quinta-feira, março 08, 2007
SOBREviver
Não por falta de assunto ou de vontade. Tem sido mesmo por falta de tempo.
Novo emprego, novas solicitações. O filho que, depois de dois meses de mãe a tempo inteiro, está decidido a reclamar. O pai doente que não tem a devida atenção ou, pelo menos, não tem a visita diária a que já estava acostumado...
Mas hoje é um dia especial. Um dia em que me sinto uma sobrevivente.
Faz hoje dois anos que entrei num bloco operatório sem saber muito bem se iria sair de lá ou em que estado sairia. Tudo era uma incógnita. Depois desta operação, que me mutilou de forma definitiva, passei a ver contabilizada a minha existência.
Os médicos falam em sobrevida. Como se o calendário tivesse parado naquele dia e àquela hora. Como se todos os dias que se seguiram fossem um bónus.
Por tudo o que já vivi nestes dois anos e pelo que ainda espero viver (sobretudo em qualidade), sinto-me feliz e em paz.
domingo, março 04, 2007
Teoria da evolução
Encontro-te bem e isso deixa-me reconfortada. Mas sei que ainda há um longo caminh a percorrer. O perigo já não paira tão sobre a nossa cabeça, mas ainda não estamos a safo.
Tentamos evoluir, cada um da sua maneira.
Hoj li-te mais uma das minhas cartas.
Aguardo que sintas vontade de me contares os teus dias ou os teus pensamentos.
Hoje é o dia 12
quinta-feira, março 01, 2007
Escrita em dia
Quando em 1997 fui viver um semestre para Salamanca escrevia cartas todos os dias. Aos meus pais, aos meus amigos, a um ou outro familiar mais próximo... algumas delas ainda estão guardadas numa caixa algures em casa dos meus pais. Eu adorava escrever. Ajudava-me a ameninzar a saudade, o isolamento.
Com a net, o messenger, o mail e o malfadado telemóvel, fui perdendo o velho hábito de pegar na caneta. Quando fiquei doente comprei um caderno cor-de-rosa que me acompanhou no hospital e onde escrevia alguns dos meus pesamentos mais tenebrosos, algumas das minhas dúvidas e angústias... mas o espírito era diferente do das cartas. Eu não escrevia para outro que não para mim própria, apenas com a finalidade de libertar algo preso em mim.
Ontem, enquanto conversava contigo, lembrei-me desse velho hábito perdido e de como ee poderia ser uma forma de te aproximar ao mundo. Agora que nunca mais falarás a escrita poderá ser o nosso elo secreto.
Todos os dias te vou escrever uma pequena (ou grande) carta a contar-te as miudezas do meu da-a-dia. A fila de trânsito, as traquinices do Henrique, as pessoas que telefonaram a saber de ti...
O primeiro passo é meu, escrever-te.
Depois, espero que te sintas bem para me começares a escrever a mim.
terça-feira, fevereiro 27, 2007
Brecha de luz
Um daqueles dias que enchem a alma. Luz fantástica, dia ameno.
O meu coração também está assim: em estado de aquecimento. Lento, sem pressas, sem sobressaltos e, sobretudo, sem grandes euforias.
Mas fez sol no meu coração.
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
Interrompemos para uma pausa humorística
Sentados numa bela esplanada de Lisboa tentávamos, pelo menos eu, alhear-me um pouco daquela que tem sido a minha rotina nos últimos dias. Nada como o Tejo e luz da cidade para descomprimir.
A meio do lanche a lembrança de enviar uma mensagem à Chica (a nossa empregada) para que fizesse jantar.
Minutos depois uma mensagem de um dos líderes partidários do nosso Portugal dos pequeninos.
"Enganou-se. Aqui não há nenhuma Chica".
Seria um jantar às direitas.
DIA ATRIBULADO
Faz hoje uma semana chorei a tua morte, pensei em tudo o que era preciso fazer, que providências tomar.
Hoje voltei a tomar providências. Por iniciativa do mano transferimos-te para uma clínica. Lá fui eu, para aquele hospital ao qual espero nunca mais ter de voltar, dizer que te queria levar.
Não sei o que vai acontecer. Se voltarás a ser alguém parecido com o que já foste, ou se nos morrerás. Mas sei, pelo menos, que a tua morte, se tiver de acontecer, será digna. Não morrerás fechado numa sala como um cão sem dono. Terás alguém que te segure na mão, que te tranquilize.
Acho que vai ser importante que vejas o Pedro todos os dias. E para ele é muito importante poder tratar de ti.
Eu, pela minha parte, vou tentar permitir-me uma pequena pausa. Estou exausta. Não te quero deixar, mas preciso retomar, de alguma forma, a minha rotina.
domingo, fevereiro 25, 2007
AO SEXTO DIA...
Gostei de te ver, de barba feita (obra da formiguinha mãe). Mas o teu olhar está triste... tanta gente à tua volta de bata, máscara e luvas... ficas a pensar que o fim já chegou. Talvez tenha chegado. Talvez não.
Na parte que te cabe, tens de lutar.
Nós, por cá, estamos a reunir as tropas para te tirar desse buraco e te restituir alguma dignidade.
Até amanhã.
sábado, fevereiro 24, 2007
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
DIA 4
Vejo-te agarrado à vida como nunca. Não depende de ti a tua morte, bem sei. Mas lutar depende e tu, para não variar, deste-me uma grande lição de vida ao demonstrares que é quase sempre possível lutar um bocadinho mais. Lutar pelo menos até que o corpo nos traia... e o teu pode trair-te a qualquer instante. Até lá prometo visitar-te, amar-te, segurar-te na mão e falar-te do meu dia.
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
Pretérito Imperfeito
DIA 3
Será que se vai completar ou será interrompido a meio?
Estou ao telefone a tentar saber como foi a noite, mas não me atendem.
Estamos em suspenso.
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
Dia 2
Ela continua a ser mais do que real, o risco de morrer é o mesmo: tudo acabará se houver outra hemorragia. E as probabilidades de tal acontecer são muitas, imensas... quase uma certeza nas próximas horas. Mas a morte também o era há dois dias.
