terça-feira, novembro 14, 2006
Dia nã, nã, nã
sexta-feira, novembro 10, 2006
És feia, és má!!!
terça-feira, novembro 07, 2006
Este carrossel não pára
Agora estou casada com uma quase celebridade. O meu gajo escreveu um livro, eu editei-o e agora esperamos que se vendam muitos exemplares.
A todos os amigos fica a nota: 8% do preço de capa (sem IVA) revertem a favor deste casal de amigos... comprem, ofereçam no Natal que a gente não leva a mal.
segunda-feira, novembro 06, 2006
domingo, novembro 05, 2006
Agrhhhhh
Vá-se lá saber porquê, ando nesta azáfama e nesta confusão de sentimentos a tentar manter o mínimo de equilíbrio possível. Hoje tive de levar com a fúria de uma amiga porque não tinha sido avisada das últimas e graves notícias.
Desculpem se me esqueço de contar a alguém, mas eu própria não sei muito bem como lidar com isto. Não está fácil e eu não tenho um manual de instruções.
sexta-feira, novembro 03, 2006
Gosto de ti
Neste momento, uma das minhas favoritas, aquela que tem o cartão de acesso mais directo ao meu coração, está triste, muito triste. Está a passar por algo que só posso imaginar. Está a passar, creio, pelo mesmo que passou o meu marido há um ano e meio quando lhe disseram que eu podia morrer a qualquer momento.
Eu, que não sei o que é estar desse lado, amiga, que só sei o que é estar do outro, queria muito dividir contigo essa dor e essa angústia que estás a sentir. Mas não consigo. Tudo o que possa fazer ou dizer vale de muito pouco e em nada pode alterar o que estás a sentir. Mas quero que saibas que o meu pensamento nem um momento está longe de ti e que és uma pessoa muito bonita. E que a vida tem de te reservar coisas boas.
Gosto de ti.
Mas que porra!
quarta-feira, outubro 25, 2006
Ser crescida é complicado
Passo a explicar: depois de muito penar decici contratar uma empresa para me angariar uma empregada. Explicados os requisitos à tal agência, mandaram-me uma empregada, a Marina. Pois bem, no primeiro dia a Marina deu a volta à casa, cheia de brios. Pensei que a coisa ia correr bem.
Mas, passada a euforia inicial, (ou, na gíria masculina, o tesão do mijo) a verdade é que a Marina deixa muito a desejar, especialmente tendo em conta que me foi apresentada como uma profissional. Demora 25 minutos para passar uma camisa, neste mês e meio de trabalho fez o jantar duas vezes (deveria fazer sempre), deixa coisas fora do sítio e não consegue pensar sozinha. Todos os dias tenho de lhe deixar um bilhete com todas as tarefas muito explicadinhas...
E agora sinto-me culpada porque lhe vou ter de dizer que não posso continuar com ela lá em casa. Acham isto normal? Logo eu que ando sempre a reivindicar.
terça-feira, outubro 24, 2006
Paragem rápida
quinta-feira, outubro 19, 2006
Isto não está fácil - Parte II
O Henrique continua a adaptar-se à creche (já não bate em tudo o que mexe mas fica a chorar quando me venho embora); agora está até em casa da avó doente com uma infecção respiratória.
O trabalho continua em doses industriais.
E eu estou tão cansada que me sinto a colapsar.
Mas adivinham-se momentos melhores. Amanhã espero poder finalmente jantar coma s minhas gajas... é verdade que uma delas não pode mas, como já disse, desta vez vais ahaver jantar, nem que seja numa roulotte no Campo Pequeno a comer uma sandes de courato, carago!
quinta-feira, outubro 12, 2006
Isto não está fácil
Isto não está fácil. Entre o muito trabalho (estou às Aranhas com uma revisão do livro da Carmen Miranda), a viagem do marido à Venezuela, a operação à pila do filhote, a recuperação da operação, as consultas do meu pai e a entrada do filhote na escola, cá estou não a pedido de muitas famílias mas da minha sanidade mental.
Esta tem sido a semana do horror. O Henrique entrou para a escola. Depois de dois anos de doce ninho, de mimo exclusivo da avó, de atenções e salamaleques, ele lá aterrou, às 10h da passada segunda-feira, numa sala cheia de meninos e meninas mais ou menos adaptados, mais ou menos chorosos.
E, se ele ficou bem e sem chorar, a verdade é que o comportamento dele aqui em casa nada tem a ver com o que já foi. De repente ficou malcriado, gria, chora por tudo e por nada, não come...
