verdade é que o tempo passa mas as coisas continuam muito parecidas com o que estavam há uma semana.
O Henrique continua a adaptar-se à creche (já não bate em tudo o que mexe mas fica a chorar quando me venho embora); agora está até em casa da avó doente com uma infecção respiratória.
O trabalho continua em doses industriais.
E eu estou tão cansada que me sinto a colapsar.
Mas adivinham-se momentos melhores. Amanhã espero poder finalmente jantar coma s minhas gajas... é verdade que uma delas não pode mas, como já disse, desta vez vais ahaver jantar, nem que seja numa roulotte no Campo Pequeno a comer uma sandes de courato, carago!

quinta-feira, outubro 12, 2006

Isto não está fácil

Há muito tempo que não passo os meus dedinhos por estas bandas...
Isto não está fácil. Entre o muito trabalho (estou às Aranhas com uma revisão do livro da Carmen Miranda), a viagem do marido à Venezuela, a operação à pila do filhote, a recuperação da operação, as consultas do meu pai e a entrada do filhote na escola, cá estou não a pedido de muitas famílias mas da minha sanidade mental.
Esta tem sido a semana do horror. O Henrique entrou para a escola. Depois de dois anos de doce ninho, de mimo exclusivo da avó, de atenções e salamaleques, ele lá aterrou, às 10h da passada segunda-feira, numa sala cheia de meninos e meninas mais ou menos adaptados, mais ou menos chorosos.
E, se ele ficou bem e sem chorar, a verdade é que o comportamento dele aqui em casa nada tem a ver com o que já foi. De repente ficou malcriado, gria, chora por tudo e por nada, não come...
Isto não está fácil.

Mas o mais frustrante é a forma como, por vezes, olha para mim. Com uns olhinhos cheios de raiva, como que a perguntar-me "porque me deixas ali, porque não posso ir para a casa da minha avó".

amanhã é sexta. Depois vem o fim de semana. Tudo há-de melhorar

segunda-feira, setembro 18, 2006

Estado de espírito

Hoje de manhã, a caminho do trabalho, cruzei-me com uma grávida. Uma dquelas mulheres para quem a gravidez deve ser das fases mais fantásticas da vida. Isto porque, apesar do tamanho descomunal da barriga, ela lá ia a descer a rua do Sol ao Rato com um sorriso de orelha a orelha e com uma atitude do género "estou gira, não estou?".
Gostei de a ver. Pensei para comigo "Que mulher bonita." Mas, simultaneamente, fiquei com uma pontinha de inveja. A minha gravidez não foi muito complicada, mas também não foi um mar de rosas. Passei um mês de cama com hemorragias e a partir do sétimo mês parecia o boneco da Michelin, de tão inchada que estava. No entanto, a minha gravidez foi fantástica. Porque eu adorei estar grávida, adorei passear-me de roupa justa e grandes decotes, de andar na praia de biquini até à vespera do Henrique nascer, de me exibir, de me achar bonita mesmo quando estava horrorosa de tão inchada.
Senti uma pontinha de inveja porque não vou voltar a engravidar. Logo eu que queria, pelo menos, mais um filhote. Mas foi uma inveja sem tristeza, apenas a constatação de um facto.
E enquanto continuava a subir o resto da rua veio-me à memória o que pensei quando soube que estava doente. É muito curioso ver como as pessoas são "inocentes", como não têm grande noção da realidade. Pelo menos eu fui assim. Quando soube que estava doente, uma das primeiras pessoas a quem liguei foi à minha ginecologista porque queria saber como fazer para garantir que poderia voltar a ter filhos (uma vez que a quimioterapia pode provocar infertilidade e menopausa precoce). Naquele momento (e nos dias que se seguiram) a minha preocupação não foi saber se iria sobreviver, mas garantir que poderia voltar a ser mãe. E mesmo depois de perceber a gravidade da situação, de entender quais eram as hipóteses de tudo correr bem, eu perguntei ao meu oncologista na promeira consulta (quase dois meses depois da operação), se os tratamentos que ia fazer me impediriam de ser mãe.
Na altura fiquei indignada com a resposta que ele me deu: " Eu não sei o que você pensa mas, se fosse a si deixava-me estar quietinha...". Mas quem era aquele gajo para estar a dar sugestões sobre a forma como eu queria conduzir a minha vida? Com que direito me mandava estar quietinha? Ainda por cima com aquele ar de superioridade...
Hoje consigo perceber de outra forma as suas palavras. O que ele quis foi alertar-me para o risco de uma gravidez. Eu, em muitos apspectos físicos, já não sou quem fui. Para além dos riscos óbvios de uma gravidez numa pessoa que teve cancro (crescimento avassalador das células, o que pode potenciar o aparecimento de células malignas), eu não tenho estômago; sou uma pessoa de baixo peso. Iria passar por muitos dissabores se voltasse a engravidar.
De certeza que não iria descer a rua de túnica beringela, com um sorriso de orelha a orelha.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Um prémio para esta senhora