E agora?
terça-feira, fevereiro 20, 2007
É permitido sonhar?
Ontem tinha a hemoglobina a 2,7, muito abaixo do limiar de sobrevivência. Todos lhe ditámos o fim.
Hoje acordou. Abriu os olhos, escreveu num papel. Pediu-me um beijo.
Não consigo perceber se acordou para se despedir da vida ou para se agarrar a ela.
domingo, fevereiro 18, 2007
A primeira vez que o meu pai me começou a morrer...
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
A vida é um lugar muito estranho
Deveria ter começado bem, com o meu aniversário. Sim, eu sou daquelas pessoas que gosta de comemorar o aniversário, que gosta de ficar uma tarde inteira a cozinhar para os seus amigos, que gosta da confusão de vinte pessoas às cotoveladas num terceiro andar de Lisboa. Gosto dos gritos dos miúdos, das conversas supostamente sérias de alguns dos adultos, dos encontros anuais proporcionados, das prendas, dos beijos, dos carinhos. De há dois anos a esta parte costumo dizer que cada ano que faço é um bónus. Não era suposto eu comemorar mais que os meus 29 anos. Mas, sem saber muito bem como, fintei a morte. E por isso, a vontade de comemorar é cada vez maior.
No entanto, este ano o meu aniversário teve um sabor estranho. O meu pai voltou a adoecer. E enquanto eu tentava pensar na alegria de estar viva, sabia-o a agonizar numa cama de hospital, pronto para enfrentar mais uma mutilação definitiva.
Na terça-feira o meu pai foi operado. Depois de uma hemorragia gravíssima que poderia ter ditado a sua morte, o meu pai teve de se render à evidência. Laringectomia total... nunca mais vai falar. Se tudo correr bem (mas no caso dele correr bem tem sido sempre uma miragem) ficará a comer pela sua própria boca, mas não está descartada a hipótese de ser alimentado por uma sonda... 55 anos...
Enquanto o meu pai se submetia a mais uma mutilação no seu corpo, eu enfrentava, à minha própria maneira, um outro desafio. Uma segunda entrevista para emprego. Que consegui, diga-se de passagem. Numa situação normal, este emprego seria o suficiente para eu andar aos pinotes por Lisboa e para telefonar a todos os meus amigos, feliz da vida. Mas naquele momento em que tudo ficou acertado, tive vontade de voar até ao hospital para ver o meu pai e dizer-lhe que havia uma boa notícia para nós.
Tive de esperar até às 10 da noite para o ver e lhe contar.
A nossa vida não tem sido particularmente fácil nos últimos dois anos. Não somos os únicos, bem sei. O mundo está repleto de pessoas que lutam diariamente por um pouco de dignidade. Mas não tem sido fácil.
E tenho dado por mim a pensar nesta coisa das compensações... será? O teu pai não melhora mas, em compensação, arranjas emprego...
Não sei o sentido que tudo isto faz, mas a vida é mesmo um lugar muito estranho
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Não respire... pode respirar
Hoje faço 31 anos. Ontem à noite comemorei a entrada neste dia com o meu marido, duas amigas do coração e uma bela garrafa de murganheira que tinha sobrado do casório. Os 31 e o sim! Finalmente o sim!
Hoje de manhã acordei com o meu filhote e as suas "supesas" para a mãe.
O dia prometia ser bom, muito bom. Ou, pelo menos, eu ia tentar que assim fosse.
Mas há sempre um mas. Às vezes sinto-me como naquela canção do Godinho "Não respire, pode respirar, não respire, pode respirar"...
O telefone tocou, o meu irmão... mais parabéns e coisa e tal. "O pai foi outra vez para o hospital"
domingo, fevereiro 11, 2007
sim, por favor
Bem sei que não deve ser vinculativo mas, se em 98 se respeitou a vontade dos que votaram não, espero que desta vez o nosso governo os tenha no sítio e legisle de acordo com a opinião dos que se deram ao trabalho de enfrentar a chuva e votar.
sábado, fevereiro 10, 2007
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Está quase
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Confronto
Só para que uma delas me viesse impingir o raio do panfleto.
E só para lhe responder apontando para a minha barriga "Não obrigada, aqui mando eu".
terça-feira, janeiro 30, 2007
Ele há dias que parecem noites
Não me bastavam as incertezas face à saúde a à felicidade dos que me são muito queridos. Não me bastava não ter estômago e por isso ter de levar hoje (logo hoje) a injecção de vitamina B12.
Ainda tinha de terminar o dia a ver o filme do Mel Gibson!
Mas que raio de tendência a minha para procurar o que não devo. Depois do Braveheart juro que ste foi o primeiro o último filme do gajo que vi. Eu não quero violência, não quero ver corações a saltar em mãos, cabeças a rolar, mulheres a ser violadas... por mais verdadeiro que tudo aquilo seja, basta. Eu mereço alguma paz de espírito. E que ela me venha da ficção, dessa mesma ficção que se pode consumir a pedido: pago o bilhete e, durante duas horas, vou alhear-me do meu mundo. Não quero um mundo seja ainda pior que o meu.
segunda-feira, janeiro 29, 2007
Odeio
Por que raio não me consigo ver livre deles?
sexta-feira, janeiro 26, 2007
quinta-feira, janeiro 25, 2007
Por mais voltas que dê...
Pensamentos dispersos
- A vida é mesmo uma porra. Há sempre uma areia na engrenagem para nos atrapalhar. O problema é quando a areia se transforma em deserto e, antes de termos tempo para nos levantarmos de uma das quedas que a vida nos proporciona, já estamos outra vez de queixos na areia a ver tudo de uma perspectiva baixa, muito baixa.
- Por que motivo sofrem aqueles que amamos? A cada dia sou surpreendida com um novo drama ou o avivar de um velho... e como não vivo sem os que me são queridos, não consigo deixar de pensar neles e na tremenda injustiça de tanto sofrimento.
quarta-feira, janeiro 24, 2007
morrer em vida
O meu irmão, que é enfermeiro e lida constantemente com esta evidência, dizia-me há uns anos atrás e em tom algo jocoso, que a morte era a primeira doença sexualmente transmissível...