Isto não está fácil.
Mas o mais frustrante é a forma como, por vezes, olha para mim. Com uns olhinhos cheios de raiva, como que a perguntar-me "porque me deixas ali, porque não posso ir para a casa da minha avó".
amanhã é sexta. Depois vem o fim de semana. Tudo há-de melhorar
segunda-feira, setembro 18, 2006
Estado de espírito
quarta-feira, setembro 13, 2006
Um prémio para esta senhora

Um dia desta semana, acho que na segunda-feira, dei comigo a ver um episódio do "Sexo e a Cidade", uma das minhas séries do coração. Soa a cliché, coisa e tal, mas é mesmo assim. Gosto daquelas gajas e, por mais que a vida delas seja fabricada num estúdio e restrita aos 45 minutos de lazer que nos proporciona, a verdade é que há sempre um ponto de cOntacto com a vidinha real que a malta vive aqui em Lisboa, Portugal dos pequenitos.
terça-feira, setembro 12, 2006
Barulhinho Bom
Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro, o meu quilateVem, cara, me retrate
Não é impossívelEu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui, eu não sou de MarteVem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta bandeira de mim
Só não se perca ao entrarNo meu infinito particular
segunda-feira, setembro 11, 2006
Acabou
Estou de volta ao trabalho.
sexta-feira, setembro 01, 2006
Estou à beira de um ataque de nervos
sábado, agosto 26, 2006
AJUDA
Preciso de um com urgência.
Vá, perguntem aos vossos amigos.
Obrigada
Férias atípicas
Sinto-me estranha, sem grande utilidade, não me parece que esteja a ser de grande ajuda para o meu pai.
Talvez descansando o possa ajudar mais.
quarta-feira, agosto 23, 2006
Amigos
Obrigada
Dúvida existencial
Ontem, um médico teve a coragem de dizer ao meu pai que eles (médicos) não estavam ali (hospital oncológico) para falar com os doentes.
I beg your pardon????????????????????
terça-feira, agosto 22, 2006
Obrigada L
segunda-feira, agosto 21, 2006
Fuga
sexta-feira, agosto 18, 2006
O meu pai

O meu pai sempre teve um ar grave e sério. Não é uma pessoa de muitos risos. Principalmente, não é uma pessoa de rir sem motivo. Mas quando o meu pai ri tudo se ilumina. Porque, quando o faz é muito genuíno.
Passei grande parte da minha infância apaixonada pelo meu pai. Acho que é o que acontece com a grande maioria das meninas. O meu pai era o centro do meu pequeno universo, onde também havia lugar para as bonecas e, já nuns degraus abaixo, para a minha mãe. Era mesmo assim. ele chegava a casa e eu ia esperá-lo; quando estava cansado fazia-lhe uma massagem; arranjava-lhe os pés quando estes estavamo doridos das botas... havia sempre um esmero extra no seu lugar da mesa.
Depois, o tempo passou; eu cresci, tornei-me uma adolescente e aí passei grande parte da minha adolescência zangada com o meu pai. Eu não conseguia perceber o seu autoritarismo;"não podes isto, não podes aquilo"... deixava-me triste que ele não confiasse em mim, não me desse o benefício da dúvida. Hoje acho que ele também estava confuso. De repente a sua menina tinha crescido, queria ser adulta, queria ter liberdades e privilégios que só os adultos têm... e isso não é coisa fácil para um pai aceitar.
Quando saí de casa destrocei o seu coração. Ele sonhava com um grande casamento. Igreja, música, véu, vestido branco, festança que deixasse toda a vizinhança roída de inveja. Mas eu, pouco dada a satisfazer desejos alheios, troquei-lhe as voltas. Saí quase sem aviso, no dia em que chegou o roupeiro... ele ficou destroçado
Mais tarde veio o hábito. Ele habituou-se aquilo a que chama "um novo filho" e a ter uma filha que não era casada. Estranhamente, voltámos a estar mais perto um do outro. Eu voltei a ver nele aquela figura pela qual era apaixonada em menina e ele pôde volltar a amparar-me. Sem o autoritarismo da adolescência, porque eu era já uma pessoa distinta, fora do seu domínio, mas com o amor de sempre.
Quando fiquei doente vi nos seus olhos a revolta. O sorriso sumiu-se de novo. Percebi que ele não entendia porque razão eu estava a sofrer daquela forma, porque motivo não podia ser ele a estar no meu lugar. Mimou-me, nunca me deixou só. Esteve sempre presente.