Um dia desta semana, acho que na segunda-feira, dei comigo a ver um episódio do "Sexo e a Cidade", uma das minhas séries do coração. Soa a cliché, coisa e tal, mas é mesmo assim. Gosto daquelas gajas e, por mais que a vida delas seja fabricada num estúdio e restrita aos 45 minutos de lazer que nos proporciona, a verdade é que há sempre um ponto de cOntacto com a vidinha real que a malta vive aqui em Lisboa, Portugal dos pequenitos.
E eu, que não sou diferente do resto das mulheres que em todo o mundo vêem a série, acabo sempre por me identificar com uma cena ou dou comigo a discutir em voz alta a decisão que uma destas quatro malucas tomou, como se elas me ouvissem, como fazia a minha avó com as personagens das novelas.
Mas esta semana foi diferente.
A Samantha tem cancro e é ali, no meio de um broche (sim porque a senhora não está doente da boca) que tem o primeiro contacto com um dos efeitos da sua doença... a queda de cabelo! Contado parece hilariante. O namorado fica com uma mecha enorme de cabelos dela na mão. E como devem calcular, não há tesão que resista... não percebemos, à primeira, o que mais a incomodou: se a queda de cabelo ou a falta de tesão do namorado. Mas é só à primeira vista.
No fundo este é apenas mais um dos motivos pelos quais eu gosto tanto desta série: porque não camuflua a realidade: ela continua a ser a mesma mulher de sempre, com as mesmas aspirações, desejos e comportamentos. Só que agora está doente. E, embora tente levar a vida da forma mais natural e normal possível, a verdade é que a sua vida está interrompida, povoada de medos e angústias.
"Deixa que te fale dos meus medos", diz a páginas tantas à sua amiga Carrie. E é aqui que desato a chorar. Porque, por mais que lutemos, por mais vontade que tenhamos de levar a vida para a frente, há algo em nós que muda. O MEDO passa a fazer parte da nossa vida. A MORTE passa e povoar os nossos pensamentos.
Foi reconfortante perceber que há quem consiga passar para uma série de ficção um pedaço de realidade tão duro, sem melodramismos, sem sentimentalismos baratos, sem lágrimas desnecessárias....
Esta senhora é uma grande senhora! merece o prémio que tem nas mãos.

terça-feira, setembro 12, 2006

Barulhinho Bom

No domingo fui ao concerto da Marisa Monte.
Como acontece sempre que a oiço, emocionei-me. Gosto da forma como ela se move em palco, gosto do modo como pensa os espectáculos, como um todo em que cada detalhe não é deixado ao acaso; gosto do modo como canta (aquela voz é fantástica); e adoro as letras das suas músicas. Já ri e chorei muito a ouvir Marisa Monte. Foi a banda sonora de muitos momentos felizes, de algumas desilusões e desencontros de amor...
Aquei fica um pedaço de uma letra que me é particularmente querida


Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro, o meu quilateVem, cara, me retrate
Não é impossívelEu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui, eu não sou de MarteVem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta bandeira de mim
Só não se perca ao entrarNo meu infinito particular

segunda-feira, setembro 11, 2006

Acabou

Nem foram particularmente boas, as minhas férias mas, mesmo assim, acabaram. E a sensação não é boa...
Estou de volta ao trabalho.

sexta-feira, setembro 01, 2006

Estou à beira de um ataque de nervos

Estou de férias mas não parece. A minha casa está em obras e, por mais que eu veja o senhor Lourival e o senhor Diego aqui a labutar até às seis da tarde, a verdade é que tudo me parece andar muito devagar, demasiado devagar... Nunca imaginei que mudar umas madeiras de umas ombreiras pudesse transformar-se neste pesadelo.
Como se não fosse confusão bastante para a minha vida, despedi a minha empregada.... isto está lindo, está!
Bem, este blogue vai fechar para férias, porque eu vou deixar a casa entregue aos meus amigos Vitor e Carla e vou para a Costa Aletejana. Pode ser que quando chegar acorde do pesadelo de férias!!!1

sábado, agosto 26, 2006

AJUDA

Alguém conhece um bom otorrino com experiência em traqueostomias?
Preciso de um com urgência.
Vá, perguntem aos vossos amigos.
Obrigada

Férias atípicas

Estou de férias. E bem que preciso delas. Mas estas são umas férias bastante atípicas. Não estou a planear uma viagem, nem sequer umas idas à praia. Estou tão esgotada que só me apetecia fazer uma terapia do sono. Dormir, dormir... assim não teria contacto com a realidade.
Sinto-me estranha, sem grande utilidade, não me parece que esteja a ser de grande ajuda para o meu pai.
Talvez descansando o possa ajudar mais.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Amigos

E, de repente, quando tudo parece cinzento e triste, os amigos aparecem, em todo o seu esplendor e ajudam a apaziguar a nossa dor. Dão-nos alegrias, amaciam-nos a alma.
Obrigada

Dúvida existencial

É impressão minha ou a maioria dos cirurgiões deste país não passa de um bando de anormais?
Ontem, um médico teve a coragem de dizer ao meu pai que eles (médicos) não estavam ali (hospital oncológico) para falar com os doentes.
I beg your pardon????????????????????

terça-feira, agosto 22, 2006

Obrigada L

Ontem o dia não foi particularmente bom. De corrida em corrida consegui ir ao escritório, passar por casa à hora do almoço para ir buscar o almoço do meu pai, passar no hospital, vê-lo comer, conversar um bocadinho com ele, levar-lhe o jornal, fazer-lhe um desenho, voltar para casa, almoçar, dar um pouco de atenção à minha mãe e ao meu filho, dar-lhe banho e, já no fim do dia, consegui sair para jantar com uma amiga.
E que bem que fiz.
Não que tenha deixado de estar triste, nada disso. Mas o meu estar triste é um sentimento prolongado no tempo e na minha existência; prende-se com a saúde do meu pai, prende-se com a sua tristeza. Mesmo quando sorrio, mesmo quando consigo fazer outras coisas que não pensar no seu olhar, ESTOU triste.
Mas ontem foi especial; um jantar bom, livre, solto, sem preocupações, sem máscaras. Nenhuma de nós precisou esconder-se da outra; nem foi preciso dizer porque estava triste ou porque estávamos ali. A minha amiga L é linda, no sentido mais pleno que a palavra possa ter: quando fiquei grávida costumava dizer que queria ser o tipo de mãe que ela é. E, apesar de saber que ela não se sente copnfortável nesse papel, espero que ela saiba que o que dizia era verdade, como o ainda é hoje. Ela não é obcecada com os certos e os errados da vida; vai fazendo, vai errando, vai aprendendo, vai crescendo...
Ontem foi muito compensador. Consegui sorrir com vontade.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Fuga