Nos últimos dois anos tenho convivido muito com esta evidência da vida. Talvez até em doses excessivas para alguém que tem 30 anos. O cheiro da morte, a sua ameça, e, em outros casos, a sua evidência, têm-se feito sentir com grande evidência aqui para as minhas bandas.
Na segunda-feira, em conversa com uma amiga, ela dizia-me, referindo-se à doença do seu pai, que a coisa que mais impressão lhe fez, durante uma fase mais aguda, foi a sensação de que ele estava a desaparecer em vida. E o que ela me disse faz todo o sentido porque é exactamente o que sinto em relação ao meu pai. Ele está vivo, sim... mas pouco vivo. A sua vida é tão pequenina, é tão pouca vida. Sinto-o a desaparecer como areia fina por entre os meus dedos e tenho a ilusão de que está vivo porque o vejo todos os dias. Só que quando penso a sério no assunto percebo que ele já não é um vivo completo, não se sente verdadeiramente neste mundo. É como se ele estivesse em transição entre dois mundos, o dos vivos e o dos mortos, e eu, que não sei de que lado ele vai ficar, tento puxá-lo, com todas as minhas forças, para o lado de cá.
terça-feira, janeiro 23, 2007
Será que é desta?
Vida interrompida
Aqui estou eu em casa, supostamente sem nada que me ocupe mas, nas verdade, atafulhada de afazeres: o pai para levar ao hospital, a mudança do quarto do filho, a arrumação do escritório, mais o filho doente que é preciso levar ao médico e que é preciso cuidar em casa. E a casa, não podemos esquecer a casa, a ementa do almoço e a do jantar também. O telefonema aquela amiga, a visita à outra.
E, tudo muito espremidinho, continua a falatar o tempo para mim. Ainda não li (O Ruben Fonseca vai a meio), o tricot anda a meio gás, e a escrita, bem essa nem se fala.
Falta-me tempo, penso. Mas como se tenho todo o tempo do mundo?
quinta-feira, janeiro 11, 2007
Porque ainda não te escrevi

Primeiro eu. Lembro-me claramente do teu olhar enquanto me dizias que já tinhas mais de cinquenta anos e que era uma injustiça ser eu, com 28, a ficar doente. "Como é que Deus nos fez isto?", perguntaste. Eu nã tinha resposta para te dar. Porque já tinha virado as costas à religião há alguns anos e porque estava ainda, eu própria, à procura de uma orientação, algo que me fizesse ir na direcção certa; procurar resolver o problema, pensava, sem revoltas e, sobretudo, sem entrega.
Tu lá ficaste com o teu coração de mãe dilacerado a pensar o que fazer para me ajudares...
Depois os acontecimentos foram-se sucedendo muito rapidamente, sem tempo para grandes conversas ou grandes reflexões: exames, mais exames, consultas médicas, diagnósticos, prognósticos, operação, quimioterapia, radioterapia, mais internamentos. E tu sempre ali, firme como uma rocha. Todos os dias me ias visitar. Tu e o pai, claro. tomavas conta do meu filho, tomavas conta do meu marido... tomavas conta de mim.
No teu olhar a tristeza e a revolta. Mas para mim tinhas sempre uma palavra de conforto e de luta, "não podes desistir". E eu lutei, porque me estava na alma mas, sobretudo, porque assim me tinhas educado, a não baixar os braços perante a adversidade. E esta nossa luta foi bem dolorosa. Digo nossa porque às minhas dores físicas junto as da tua alma. Tu sofrias por mim.
Depois melhorei e pensei que poderíamos ter alguma paz, que o nosso pequeno clã poderia respirar de alívio.
Mas tu já estavas a empreender uma outra luta: a do pai. Poucos meses depois foi a vez dele. Cancro assim tão logo a seguir ao meu? aí sim, sentiste-te injustiçada. O teu Deus ainda não te tinha dado tempo de te recuperares de uma dor e já estavas tu a ser arrastada, novamente, para os corredores dos hospitais, para aquele ambiente mórbido de batas brancas, meias conversas...
Mas tu, não sei com que forças, lá te mantiveste novamente firme, a amparar o pai nos teu braços, com tanta ternura mãe, tanto amor. Que dedicação.
E o caso dele, que aparentemente era bem mais fácl que o meu, foi-se complicando e complicando até chegarmos aqui a este beco. E estamos assustados. Tu, tu estás exausta, esgotada. Nem sequer tens tempo para as tuas muitas dores. Suspendeste a fisioterapia... "Mas como é que eu posso deixar o teu pai sozinho em casa. Logo agora?".
És maravilhosa mãe. és uma guerreira, uma mulher inteira, completa, defensora da sua família.
Um dia quero ser como tu.
Obrigada
segunda-feira, janeiro 08, 2007
Vazio
quinta-feira, janeiro 04, 2007
...
quarta-feira, janeiro 03, 2007
Ano Novo...
Foram dez dias de intensa vida social passados entre canjas, sandes de galinha, carne em vinho e alhos, bolo mel, broas de mel, carne em vinho e alhos e mais uma canjinha para a viagem.
Eu bem sei que é só uma vez de dois em dois anos mas, acreditem, é o suficiente.
Não fosse o caso de não ter estômago e acho que estaria entupida até à garganta.
Agora que o ano velho se foi, e com ele as iguarias acima descritas, estou de volta ao mundo real, não o mundo que deixei antes de partir mas, mesmo assim, um mundo real. Um mundo com patrões sacanas e de memória curta....
Parece que vou entrar neste ano à procura de emprego.
E que descansem os senhores o Governo porque, mesmo sem estar a par das novas alterações à lei do subsídio de desemprego, eu vou estar activamente à procura de trabalho
quinta-feira, dezembro 21, 2006
quarta-feira, dezembro 20, 2006
A minha alma está parva
terça-feira, dezembro 19, 2006
Vamos lá a rir um bocadinho

A vida vai correndo.
Há coisas que não se podem mudar, independentemente do nosso estado de espírito. O trabalho é uma delas.