Depois ficou ele doente e eu não quis acreditar. Para mim era inconcebível tanta dor, tanto sofrimento em tão pouco tempo. Queria fazê-lo sorrir, mostrar-lhe que podemos superar os maiores obstáculos quando queremos... No início pareceu-me que ele ia conseguir. Estava forte, determinado. Mas fui-me apercebendo que ele não tinha mais forças nem sorrisos. Tinha-os gasto todos comigo, a tentar animar-me, a tentar animar-se da minha dor.
Do meu casamento guardo muitas memórias fantásticas. Mas a memória que guardo do meu pai é a desta foto. Triste, pensativo. De olhos baços. Sem sorriso.
E agora, em mais um momento difícl, não consigo olhá-lo nos olhos e dizer que vai correr tudo bem. São poucos os medos que lhe conheço mas sei, desde o início da sua doença, o que o mais atormenta: a ideia da mutilação.
Queria tanto voltar a vê-lo sorrir!
quinta-feira, agosto 17, 2006
Porquê?
quarta-feira, agosto 09, 2006
Insatisfação crónica
A maior parte das vezes penso que tenho motivos para esta neura. O ser humano consegue ser realmente merdoso e eu, tenho tido a minha quota parte de experiências com merdosos.
Mas há momentos em que penso que o problema é meu e não dos merdosos. Afinal o que quero eu fazer? Onde quero trabalhar? De que forma posso sentir-me mais realizada? Será que não sou uma insatisfeita por natureza? Será que este nó vai mesmo passar?
Saudadinhas

Se ele está em casa queixo-me da rotina, da ida a casa da avó, do banho, da comidinha, da impossibilidade de sair de casa para apanhar ar. Se ele está fora é esta sensação de vazio horrível que me invade, de tal modo que até tenho saudades das birras monumentais como esta, devidamente documentada.
Volta filhote!
segunda-feira, agosto 07, 2006
A morte sem nome
quinta-feira, agosto 03, 2006
Citação
Marçal Aquino Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios
segunda-feira, julho 31, 2006
Estou bem, obrigada
terça-feira, julho 11, 2006
A ressaca
Agora, estamos de volta à vidinha do costume, com os problemas do costume... e com aquela dor de cabeça de quem está com uma bruta ressaca.
terça-feira, julho 04, 2006
A neura
Dêem-me dias quentes, fins de tarde amenos.
domingo, julho 02, 2006
Até os comemos!
terça-feira, junho 06, 2006
Amigos - Parte II
terça-feira, maio 30, 2006
Os melhores do mundo
quinta-feira, maio 25, 2006
Aos meus amigos
quarta-feira, abril 26, 2006
domingo, abril 23, 2006
sábado, abril 22, 2006
Não há festa como esta
quinta-feira, abril 20, 2006
Calor que provoca arrepio
Volta!
Afinal, quem somos nós?
sexta-feira, março 24, 2006
Quanto pode custar uma fotocópia?
sábado, março 18, 2006
Olha a boca de leão
Desejos
quarta-feira, março 15, 2006
As minhas miúdas
segunda-feira, março 13, 2006
Porque é Primavera
os cheiros são mais agradáveis,
as pessoas mais simpáticas
e eu ando mais contente com a vida
sábado, março 11, 2006
365 DIAS
sábado, fevereiro 18, 2006
Sweet 30!

Há momentos sublimes, em que nos sentimos especiais por estar a partilhar algo de único, singular. Foi assim que me senti na noite de 11 de Fevereiro, no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, durante o concerto de Cecília Bartoli.
Foi um momento único. Durou duas horas e meia, é certo, mas foi único, inegualável. Uma das experiências mais bonitas que vivi.
Não me lembro de forma melhor de entrar nos 30!
sábado, fevereiro 04, 2006
Pequena conquista
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
Como odiar o Ikea
Quatro meses de descanso
quarta-feira, janeiro 25, 2006
Obrigada Aníbal
Pois bem, achava eu que a minha história recente já estava bem preenchida destes incidentes quando fui informada que, a haver segunda volta nas eleições presidenciais, ela seria no dia 12 de Fevereiro. Um dia como outro qualquer, dirão vocês. Mas, para mim, seria mais um daqueles incidentes, desta vez um dos grandes.