Olho pela minha janela e não vejo o sol. Não consigo sentir-me contagiada pela onde de calor que dizem ter voltado à cidade. É novamente Verão, contaram-me, mas no meu coração está um frio gélido. Está tudo sombrio. Gosto do calor, gosto de estar contente... mas não consigo. Estou cansada de tantas lutas, de tanto tentar receber a vida com um sorriso nos lábios.
Apetece-me fugir para uma ilha deserta, sozinha, sem ruídos, sem problemas, sem dores.

sexta-feira, agosto 18, 2006

O meu pai



O meu pai sempre teve um ar grave e sério. Não é uma pessoa de muitos risos. Principalmente, não é uma pessoa de rir sem motivo. Mas quando o meu pai ri tudo se ilumina. Porque, quando o faz é muito genuíno.

Passei grande parte da minha infância apaixonada pelo meu pai. Acho que é o que acontece com a grande maioria das meninas. O meu pai era o centro do meu pequeno universo, onde também havia lugar para as bonecas e, já nuns degraus abaixo, para a minha mãe. Era mesmo assim. ele chegava a casa e eu ia esperá-lo; quando estava cansado fazia-lhe uma massagem; arranjava-lhe os pés quando estes estavamo doridos das botas... havia sempre um esmero extra no seu lugar da mesa.

Depois, o tempo passou; eu cresci, tornei-me uma adolescente e aí passei grande parte da minha adolescência zangada com o meu pai. Eu não conseguia perceber o seu autoritarismo;"não podes isto, não podes aquilo"... deixava-me triste que ele não confiasse em mim, não me desse o benefício da dúvida. Hoje acho que ele também estava confuso. De repente a sua menina tinha crescido, queria ser adulta, queria ter liberdades e privilégios que só os adultos têm... e isso não é coisa fácil para um pai aceitar.

Quando saí de casa destrocei o seu coração. Ele sonhava com um grande casamento. Igreja, música, véu, vestido branco, festança que deixasse toda a vizinhança roída de inveja. Mas eu, pouco dada a satisfazer desejos alheios, troquei-lhe as voltas. Saí quase sem aviso, no dia em que chegou o roupeiro... ele ficou destroçado

Mais tarde veio o hábito. Ele habituou-se aquilo a que chama "um novo filho" e a ter uma filha que não era casada. Estranhamente, voltámos a estar mais perto um do outro. Eu voltei a ver nele aquela figura pela qual era apaixonada em menina e ele pôde volltar a amparar-me. Sem o autoritarismo da adolescência, porque eu era já uma pessoa distinta, fora do seu domínio, mas com o amor de sempre.

Quando fiquei doente vi nos seus olhos a revolta. O sorriso sumiu-se de novo. Percebi que ele não entendia porque razão eu estava a sofrer daquela forma, porque motivo não podia ser ele a estar no meu lugar. Mimou-me, nunca me deixou só. Esteve sempre presente.

Depois ficou ele doente e eu não quis acreditar. Para mim era inconcebível tanta dor, tanto sofrimento em tão pouco tempo. Queria fazê-lo sorrir, mostrar-lhe que podemos superar os maiores obstáculos quando queremos... No início pareceu-me que ele ia conseguir. Estava forte, determinado. Mas fui-me apercebendo que ele não tinha mais forças nem sorrisos. Tinha-os gasto todos comigo, a tentar animar-me, a tentar animar-se da minha dor.

Do meu casamento guardo muitas memórias fantásticas. Mas a memória que guardo do meu pai é a desta foto. Triste, pensativo. De olhos baços. Sem sorriso.

E agora, em mais um momento difícl, não consigo olhá-lo nos olhos e dizer que vai correr tudo bem. São poucos os medos que lhe conheço mas sei, desde o início da sua doença, o que o mais atormenta: a ideia da mutilação.