Para aliviar as dores (do corpo e do espírito) meti-me a adaptar este livro. Precisava de algo divertido, leve, para me ausentar das tristezas.
E que livro!
Divertido, muito divertido.
Começo aqui a publicar algumas das preciosidades nele contidas.
Obrigada, Claudia Tajes
segunda-feira, dezembro 18, 2006
Isto sim, deixa-me de bem com a vida

For once in my life. Bennett e Stevie Wonder.
For once in my life I have someone who needs me
Someone
I've needed so long
For once unafraid
I can go where life leads me
And somehow I know I'll be strong
For once I can touch
What my heart used to dream of
Long before I knew
Someone warm like you Could make my dreams come true
For once in my life
I won't let sorrow hurt me
Not like it's hurt me before,
oh For once I've got someone I know won't desert me
'Cause I'm not alone anymore
For once I can say
This is mine, you can't take it
As long as I've got love I know I can make it
For once in my life I've got someone who needs me
Bela prenda de Natal. Ainda não tenho.
E ainda falta uma semana para o Natal...
Só que este fim-de-semana foi, no mínimo, intenso e se assim continuar garanto que há fortes probabilidades de passar a ser uma daquelas mulheres a que a palavra Natal provoca uma urticária generalizada.
Sexta-feira:
-sair do trabalho a correr para ir para casa tratar do filho e do jantar para dois familiares convidados
Sábado
- almoço em casa de amigos que terminou por volta das 17h
-corrida até casa para apanhar as prendas das amigas com quem ia estar num lanche de Natal. Lá trocámos prendas e demos o gato à tininha.
- corrida para casa para o jantar com mais dois amigos. Antes disso, rápida passagem pelo supermercado para comprar iguarias em falta.
Domingo:
- levar o filho ao parque porque o fim-de-semana não pode ser só para os adultos
- almoço com amigos da faculdade. Entre o frango assado e as batatas fritas, lá tivemos tempo para pôr alguma da conversa em dia (Su gostei de te ver embora tivesse um diabo de dois anos e meio entre nós), trocar umas prenditas e dar uns abraços.
- lar, doce lar, para meter o miúdo na cama. Isto sem sesta fica ainda pior.
- fim da tarde, voltamos para o carro. "Henrique, vamos ver o presépio da mãe da tia Catarina".
- Ás oito da noite lá fizemos a tão prometida visita à Avó Emília. Visita curtinha, e que deveria ter sido a maior porque, no fundo, são eles os que mais precisam de mimo e atenção.
Mas o Natal tem destas coisas, põe-nos loucos com a nossa própria agenda social.
E, por vezes, trocamos as prioridades.
sexta-feira, dezembro 15, 2006
Olá Carolina
Parabéns Carolina! Parabéns papás.
quinta-feira, dezembro 14, 2006
Excursionar
terça-feira, dezembro 12, 2006
Chegou o Natal

Ontem fui à Baixa mostrar as iluminações de Natal ao meu filho. Ele, que é louco pelo Natal, pelas luzes, pelas cores, pelo pinheiro e pelo Pai Natal (desde que mantido a uma distância mínima de segurança, claro está).
Ontem fui à Baixa, subi e desci a rua do Carmo, circundei o sino gigante do Rossio, desci a rua Augusta, tirei a fotografia da praxe em frente à "maior árvore de Natal da Europa", subi a rua Nova do Almada e regressei a casa.
Ontem estive de mãos dadas com os meus dois amores (por imposição do mais pequeno dele, claro) e com uma amiga muito querida. Comemos castanhas, demos as mãos e rodopiámos, os quatro, qual de nós a criança mais pequena.
Ontem, inundados pela inocência de um miúdo de dois anos, estivémos ali, próximos, livres, nem que por breves segundos, alheados das nossas dores. E, pela primeira vez este ano, fez-se Natal no meu coração.
segunda-feira, dezembro 11, 2006
Conversa alheia
Hoje fui ao Chiado, e como eu gosto do Chiado.
De passear pelos alfarrabistas, de ver as pessoas nas esplanadas, de sentir a luz da cidade.
Hoje fui ao Chiado almoçar e enfrentar a loucura das prendas de Natal em falta.
Sentada numa pequena mesa a tentar mastigar um hamburguer sou surpreendida pelas verdades insondáveis da mesa ao lado.
Há pessoas que ainda se preocupam com a vida alheia, que vivem a vida dos famosos como se da sua se tratasse... ri-me, ri-me muito, mas depois fui invadida por uma certa tristeza... viver desta forma a vida dos outros faz-nos pequenos, sem mundo...
Será?
quinta-feira, dezembro 07, 2006
Back to Basics

quarta-feira, dezembro 06, 2006
esta é difícil...
- De quem, Henrique?
- Da Floibela?
- Quem é essa?
- É aquela menina bonita que canta.
terça-feira, dezembro 05, 2006
Hoje queria estar aqui
segunda-feira, dezembro 04, 2006
E no meio de tantas dores surgem as minhas
Mãe: Desculpa estar a ligar a esta hora mas preciso de ajuda. Tu e o teu irmão têm de ajudar o pai a sair desta apatia...
Filha: ... Queres que fale com ele?
Mãe: Quero tê-lo de volta. Não aguento tanta tristeza
Não sei
Por não saber a que distância está a minha? Por ser obrigada a pensar nisso todos os dias?
Por querer receber nos meus braços as que me são especialmente queridas e muito sofrem?
Por que não consigo seguir em frente, eu que nem era íntima de nenhuma delas, que nem os conhecia a eles?
Porquê?
Por que motivos os meus olhos se enchem de água de cada vez que penso nelas, no que já não vão viver...
sábado, dezembro 02, 2006
carta Aberta à "jornalista" Catarina Cristao
Vidas de infortúnio
Assim se chama o texto assinado por Catarina Cristão na última ediçao do semanário Sol. A notícia promete ser importante, já que tem chamada à primeira página e anuncia contar a história dos quatro portugueses mortos no Chile.