Que eu tenha que levar com o Aníbal e com a Maria nos próximos 10 anos.... ainda se admite. Mas o dia 12 de Fevereiro de 2006 é também o dia em que faço 30 anos e, convenhamos, já chega de coincidências. Quão mais manchada poderia ficar a minha história pessoal?
Por isso agradeço ao Aníbal por ter ganho à primeira.
E agradeço também a todos os palermas de memória curta que nele votaram e assim evitaram a minha vergonha suprema.
Carta de intenções dos 30
mais bem disposta
mais contente com a vida
mas atenta à minha família e aos meus amigos
mais ponderada
mais realizada
quinta-feira, janeiro 12, 2006
Os saldos
segunda-feira, janeiro 09, 2006
Para a CG
Fui ver um espectáculo e desafiaram-me a escrever um texto sobre o que vi. Há muito que não o faço, amiga. Perdoa-me se te decepcionar. De qualquer forma, quero aqui deixar claro que vou escrever o que senti. Sem "responsabilidades" jornalísticas. Essas ficaram para trás. Não vou justificar excessivamente o que senti ou achei. Ficarei pelo plano pessoal e nesse tudo é permitido. Quem sabe este não será um exercício de libertação.
Seis corpos num espaço aparentemente normal. Um interior de uma casa. Qualquer coisa entre uma sala e uma cozinha. Um espaço do quotidiano facilmente identificável como tal. Seis corpos perdidos nele. Seis corpos que interagem com o espaço ao qual estão confinados de forma por vezes absurda, anormal. O que procuram? Num aparente caos (que o coreógrafo chama de desordem), estes seis interpretes vão desmontando o espaço onde habitam, vão desconstruindo a realidade com um conjunto de acções que, por vezes, roçam o paranóico.
Gostei das intenções que Giles Jobin enunciou no texto que acompanhava o programa deste "Steak House", mas não gostei assim tanto do resultado.
Se a arte é uma apropriação da vida, como gosto de pensar que é, houve momentos em que me revi, de alguma forma, naqueles gestos, naquela quase histeria de movimento, de desconstrução do meio ambiente. Gostei, sobretudo, do modo como todo o cenário é destruído e reconstruído e, posteriormente, objecto de apropriação.
Gostei também da forma como cada um dos intérpretes se esbatia no espaço, se tentava confundir com este.
Mas faltou-lhe qualquer coisa. Ou será muita coisa?
Não me emocionei. Não presenciei um momento sequer que me sentisse surpreendida e isso, para mim, é fundamental.
Algo que me acontece cada vez mais: ver coisas que já vi aqui e ali, por outros criadores e, por vezes, com mais consistência, mais fôlego.
Não sei o que achaste, amiga. Mas também não me pareceste particularmente entusiasmada.
Diz-me
Beijos
quarta-feira, janeiro 04, 2006
A inevitabilidade da morte
Não se pode dizer que a pessoa em causa fosse um amigo. Foi apenas o meu primeiro director, o meu primeiro chefe enquanto jornalista. Já lá vão alguns anos. E foi-o durante pouco tempo, pouco mais de seis meses. No entanto, a sua morte marcou-me profundamente. Talvez porque sempre foi uma pessoa que me tratou com bastante dignidade. Perto dele nunca me senti menor pelo facto de ser uma estagiária. Talvez porque ele tenha morrido com cancro, essa doença que tem convivido comigo tão de perto. Hoje, enquanto estava naquela capela a assistir à missa, senti-me a tremer, como se o chão me estivesse a fugir debaixo dos pés. E dei comigo a pensar que daqui a pouco tempo poderia ser eu a estar no lugar dele. Bem sei que este tipo de pensamentos não ajudam nada, mas foi inevitável. Por mais que eu tente afastá-la de mim, a morte ronda-me, de forma mais ou menos intensa.
terça-feira, janeiro 03, 2006
Ano Novo
terça-feira, dezembro 20, 2005
Atrás do Natal
sexta-feira, dezembro 16, 2005
Para o meu pai
quarta-feira, dezembro 14, 2005
Na sombra

Quando me tiraram esta foto estava no Brasil, de férias. Foram uns dias fantásticos, com muita cor, sol e boa disposição.