Queria tanto voltar a vê-lo sorrir!

quinta-feira, agosto 17, 2006

Porquê?

E ele há dias em que estamos mesmo de costas voltadas para o mundo!
Se há coisa que me deixa furiosa é a sensação de frustração causada pela injustiça. Ver a mediocridade premiada, por exemplo. Ver a tristeza dos outros causada por acontecimentos inexplicáveis de tão absurdos que são...
Agosto não está a ser um bom mês, é verdade. Os astros não me acompanham. Mas, no final das contas, o que são pequenas frustrações, pequenas insatisfações, comparadas com um bem maior que é a vida. Ou, posto de outra forma, comparadas com um mal irreparável que é a morte?
Chiça, que isto não está fácil.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Insatisfação crónica

Ando neura. Por tudo. Por nada.
A maior parte das vezes penso que tenho motivos para esta neura. O ser humano consegue ser realmente merdoso e eu, tenho tido a minha quota parte de experiências com merdosos.
Mas há momentos em que penso que o problema é meu e não dos merdosos. Afinal o que quero eu fazer? Onde quero trabalhar? De que forma posso sentir-me mais realizada? Será que não sou uma insatisfeita por natureza? Será que este nó vai mesmo passar?

Saudadinhas


Se ele está em casa queixo-me da rotina, da ida a casa da avó, do banho, da comidinha, da impossibilidade de sair de casa para apanhar ar. Se ele está fora é esta sensação de vazio horrível que me invade, de tal modo que até tenho saudades das birras monumentais como esta, devidamente documentada.
Volta filhote!

segunda-feira, agosto 07, 2006

A morte sem nome

"Me preparo para a morte como se preparam para a vida. Todos os dias. a dor nunca é insuportável quando você sabe que acaba.
Assim fui uma mulher maior. Maior do que a vida. Cicatrizes e experiências. Quebrando e reconstruindo. Rasgando e recosturando."
Santiago Nazarian in A Morte Sem Nome

quinta-feira, agosto 03, 2006

Citação

"No livro que eu tinha na mão, o único sobrevivente da minha biblioteca, Schianberg escreveu: o detalhe é a alma de toda a fantasia. Qualquer detalhe, por mais inusitado ou pervertido que seja. Daí os fetiches. A particularidade do desejo. E um detalhe pode tornar-se muitas vezes mais excitante que a própria fantasia."
Marçal Aquino Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios

segunda-feira, julho 31, 2006

Estou bem, obrigada

Há dias senti-me angustiada e assustada. Ao mínimo sinal de dor, de indisposição prolongada não consigo deixar de ficar assustada. Felizmente não é nada. Ou melhor, é qualquer coisa, mas nada de saúde. Pelo menos não de saúde física. Estou a dar em doida, é verdade, mas para isso há remédio... mais cedo ou mais tarde.

terça-feira, julho 11, 2006

A ressaca

Agora que se foi o Mundial, e com ele a estranha sensação de irrealidade em que mergulhámos durante três semanas em que pensámos que o céu era o limite, resta-nos voltar à realidade. Ou melhor, ressacar com a realidade. Já não temos assistências do Figo para discutir, nem passes do Cristiano Ronaldo para rever na televisão. Já nem sequer praguejamos contra a França, os seus jogadores e treinador, que os pobres lá tiveram o castigo merecido.
Agora, estamos de volta à vidinha do costume, com os problemas do costume... e com aquela dor de cabeça de quem está com uma bruta ressaca.

terça-feira, julho 04, 2006

A neura

Hoje estou de chuva. Sinto-me como o tempo. Há uma neblina acentuada sobre esta minha cabecinha ruiva. Odeio chuva, principalmente no Verão. Agrhhhhhhhhhhhhhh
Dêem-me dias quentes, fins de tarde amenos.