A mim, que sou uma pessoa crente na capacidade dos jornalistas, pareceu-me que iria ver no interior do jornal um perfil dos quatro amigos (coisa que me parece ainda não ter acontecido, pelo menos não na mesma publicação).
Mas não, nada disso, o que Catarina Cristão nos traz é, longe de ser uma bela peça de prosa, ou mesmo um belo texto jornalístico, um pedaço de lixo. Uma vergonha.
Nao é um texto ofensivo para as famílias, nao tenta apontar pormenores sórdidos das vidas destes quatro amigos. Mas, a meu ver, é ainda pior, do ponto de vista jornlístico. E vejamos se me consigo explicar, porque a minha indignação é tao grande que tenho receio que me tolha o raciocínio.
Para começar, cara Catarina, gostava de saber qual é o seu ponto de vista nesta notícia. Onde está o seu lead? qual é o seu objectivo? Dar-nos informações concretas sobre a morte deles não é, porque não nos dá novidades: pode ter sido o mau tempo. Sim, pode. Mas também pode não ter sido. Não é dizer-nos quando serão os funerais ou quando os corpos poderão chegar a Portugal (pode ser hoje ou amanha, diz você referindo-se a sexta ou sábado). Ora eu, assim como grande parte dos amigos da Zé, da Cláudia, do César e do André sabemos que é mentira e sabemos quando é que eles chegam. (Informou-se mal...)
Então o que a move, se não o sentido de informar o leitor?
Só encontro uma resposta: o sensacionalismo usando o seu mais vil disfarce: o de um suposto trabalho sério e algo poético sobre a morte de "colegas" de profissão.
O que lhe importa não é a morte destes quatro amigos, pessoas que valem o mesmo, em termos de vidas humanas. Por mais que gostasse da Cláudia, sei que a morte dele é tao estúpida como a da Zé, a do César ou a do André. É igualmente brutal, é igualmente inexplicável.
Isto para mim, porque para si a coisa é diferente. Para a sua brilhante mente (de resto tão brilhante quanto a do editor que permitiu a publicação do texto em questão), o quer importa é o grau de desgraça que cada uma destas pesoas coleccionava antes de morrer.
Vejamos: a Zé tem honras de abertura e destaque não por ser a pessoa extraordinária que decerto era, mas porque já não tinha pai nem irmão, deixando a sua mãe sozinha neste mundo.
Não se atrapalhem no entanto, diz-nos a Catarina Cristão, porque, e passo a citar, "a mãe é uma pessoa muito espiritual e terá recebido a notícia com alguma serenidade." A sério? Acha mesmo normal que isso tenha acontecido Catarina? ainda bem que nos deu esta informação.
A segunda pessoa em destaque é o César. e porquê? Porque na contabilidade das mortes estava à frente dos outros. Já tinha perdido o pai e a mãe.
O César é, para si, mais importante que a Cláudia que, nesta contabilidade mórbida, só podia reclamar a morte do pai. Ah, isto se "uma irma gravemente doente" não for suficiente...
O André, o mais novo dos quatro, tem direito a três linhas nesta pela peça. Já adivinharam, por certo. Tem pais e irmaos vivos. Que desperdício...
É triste, revoltante, este tipo de jornalismo.
Eu já não tenho carteira profissional e, confesso, fiquei especialmente aliviada por não a ter. Porque, no momento em que li esta notícia, senti uma enorme vergonha pelas pessoas que me são muito queridas e que são jornalistas. Jornalistas à séria, não como você, Catarina.
P.S- No destaque do seu texto aparece "Maria estava com medo..". quem é Maria? Se não sabe, para os amigos ela era Zé. Quer ser poeta, escreva um livro. Quer fazer bonito a escrever? Então leia o texto da Fernanda Câncio na edição de 26 de Novembro do Diário de Notícias e aprenda como se pode fazer bonito, escrevendo bem.
quarta-feira, novembro 29, 2006
corpo em movimento

Ontem fui ao teatro.
Que saudades.
Faz agora dois anos que saí da Capital, que me deixei de jornaladas, de teatros e de espectáculos de dança.
Não tenho saudades de redacções cheias de fumo, de pessoas que começam a trabalhar às 4 da tarde, de notícias de agenda, de jornalismo de rabo sentado na cadeira.
Sinto falta... sinto falta de falar com pessoas interessantes, de encenadores que expliquem o seu ponto de vista, de coreógrafos capazes de me iluminar, de intérpretes cheios de singularidades.
Ontem vi o Miguel Borges, e já não o via há algum tempo. E que saudades!
Ali, no escuro de um barracão na Casa dos Dias d'Água, vasculhei a mala, como nos velhos tempos, à procura de papel e caneta. E lá estavam.
Escrevi o seguinte:
Expressividade máxima.
Fisicalidade quase animal.
O Miguel Borges é assim. Um corpo em movimento. Há muito que não o via no palco. quando terá sido a última vez? Um Beckett? Um Spiro Scimone? Não me recordo ao certo. Mas é muito reconfortante vê-lo para além dos anúncios da cerveja.
Gostei de o ver. O seu corpo em movimento; a sua totalidade enquanto actor que passa, em grande parte, pela fisicalidade que imprime aos seus personagens.
Esta noite, enquanto o via, pensei na vida, na sua celebração, na alegria de estar e de poder partilhar.
Acordei
Abri os olhos
A luz era forte
tão forte que me cegava
Voltei a fechá-los
Esperei que tudo fizesse mais sentido
E quando abri novamente os olhos vi com clareza
Lá estavas
a rir
a rir muito
a rir de nós
o teu riso não permitia tristezas
não permitia choro
nem infelicidade
Porque choras tu?
Por mim?
Não o faças.
Eu aqui estarei sempre aí
A minha ausência só se fará sentir se o esquecimento o permitir
Lembrem-me como sempre fui
Recordem-me na memória de cada um de vocês e eu serei ainda mais do que fui
porque serei o somatório de todas as memórias
Acordei
O dia não era tão azul como desejava
A vida não era tão plena como eu queria
Mas, estranhamente, a tua ausência não doía tanto
Porque em todas as bocas
em todas as palavras dos que te conheceram e amaram
te conheci melhor
mais completa
Acredito que sejas assim
(P.S. Para a Cláudia Magalhães, para a Susana C P)
terça-feira, novembro 28, 2006
A vida também é isto

Seis meses. Foi há seis meses. Ele e ela estavam sentados numa pequena esplanada de um não muito grande restaurante (em tamanho, porque a qualidade da comida era suberba), numa vila ainda mais minúscula perdida num alto lá para os lados da Toscânia.