A primeira vez que vi esta foto, ela não fazia muito sentido: as férias tinham sido tão boas, a sombra estava a mais. Mas hoje sinto-me assim, uma sombra de mim mesma. quando acho que nada pode piorar que, de alguma forma, vou sair por cima e dar a volta a esta filha da putice pegada que tem sido 2005, acontece algo mais.
quinta-feira, novembro 17, 2005
A importância do prefixo sobre
Esta manhã voltei a lembrar-me do Zuenir (assim se chama) porque me veio à cabeça uma ideia que desenvolveu no seu livro e que se encaixa perfeitamente na minha vida.
A paginas tantas, no livro, ele fala que, depois de lhe ter sido diagnosticado o cancro, os médicos passaram a falar-lhe em sobrevida. "A taxa de sobrevida isto, a taxa de sobrevida aquilo". Trata-se de uma designação médica, mas a nós, que estamos doentes, o prefixo "sobre" soa, no mínimo, muito mal. Não só estamos doentes como passamos a ter uma sobrevida. Assim como se o nosso direito a viver tivesse acabado e tudo o que nos restasse devesse ser encarado como uma ajudinha, uma borla da medicina.
domingo, outubro 09, 2005
É o fim da picada
sábado, outubro 08, 2005
terça-feira, outubro 04, 2005
Medos
Hoje fui ao médico. Consulta de rotina, uma das muitas que me esperam nos próximos anos. Aquele é um ambiente que já me é familiar. Acho mesmo que seria capaz de lá chegar de olhos fechados, percorrer aqueles corredores sem precisar de os olhar. Os cheiros, os sons... já estão cravados em mim.
Sentei-me. Vislumbrei algumas caras familares. Companheiros da dor. Cada um com a sua história, cada um com o seu medo. Entre sorrisos e palavras de conforto ficou um sentimento estranho, um mal estar generalizado que me percorreu o corpo e que ainda agora sinto.
domingo, outubro 02, 2005
Dávida
Estes pensamentos não são muito agradáveis mas eu tenho-os e, por vezes, é necessário algo de mais estraordinário acontecer para ter a noção de como tudo é relativo, de como estar doente não é uma sentença de morte e mais, como pessoas que, aparentemente, não tem nada que lhes limite a esperança de vida, se encontram com a morte. Foi o que aconteceu ontem. No regresso de uma festa deparei-me com um acidente de viação. Ali, bem à minha frente estava um corpo inanimado. Provavelmente morto. Um homem de capacete estava deitado no chão ao lado de uma enorme poça de sangue. Parecia morto. Parecia jovem. Pensei imediatamente em quem seria, quais seriam os seus sonhos, quem seria a sua família. E aí percebi o choque, o horror. O encontro com a morte não estava marcado mas, mesmo assim, aconteceu. Aquele rapaz ali deitado à minha frente, provavelmente não teve tempo para se despedir da vida. Não pôde fazer nada para contrariar a sua "sentença". Ela chegou e isso bastou. O ditado diz que a infelicidade dos outros não faz a minha felicidade mas, a verdade, é que nesse momento percebi a minha sorte. A mim foi-me dada a oportunidade de lutar pela vida, de me agarrar a ela com unhas e dentes. De mostrar o quanto estou empenhada em viver. E ali, naquele momento que não durou mais que três ou quatro segundos, senti-me feliz por essa oportunidade e dei-me conta da fragilidade que envolve a nossa existência. Tudo pode depender de uma fracção de segundo, de um instante.
Esta tarde, quando tive nas minhas mãos uma pequenita vida, voltei a pensar sobre o rapaz de ontem. Ter um bebé nos braços, ver toda aquela fragilidade mas, em simultâneo, toda aquela vitalidade e alegria ajuda a perceber como a vida é realmente uma dávida, algo a preservar.
quinta-feira, setembro 29, 2005
O cutelo
É verdade: rendi-me!
Tudo parecia estar bem encaminhado até hoje, dia 29 de Setembro quando, seguindo a sugestão de uma amiga, resolvi ler o texto que um amigo comum tinha escrito a propósito do nascimento do seu filhote. Pois é Vitor, tu és o verdadeiro responsável por esta mudança de comportamento.
Ler o texto que o Vitor escreveu sobre o Miguel mexeu comigo. De tal como que não consegui conter as lágrimas. Estava ali grande parte do que eu própria tinha sentido quando o meu filhote nasceu. Ainda por cima escrito por alguém que não eu. Então pensei que, se calhar, estava na altura de passar para a escrita algumas das emoções que me têm acompanhado nestes últimos meses.
A ti, Vitor, obrigada.
Obrigada também à melhor amiga do mundo que me ajudou a criar este espaço.