Entre uma bela garrafa de vinho, uma piza de cogumelos frescos e um atum braseado, eles perceberam que a vida também pode ser isto: puro prazer, pura degustação. De comidas, de bebidas, de cheiros, de sentimentos. Ela sentiu-se plena e não sabe se lhe disse isso. Obrigada, amor.
segunda-feira, novembro 27, 2006
incertezas existenciais
domingo, novembro 26, 2006
Em choque
Quatro amigos partiram para a Patagónia à procura de umas férias de sonho. Quatro cúmplices, quatro pessoas à sua maneira especiais, capazes de passar três semanas juntos em situações nem sempre favoráveis. Foram à procura de uma beleza sem explicação, à procura de momentos únicos, especiais, que fazia sentido partilharem uns com os outros. E acabaram por morrer de uma forma brutal e sem sentido.
Não conheci o André, nem sequer o César; vi a Maria José uma mão cheia de vezes. e a Cláudia, apesar de não ser íntima era, dos quatro, a que melhor conhecia. Amiga de amigos comuns, lá nos encontrávamos em aniversário, à porta do cinema, ou na rua. Sempre com um sorriso nos lábios, sempre com uma frase amiga.
O que sinto em relação a estes quatro amigos é, no entanto, muito forte. De tão pequenino que o mundo é, tínhamos vários amigos comuns. Embora nunca tenha visto o César, ele chegou a ser tema de conversa em algumas situações. Alías, há cerca de duas semanas estava a jantar em casa de uns amigos comuns quando ele enviou um sms a explicar o como as férias estavam a ser espectaculares... nesse mesmo jantar soube que a susete (amiga dos tempos da faculdade) era muito amiga da Zé...
A notícia da morte destes quatro amigos deixa-me sem palavras que me consolem e sem palavras de consolo para as pessoas que me são tão queridas e que sei que neste momento estão a sofrer uma enorme perda. A Susana, a Susete... o que dizer, o que fazer perante semelhante brutalidade? O que fazer para atenuar a dor e a tristeza?
Sempre que penso neles vejo a Cláudia com aquele seu ar despachado e risonho, o mesmo ar com que me encontrou há uns anos na rua, eu grávida de fim de tempo a bufar de calor e ela com o seu ar se virou para mim e me disse "finalmente vou almoçar com alguém que está mais gorda que eu". Tenho a certeza que foram dias fantásticos os que passaram na Patagónia, tenho a certeza que o que viveram momentos inesquecíveis.
Tenho muita pena que não voltem para contar o quão maravilhosos foram os cumes, as crateras, os glaciares os lagos que viram. Tenho muita pena de não saber, por intermédio dos amigos comuns, como tudo foi maravilhoso.
Deixo-lhes aqui a minha homenagem. A eles, às famílias e aos muitos amigos que tinham.
quinta-feira, novembro 23, 2006
segunda-feira, novembro 20, 2006
Ouve lá pá, estás parva?
Amiga fica, sobretudo, triste por amiga não dizer o que pensa ao marido e, em vez disso, dizer a amiga.
Amiga fica indignada mas, antes disso, pensa se marido, afinal, não é um sacaninha no trabalho.
Amiga telefona a outra amiga.
Amiga chora de tristeza e indignação e acaba por perceber que afinal não há pessoas perfeitas e que, mesmo as amigas supostamente modelo, também têm pés de barro e esqueletos escondidos no armário.
Desabafos de uma mãe temporariamente solteira, ou porque é que não sou amiga do Super-Homem do de outro herói qualquer que saiba voar?
Isto de estar sozinha em casa com o filho durante uma semana rapidamente se pode transformar num pesadelo...
Na passada sexta-feira, e depois de uma semana e meia de antibiótico que ainda não tinha acabado, tive de voltar à pediatra com o meu filho. Só para terem uma ideia, foi a terceira vez no espaço de um mês. Já para não falar da chatice de ter o miúdo sempre atafulhado de medicamentos, a coisa já se cifrava pelos 225 euros (3x75).
Ir para uma urgência com o nosso filho de dois anos às 9 da noite, já não é fácil. Se estiver a chover, ainda pior. Se o consultório não tiver estacionamento... pior ainda.
Mas a coisa até podia não ser muito má. Só esperámos 1 hora (o tempo médio de espera pode ascender às 3) e a médica, consciente de que os pais não são ricos, nem cobrou a consulta. Obrigadainha Dra Odília.
Fazendo as contas ao tempo, eram 10 da noite e eu tinha uma criança quase a dormir nos braços e uma receita médica para aviar. Resolvi confiar no serviço 1820 (o antigo 118) que se gaba constantemente de ter informações sobre farmácias de serviço e restaurantes. Liguei "Podia-me dizer, por favor, se há alguma farmácia de serviço na área da Estefânia, Saldanha ou Praça do Chile?". Depois de 5 minutos de espera (cinco minutos numa chamada de serviço acrescido não é brincadeira), o rapazito lá me diz que não, que a mais perto é na rua Alexandre Herculano (quase no Rato) ou na Praça de Londres. Praça de Londres aqui vou eu.
A dita farmácia fica quase numa esquina. Estacionar é quase impossível e eu tinha um miúdo de 2 anos e 14kg para transportar... não foi fácil e ainda ouvi uns anormais a buzinar.
Chegados ao interior da farmácia não houve quem se compadecesse com a minha triste figura de mãe a desfalecer com um puto ao colo. Espera pela tua vez e é se queres, devem ter pensado. e eu esperei. E enquanto esperava vi uma placard electrónico no interior da farmácia onde estavam mencionadas as farmácias de serviço. E eis o meu espanto quando vejo que a farmácia do largo da Estefânia estava de serviço... ai que vontade eu tive de partir a boca ao tipo do 1820. Só mais uma coisinha. De que me serve aquele tipo de informação quando eu já estou DENTRO de uma farmácia de SERVIÇO????
Chegada ao carro, parti em direcção a casa, a rezar para que não chovesse e para ter um lugarzinho à porta de casa. São Pedro atendeu-me. O mesmo não posso dizer do Deus do Estacionamento. Fiquei a mais de 100 metros de casa. Tive de carregar o Henrique que, entretanto adormecera, e não foi só até à porta do prédio. Lá dentro, aguardavam-me três fantásticos andares de escadas para galgar...
Isto de não ter gajo em casa não é fácil.
quinta-feira, novembro 16, 2006
Até o tempo me contraria
quarta-feira, novembro 15, 2006
É bom, é muito bom
terça-feira, novembro 14, 2006
Dia nã, nã, nã
sexta-feira, novembro 10, 2006
És feia, és má!!!
terça-feira, novembro 07, 2006
Este carrossel não pára
Agora estou casada com uma quase celebridade. O meu gajo escreveu um livro, eu editei-o e agora esperamos que se vendam muitos exemplares.
A todos os amigos fica a nota: 8% do preço de capa (sem IVA) revertem a favor deste casal de amigos... comprem, ofereçam no Natal que a gente não leva a mal.
segunda-feira, novembro 06, 2006
domingo, novembro 05, 2006
Agrhhhhh
Vá-se lá saber porquê, ando nesta azáfama e nesta confusão de sentimentos a tentar manter o mínimo de equilíbrio possível. Hoje tive de levar com a fúria de uma amiga porque não tinha sido avisada das últimas e graves notícias.
Desculpem se me esqueço de contar a alguém, mas eu própria não sei muito bem como lidar com isto. Não está fácil e eu não tenho um manual de instruções.
sexta-feira, novembro 03, 2006
Gosto de ti
Neste momento, uma das minhas favoritas, aquela que tem o cartão de acesso mais directo ao meu coração, está triste, muito triste. Está a passar por algo que só posso imaginar. Está a passar, creio, pelo mesmo que passou o meu marido há um ano e meio quando lhe disseram que eu podia morrer a qualquer momento.
Eu, que não sei o que é estar desse lado, amiga, que só sei o que é estar do outro, queria muito dividir contigo essa dor e essa angústia que estás a sentir. Mas não consigo. Tudo o que possa fazer ou dizer vale de muito pouco e em nada pode alterar o que estás a sentir. Mas quero que saibas que o meu pensamento nem um momento está longe de ti e que és uma pessoa muito bonita. E que a vida tem de te reservar coisas boas.
Gosto de ti.
Mas que porra!
quarta-feira, outubro 25, 2006
Ser crescida é complicado
Passo a explicar: depois de muito penar decici contratar uma empresa para me angariar uma empregada. Explicados os requisitos à tal agência, mandaram-me uma empregada, a Marina. Pois bem, no primeiro dia a Marina deu a volta à casa, cheia de brios. Pensei que a coisa ia correr bem.
Mas, passada a euforia inicial, (ou, na gíria masculina, o tesão do mijo) a verdade é que a Marina deixa muito a desejar, especialmente tendo em conta que me foi apresentada como uma profissional. Demora 25 minutos para passar uma camisa, neste mês e meio de trabalho fez o jantar duas vezes (deveria fazer sempre), deixa coisas fora do sítio e não consegue pensar sozinha. Todos os dias tenho de lhe deixar um bilhete com todas as tarefas muito explicadinhas...
E agora sinto-me culpada porque lhe vou ter de dizer que não posso continuar com ela lá em casa. Acham isto normal? Logo eu que ando sempre a reivindicar.
terça-feira, outubro 24, 2006
Paragem rápida
quinta-feira, outubro 19, 2006
Isto não está fácil - Parte II
O Henrique continua a adaptar-se à creche (já não bate em tudo o que mexe mas fica a chorar quando me venho embora); agora está até em casa da avó doente com uma infecção respiratória.
O trabalho continua em doses industriais.
E eu estou tão cansada que me sinto a colapsar.
Mas adivinham-se momentos melhores. Amanhã espero poder finalmente jantar coma s minhas gajas... é verdade que uma delas não pode mas, como já disse, desta vez vais ahaver jantar, nem que seja numa roulotte no Campo Pequeno a comer uma sandes de courato, carago!
quinta-feira, outubro 12, 2006
Isto não está fácil
Isto não está fácil. Entre o muito trabalho (estou às Aranhas com uma revisão do livro da Carmen Miranda), a viagem do marido à Venezuela, a operação à pila do filhote, a recuperação da operação, as consultas do meu pai e a entrada do filhote na escola, cá estou não a pedido de muitas famílias mas da minha sanidade mental.
Esta tem sido a semana do horror. O Henrique entrou para a escola. Depois de dois anos de doce ninho, de mimo exclusivo da avó, de atenções e salamaleques, ele lá aterrou, às 10h da passada segunda-feira, numa sala cheia de meninos e meninas mais ou menos adaptados, mais ou menos chorosos.
E, se ele ficou bem e sem chorar, a verdade é que o comportamento dele aqui em casa nada tem a ver com o que já foi. De repente ficou malcriado, gria, chora por tudo e por nada, não come...
Isto não está fácil.
Mas o mais frustrante é a forma como, por vezes, olha para mim. Com uns olhinhos cheios de raiva, como que a perguntar-me "porque me deixas ali, porque não posso ir para a casa da minha avó".
amanhã é sexta. Depois vem o fim de semana. Tudo há-de melhorar
segunda-feira, setembro 18, 2006
Estado de espírito
quarta-feira, setembro 13, 2006
Um prémio para esta senhora

Um dia desta semana, acho que na segunda-feira, dei comigo a ver um episódio do "Sexo e a Cidade", uma das minhas séries do coração. Soa a cliché, coisa e tal, mas é mesmo assim. Gosto daquelas gajas e, por mais que a vida delas seja fabricada num estúdio e restrita aos 45 minutos de lazer que nos proporciona, a verdade é que há sempre um ponto de cOntacto com a vidinha real que a malta vive aqui em Lisboa, Portugal dos pequenitos.
terça-feira, setembro 12, 2006
Barulhinho Bom
Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro, o meu quilateVem, cara, me retrate
Não é impossívelEu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui, eu não sou de MarteVem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta bandeira de mim
Só não se perca ao entrarNo meu infinito particular
segunda-feira, setembro 11, 2006
Acabou
Estou de volta ao trabalho.
sexta-feira, setembro 01, 2006
Estou à beira de um ataque de nervos
sábado, agosto 26, 2006
AJUDA
Preciso de um com urgência.
Vá, perguntem aos vossos amigos.
Obrigada
Férias atípicas
Sinto-me estranha, sem grande utilidade, não me parece que esteja a ser de grande ajuda para o meu pai.
Talvez descansando o possa ajudar mais.
quarta-feira, agosto 23, 2006
Amigos
Obrigada
Dúvida existencial
Ontem, um médico teve a coragem de dizer ao meu pai que eles (médicos) não estavam ali (hospital oncológico) para falar com os doentes.
I beg your pardon????????????????????
terça-feira, agosto 22, 2006
Obrigada L
segunda-feira, agosto 21, 2006
Fuga
sexta-feira, agosto 18, 2006
O meu pai

O meu pai sempre teve um ar grave e sério. Não é uma pessoa de muitos risos. Principalmente, não é uma pessoa de rir sem motivo. Mas quando o meu pai ri tudo se ilumina. Porque, quando o faz é muito genuíno.
Passei grande parte da minha infância apaixonada pelo meu pai. Acho que é o que acontece com a grande maioria das meninas. O meu pai era o centro do meu pequeno universo, onde também havia lugar para as bonecas e, já nuns degraus abaixo, para a minha mãe. Era mesmo assim. ele chegava a casa e eu ia esperá-lo; quando estava cansado fazia-lhe uma massagem; arranjava-lhe os pés quando estes estavamo doridos das botas... havia sempre um esmero extra no seu lugar da mesa.
Depois, o tempo passou; eu cresci, tornei-me uma adolescente e aí passei grande parte da minha adolescência zangada com o meu pai. Eu não conseguia perceber o seu autoritarismo;"não podes isto, não podes aquilo"... deixava-me triste que ele não confiasse em mim, não me desse o benefício da dúvida. Hoje acho que ele também estava confuso. De repente a sua menina tinha crescido, queria ser adulta, queria ter liberdades e privilégios que só os adultos têm... e isso não é coisa fácil para um pai aceitar.
Quando saí de casa destrocei o seu coração. Ele sonhava com um grande casamento. Igreja, música, véu, vestido branco, festança que deixasse toda a vizinhança roída de inveja. Mas eu, pouco dada a satisfazer desejos alheios, troquei-lhe as voltas. Saí quase sem aviso, no dia em que chegou o roupeiro... ele ficou destroçado
Mais tarde veio o hábito. Ele habituou-se aquilo a que chama "um novo filho" e a ter uma filha que não era casada. Estranhamente, voltámos a estar mais perto um do outro. Eu voltei a ver nele aquela figura pela qual era apaixonada em menina e ele pôde volltar a amparar-me. Sem o autoritarismo da adolescência, porque eu era já uma pessoa distinta, fora do seu domínio, mas com o amor de sempre.
Quando fiquei doente vi nos seus olhos a revolta. O sorriso sumiu-se de novo. Percebi que ele não entendia porque razão eu estava a sofrer daquela forma, porque motivo não podia ser ele a estar no meu lugar. Mimou-me, nunca me deixou só. Esteve sempre presente.
Depois ficou ele doente e eu não quis acreditar. Para mim era inconcebível tanta dor, tanto sofrimento em tão pouco tempo. Queria fazê-lo sorrir, mostrar-lhe que podemos superar os maiores obstáculos quando queremos... No início pareceu-me que ele ia conseguir. Estava forte, determinado. Mas fui-me apercebendo que ele não tinha mais forças nem sorrisos. Tinha-os gasto todos comigo, a tentar animar-me, a tentar animar-se da minha dor.
Do meu casamento guardo muitas memórias fantásticas. Mas a memória que guardo do meu pai é a desta foto. Triste, pensativo. De olhos baços. Sem sorriso.
E agora, em mais um momento difícl, não consigo olhá-lo nos olhos e dizer que vai correr tudo bem. São poucos os medos que lhe conheço mas sei, desde o início da sua doença, o que o mais atormenta: a ideia da mutilação.
Queria tanto voltar a vê-lo sorrir!
quinta-feira, agosto 17, 2006
Porquê?
quarta-feira, agosto 09, 2006
Insatisfação crónica
A maior parte das vezes penso que tenho motivos para esta neura. O ser humano consegue ser realmente merdoso e eu, tenho tido a minha quota parte de experiências com merdosos.
Mas há momentos em que penso que o problema é meu e não dos merdosos. Afinal o que quero eu fazer? Onde quero trabalhar? De que forma posso sentir-me mais realizada? Será que não sou uma insatisfeita por natureza? Será que este nó vai mesmo passar?
Saudadinhas

Se ele está em casa queixo-me da rotina, da ida a casa da avó, do banho, da comidinha, da impossibilidade de sair de casa para apanhar ar. Se ele está fora é esta sensação de vazio horrível que me invade, de tal modo que até tenho saudades das birras monumentais como esta, devidamente documentada.
Volta filhote!
segunda-feira, agosto 07, 2006
A morte sem nome
quinta-feira, agosto 03, 2006
Citação
Marçal Aquino Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios
segunda-feira, julho 31, 2006
Estou bem, obrigada
terça-feira, julho 11, 2006
A ressaca
Agora, estamos de volta à vidinha do costume, com os problemas do costume... e com aquela dor de cabeça de quem está com uma bruta ressaca.
terça-feira, julho 04, 2006
A neura
Dêem-me dias quentes, fins de tarde amenos.







